quinta-feira, 17 de junho de 2010

A ORAÇÃO - SAIBA COMO ORAR



Certamente você já se perguntou:

Porque não sou atendido em minhas orações? ... Mas... você já parou pra pensar como você ora?

Será que na oração somos escravos de "fórmulas"? Sabemos orar sem recitar o Pai-Nosso, Ave-Maria, o Creio, etc.? Porque temos tanta dificuldade em conversar livre e espontaneamente com Deus, como filhos e filhas? E a própria Missa, se o presidente da celebração não se cuida, ele se limita apenas a uma leitura, (até mesmo mal feita), dos textos e do ritual, sem nada, sem unção interior, fazendo tudo como se fosse uma tarefa a cumprir, uma burocracia fria e ritualística. (de Ir. Nery, fsc)

Interessante perceber que somente uma vez apenas, Jesus ensinou aos discípulos orar, porque Jesus fora pressionado pelos seus discípulos tendo em vista a maneira com que os fariseus oravam. Jesus vem ensinar que: a) a Oração é uma conversa direta entre você e Deus; b) Não existe fórmulas para orar. Para rezar sim, mas para orar não!; c) Jesus ensina que é preciso ter humildade na Oração, ela não deve servir para nos engrandecer. Por isso Jesus critica os fariseus que oravam em troca de uma recompensa externa, ou até mesmo para serem vistos e elogiados em público. Mt6, 5-8; d) Jesus vem nos ensinar que devemos chamar a Deus de Pai e pedir o necessário para nossa vida e nossa santificação.  
                                                                                                  


O que é oração?

A Oração é um momento íntimo entre você e Deus, é uma conversa  íntima que deve brotar espontaneamente do seu íntimo. Sabendo que Deus é Pai, devemos ter uma relação de amor com Ele, um relacionamento de um filho para com o pai. 
A Oração é um momento especial, não podemos esquecer que Deus não precisa dela para agir em nossas vidas, pois ele conhece o interior do nosso pensamento, mas precisa que nós entremos em contato com Ele para que a graça aconteça. Pois Deus não nos dá aquilo que não pedimos.

Em um estudo mais profundo da Oração vamos aqui relembrar várias situações na Bíblia em que nos ajuda a refletir sobre este assunto tão importante:

No Antigo Testamento encontramos um exemplo de como os reis e os profetas oravam a Deus. Era muitas vezes uma conversa franca, mais ao mesmo tempo suave. Havia uma harmonia entre o diálogo de oração.
Por exemplo:

Moisés quando precisava falar com Deus subia até o monte e ali conversava sobre si e os problemas de seu povo. E todas as vezes era atendido seja em sua causa, seja em favor da Comunidade que ele dirigia. Deus se mostrava sempre presente mesmo quando aquele povo parecia mal agradecido por causa das situações em que passavam.  A oração de Moisés era sempre motivada de louvor, adoração, ação de graças e pedido.

o Rei Davi cantava salmos, de louvor, agradecimento, súplicas, louvor, ação de graças e perdão pelos seus pecados e os do povo. Uma maneira muito peculiar de oração. Era que Davi  usava da música para cantar orando a Deus. E Ele gostava da oração de Davi. Os Salmos foram escritos mais tarde e até hoje são usados por nós em todos momentos, inclusive na celebração da Missa. Os Salmos misturados a poesia formou-se uma oração suave que subia até Deus. Ele nunca deixou Davi sem resposta.

Já no Novo Testamento, Jesus vem ensinar e dar exemplo de oração. Ele mesmo Orava ao Pai sempre. E ensinava que a oração deve ser como um vigia. Devemos estar sempre em contato com Deus. Para isso era necessário estar intimamente ligados a Deus por este único fio, a oração.
Jesus se retirava muitas vezes para orar, para conversar com seu Pai. Diariamente conversava com o Pai, louvava e agradecia pela obra de salvação que Ele o Filho tinha vindo realizar. 

PARA QUE SERVE A ORAÇÃO? - A oração serve : 1) Para que possamos estar ligados a Deus em todas as situações. 2) Para nos santificar e nos afastar das tentações que  impedem a graça de Deus agir em nós. 3) Para nos penetrar na graça santificadora e salvadora de Jesus. 4) Para estarmos sempre em comunhão com Deus. 4) Para participar da ação santificadora do Espírito Santo.  

Jesus nos ensinou como é a maneira certa de orar:
1) A Oração deve ser íntima - devemos abrir nosso íntimo diante de Deus. Não deve ser recheada de muitas palavras, mas de uma simples conversa entre a pessoa  e Deus. A conversa deve ser de um filho para com o Pai: "Quando orardes, não façais publicamente como os hipócritas que gostam de ser visto pelos homens, entra no teu quarto feche a porta e ora ao teu Pai em segredo..." Mt 6, 5-6; "Não multipliqueis palavras..." Mt6, 7a. (pois Deus não está interessado na força das palavras e sim no íntimo de sua oração). Neste caso Jesus está falando da Oração particular, não da Oração Comunitária que estudaremos mais à frente.

2) É preciso que na Oração Deus seja reconhecido como Pai. E não podemos esquecer que para nos dirigirmos a Deus de coração aberto é necessário que o nosso coração esteja aberto também para o nosso irmão, principalmente para dar o perdão a quem nos ofendeu. Pois como filhos de Deus somos uma só família.
E neste sentido Jesus ensinou a oração do Pai-Nosso, para nos mostrar como deve ser a oração de cada um. E como é essa relação de Filho e Pai. "Porque se perdoardes aos homens suas ofensas, vosso Pai os perdoará!" Mt 6, 9-14.

3) Não podemos querer forçar a Deus a fazer nossa vontade, em atender nossos caprichos, pois Deus não é nosso empregado. Devemos sim, buscar e pedir que seja feita a sua vontade. De acordo com o que precisamos: "assim na terra como no céu!" Mt6, 10.

4) Santificando o nome de Deus reconhecemos que Ele, só Ele é o senhor de nossa vida, e esta santificação se estende a todos nós e ao mesmo tempo a toda milícia celeste. O senhor é nosso Deus só ele é Santo.

5) Devemos entender que de nada adianta uma Oração se não servir para nos por diante do Reino de Deus e fazer com que este reino se torne realidade. "Venha a nós o vosso Reino!" Mt 6, 10. Que bom seria se buscássemos viver esse Reino de Deus já aqui na Terra. Pois o mundo seria sem injustiça e violenta e viveria longe do egoísmo. 

6) Perdoar sempre. É preciso perdoar, principalmente nos perdoar, para que possamos perdoar os outros. Não podemos negar o perdão a ninguém se quisermos ser e agir como verdadeiros filhos de Deus. Por isso quando buscarmos a Deus na Oração, devemos antes perdoar, a nós mesmos e aos que nos ofenderam. Depois sim obter o perdão de Deus. "Porque se perdoardes os pecados vosso Pai vos perdoará!" Mt 6, 12.

7) E por fim. Estar livre das tentações. Para que vivamos longe do mal, devemos renunciar sempre às tentações que nos leva ao pecado e nos afasta de de Deus. Para isso somente Deus pode através do seu Espírito Santo nos santificar e nos iluminar de modo que trilhemos sempre o bom caminho, para que nos livremos do mal. E qual é esse mal? - a falta de fé, de amor a Deus e ao próximo. Mt6, 13. Sempre devemos pedir, não nos deixe cair em tentação, principalmente quando a tentação maior for achar que somos superiores a Deus, quando nos colocamos no lugar de Deus, querendo brincar com a vida. 

A nossa oração deve ser acompanhada de boas obras, como quem ajunta um tesouro, pela oração deve fortalecer e purificar nosso coração. 
Nossa alma deve ser pura e nossos olhos devem sempre enxergar a verdadeira Luz.
A Oração é esse tesouro que no qual Jesus fala em Mt6, 19-21. É ela quem vai nos iluminar e nos por diante do caminho certo.
Se observarmos todo o Capítulo 6, Jesus vai ensinar que de nada adianta uma oração que não tem prática, sem vivência da Oração ela não nos produzirá os frutos necessários para nossa edificação e ao mesmo tempo para nossa salvação. Segundo Jesus como deve ser a prática do orante?

QUAIS SÃO OS TIPOS DE ORAÇÃO, SEGUNDO A BÍBLIA?

Segundo a Bíblia há quatro tipos de oração:

1 - LOUVOR - louvamos a Deus quando reconhecemos seu poder diante de todas as coisas criadas, seu poder supremo, sua Majestade infinita. Engrandecemos o nome de Deus quando louvamos reconhecendo que só Ele é Senhor de tudo que existe.O louvor a Deus é muito importante, tão importante que até os anjos louvam a Deus (Lc2, 13-14) (Ap5, 11-12). Esse poder é dado por Deus a nós não porque merecemos mas porque dando glória a Deus reconhecemos que Ele está sempre presente e como tal é Digno de todo louvor porque é nosso Deus e Senhor. Ao mesmo tempo louvamos ao seu Filho Jesus, segunda pessoa da Santíssima Trindade e o Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade, que é um só Deus em três pessoas. De todos os louvores, fico aqui com o louvor escrito por São Paulo, aconselho a você que leia-o e ore também! Ef 1, 3-14.  "Bendito seja Senhor Deus de nossos pais, que nos escolheu antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos!"

2 - AGRADECIMENTO OU AÇÃO DE GRAÇAS - devemos ser gratos a Deus por tudo, pelo dom da vida, pelo que temos e somos, pela família, pelos amigos, pelos inimigos, pelo emprego, pelas coisas boas e ruim, e sobretudo porque somos seus filhos. Devemos agradecer a Deus porque ele nos ama como Pai e como tal nos criou para sermos felizes e viver em santidade. Devemos ser gratos a Deus porque ele nos salvou através de seu Filho Jesus. Em tudo devemos dar graças a Deus, nos diz São Paulo. Ser agradecidos principalmente com o amor de Deus e a com a vida que Ele nos deu.

3 - SÚPLICA - suplicamos a Deus, a intercessão dos seus santos e seus anjos, sobretudo, em nossas dificuldades, reconhecendo que em tudo Deus pode. Como nosso Pai e criador e segundo sua vontade, pedimos a Ele ou a intercessão de seus santos (as), que nos concederá segundo a sua vontade pelos méritos de Jesus Cristo nosso Senhor. A súplica é uma graça dada por Deus, uma maneira que temos de pedir a interferência divina sobre nossa vida. Deus quer nos ouvir e nos dá segundo o que merecemos. Qual pai que não ouve e não atende o seu filho?... Até Jesus usava da súplica, do pedido, para com Deus. A súplica de Jesus é sempre acompanhada de ação de graças e louvor ao seu Pai. Jo17, 9. "Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste!" - Jesus pede ao Pai fortaleza para os discípulos aos quais iriam em breve testificar o seu sofrimento e a sua morte. A súplica nos põe em humildade diante de Deus, como criaturas limitadas que somos. Jo 15, 20. "O servo não é maior que o senhor!" nos ensina Jesus.
Deus quer que supliquemos, que peçamos. Isto é importante. Lc11, 9-10. "Pedi e recebereis, procurais e achareis, batei e será aberta, pois o que pede recebe, aquele que procura acha e o que bate lhe será aberta!"
Deus atende todos nossos pedidos, ele é Pai e nos acolhe como filhos que somos. Jesus ensina que Deus é como um Pai zeloso que atende seus filhos da melhor maneira. Lc11, 11-13. "Se vós pois que sois maus, concedeis coisas boas aos seus filhos, quanto mais o vosso Pai do Céu dará o Espírito Santo a quem o pedirem!" ... e é isto! ... muitas vezes não alcançamos a graça, porque não sabemos pedir o autor da graça que é o Espírito Santo. Pois quando pedimos a ação de Deus em nossas vidas todas as coisas são resolvidas. Aqui está a chave da verdadeira oração e da verdadeira súplica.

IMPORTANTE! - não podemos determinar nada a Deus, como se Deus fosse nosso empregado. Não! somos seus filhos e Deus nos concede conforme nossas necessidades. Muita gente pede grandes coisas para Deus, determina curas e grandes milagres, mas em que isto pode valer para o reino de Deus? ...

4 -  ADORAÇÃO - aqui também estamos em uma só comunhão, com os anjos e com os santos. Devemos adorar unica e exclusivamente a Deus. Reconhecer Deus como Rei supremo, sua Onipotência, sua majestade eterna. Pois ele é o início e o fim de tudo. Deus é nosso Rei Eterno. Seu Filho em igual majestade e o Espírito Santo Paráclito também um só Deus, um só Senhor. Por isso adoramos Jesus, presente na Eucaristia, porque Ele é nosso Deus. A Deus é dada toda honra e toda glória. A ele todo louvor, toda ação de graça!
ADORAR EM ESPÍRITO E VERDADE - isto é estar dentro desta união Trinitária, comungar desta união, e estabelecer um único vínculo amoroso para com Deus. "Perante o nome de Jesus se dobre todo joelho, no Céu, na Terra e até nos infernos!" nos diz são Paulo na sua carta. Somente Deus é o Senhor. Quando falamos, e reconhecemos isso estamos falando do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Não dá para dizer que se é cristão se eu não adoro a Deus como meu Senhor e a Jesus como meu salvador e ao Espírito Santo como meu santificador.

"Portanto irmãos sede vigilantes na Oração!" 1Ts 4, 2 ; devemos estar vigilantes, isto é firmes, orar sempre nestas três etapas: louvor, ação de graças, adoração e súplica. Porque muitas muitas vezes pedimos, pedimos e não agradecemos, nem louvamos a Deus quando somos atendidos, nem o adoramos reconhecendo que Ele é nosso único Senhor. Então nossa oração é muitas vezes amputada, imperfeita. Queremos tudo de Deus, menos que Ele seja Senhor de nossa vida, que nos conduza, falta a presença do Espírito Santo. Olhamos nossos próprios interesses, mas nunca sua vontade. "Seja feita a vossa vontade!", essa palavra nem sempre é aceita por nós e fazemos de Deus um "fantoche" ou nosso empregado. E quando não somos atendidos ainda O ofendemos dizendo e questionando o porque.  Sem nos darmos conta de que Deus cuida de nós sempre, mas nunca cederá a nossos caprichos.

O PAI-NOSSO

O PAI NOSSO É FORMULA ?

O Novo testamento e o Catecismo da Igreja Católica dão a entender que o Pai-Nosso é um roteiro de como Orar, (porque Jesus mesmo disse: "Em vossas orações dizei: Pai-Nosso que estais no Céu...  Mt6, 9); Pode ser usado sim, como fórmula, mas ele é acima de tudo um roteiro, uma orientação. Vamos resumir o que diz o Catecismo da Igreja Católica no. 2777 a 2865:

O PAI-NOSSO COMO UM ROTEIRO PARA ORAÇÃO 

a) Endereço: Jesus nos ensina que em toda e qualquer oração tem um endereço: O Pai, mas o "Pai Nosso, isto é, de todos!"
Ele diz que mora no Céu. Na cultura da época o Céu  significava situação de felicidade Plena.

b) Conversar sobre o próprio Deus: No Pai Nosso Jesus sugere que falemos com Deus Pai, primeiramente sobre ele mesmo. E como exemplo, apresenta três temas: 1. que o nome de Deus seja reconhecido, respeitado e amado. 2. Que realizemos a vontade de Deus aqui na Terra, como é realizada na vida eterna, feliz no Céu. 3. Que o reinado de Deus aconteça no coração das pessoas. Nos relacionamentos humanos, na construção de um mundo melhor.

c) Conversar sobre nossas necessidades: No roteiro do Pai Nosso, Jesus sugere quatro situações:


  1. "Pão", além do alimento corporal, há muitos outros alimentos para cada dia: saúde, roupa, casa, trabalho, amizade, amor, cultura, Fé, etc.
  2. "Perdão e reconciliação", somos humanos e facilmente erramos. Jesus diz que Deus nos perdoa, mas é preciso reconciliar-nos com os outros. 
  3. "Tentação", Somos continuamente impulsionados ao erro, ao ofender as pessoas, à corrupção interior , pedimos para termos barreiras interiores e exteriores contra a tentação. 
  4. "Não cair no mal", Pedimos que Deus nos ajude a não nos entregarmos ao malígno, a Satanás. E a fugir dele a das suas seduções. Mas também que Deus nos livre de sermos como demônios para os outros.            

d) Conclusão do Roteiro: São duas. Foram acrescentadas pela Igreja. Uma é o ato de fé e de louvor, tirada do primeiro resumo da fé cristã, o livrinho Didaqué (ensinamentos), escrito em meados do século II d.C: "Porque vosso é o Reino o poder e a glória para sempre!". A segunda conclusão é o Amém. Que na cultura dos judeus, significa: rocha, firmeza, certeza. Ou seja que se cumpra realmente o que acabamos de conversar com Deus.
          
(texto de Ir. Nery, fsc)

  

                            

domingo, 13 de junho de 2010

UM CORAÇÃO MISERICORDIOSO

(texto de D. Murilo S. R. Krieger, Scj)



O evangelista São João descreve somente sete milagres realizados por Jesus. Um deles se refere ao cego de nascença, ocupa um capítulo inteiro, (o nono), de seu evangelho - o que é muito, num texto de 21 capítulos, tento resumir o fato:  

Jesus ao passar viu um cego de nascença. Ao passar: Jesus é aquele que continuamente passa pelos caminhos dos homens e mulheres. Viu um cego de nascença: os apóstolos, expressando o que pensavam as pessoas de seu tempo a respeito das doenças, queriam saber quem havia pecado para ele ser cego. Ele próprio ou seus pais. Jesus os repreendeu. dizendo que nem eles, nem seus pais pecaram.  Neste cego se manifestariam as obras de Deus. Depois Jesus ungiu os olhos do cego e mandou-o lavar na piscina de Siloé em Jerusalém. O cego ficou curado. O que deveria ser motivo de alegria para todos foi motivo de confusão. Os fariseus  não se concentravam no milagre mas no fato de a cura ter sido realizado no dia de sábado, (cuja a Lei de Moisés proibia); Jesus aproveitou o episódio para ensinar que ele era a luz do mundo; que era enviado por Deus para que tinha vindo ao mundo para que os cegos vissem.

É conveniente dizer que esse milagre aconteceu quando se celebrava a Festa das Tendas. Que recordava o tempo que os judeus passaram no deserto. Os israelitas  ofereciam ao Senhor, por ocasião dessa festa, os frutos da terra; o sacerdote ia tirar a água da piscina de Siloé para purificar o Altar. À noite acendiam as tochas sobre os muros do Templo a fim de iluminar a cidade. Esses detalhes são importantes: a cura do cego  de nascença mostra que Jesus é Água que nos lava da cegueira do egoísmo e a luz que faz brilhar os olhos da fé.

Toda narração da cura do cego de nascença é muito bem elaborada. Ora há elementos dramáticos, ora há cenas marcadas de ironia ou mesmo de humor. De um lado fica ressaltado a misericórdia de Jesus  e abertura de um cego à ação de graça e do outro, surpreende a dureza do fechamento dos corações daqueles que não aceitavam Jesus. Percebemos que o evangelista mais que contar um milagre, quer descrever um processo de fé. Marra a história de um homem que pela misericórdia de Jesus, vai passando das trevas da cegueira para a visão ocular da luz.  E dessa, para o encontro daquele que é a Luz do mundo.

O cego uma vez curado tornou-se testemunha da misericórdia divina. 
Que curiosas reações provocaram o milagre de Jesus. O cego passou a ver e passou a aceitar Jesus como "Senhor" . Os fariseus julgavam conhecer a Deus mas fechavam-se na medilcridade e na falta de caridade e não acolheram o Enviado dos Céus.

Das lições que podemos tirar deste episódio destaco três:
  1. Uma enfermidade pode ser para glória de Deus. O Apóstolo Paulo testemunha: "Agora me alegro nos sofrimentos suportado por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo-as na minha carne, por seu corpo que é a Igreja". (Cl1, 24)
  2. Jesus é aquele que cura nossos males. Espera que lhe peçamos isso e que tenhamos fé em seu poder. 
  3. Na maioria dos milagres Jesus curou atendendo o pedido feito pelo próprio doente, por algum familiar e amigo do enfermo. Nesse, ele próprio tomou a iniciativa. Ensina-nos assim, que a salvação é um gesto gratuito fruto de sua misericórdia.                         

quarta-feira, 9 de junho de 2010

SACERDOTE - MISSÃO E CELIBATO

Poderíamos aqui citar várias passagens bíblicas sobre o significado do sacerdócio, mas nada se compara melhor para explicar o tema que vamos refletir, do que a celebração de um casamento.
O Sacerdote ou presbítero, é aquele homem que dentre outros é tirado do seio de uma determinada Comunidade para servir esta Comunidade. Não é simplesmente o "tirar" mas sim, reinserir aquele que chamado à uma vocação especial estará disposto a gastar o seu tempo unicamente a serviço da mesma. 

Por isso o sacerdócio é um casamento, onde a noiva é a Igreja e os filhos a Comunidade na qual ele passa a pertencer. Esse casamento assim como o Matrimônio entre homem e mulher deve ser livre e ao mesmo tempo comprometido numa adesão radical eterna. 
Quando Jesus chamou os doze, muitos estavam fazendo suas ocupações do dia a dia, Pedro, André e Tiago eram pescadores, deixaram tudo e seguiram Jesus. Levi ou Mateus cobrava impostos, (Mt8, 9), no entanto acreditando nEle o seguiu, assim João, Felipe, Bartolomeu, Judas Tadeu, etc.

Sempre as mesmas palavras "Vem e segue-me!" ... esse "seguir" era pra toda vida, eles sabiam disso. Quando Jesus fez o discurso sobre "o Pão da Vida" e muitos se escandalarizaram pensando que seria aquelas palavras, muitos discípulos O deixaram. Jesus fez uma pergunta: ..."Vocês também querem ir?"... E Pedro logo percebendo a seriedade do que Jesus dizia disse: "A quem iremos Senhor?" "Tu tens palavras de vida eterna!" (Jo 6, 66-70)

Então o sacerdote é aquele que vai conduzir esta Palavra de vida Eterna que é o próprio Cristo.    
Por isso o sacerdote é alguém especial, deve ser preparado para assumir total responsabilidade, pois seu casamento é um só, sua família passa ser uma só a Comunidade Cristã onde representa. Cumprindo o que disse Jesus: "Aquele que deixa, pai, mãe, irmão, esposa, por causa de mim e do evangelho receberá a recompensa no seu Reino!"

O Sacerdócio ao mesmo tempo é um chamado a viver o sagrado no humano exigindo-se a renúncia de si mesmo e das oportunidades do mundo. Para aquele que abraça o sacerdócio nunca mais será a mesma coisa, pois ele viverá em prol de um bem maior, a Igreja de Cristo. E junto abraçará as dores, alegrias e dificuldades desta Igreja, fazendo perpetuar a missão de Cristo já neste mundo até que ele venha. O sacerdote abraça  a cruz renúncia suas "liberdades" para santificar a Comunidade.  Por isso ser sacerdote é tão importante, mas não é uma profissão, pois o sacerdote deve ser aquele sempre disponível, mas sempre posto com o cajado na mão, pronto para ir à qualquer lugar, a qualquer hora em nome do Evangelho. 

E neste contexto que entra o CELIBATO, isto é, o sacerdote é aquele homem que não pode casar-se com mulher, não por imposição da Igreja, mas porque a sua missão já é um Matrimônio total, sua consagração deve ser única e exclusivamente a Cristo. O sacerdote é aquele que ao fazer os votos de castidade, pobreza e obediência deve estar unicamente ligado a um único laço, "o amor a Cristo", à sua Igreja, e a sua "Palavra" de modo integral e radical.

Então quando vemos por aí muitas críticas sobre o celibato, devemos lembrar as palavras de Cristo: "Quem é minha mãe? Quem são os meus irmãos"? ... "Quem ouve as minhas palavras e as põe em prática estes são minha mãe e meus irmãos!" (Mt3, 35); ...... Aqui Jesus explica, aquele que cumpre a vontade de Deus já tem uma família. Certo é que assim como Jesus após ter iniciado sua missão não teve mais domicílio, estava indo de aldeia em aldeia a pregar o Evangelho. (Lc5, 58). Para Jesus quem o segue também não tem lugar fixo e todo tempo deve ser bem aproveitado. Não há compromisso mais importante do que evangelizar. Não há tempo para despedidas, nem para cerimônias, a família do evangelizador é o mundo. (Lc5,61), e nem mesmo a morte de um ente querido é mais importante que a causa do Evangelho a ser anunciado. (Lc5, 59-60). Nada de arrependimentos, nada de olhar para trás, pois saudades, lembranças, nada disso interessa o Reino de Deus, o que interessa para Jesus é o seguimento, a firmeza e o propósito. Estar apto (no sentido de prontidão), para é importante para quem não quer perder tempo no anúncio do Evangelho. (Lc5, 62) Pois aquele que fica preso às coisas do passado, a lembranças, a mediocridade, e até a laços familiares, este não está pronto para seguir Jesus.       

A missão sacerdotal é como um casamento; e, esse "casamento" que o sacerdote tem com a Igreja é eterno, portanto, o celibato não é uma norma mas sim uma condição, uma escolha, de quem renuncia sua casa, sua família, seus bens e passa a ter uma vida de inteira doação, para com toda a Igreja. (essa primeira é exigência do próprio Cristo como lemos acima).
O sacerdote é um pai zeloso que  está sempre de braços abertos para acolher os que lhe acorrem na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, na vida e na morte, e como tal os respeita e os ajuda a caminhar na fé e na luz da graça de Deus pelos Sacramentos.

Dentro desse "casamento" está a escolha, o sacerdote é aquele homem escolhido a dedo por Deus, chamado por Jesus, formado pela Igreja, para ser intermediário na Terra direto entre Deus e os homens em nome de Cristo. Ele é uma ponte que liga o homem a eternidade e na eternidade ao Eterno. Sua finalidade é facilitar o encontro mais rápido do homem com Deus e possibilitar meios para isso. Quais são esses meios? São os Sacramentos aos quais Jesus mesmo o confiou. Através dos Sacramentos (sinais visíveis da graça de Deus), o sacerdote viabiliza pela presença do Espírito Santo estabelece ação santificadora de Jesus Cristo sobre o homem a fim de que no mesmo possa realizar a obra da Redenção de Jesus Cristo.

São Paulo escreve sobre o sacerdócio dizendo que ele é um "pontífice" , isto é uma ponte, um meio de ligação entre Deus e os homens:
"Em verdade, o "pontífice" é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus. Para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sabe-se compadecer dos que estão na ignorância e no erro, porque ele está cercado fraqueza. Por isso ele deve oferecer sacrifício tanto pelos  próprios pecados quanto pelos pecados do povo. Ninguém se aproprie desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus como Aarão". Hb 5, 1-4.

Essas palavras selam a função da missão sacerdotal, elas são claras.

O sacerdote é sempre um grande dom, um precioso bem que Jesus dá à Comunidade. São João Maria Vianey, o Santo Cura D'Ars, que assim escreveu:
"Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus., é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma Paróquia, e um dos mais preciosos da misericórdia divina!" E mais... para São João M.Vianey, o sacerdote é grande no ministério que recebeu. Assim ele escreveu: "Como é grande o padre! Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. Deus obedece-lhe, pois ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce dos Céu e encerra-se numa pequena Hóstia!"

De fato toda nossa vida e santificação deve passar um dia pelas mãos do sacerdote, pois é ele em suma que nos amparará desde o nascimento, pelo batismo, até nosso fenecer com a extrema unção. Quem mais poderia nos explicar melhor sobre isto senão São João M. Vianey que assim escreveu em um de seus sermões:
"Sem o Sacramento da Ordem, o qual gera o sacerdote, não teríamos a presença do Senhor Jesus. Quem o colocou ali naquele sacrário?... o sacerdote! - Quem pelo batismo, acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso à vida?... o sacerdote! - Quem o alimenta pela Eucaristia, para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? ...o sacerdote! - quem há de preparar as pessoas para comparecerem diante de Deus após a morte, lavando-as pela última vez no Sangue de Jesus Cristo?..o sacerdote... sempre o sacerdote! - E se uma alma chega a morrer pelo pecado, quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a graça, a serenidade e a paz?...Ainda o sacerdote. Depois de Deus, ele é tudo! Ele próprio na se entenderá bem a sim mesmo senão no Céu!"


Ele ainda nos diz: "Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a Terra, morreríamos não de susto, mas de amor. Sem o padre a paixão e morte de Nosso Senhor não serviria para nada. É o padre que continua a obra de Redenção sobre a terra. Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse alguém para abrir a porta?... Pois bem: o padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele quem abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens".

Portanto, ser sacerdote é muito mais que um chamado mas, é uma nobre missão confiada por Deus. Portanto para aqueles que ainda tentam em criticar o celibato, ainda não aprenderam nada sobre o sacerdócio e  a que ele se destina. O sacerdote não é um homem qualquer mas é um consagrado, um escolhido um enviado de Deus aos homens e, por isso,não constitui nenhuma família para si a não ser a família dos filhos de Deus,  que aos quais Ele mesmo lhe confiou, sendo esta a sua única.          
O sacerdote também participa do sacerdócio eterno de Cristo, exercendo seu ministério como o "Bom Pastor": "Eu sou o Bom Pastor, eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem!" "Eu vim para que elas tenham vida, e vida em abundância!" (Jo10, 11-15)

Da mesma forma o padre é este bom pastor que pastoreia as ovelhas de Jesus e à sua voz, faz com que elas conheçam a voz do Pastor Eterno que é Jesus, e assim, dando a vida por elas comunicando-lhes a Vida Plena.

Mas você deve estar se perguntando? ...
Porque é que os pastores das igrejas protestantes, (que hoje se dizem evangélicas), são casados, e porque lemos na Bíblia que alguns dos Apóstolos eram casados, como por exemplo, Pedro?

A resposta e simples. O Celibato, é uma consagração, uma regra de vida não uma Lei bíblica, é uma maneira de ser especial que alguns Apóstolos e os santos padres desde os primeiros séculos obedeceram. Pois o celibato não é uma Lei em si importante, mas uma importante forma de amar e servir a Cristo e seu ministério. Também se explica pelo fato de que São Paulo foi celibatário, isto é não se casou.
O celibato não mutila ninguém pois é uma vocação que está diretamente aliada a uma descoberta.

ATENÇÃO!


Os escândalos sexuais recentes cometidos por alguns "maus" sacerdotes da Igreja nada tem a ver com o celibato, e sim, com uma má formação religiosa, desvio de comportamento e  falta de amor e zelo pelo Evangelho. Como em todas organizações religiosas existem bons e maus intencionados. Haja vista que até mesmo entre os Apóstolos houve um que traiu o Cristo.

É bem verdade que Pedro e outros foram casados, tanto é que lemos no evangelho que Jesus curou a sogra de Pedro. Mas quando Jesus chamou os seus Apóstolos em missão o Evangelho diz que eles largaram tudo, por causa do chamado de Jesus. E nada mais os Evangelhos comentam se eles tiveram ou não contatos com seus familiares, provavelmente sim, mas não com a mesma intensidade, pois, abraçaram um outra missão, seguir o Cristo.

O que a Igreja faz é adotar o celibato como uma "total fiel consagração do presbítero" de modo que ele passe a ter uma só família. A Comunidade. Comunidade esta que, quando Jesus foi interrogado onde ele morava, ele havia respondido: "vem e vê!", mas há uma interrogação (?...), pois o evangelho não diz mais nada onde morava o Mestre, o silêncio do evangelista faz explicar como se Jesus dissesse: "o mundo é minha casa e os homens, todos meus irmãos!"  .... Logo mais adiante Jesus vai dizer: "Os pássaros têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça!" em outras palavras, Jesus não tem lugar para morar, não enquanto estiver fora do coração humano.  E o celibato é isso, através do Sacramento da Ordem, cujos pastores protestantes não têm, o sacerdote ou o padre é esse segundo Cristo, e como legítimo representante também despoja-se de si mesmo, renega a vida de "casado" para "se casar" com sua Comunidade, onde ele deve se dedicar a vida inteira com amor e zelo apostólico ao rebanho cujo lhe foi confiado.

Por isso há uma grande diferença entre o verdadeiro pastor, o sacerdote, cujo é o legítimo representante de Cristo, pelo Sacramento da Ordem. E do "falso pastor", isto é aqueles que não têm nenhuma autoridade do Cristo para tal. Este segundo pode se casar, ter bens, levar uma vida normal, porque eles sobrepõem a  família no lugar principal que é o Evangelho e a Igreja. Ao passo que o primeiro o verdadeiro sacerdote, é alguém totalmente consagrado e enviado para cuidar das "ovelhas" que Jesus lhe confiou, e para elas a exemplo de Jesus o Bom Pastor, dedica a sua vida de modo que, não venha perder por sua vontade nenhuma ovelha de seu redil.