sábado, 22 de janeiro de 2011

"ROUPA SUJA SE LAVA EM CASA!"

O episódio entre Jesus e a pecadora adúltera, nos mostra bem o ditado: "roupa suja se lava em casa."

Conta o Evangelho de João:

Jesus dirigiu para o Monte das Oliveiras, era de manhã, quando os fariseus e os escribas apresentaram-lhe uma mulher que tinha cometido adultério. O costume e a lei de Moisés decretava que: se uma mulher cometesse adultério, a pena era de morte. (Lev20, 10); (apedrejada). Eles sabendo que Jesus compreendia toda lei, e querendo armar uma estratégia para pô-lo em contradição, foram perguntar a Jesus o que deviam fazer. À princípio Jesus aparenta ser desinteressado, espera a conclusão dos fariseus. Perguntam sua opinião. Jesus escreve alguma coisa na terra... logo vem a conclusão em forma de resposta: "aquele que não tiver pecado, seja o primeiro a atira-lhe a pedra!" ...... Uma surpresa para os fariseus, ninguém podia fazer isso, pois, sabiam que eram mais pecadores do que ela. E sabiam que Jesus os tinha censurado, e, certa ocasião, os chamou de sepulcros caiados. Cheios de beleza por fora, mas podres por dentro. E foram embora, deixando a mulher a sós com Jesus. Ele porém, não condenou a mulher porque também ela não tinha sido condenada. Mas com uma condição: não voltar a pecar. E aquela mulher, com certeza, jamais esqueceu as palavras e o carinho de Jesus...  Jo8, 1-11

Essa passagem envolve nosso dia a dia, quando nos colocamos no lugar desta mulher. A palavra adultério no sentido bíblico, não significa apenas o relacionamento de um casado (a) com outro parceiro, mas significa nosso afastamento das coisas de Deus e das práticas de sua lei. Nossa deslealdade com o projeto de Jesus e seu Evangelho. O que é a prostituição hoje senão esse mundo dilacerado por discórdia, medo, violência, desrespeito à vida, corrupção, ganância e miséria, sobretudo do intelecto humano?...

É muito mais fácil a gente criticar, apontar os erros e defeito das pessoas do que corrigir os nossos próprios defeitos. Nos colocamos na mesma situação dos fariseus. Embora sejamos capazes de entender que Jesus jamais concorda com essa atitude.
Estamos de olho no vizinho para ver o que ele faz de errado, falamos mal do professor, do patrão dos nossos colegas de escola e trabalho, etc. Sem nos darmos conta de que isso provoca um mal muito maior, a difamação, a calúnia. Isso quando atinge diretamente a (as) pessoa(s) envolvida(s), provoca depressão, baixo-estima e até em alguns casos o suicídio. 

Podemos colocar em situação de "juízes" das pessoas pelo que elas fizeram de errado?! Mas e quanto a nós? Como anda nossa consciência? ... A todo momento estamos com pedras na mão para matar alguém. Colocamos pedras nas mãos de outras pessoas para matar. E a nossa consciência será que está limpa? Afinal, somos todos pecadores!


Mas uma coisa é certa, temos que nos colocar diante de nossos próprios erros e julgá-los. Rever "as pedras" que temos nas mãos e procurar não matar o inocente, não achar culpados para nossas culpas, mas mortificar os erros que estão dentro de nós. A começar do orgulho de achar que somos melhores do que os outros, ou por esta ou aquela condição social. Pecadores ou não somos todos filhos de Deus e Jesus é nosso irmão!

Jesus continua ouvindo nossas interrogações, somos fariseus de nosso próprio tempo. Sem nos darmos o direito de que só Deus pode julgar as pessoas. 
E nossa falta de responsabilidade, nosso egoísmo e mesquinhez continua provocando inúmeras conseqüências.
Jesus podia ter agido diferente, como judeu, ele podia dizer: "A lei de Moisés manda matar então matem-na!" - mas não! - Ele age com o coração de Filho de Deus, porque vê o nosso coração,  já tinha enxergado o pensamento daqueles homens.

Quando deixamos de lado a experiência do amor de Deus, ou melhor, quando nos falta esta experiência, nossas atitudes são as mesmas, farisaicas e arbitrárias. Dizemos: "cometeu erro, que pague!"  sem sequer dar  uma chance de arrependimento e ressocialização da pessoa. Somos todos fariseus, pobres pecadores e temos que tomar cuidado com nossas atitudes para não apedrejarmos as pessoas pois somos tanto quanto iguais ou piores do que elas.

Somos adúlteros das nossas próprias decisões impensáveis.

Outro exemplo de Jesus:

No final de todo aquele episódio, uma pergunta à mulher: "- Onde esta teus acusadores? Ninguém te condenou? - ela disse: "Ninguém, Senhor!" - Jesus disse: -"Eu também não te condeno, vai e não peques mais!"

Eis a oportunidade, que Jesus dá ao pecador. O arrependimento é mais importante que a morte. Para Deus o amor é mais importante. Deus não está interessado em aplicar o castigo, mas a misericórdia. Essa era a missão de Jesus e deve ser a nossa. Não temos direito de ser juízes dos outros quando não somos nem de nós mesmos.
Assim esse "vai" que Jesus disse é para nós o "vai" do nosso compromisso. Quando vamos obter o sacramento da Confissão, é primordial, o arrependimento e o propósito, ai sair dali absolvido pelo sacerdote em nome de Jesus Cristo, esse "vai" que Jesus nos profere é de compromisso com Ele. Para que possamos sermos fiéis e deixemos muitas vezes de apontar o dedo para os erros, e procurar soluções para corrigir nossa própria vida e ajudar aos que querem a superar seus erros.

Essa lição deixada por Jesus e documentada pelo Apóstolo, João evangelista, nos ecoa e nos chama ao compromisso. E nos mostra que para Deus, não há um pecador que seja, por maior que seja seu erro, que não mereça perdão. E que as pedras que temos nas mãos:
As pedras da inconseqüência, dos vícios, da nossa língua afiada, do nosso preconceito e da nossa falta de amor deve ser jogada fora. Se quisermos ser felizes ao lado do Mestre Jesus!                

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