sábado, 24 de fevereiro de 2018

OS EXERCÍCIOS DE PIEDADE CRISTÃ - E o Por que das Procissões?

Neste Tempo Quaresmal  é muito comum a prática dos exercícios de piedade. São vários os exercícios de piedade que a Igreja coloca de forma especial para que possamos meditar e viver de forma mais intensa o momento da Quaresma para celebrarmos bem a Páscoa do Senhor;

Mas, se enganam aqueles que acham que eles podem substituir a Missa. Não! eles são apenas um complemento a mais. Não é obrigatório e nem é pecado, por exemplo, a um cristão católico praticante não participar de uma procissão, mas é pecado se o católico participa da procissão e não participa da missa. Pois assim comete pecado contra o primeiro Mandamento da Igreja que é: "participar das missas aos domingos e nos dias santos em que se estabelece a Santa Madre Igreja." 

Os exercícios de piedade cristã são:


As procissões e caminhadas penitenciais  - participar de uma procissão, seja ela um momento de você meditar sobre sua vida, sobre a vida daquele santo(a), ou mesmo do próprio Jesus Sacramentado. Rezar e também meditar como deveria ser diferente se a minha vida fosse feita de santidade, como gostaria de seguir as mesmas virtudes que aquele(a) santo(a), ou Nossa Senhora, ou até mesmo Nosso Senhor praticou e viveu aqui na Terra. De nada adianta uma procissão que nos leva a caminhar simplesmente acompanhando uma imagem em um andor, (imagem que é apenas um símbolo), do verdadeiro santo(a) que está no Céu. Mas sem nos levar a uma profunda meditação, à oração em si e à prática das virtudes, que chamamos virtudes teologais : a fé, a esperança e a caridade. De nada adianta acompanhar uma procissão, simplesmente por achar bonito ou uma forma de encontrar amigos e conversar com as pessoas. A procissão é um momento de caminhada e de oração, deve ser feita com respeito, aproveitando ao máximo aquele momento especial que o momento oferece para a Oração, seja meditando seja acompanhando uma oração devocional.
A procissão é bíblica? Qual é o seu significado? Sim. Além de ser um ato devocional, as procissões significam a própria caminhada do povo de Deus. Desde a caminhada pelo deserto, até a caminhada da Salvação com Cristo até o Calvário e depois até o sepulcro onde o Senhor ressuscitou. A procissão é uma caminhada de fé, um ato de fé do povo de Deus. Passando por Moisés até os dias de hoje. 
No Antigo Testamento podemos encontrar várias passagens em que os Israelitas faziam procissões com a Arca da Aliança. 
1Crôn15, 1-28. Davi organizou uma procissão para carregar a Arca da Aliança, com cânticos, danças e músicos e fez uma grande festa.
No Antigo Testamento, ao menos uma duzia de salmos fazem referência a uma procissão ou peregrinação. Também se pode ver em: 2 Sam 6,1ss e 1 Cro 16 aonde se descrevem solenes pompas, com cantos de salmos e grande júbilo do povo, que celebravam o translado da Arca da Aliança, e também em 1 Re 8 e 2 Cro 5.
Os judeus realizavam procissões para Pascoa, Pentecostes e para a festa dos Tabernáculos, e se dirigiam a Jerusalém. 
 Nos primeiros séculos da era cristã foi muito comúm ver os cristãos reunidos, ainda no tempo da perseguição, para levar em procissão o corpo dos mártires até o lugar de seu sepulcro, assim é descrito nas Atas dos martirios de São Cipriano e de outros mais.
Logo os fiéis começaram a frequentar em peregrinação os lugares santos: Belém, Jerusalém, etc. (existem testemunhos explicitos ja no seculo III) e também iam de diversas partes para visitar, em Roma, os sepulcros de São Pedro e São Paulo e os cemitérios dos mártires, na Ásia Menor, na Santa Terra; em Nola, em São Féliz e assim em muitos lugares mais.
Dado a paz aos Cristãos por Constantino, surgiram outras formas processionais. Em Roma as procissões das “Estações” aonde o Papa celebrava a liturgia com grandes solenidades. Em Jerusalém, a peregrina Eteria fala de como toda a comunidade, nos dias citados (como Domingo de Ramos por exemplo) marchavam em procissão a um dos Lugares Santos (Calvário, Monte das Oliveiras,etc.) para comemorar um acontecimento da salvação e celebrar depois a Eucaristia.
E assim existem inúmeros testemunhos desde os primeiros séculos cristão o costume de celebrar procissões. Na Idade Media continuou a prática de celebrar procissões publicas.
Os protestantes atacaram fortemente este costume, por isso o Concilio de Trento aprovou tão louvável costume. Depois de Trento, os papas tem mandado celebrar em diversas ocasiões procissões publicas. 
 Quanto ao sentido e valor das procissões temos que ter em conta que a Igreja nesta terra é um povo imenso que avança em procissão a Cidade Eterna, a Jerusalém Celestial (Ap 7,1-12). Assim pois, as procisões tem um alto significado de antecipar simbolicamente o mistério ultimo da Igreja que é a peregrinação até o céu.
Alem disso, são atos de culto publico a Deus, que ao mesmo tempo leva consigo um carater de proclamação e manisfetação externa e publica da fé. E com tudo isso ajuda na oração e os desejos de melhor seguir adiante.
A proibição das procissões tem sido sempre um dos episódios tristes e caracteristico da luta contra o cristianismo e a Igreja. 
A própria palavra de Deus nos apresenta a arca da aliança, revestida de ouro, com querubins (imagens) e levada em procissão.
“Josué disse ao povo, santificai-vos, porque amanhã o Senhor operará no meio de vós coisas maravilhosas. Depois falou aos sacerdotes: Tomai a Arca da Aliança e ide adiante do povo. Eles tomaram a Arca da Aliança e caminharam à testa do povo” (Josué 3,5-6)
“ O povo dobrou suas tendas e dispunha-se a passar o Jordão, tendo diante de si os sacerdotes que marchavam diante do povo levando a arca” (Josué 3,14)
“No momento em que os portadores da arca chegaram ao rio e os sacerdotes mergulharam os seus pés na beira do rio, o Jordão estava transbordante e inundava as sus margens durante todo o tempo da ceifa” (Josué 3,15)
“ Os sacerdotes que levavam a Arca da Aliança do Senhor, conservavam-se de pé sobre o leito seco do Jordão, enquanto que todo o Israel passava a pé enxuto. E ali permaneceram até que todos passassem para a outra margem” (Josué 3,17)
“Josué convocou os doze homens escolhidos, um por tribo, entre os filhos de Israel. E disse-lhes: Ide adiante da Arca DO Senhor, vosso Deus, ao meio do Jordão, e cada um de vós; segundo o número das tribos de Israel, carregue uma pedra no seu ombro” (Josué 4,4-5)
“Pôs também Josué outras doze pedras no leito do Jordão, no lugar onde estiveram parados os pés dos sacerdotes que levaram a Arca da Aliança. E elas estão ali ainda hoje. Os sacerdotes que levavam a Arca permaneceram de pé no meio do leito do Jordão até que se cumpriu tudo o que o Senhor tinha ordenado a Josué que dissesse ao povo, segundo as ordens que lhe deu Moisés. O povo apressou-se a atravessar o rio”. Logo que todos passaram, a Arca do Senhor e os sacerdotes puseram-se de novo à frente do povo” (Josué 4,9-11)
“O Senhor disse a Josué: Ordena aos sacerdotes, que levam a Arca do testemunho, que saiam do Jordão. Josué ordenou-lhes “Sai do Jordão”. E os sacerdotes, que levavam a Arca da Aliança do Senhor, tendo deixado o leito do rio, ao pisarem seus pés a terra firme, as águas do Jordão retomaram seu lugar e correram caudalosas como antes” (Josué 4,15-18)
“Colocarás a tampa sobre a Arca e porás dentro da Arca o testemunho que eu te der. Ali virei contigo ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a Arca da Aliança, que te darei todas as minhas ordens para os Israelitas” (Êxodo 25,21-22)
“A arca do senhor deu uma volta à cidade e, retornaram ao acampamento para ali passar a noite. Josué levantou-se muito cedo e os sacerdotes levaram a arca do senhor. Os sete sacerdotes, levando as sete trombetas retumbantes, marchavam diante da arca do senhor, tocando a trombeta durante a marcha. Os guerreiros precediam-no, e à retaguarda seguia a arca do senhor. E ouvia-se o retinar da trombeta durante a marcha”. (Josué 6,11-13)
“Partiram da montanha do senhor e caminharam três dias. Durante esses três dias de marcha, a arca da aliança do senhor os precedia, para lhes escolher um lugar de repouso. A nuvem do senhor estava sobre eles de dia, quando partiam do acampamento”. (Números 10,33-34)
“Sete sacerdotes, tocando sete trombetas, irão adiante da arca. No sétimo dia dareis sete vezes volta à cidade, tocando os sacerdotes a trombeta”. (Josué 6,4)
“Dando ao povo esta ordem: Quando virdes a arca da aliança do Senhor, vosso Deus, levada pelos sacerdotes, filhos de Levi, deixarei vosso acampamento e vos poreis em marcha, seguindo-a.” (Josué 3,3)
“Marcharam os guerreiros diante dos sacerdotes que tocavam a trombeta, e a retaguarda seguia a arca, e durante toda a marcha ouvi-se o retinir das trombetas” (Josué 6,9)
Vemos claramente com a Bíblia nas mãos, que a arca da aliança, com seus querubins (anjos de ouro), não foi somente colocada num lugar de honra e destaque, onde se celebrava o culto, mas também levada pelos sacerdotes, solenemente, em procissão, dando voltas pela cidade, tocando trombetas.
O fato de uma Imagem ser carregada em procissão igualmente não configura “Idolatria”
Ora, se carregar um objeto em procissão fosse “Idolatria” como se afirma no Protestantismo, teríamos necessariamente que considerar inclusive o Povo de Deus como “Idólatra”. Afinal, também o povo de Deus fez procissões, carregando como objeto de Culto a Arca da Aliança. E isso é narrado diversas vezes no Antigo Testamento: (Ex 25,18) (Números 10,33-34) (Josué 3,3) (Josué 6,4) (Josué 6,9) etc.
Esta procissão, conduzindo inclusive imagens de Querubins, estabelecida por Deus na Bíblia, não é igual a uma procissão qualquer com “…imagens de esculturas feitas de madeira e rogando ao falso Deus que não pode salvar” (Isaías 45,20).
Repare bem: as Procissões que levam imagens dos heróis da fé não são imagens de Deuses, porém não tem como ser Idolatria. Também não é feito nenhum sacrifício a esses Santos, e Heróis da fé. Enquanto os Pagãos: Eles já carregavam suas imagens, considerando-as como Deuses e fazendo sacrifícios. Veja a diferença das duas procissões:
O Católico carrega a Imagem de pessoas virtuosas já falecidas com a mesma “audácia” dos Judeus ao carregarem a venerável Arca da Aliança.
Ainda hoje realizam-se procissões, caminhadas de louvor a Deus pelos santos da igreja, cujas imagens dos santos, a exemplo dos querubins, para lembrar-nos os heróis do cristianismo.   

Falando especificamente de procissões, também na Bíblia elas existiam. Os evangelhos, por exemplo, contam como Jesus entra em procissão em Jerusalém, aclamado com palmas. Outro episódio clássico é a procissão com a qual Davi conduz a Arca da Aliança, do território dos filisteus para Jerusalém, durante a qual se dança e se entoam cantos. Além disso a experiência de peregrinação, típica da religião do Antigo Testamento, contém, em si, o aspecto da procissão, o povo que marcha em direção ao Templo. Muitos Salmos foram propriamente escritos para tais ocasiões e eram entoados nesses momentos.       

As práticas de religiosidade popular da Igreja Católica que consistem nas procissões durante as quais alguma imagem de um santo ou santa é conduzida pelas ruas de uma cidade ou até mesmo a procissão de Corpus Christi, onde a eucaristia é levada em procissão, sobre tapetes de flor.
Obviamente a Bíblia não diz nada sobre isto, pois são práticas modernas; nossas formas de culto atuais são diversas daquelas da época bíblica. Tanto é verdade que hoje não seria concebível tomar um cordeiro e sacrificá-lo, como se fazia no tempo de Cristo. Isto comprova que, em si, não condenamos a mudança das formas de culto, que se adaptam aos tempos: a fé professada é a mesma, mas a maneira de manifestá-la pode mudar.


As procissões podem acontecer interna ou externamente, um exemplo é a própria Missa, cuja existe 4 procissões importantes e litúrgicas: 

A Procissão de Entrada. Lembra a entrada do povo de Deus na terra prometida de Canaã); Lembra também a grande procissão a multidão dos santos e santas de Deus no Céu para a festa do Cordeiro conforme descreve o Apocalipse. 

Procissão das Ofertas (lembra a caminhada do Povo de Deus ao Templo de Jerusalém para a festa da Páscoa. O povo de Deus ia em procissão levando suas ofertas para o sacrifício e cantando salmos em louvor ao Senhor Javé.  Também lembra também que Jesus entrou solenemente em Jerusalém para ali se oferecer ao Pai em sacrifício por nós; a apresentação do pão e do vinho lembra a oferta de Abel e de Melquisedec, e lembra também aquilo que o cristo disse referindo-se ao seu sacrifício na Cruz e a instituição da Eucaristia: "Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanecerá ele só. Mas se morrer produzirá muitos frutos". - Jo12, 24 - "Quem come da minha  carne e Bebe do meu Sangue viverá em mim e eu nele" - Jo6, 56. Lembra ainda a caminha da Igreja Peregrina rumo à eternidade.  

A Procissão da Comunhão. (Quando vamos à mesa da Eucaristia nos alimentar do Corpo do Senhor - também tomamos parte da Seiva da vida  eterna que é Jesus - formando um só Corpo juntamente com a Igreja Triunfante a Igreja Celeste. 
A procissão final nos lembra que a caminhada que começamos na Igreja ela é constante até chegar à Pátria definitiva, o céu. É para lá que caminhamos, estamos sempre em procissão até nos encontrarmos definitivamente  com Jesus no Céu, com seus anjos e com seus santos e também com Nossa Senhora.

A procissão com as imagens da Virgem Maria e dos demais santos - servem para nos lembrar da caminhada que esses homens e mulheres fizeram na terra, servindo a Jesus foram fiéis até a morte em testemunho do Evangelho. Nos lembra a caminhada do povo de Deus rumo à eternidade. É para a santidade que fomos criados. Quem inventou uma igreja sem santos foi Martinho Lutero, a verdadeira Igreja de Jesus está repleta de santos, afinal, de que adiantaria Jesus ter morrido na cruz e nos salvar se este não for seu propósito maior?

Os santos são honrados e lembrados como nossos exemplos, são nossos irmãos que nos precedem na eternidade. São nossos intercessores.
A Igreja de Jesus, também chamada de "Igreja Peregrina" está neste mundo em uma verdadeira procissão, ou seja, uma caminhada que só chegará ao fim na eternidade. Enquanto caminhamos neste mundo estamos unidos com a Igreja Celeste com Deus, os anjos e os santos.
Nesta certeza lembremos das Palavras de São Paulo antes de terminar sua caminhada neste mundo: 

"Combati um bom combate, completei  a carreira, guardei a fé; agora só me resta esperar a coroa da justiça que o Senhor junto Juiz me dará naquele dia. E não somente a mim mas, todos aqueles que amarem a sua vinda". (2Tm4, 7-8)  
    
É porque guardaram a fé que os santos estão no céu. E que fé é esta?
Esta fé é a fé da Igreja, a fé na única e sã Doutrina. A a Igreja não tem outro propósito senão a salvação dos homens. Ela possui todos os meios para isso deixados por Jesus Cristo. Ela instrui, corrige e ensina através da Palavra e dos sacramentos.    

Carregar a imagem de um santo, não é endeusá-los ou torná-los divindades, mas, é lembrar que assim como a Arca da Aliança carregava os Mandamentos de Deus. Os santos carregaram em suas vidas o Evangelho vivo de Nosso Senhor,  principalmente a Virgem Maria que se tornou a Nova Arca da Aliança trazendo em seu ventre o Cristo Filho de Deus.

Então, ao ver uma imagem num andor em procissão vamos fazendo memória aqueles que se tornaram Arcas Vivas do Evangelho de Jesus Cristo. Esse deve ser o sentido das imagens para nós católicos.

A imagem é uma ilustração muito simples da glória que Deus concede aos que praticam a fé, a esperança e a caridade neste mundo. 

Quando olhamos para uma imagem não vemos ali um deus, vemos ali a lembrança de quem em tudo fez da sua vida para alcançar a perfeição. Para nos lembrar que se eles puderam com a fé que tiveram cada um ao seu modo, mas unidos no mesmo amor e Jesus, nós também cada um ao seu modo viver esta mesma fé e alcançar as mesmas virtudes.   

Nossos olhares não devem para na imagem; devem ir além dela para ver que alcançar a santidade não algo absurdo pois, formos criados para sermos santos.

"Sede santos como vosso Pai do Céu é Santo" Mt5, 48 - Em outras traduções está: "Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito!"              




A Via Crucis ou Via Sacra - A Via Crucis é uma forma de Oração penitencial muito antiga, mais comum feita na Quaresma como exercício penitencial.  Mas pode ser feita em outras épocas do ano. Ela consiste em meditar sobre a paixão de Nosso Senhor. Consiste em rezar os 14 passos principais da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, como fruto de meditar principalmente os mistérios da nossa Salvação e o amor de Deus por nós. Ela pode ser feita dentro da Igreja, nas ruas, em forma de caminhada, etc. Desde que o objetivo seja o mesmo rezar e meditar sobre a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Algumas Vias Crucis são elaboradas pela Diocese e aplica também que meditemos quanto Jesus ainda padece e sofre crucificado na pessoa do mais excluído. É uma forma de meditar associar os sofrimentos de Cristo aos sofrimentos dos "Cristos" de hoje. Pois Jesus mesmo disse: "Todas as vezes que fizerdes alguma coisa a um desses *pequeninos, foi a mim que o fizeste!" - pequeninos não quer dizer apenas às crianças, mas ao pobre, ao mais humilde, ao sem direito, ao sem teto, ao sem salário, enfim aqueles que de alguma forma estão excluídos pela sociedade e precisam ser incluídos nela novamente com dignidade de filhos)as) de Deus. De nada adianta um exercício de piedade, ou uma caminhada penitencial se a mesma não nos leve a tomar atitudes concretas em favor dos nossos irmãos.



O JEJUM - "Quando jejuares não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade vos digo, já receberam sua recompensa. Quando jejuares, perfuma a cabeça e lava teu rosto. Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente o Pai que está oculto; e teu Pai que vê em um lugar oculto, recompensar-te-á. (Mt6, 16-18).



O Jejum é um exercício de caridade, mais que isso, ele é uma forma prática de Oração. Se privar do alimento físico por algum tempo e buscar o alimento espiritual. Ele não é só usado no cristianismo, mas, é usado no judaísmo e no islamismo. Quando jejuamos não jejuamos para as pessoas. Por isso Jesus disse que esse ato deve ser entre o cristão e Deus Pai. Deve ser discreto porque ele deve levar você a refletir que a "privação" que passo no momento deve me lembrar que devo-me privar também do pecado e de todas as formas que me levam ao pecado e aplicar isso durante a vida. De nada adianta jejuar com o coração cheio de pecado que é a miséria da alma. É necessário limpar a alma, evitar o pecado. Deus não quer cristãos de aparência. Deus quer cristãos que são comprometidos com a verdade. Deus tudo vê, ele vê o nosso coração e sabe das nossas intenções. 

A Igreja pede que façamos abstinência de carme nos dias santos de guarda e também durante a quaresma nas quartas-feiras e sextas-feiras. E pede que durante o tempo quaresmal que a nossa alma e nosso coração esteja voltado mais para as coisas do Alto. No sentido de buscar repensar nossa vida, nossos gestos, palavras e ações. Pedir perdão ao Senhor, confessar-nos fazendo antes um bom exame de consciência. Para quê? Para que possamos celebrar dignamente a Páscoa do Senhor. A Ressurreição de Jesus é primícia da nossa ressurreição. "Se Cristo não tivesse ressuscitado vã seria nossa fé". (1Cor15, 14). 
A abstinência de carne não tem sentido sem a abstinência do coração, isto é, devemos nos abstiver de nossos erros. Da fofoca, da idolatria, da ganância, da falta de amor, das desavenças em família. Da fornicação e da promiscuidade, dos maus desejos, dos pensamentos suicidas, do ódio e da violência, etc.

Porque as vezes o cristão pergunta: Porque Deus não ouve a minha oração? 
O problema não está em Deus mas em você. Que só se lembra de Deus na hora do sufoco. Deus quer mais de você mas, ele não pede a nós o impossível. Ele pede que sejamos seus filhos e que lho obedeçamos. Que cumpramos a sua vontade e a vontade de seu Filho Jesus. Nesse sentido está na escuta da Palavra de Deus. Não basta só decorar versículos bíblicos, mas aplicar o evangelho no dia a dia. A Salvação é algo pessoal, cada um deve cuidar da sua Salvação. Mas, ela depende de que estejamos unidos em comunidade na vivência da Fé, da Caridade e do amor. 
É o que nos diz são Paulo: "Ainda que eu falasse a língua dos anjos, que conhecesse o dom da profecia, que soubesse toda a ciência, que tivesse toda fé, que transportasse as montanhas. Sem amor nada seria"(1Cor13, 1-3) "Agora, pois, permanece a Fé, a esperança e o amor, esses três o maior deles é o amor". (1Cor13, 13) 

Por isso Jesus antes de sua Paixão, Morte e Ressurreição quis deixar-nos o Mandamento do Amor como o maior de todos.
Cristão que diz ter muita fé, ora muito mas, não ama, não é cristão. Cristão que tem esperança mas não tem amor, não é cristão. Para ser cristão de verdade, o amor a Deus e ao próximo deve vir em primeiro lugar seguidos então, pela fé e a esperança. O amor deve ser a essência da vida do cristão. Sem amor nada podemos ser. E o amor do cristão pelo próximo, senão igual, deve ser o mais próximo possível do amor de Cristo. "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!" - Amar como Jesus amou. Esse é o sentido. 
A Quaresma é esse tempo de pensar no amor ao próximo. Para buscar viver esse amor não só dentro desses 40 dias mas a vida inteira. E amor aliado à caridade deve ser de entrega. Jesus disse que somos seus amigos e que por causa disso ele deu a sua vida por nós. Somos capazes de doar a vida pelo irmão? Essa é a prova maior de quem ama.  


A prática do Jejum deve 
ser acompanhada de mudança de vida.

A Igreja chama o jejum, a esmola e a oração de “remédios contra o pecado”; pois cada uma dessas atividades, a seu modo, nos ajudam a vencer o maior mal deste mundo, o pecado. A oração nos fortalece em Deus; a esmola (obras de caridade) “cobre uma multidão de pecados”; e o jejum fortalece o nosso espírito contra as tentações da carne e do espírito e nos liberta e abre para os valores superiores da alma.

“Ordenai um jejum” (cf. Jl. 1, 14). São as palavras que ouvimos na primeira leitura da Quarta-feira de Cinzas, quando começa a Quaresma. O jejum no tempo quaresmal é também a expressão da nossa solidariedade com Cristo, preso, torturado, flagelado, coroado de espinhos, condenado à morte, crucificado e morto.
Ao jejuar devemos concentrar-nos não só na prática da abstenção do alimento ou das bebidas, mas no significado mais profundo desta prática. O alimento e as bebidas são indispensáveis para o homem viver, disso se serve e deve servir-se, mas não lhe é lícito abusar, seja da forma que for. O jejum tem como finalidade nos levar a um equilíbrio necessário e ao desprendimento daquilo que podemos chamar de “atitude consumística”, característica da nossa civilização.

O homem orientado para os bens materiais, muitas vezes, abusa deles. Hoje, busca-se, acima de tudo, a satisfação dos sentidos, a excitação que disso deriva, o prazer momentâneo e a multiplicidade cada vez maior de sensações. E isso acaba gerando um vazio no coração do homem moderno; pois sem Deus ele não pode se satisfazer. O barulho do mundo e o prazer das criaturas não conseguem preencher o seu coração.
A criança hoje (e também muitos adultos) vive de sensações, procura sensações sempre novas… E torna-se assim, sem se dar conta, escrava desta paixão atual; a vontade fica presa ao hábito, a que não sabe se opor.

O jejum nos ajuda a aprender a renunciar a alguma coisa. Ele nos faz capazes de dizer “não” a nós mesmos, e nos abre aos valores mais nobres de nossa alma: a espiritualidade, a reflexão, a vontade consciente. Essa prática nos coloca de pé e de cabeça para cima. Há muitos que caminham de cabeça para baixo; isso acontece quando o corpo comanda o espírito e o esmaga. É o prazer do corpo que o comanda e não a vontade do espírito.

É preciso entender que a renúncia às sensações, aos estímulos, aos prazeres e ainda ao alimento ou às bebidas, não é um fim em si mesmo, mas apenas um “meio” que deve apenas preparar o caminho para conquistas mais profundas. A renúncia do alimento deve servir para criar em nós condições para podermos viver os valores superiores. Por isso o jejum não pode ser algo triste, enfadonho, mas uma atividade feliz que nos liberta.
Os Padres da Igreja davam grande valor ao jejum. Diz, por exemplo, São Pedro Crisólogo (†451): “O jejum é paz do corpo, força dos espíritos e vigor das almas” e ainda: “O jejum é o leme da vida humana e governa todo o navio do nosso corpo” (Sermão VII: sobre o jejum, 3.1).
Santo Ambrósio (†397) diz: “A tua carne está-te sujeita (…): Não sigas as solicitações ilícitas, mas refreia-as algum tanto, mesmo no que diz respeito às coisas lícitas. De fato, quem não se abstém de nenhuma das coisas lícitas, está também perto das ilícitas» (Sermão sobre a utilidade do jejum, III. V. VII). Até escritores que não pertencem ao Cristianismo declaram a mesma verdade. Esta é de alcance universal. Faz parte da sabedoria universal da vida.
O Mahatma Gandhi dizia:
“O jejum é a oração mais dolorosa e também a mais sincera”. “Cada jejum é a oração intensa, purificação do pensamento, impulso da alma para a vida divina, a fim de nela se perder”. “O jejum é para a alma o que os olhos são para o corpo”. (Toschi, Tomas – Gandhi mensagem para hoje, Editora mundo 3, pag. 97, SP, 1977).

O jejum confere à oração maior eficácia. Por ele o homem descobre, de fato, que é mais “senhor de si mesmo” e que se tornou interiormente livre. E se dá conta de que a conversão e o encontro com Deus, por meio da oração, frutificam nele.
Assim, essa atividade não é algo que sobrou de uma prática religiosa dos séculos passados, mas é também indispensável ao homem de hoje, aos cristãos do nosso tempo.
A Bíblia recomenda muito o jejum, tanto o Antigo como o Novo Testamento; Jesus o realizou por quarenta dias no deserto antes de enfrentar o demônio e começar a vida pública; e muito o recomendou. “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Mt 17,20).
“Boa coisa é a oração acompanhada de jejum, e a esmola é preferível aos tesouros de ouro escondidos” (Tb 12,8).

O nosso jejum deve ser acompanhado de mudança de vida, de conversão, de arrependimento dos pecados e volta para Deus. O profeta Isaías chamava a atenção do povo para isso:

“De que serve jejuar, se com isso não vos importais? E mortificar-nos, se nisso não prestais atenção? É que no dia de vosso jejum, só cuidais de vossos negócios, e oprimis todos os vossos operários”. Passais vosso jejum em disputas e altercações, ferindo com o punho o pobre. Não é jejuando assim que fareis chegar lá em cima vossa voz. O jejum que me agrada porventura consiste em o homem mortificar-se por um dia? Curvar a cabeça como um junco, deitar sobre o saco e a cinza? Podeis chamar isso um jejum, um dia agradável ao Senhor? Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? – diz o Senhor Deus: É romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo” (Is 58,3-6).

Cada um de nós tem a própria individualidade; por isso, cada um deve realizar a forma de jejum que mais lhe seja adequada. 
Prof. Felipe Aquino 

O JEJUM SEGUNDO A VIRGEM MARIA

São muitos os benefícios do jejum: ajuda a nos reconhecermos frágeis e limitados, tornando-nos humildes. Purifica a alma. Com o jejum oferecemos sacrifícios pelos que ainda não conhecem o amor de Deus. Além de tudo isso, pode-se modificar o curso da natureza e alcançar graças especiais àqueles que praticam este sacrifício com amor. 

Nossa Senhora em suas mensagens nos convida ao jejum, instrumento de maravilhoso auxilio na nossa vida, mas por quais motivos?
 -para a preparação dos nossos corações afim de receber o fruto que cresce no bem
- para a paz nos corações, nas familias e no mundo
- para tornar-nos humildes
- para o fim das guerras e suspensão das catàstrofes naturais
- para o final da incredulidade e do medo do futuro
- para a prepararação dos nossos corações afim de que o Senhor possa nos purifiar do pecado
- para procurar e obter ajuda do Pai
- para ser sabedor do quanto Deus nos ama e para fazer a vontade de Deus 
- para agradecer a Deus pelas bençãos continuas que Ele nos dar.
- para a preparaçao da chegada de Jesus
- para a realização do Plano de Maria
- pela renuncia interior mediante a qual se reconhece o amor de Deus, os sinais do tempo no qual vivemos.

“O jejum é a prece do corpo”. (Frei Slavko Barbaric)

Nossa Senhora disse: 
“Queridos filhos, com uma vontade firme perseverem no jejum” (25 de junho de 1982)
Em 1981, primeiro ano das aparições em Medjugorje, Nossa Senhora pediu para que as sextas feiras fossem dias de jejum. Em agosto de 1984 ela também acrescentou as quartas feiras como dias de jejum. O jejum deveria ser assumido com firmeza. Os videntes perguntaram qual seria a melhor forma de jejuar e ela respondeu : “O melhor jejum é o jejum a pão e água”.
“Queridos filhos,…o melhor jejum é a pão e água. Através do jejum e da oração se pode parar uma guerra e se pode suspender as leis da natureza. A caridade não pode substituir o jejum. Apenas aqueles que não são capazes de jejuar podem algumas vezes substituí-lo  com oração, caridade e confissão, mas todos, com exceção dos doentes, devem jejuar” (21 de julho de 1982)
“O jejum é uma ação penitencial por meio da qual nos tornamos livres e independentes de todas as coisas materiais. E como nos tornando livres das coisas que vêm de fora de nós também nos libertamos das paixões de dentro de nós que mantêm nossa vida interior aprisionada. E esta nova liberdade vai criar um espaço em nossa vida para novos valores: Portanto, o jejum liberta-nos de uma certa prisão e nos liberta para desfrutarmos a felicidade . Pelo jejum nós liberamos o nosso coração das coisas deste mundo. Ele vai levar-nos a uma nova liberdade de coração e mente”
Ao nos libertar de um apego exagerado dos bens deste mundo o jejum nos permite contemplar, elevar as nossas mentes com mais liberdade para os bens celestiais. Muitas coisas a que nos apegamos com firmeza neste mundo, por meio do jejum, acabam por se apresentar na sua realidade passageira e relativa e que enfim vemos que não merecem tanta dedicação assim. Percebemos durante o jejum com mais clareza que estamos no mundo de passagem e que se devemos cuidar bem das realidades deste mundo. não devemos nos apegar a elas como se as fossemos levar conosco um dia para a vida eterna.
O jejum é essencial para se obter a liberdade espiritual. Através do jejum temos melhores condições de ouvir a Deus e aos outros e de compreende-los mais claramente. 

Por que devemos jejuar?
Nossa Senhora disse:
“Vocês se esqueceram que com o jejum e a oração pode-se evitar as guerras e suspender-se  as leis da natureza” (25/12/1982)
“Queridos filhos, hoje novamente eu os convido à oração. Somente com a oração e o jejum a guerra poderá parar. Portanto, meus filhinhos, rezem, e com a sua vida dêem  o testemunho que vocês pert encem a mim, porque Satanás deseja nestes dias turbulentos seduzir tantas almas quanto for possível” (25/04/1992 – durante a guerra da Bósnia)
Nossa Senhora diz que o jejum é necessário, tem um papel importante, para que se realize o plano de Deus em Medjugorje integralmente.
“Nossa Senhora nos suplicou para que rezássemos e jejuássemos. Esta é a única arma contra Satanás que quer destruir tudo de bom que há em nós. ‘Através da oração e do jejum nós podemos vencer o mal e resistir às tentações’ (Aparição anual à Ivanka Ivankovic em 25/06/1992 – aniversário das aparições).
A vidente Vicka disse: ” Quando Nossa Senhora fala sobre o jejum ela não pede para os que estão doentes jejuar a pão e água, mas ele pede para fazerem alguma pequena renuncia, um pequeno sacrifício. E para os que estão realmente saudáveis e estão tendo dificuldades para jejuar a pão e água ela diz que é por que estamos deixando de ter uma fé firme e forte. Se fizermos aquele jejum por amor a Deus e a Nossa Senhora nós não teremos dificuldades, assim o que estamos perdendo é a nossa fé firme e forte.”
O jejum é também um sacrifício espiritual. É um sacrifício por significar a negação de si e espiritual porque é feito por amor a Deus, pela nossa conversão, pela conversão da Igreja e do mundo. Mas, também podemos ajudar na reparação dos pecados de nossos irmãos e irmãs oferecendo o nosso jejum nesta intenção. Também podemos oferecê-lo pela conversão dos pecadores e ainda pelos que padecem no purgatório e dependem de nossas orações e sacrifícios para a sua purificação e acesso à Glória Eterna do Céu. Sobre esta questão é bom relembramos que Vicka e Jakov foram levados por Nossa Senhora a conhecerem a realidade do Céu, do purgatório e do inferno e para darem testemunho da real existência desta dimensões após a nossa morte.
É uma verdade que rezamos melhor quando jejuamos e que jejuamos melhor quando rezamos. A oração unida ao jejum como que o fecunda e lhe confere a o sentido espiritual. Eleva-se a mente,a alma, para Deus através do corpo que jejua.

Como se faz o jejum a pão e água? 
No jejum a pão e água, das 0h às 24 horas nas quartas e sextas feiras, come-se pão quando se está com fome e bebe-se água quando se tem sede. Apenas isso e nada mais. Jesus jejuava freqüentemente. 
Assim é importante que o jejum passe a fazer parte de nossas vidas. Algo assumido semanalmente. A Bíblia nos ensina que ao fazermos o jejum cuidemos de nossa aparência, sem demonstrarmos melancolia ou sofrimento. Pelo contrário, poderíamos sorrir até mais do que nos outros dias, pois o jejum que nos deixa sem o alimento habitual nos enche da presença de Deus. Portanto, demonstraremos alegria e não tristeza. 

Jejum às quartas e sextas-feiras 
Nossa Senhora disse:
“Além das sextas feiras, jejuar outro dia da semana em honra ao Espirito Santo.” (9 de setembro de 1982)
 “Jejuem as quartas e sextas feiras.” (14 de agosto de 1984) 
Às sextas-feiras porque sempre foi o principal dia de penitência por memória à Paixão de Cristo e as quartas feiras em razao do Espirito Santo. 
Em Medjugorje tudo é feito com amor e devagar… reze e ela lhe ajudará. Peça a graça do jejum e Deus lhe ajudará. O vidente Jakov costuma ensinar: “Você acha difícil jejuar a pão e água por 24 horas? Então, procure não se esqueçer disso: Jesus morreu por você pregado (vivo) na cruz!”
 Nossa Senhora  disse:



“Eu desejo lhes dizer, queridos filhos, para renovarem a vivência das mensagens que eu estou lhes dando. Especialmente vivam as mensagens que se referem ao seu jejum, pois o seu jejum me dá alegria, e pelo jejum vocês alcançarão a realização completa do plano que Deus está realizando aqui em Medjugorje. Obrigada por terdes respondido ao meu chamado”
      
A ESMOLA - Nesse sentido entra também a caridade. O prato de comida, o pão, o café, etc. Que você não comeu porque estava jejuando, ele não pertence a você ele pertence ao irmão necessitado. No irmão necessitado, doente, abandonado, violentado e desempregado, nele Jesus continua sofrendo sua Paixão. O Jejum e a caridade simbolizada pela esmola, deve-nos remeter ao Mandamento do Senhor: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!" (Jo13, 34). a ESMOLA é um ato, um símbolo de caridade usada por Jesus para dizer: "Faça de tudo para amar seu próximo, dando a ele não só o alimento temporário, mas se possível condições dignas para sobreviver". Quem faz caridade também não precisa aparecer. Pois, o gesto e o ato de caridade é entre você e Deus Pai. Quando se faz caridade deve-se tomar o cuidado para não constranger a pessoa, pois, isso é vangloriar em cima da desgraça alheia. Jesus também não quer que isso aconteça. Diante do pobre, do necessitado está Jesus. 


PALAVRAS DO PAPA FRANCISCO 


Cidade do Vaticano, 06 fev 2018 (Ecclesia) – O Papa propõe na sua mensagem para a Quaresma de 2018, divulgada hoje pelo Vaticano, que a esmola seja um “estilo de vida” para os católicos, com atenção aos mais necessitados.
“A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos”, escreve Francisco.
A Quaresma, que começa com a celebração de Cinzas, é um período marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão.
O Papa parte destas práticas tradicionalmente associadas ao tempo quaresmal para apelar à solidariedade, recordando que muitos organismos recolhem, nesta ocasião, donativos “em favor das Igrejas e populações em dificuldade”.
Os pedidos de ajuda, sublinha o pontífice, devem ser vistos pelos crentes como “um apelo da Providência divina”.
“Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja”, acrescenta.
A mensagem apresenta o jejum como “ocasião de crescimento”, colocando-se no lugar de quem não tem “sequer o mínimo necessário”, afetado pela fome.
“O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome”, sustenta o Papa.
Francisco deixa votos de que estes apelos ultrapassassem as fronteiras da Igreja Católica, dirigindo-se a todos os que se preocupam com a “iniquidade no mundo” e o “gelo que paralisa os corações”, com a perda do sentido da humanidade comum.
“Uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente connosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos”, apela.
A mensagem do Papa inspira-se numa afirmação de Jesus, que aparece no Evangelho segundo São Mateus: ‘Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos’.
“Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus”, refere.
As dioceses católicas de todo o mundo vão promover a 9 e 10 de março a iniciativa ‘24 horas para o Senhor’, que o Conselho Pontifício para a Nova Evangelização (Santa Sé) coordena há cinco anos.
“Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental”, adianta Francisco.

ENSINAMENTOS DA SAGRADA ESCRITURA E DOS SANTOS SOBRE A CARIDADE, O JEJUM E A ORAÇÃO 

"Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens. Do contrário que recompensa tereis diante do vosso Pai que está no Céu?" "Quando, pois, deres esmola, não toque a trombeta como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam sua recompensa. Quando deres esmola, que tua mão direita não saiba o que a esquerda faz. Assim a esmola se fará em segredo; e eteu Pai que está oculto recompensar-te-á". Mt6, 1-4.   
  
“Dá esmola dos teus bens, e não te desvies de nenhum pobre, pois, assim fazendo, Deus tampouco se desviará de ti. Sê misericordioso segundo as tuas posses. Se tiveres muito, dá abundantemente; se tiveres pouco, dá desse pouco de bom coração. Assim acumularás uma boa recompensa para o dia da necessidade: porque a esmola livra do pecado e da morte, e preserva a alma de cair nas trevas”. (Tb 4, 7-11)
Santo Agostinho: “Quer que a tua oração chegue até Deus coloque duas asas, o jejum e a esmola”.
São Pedro Crisólogo: “Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros”.
São João Paulo II: “Se falta a esmola, a nossa vida não chega ainda plenamente a Deus”.
São Gregório de Nazianzo: «O Senhor de todas as coisas quer a misericórdia, não o sacrifício; e nós damo-la por meio dos pobres».
 “Socorrei às necessidades dos fiéis. Esmerai-vos na prática da hospitalidade”. (Rm 12, 13)
São Pedro Crisólogo: “Ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás”.
Santo Agostinho: “Se queres amar Cristo, derrama a caridade por toda a terra, porque os membros de Cristo estão no mundo inteiro”.
“A esmola será para todos os que a praticam um motivo de grande confiança diante do Deus Altíssimo”. (Tb 4, 12)
São Francisco de Assis: “Na verdade, os homens perdem tudo o que deixam neste mundo, mas levam consigo o preço da sua caridade e das esmolas que fizeram, e por elas receberão do Senhor recompensa e digna remuneração”.
São Pedro Crisólogo: «A mão do pobre é o gazofilácio de Cristo, porque tudo o que o pobre recebe é Cristo que o recebe».
“Então o Rei dirá aos que estão à direita: – Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim”. (Mt 25, 34-36)
São Francisco de Assis: “Sejamos caridosos e humildes e dêmos esmola, porque a esmola lava as almas da imundície do pecado”.
São Pedro Crisólogo: “Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia”.
São João Paulo II: “A palavra grega «eleemosyne» provém de «eleos» que significa compaixão e misericórdia; inicialmente indicava a atitude do homem misericordioso e, em seguida, todas as obras de caridade para com os necessitados”.
“Meu filho, não negues esmola ao pobre, nem dele desvies os olhos. Não desprezes o que tem fome, não irrites o pobre em sua indigência. Não aflijas o coração do infeliz, não recuses tua esmola àquele que está na miséria; não rejeites o pedido do aflito, não desvies o rosto do pobre”. (Eclo 4, 1-3)
Santo Agostinho: “De fato, a caridade renova o homem, pois assim como a concupiscência torna o homem velho, a caridade o faz novo”.
São Leão Magno: “Não só os ricos e abastados podem beneficiar os outros com a esmola, mas também quantos vivem em condições modestas e pobres. Assim, desiguais nos bens de fortuna, todos podem ser iguais nos sentimentos de piedade da alma”.
Papa Francisco: “Pergunto a alguém: «Tu dás esmola?». Respondem-me: «Sim, padre». «E quando dás esmola, fitas os olhos da pessoa à qual a dás? «Ah, não sei, não me dou conta». «Então, tu não a encontraste. Tu lançaste a esmola e foste embora. Quando dás esmola, tocas a mão da pessoa ou lanças a moeda»? «Não, lanço a moeda». «Então, tu não a tocaste. E se não a tocaste, também não a encontraste”.


A Oração - "Quando orares, não façais como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: Já receberam sua recompensa. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai que vê em segredo, e teu Pai que vê num lugar oculto, recompensar-te-á". 
"Não multipliqueis palavras nas vossas orações, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força com suas palavras. Não intimeis, porque o vosso Pai sabe o que é necessário antes que vós lho peçais". (Mt6, 5-7)   

Jesus está falando aqui da Oração pessoal (diferente da oração comunitária), ela é um diálogo entre a pessoa (o orante) e Deus. É uma conversa particular de  filho para o Pai. Por isso não é necessário que os outros saibam o que você está conversando. Por isso Jesus disse que essa conversa deve ser em segredo. Deus Pai já sabe o que vamos falar com ele. Não é necessário atentar a Deus determinando curas e milagres. Mas obedecer a vontade de Deus. É de acordo com a vontade do Pai que podemos ou não termos nossos pedidos aceitos. Um bom pai sabe a hora de dar o melhor presente para o filho. Um bom pai sabe a hora em que o filho merece ou não ser atendido. Deus age assim conosco. Se as vezes não somos atendidos em nossas orações é porque aquele não é o momento certo, mas, tenha a certeza de que você foi ouvido. Porém, uma oração sem fé de nada adianta. Se você ora, mas não confia em Deus, não tem esperança nele de nada adianta. Todas as vezes que Jesus perdoou os pecados, curou os doentes e libertou alguém de algum espírito mau ele disse: "Vá em paz tua fé te salvou". (Cf. Mc10, 52)         


A Oração está ligada à ação. São Paulo nos diz em sua carta que: "A fé sem obras é morta", isto é de nada adianta uma fé que não tem compromisso com a realidade. Precisamos descer de nosso "monte" e por os pés na realidade deste mundo. Quando a Oração é praticada os frutos dela são maiores para o nosso crescimento. Nossa fé é alimentada e nossa oração não foi em vão.


É como uma pessoa que ora, ora, ora para obter a graça da saúde mas não vai ao médico, não se trata, está acomodado no seu "mundinho", a doença vai se agravar, vai gerar um quadro de depressão e quando se vê, a pessoa morre. De que adiantou tanta oração? é preciso prática!
É muito comum ouvir certas pessoas dizerem: "Eu sou muito católico(a), eu rezo todos os dias na minha casa..." Ai quando se pergunta: -"mas você vai à Igreja, participa da Missa?" a resposta é outra. Ora, Jesus criou sua Igreja e instituiu os sacramentos não foi pra gente ficar em casa. A Oração particular é importante, mas nada se compara em celebrar a Eucaristia, estar na Casa de Deus juntos participando dela como Comunidade Cristã e batizados que somos.      
É como passar fome com o prato cheio de comida, mas não fazer esforço para levar a comida até a boca. A comida só tem valor se estiver no estômago.
Assim são as orações  e os exercícios de piedade se não tem prática não tem valor. 
Por isso os exercícios de piedade só tem valor se for associado a uma vida cristã de verdade, de compromisso com Jesus, com sua Igreja e com os irmãos. Do contrário de nada vale a Oração e os sacrifícios que fazemos.


"...não pensemos que são necessárias para informar o Senhor ou forçar a sua vontade".

Na oração, as palavras servem para nos estimular e nos fazer compreender melhor o que pedimos; não pensemos que são necessárias para informar o Senhor ou forçar a sua vontade. Quando dizemos: «Santificado seja o vosso nome», estimulamo-nos a desejar que o nome de Deus, que é sempre santo em Si mesmo, seja também honrado como santo entre os homens, e nunca desprezado; e isto não é para benefício de Deus, mas dos homens.
Quando dizemos: «Venha a nós o vosso reino» – que há-de vir certamente, quer queiramos, quer não –, excitamos a nossa aspiração por aquele reino, para que ele de facto venha a nós e mereçamos reinar nele. Quando dizemos: «Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu», pedimos ao Senhor que nos dê a virtude para que se cumpra em nós a sua vontade, como os anjos a cumprem no Céu.
Quando dizemos: «Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido», tomamos consciência do que pedimos, e do que devemos fazer para merecermos receber o perdão. Quando dizemos: «Livrai-nos do mal», recordamos que ainda não estamos naquele sumo bem onde já não é possível sofrer qualquer mal. E estas últimas palavras da oração dominical têm um significado tão amplo, que o cristão, seja qual for a tribulação em que se encontre, pode com elas exprimir os seus gemidos ou lamentações, dar início, continuar ou terminar a sua oração.
Tínhamos necessidades destas palavras para gravar na memória todas estas realidades. Quaisquer outras palavras que possamos usar na oração nada mais dizem para além do que se encontra já na oração do Senhor, se de facto oramos como convém.


(Santo Agostinho, Carta 130, a Proba, sobre a oração, 11-12)


As Orações Marianas e a devoção aos Santos(as) 

Toda Oração que você faz direcionada à intercessão de um santo(a) deve-se levar em conta que ela é voltada diretamente para Deus pela intercessão dos santos que acreditamos na intercessão secundária deles. Veja bem! - a intercessão dos santos é uma intercessão secundária, isto é recorremos a eles e eles intercedem por nós. A quem? A Jesus que é o único Mediador da Salvação. Os santos são nossos mediadores ou intercessores, não da salvação, mas da intercessão.

Esta intercessão secundária dos santos acontece em virtude dos méritos da salvação de Cristo e nunca por si próprios. 

A ORAÇÃO DOS SANTOS


Os santos, os Anjos e a Virgem Maria podem interceder por nós?

A resposta é sim, eles podem interceder por nós.
Pelo mesmo motivo que nós pedimos ou intercedemos uns pelos outros aqui na terra, também em virtude da mediação salvadora de Jesus por nós. Se podemos interceder-nos uns pelos outros na terra, quem dirá no Céu junto a Deus? 
No Livro do apocalipse São João teve a visão do Céu e de como os santos intercedem por nós. 

Ap5, 5.8-12 - Os anciãos louvam Jesus o Cordeiro Imolado por nós, digno de receber abrir os selos. 
Ap6, 9-11 - Os Mártires oram a Deus pedindo por justiça.  
Ap7, 1-13 - Os anjos intercedem por nós para evitar a ira de Deus e os anciãos (os santos profetas) adoram e louvam a Deus no céu. João tem um  diálogo entre um dos anciãos que diz a ele que os santos mártires alvejaram suas vestes no Sangue de Jesus, o Santo Cordeiro e estão diante do trono dia e noite o servem e dele obtém toda consolação.
Apc14, 1-5. Mostra a Corte Celestial e os Santos celibatários, que não se envolveram com mulheres, consagraram suas vidas para Deus. Estes acompanham o Senhor Jesus onde quer que ele vá. Onde Jesus estiver ali está também os seus santos. 
Ap5, 8 - Os Anciãos apresentam cantando louvores a Deus as taças com o perfume que são a oração dos santos.


Isto inclui também a devoção Mariana ou à Nossa Senhora. Uma devoção aos santos(as) implica que você procure a intercessão, mas procure viver de acordo com os valores do Evangelho, imitando-os no que for possível e se esforçando para viver uma vida de santidade como os mesmos frutos que eles viveram. Isto é, testemunho de vida cristã, renegando a tudo que nos afasta do amor de Deus, prática dos valores evangélicos, vida Eucarística e buscar enriquecer ainda mais a fé fazendo-a crescer sempre.  Isso inclui as novenas e trezenas que fazemos etc.  



  

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