sábado, 15 de dezembro de 2012

OS DESAFIOS PARA A LITURGIA A PARTIR DA MISSÃO

ORIENTAÇÃO PASTORAL



Para ser sentida e vivenciada como formadora de missionários de Jesus Cristo, a liturgia precisa ser aquilo que é: a liturgia.

Com freqüência, aproveitam-se as celebrações para fazer campanha missionária. A liturgia, no entanto, não deveria ser ocasião de campanha missionária. Ela, em si, é fonte de missão. Mas aí é que reside o desafio. Para ser fonte de missão, a liturgia antes de tudo precisa ser lugar de experiência de Deus, que como Pai, por Cristo, no Espírito Santo acolhe e reúne seus filhos e filhas como comunidade de irmãos e irmãs e não apenas como justaposição de crentes. Deve permitir uma leitura cordial e vivificante da Palavra de Deus, mais do que doutrinária e moralista. Deve ser a renovação da aliança que acolhe o projeto vivificador e libertador de Cristo, mais que uma simples devoção ou auto piedoso.

A liturgia só será plenamente missionária se for plenamente liturgia, ou seja, se for experiência densa e transformadora de Cristo ressuscitado, a exemplo das primeiras comunidades que a cada dia viam o número de fiéis crescer porque "dia após dia, unânimes, mostravam-se assíduos no Templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo povo" (At 2, 46-47).

O tempo depois do Concílio foi marcado pelo esforço da Igreja de responder a este desafio. Por isso, procurou inserir-se profeticamente na transformação social, política e cultural do continente, mergulhado solidariamente na defesa dos pobres. Medellín colocou a liturgia no centro dessa missão da história do povo, ligando a liturgia e vida, celebração e compromisso histórico, afirmando que "a celebração litúrgica coroa e comporta um compromisso com a realidade humana" (Medellín 9,4). 
Puebla assumiu o maior entrosamento que começou a existir entre formas litúrgicas tradicionais e a piedade popular (Cf. Puebla 465). Santo Domingo quis assumir uma liturgia em total fidelidade ao Concílio Vaticano II, bem como recuperar a adoção de formas, sinais e opções próprias das culturas da América e Caribe (Cf. Santo Domingo, 53).

Apesar de orientações tão claras e firmes, sem desconsiderar os grandes avanços, a liturgia ainda tem diante de si muitos sérios desafios:

a) Desafio proveniente da cultura das grandes cidades. O ritmo de vida de nossas cidades induz as pessoas ao stress, à pressa, ao secularismo, ao anonimato, à dispersão familiar, ao lazer pelo lazer nos fins de semana. Essa situação com certeza vai exigir muita criatividade em termos de espaço celebrativo, locais, horário e duração das celebrações, linguagem,  acolhida, critérios de pertença à comunidade, bem como o processo de inicialização e formação litúrgica. Ainda, nas grandes cidades, em suas periferias, além do individualismo, do anonimato, da privatização da vida espiritual, vamos encontrar sérios problemas sociais (fome, violência, desemprego...).
A prática da partilha de alimentos, os mutirões para a construção de casas, a preparação de festas da comunidade, a visita aos doentes em equipe, o serviço organizado aos pobres são forças que levam à quebra do individualismo. A liturgia só será eficaz, se engajar a comunidade neste processo, como fundamento e conseqüência da celebração. A fonte renovada da liturgia, sob a ação do Espírito Santo, vem dos pobres, das suas lutas, das suas experiências de Deus, dos seus compromissos com a solidariedade e dos seus sofrimentos.

b)  Desafio de uma perigosa tendência que centraliza a liturgia na pessoa do ministro ordenado, ou sacerdote e pede cautela para expressões tais como"comunidade celebrante" ou "assembléia celebrante". Por trás deste desafio está uma visão muito estreita do ministério ordenado, um medo infundado de perder o poder e uma concepção errada do verdadeiro sentido da assembléia como sujeito da ação litúrgica. É o desafio mais conflitivo no momento. A saída será um grande mutirão de informação e formação em todos os níveis sobre o significado de Igreja Povo de Deus, sobre o sentido de participação do povo sacerdotal e da teologia dos ministérios litúrgicos.

c) Desafios que vêm da visão angelical, desligada do mundo e da história, onde a participação nas celebrações litúrgicas é o momento de abstrair-se das lutas do dia-a-dia, transportando-se para uma realidade estérea e alucinante, totalmente contrária a natureza da liturgia. A celebração deverá recuperar a ligação da vida com a liturgia.

d) Desafios que vêm da visão que privilegia apenas a ótica da política ou do compromisso social. Sem dúvida, a liturgia é práxis, mas é também festa, gratuidade. Limitar a celebração a um protesto, a uma campanha de conscientização significa adulterá-la. Por isso a ação litúrgica cuidará de unir  verticalidade com horizontalidade na celebração, dando prioridade a dimensão orante, de modo que a assembléia se una a Deus e a Cristo e se sinta ungida assumir o compromisso profético de transformação das estruturas injustas.

e) Desafios que vêm da pouca forção teológica e a quase completa falta de iniciação aos ritos e ao sentido da celebração. gerando uma mentalidade rubricista, preocupada em assegurar a validade das ações rituais. Para conseguir a participação consciente e frutuosa dos participantes a liturgia terá que fundamentar teologicamente em que consiste a natureza da celebração cristã e, ao mesmo tempo, encontrar um jeito simples de celebrar com o povo, valorizando suas aspirações e investindo numa acolhida calorosa e no emprego de uma linguagem acessível. Os ritos fechados em si mesmos nada dizem. Devem estar relacionados em íntima conexão com o mistério celebrado. Aqui falta a verdadeira teologia do que seja uma celebração do mistério pascal de Cristo e sua relação profunda com o hoje da história das pessoas e das comunidades.

f) Desafios provenientes do descuido com a formação litúrgico-musical do clero, dos religiosos e demais agentes de pastoral. Em conseqüência, encontramos-nos diante de situações pastorais preocupantes, como por exemplo, o inadequado exercício do ministério litúrgico do canto nas "missas show" transmitidas por alguns canais de televisão, além da divulgação de produções musicais de baixa qualidade e quase sempre não condizentes com a natureza da liturgia.

g) Desafios que vem do uso indiscriminado dos meios de comunicação social pela liturgia. A espetacularização e mercantilização tendem a fazer das celebrações objeto de mercado e concorrência. O problema é muito sério. Os ritos não são feitos para serem assistidos, mas participados. Diferente da TV que produz espetáculos para serem assistidos, a ação ritual não se deixa assistir. É um evento que os atores fazem para si mesmos. O uso indiscriminado dos Meios de Comunicação (MCS) pela liturgia com certeza faz concessões ao sistema midiático provocando conflitos com a natureza das celebrações litúrgicas caracterizadas por um retorno ao devocionalismo, à transformação do presbitério em palco e da assembléia em plateia e do padre (celebrante) em animador de "show" ou de programa de auditório. Na relação mídia-liturgia, geralmente a mídia acaba sendo a que dita as regras do jogo, nem sempre consoantes com as regras da liturgia.

Fonte: D. Manoel João Francisco - Bispo de Chapecó       

terça-feira, 20 de novembro de 2012

MARIA NA LITURGIA - Orientação Pastoral

Quem é MARIA?

Inteiramente humana, é a Mãe de Jesus, nossa Mãe na Ordem da Graça do Espírito - a nova Eva, que corresponde ao "Novo Adão", que é Cristo.

Porém, quando falamos que Cristo é o "Novo Adão" e Maria a "Nova Eva", não estamos afirmando que Jesus e Maria são reencarnações de Adão e Eva. Mas, uma comparação entre o primeiro homem e a primeira mulher que trouxe o pecado ao mundo pela desobediência.

E foram Jesus e Maria que repararam tudo isto; Maria pelo seu "Sim" foi obediente a Deus, se tornando sua serva para nos dar Jesus, e, Jesus obediente ao Pai até a Cruz pela nossa salvação. Percebem?... 

Assim escreve São Paulo em Rm 5, 18-19.21

"Portanto, como pelo pecado de um a condenação se estendeu a todos os homens, assim por um único ato de justiça recebem todos os homens a justificação que dá a vida. Assim como pela desobediência de um só homem, (Adão), foram todos constituídos pecadores, assim, pela obediência de um só, (Jesus Cristo), todos se tornarão justos. (...)Assim como o pecado reinou para a morte, assim também a graça reinaria pela justiça para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.  

Ora, se Cristo é superior a Adão, como afirma São Paulo,  então Maria é superior a Eva, porque também ela é a filha predileta do Pai, escolhida por Deus para ser a Mãe de Jesus; pela sua obediência nos veio o Salvador. Sua obediência não foi somente no momento da encarnação e após dar a luz ao Cristo, mas foi em toda sua vida. 
Assim, Deus não a constituiu pura somente para conceber Jesus, mas para toda uma vida, cuja ficou imune à mancha do pecado original. 

Portanto, podemos também dizer que:  se pela desobediência de uma só mulher (Eva) fomos constituídos pecadores, pela colaboração de uma só mulher, (Maria) recebemos nova Vida, a vida eterna por meio de Cristo nosso Senhor e Salvador!

Deus em sua onipotência e infinita sabedoria escolheu, preservou e santificou a vida de Maria para que ela fosse a mãe de seu Filho. Poderia alguém impuro conceber o Filho de Deus? Deus que desde muito antes, exigia que tudo que fosse consagrado a Ele fosse puro? (...)  
Jesus que é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus,  tendo assumido a natureza humana recebeu o sangue de Maria, sua educação e todos os seus cuidados maternos. Jesus aprendeu com ela e José a ser um filho obediente, a trabalhar, a compreender as leis e a vida de seu povo. Maria foi Mãe!
E depois da morte e ressurreição de seu Filho, continua sendo, agora não mais a mãe de um Homem fisicamente falando, mas, de Jesus glorificado, o filho de Deus, que sendo Deus não deixaria de modo algum que sua Mãe ficasse à parte na glória celeste. Maria então É Mãe de Deus.

Portanto, Maria participa no céu desta mesma glória junto à seu Filho e como tal, tem mais do que todos o privilégio de interceder por nós, de cuidar de nós com o mesmo amor e carinho de seu Filho. Por isso, ela é venerada e  assim como Deus a fez escolhida, a Igreja destaca e reconhece o seu lugar de Corredentora da humanidade, isto é, Maria colaborou em tudo com Jesus na missão salvífica preparada por Deus através de Cristo. Então os méritos que ela tem não foi dado por nenhum ser humano, mas pelo próprio Deus quando através do anjo Gabriel disse: "Ave cheia de Graça" Lc 1, 28; Sendo cheia de graça, também é a Medianeira de todas as graças que seu Filho possa nos dar. E é pelas mãos de Maria que muitas graças chegam até nós.

E Maria expressou esse reconhecimento da Igreja quando disse: "Porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora e para sempre me proclamarão bem-aventurada todas as nações..." Lc 1, 48 - Maria é serva, sua submissão esta no silêncio de sua vida ao guardar tudo o que acontecia no seu coração - Lc 2, 19 - contemplava este mistério. Por isso, engana-se quem pensa que Jesus tirou os méritos de Maria após sua morte, pelo contrário, ele a assumiu na Glória celeste assim como foi assumido no seu ventre ao vir ao mundo. De lá, ela participa e está sempre conosco e vela por nós pois é Mãe, de Deus e nossa por meio da graça. Venerar Maria, não é torná-la uma deusa, pois ela mesma se fez humilde serva do Senhor, mas é destacar o seu papel importante que na obra da salvação, e é também como Mãe da Igreja que esse reconhecimento lhe é dado.

Maria também é modelo de todo cristão que quer obedecer e seguir ao Cristo.    

A ela, Maria, e aos santos (as), prestamos veneração (dolia) e não adoração, (latria). Adoramos somente a Deus e somente a Ele prestamos culto (Lc 4,8: Dt 6, 13). Adoramos Jesus o Filho de Deus, nosso Salvador e Senhor. Adoramos o Espírito Santo, autor da santidade,  o Deus-consolador, que nos ilumina e rege a nossa vida. Portanto, a adoração deve-se somente a Deus, ou a Santíssima Trindade, um só Deus em três pessoas distintas: O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Só Jesus é nosso Salvador, o único Senhor, Ele é o "autor e realizador de toda fé" [Hb 12, 2]. Oramos aos santos e à Maria na Comunhão dos santos (mistério da vontade de Deus), os "vivos em Deus".

*Quando falamos em veneração e adoração, não podemos confundir com a presença das imagens dos santos, Jesus e Maria em nossas Igrejas. Não podemos achar que uma imagem, ainda que seja de Jesus tenha poder algum, diante de uma imagem devemos olhar além, pois o que nos interessa não está na imagem, elas servem para nos ajudar a olhar com os olhos da fé aquilo que por nossa natureza ainda não vemos mas contemplaremos um dia na eternidade: Jesus, Maria e os santos. Não se deve adorar uma imagem, nem ajoelhar, mas, sim, venerar com respeito a lembrança da pessoa, cuja a imagem nos representa. Há adoração somente, ao Santíssimo Sacramento que é Jesus na Eucaristia. 

Maria tem um ponto especial, único na Comunhão dos Santos; ela está mais próxima de Cristo que nós. Por isso, podemos rezar para ela. Contar com sua intercessão, pedir sua proteção e auxílio, entregar-nos nas suas mãos maternais.
A graça que Maria nos dá não vem de si, ela nada segura para si; tudo vem de Deus, e para Deus se retorna. Toda oração a Maria nos coloca em sintonia com Deus-trino, porque ela é caminho, transparência para Deus - o ser humano sem pecado original ou pessoal.

O que tem que ser mantido?

Regras, ritos, normas, fórmulas comuns à Igreja do mundo inteiro (calendário litúrgico) - Advento, Natal, Tempo Comum, Quaresma e Páscoa, leituras.

O que pode ser mudado?

Pode ser mudado, o Jeito de celebrar; formas de expressão locais, cantos e gestos. 
Na Liturgia romana depois do Concílio Vaticano II, colocou-se em evidência a relação privilegiada de Maria com o mistério de Cristo e da Igreja; ela é a mais próxima de Cristo e de nós, modelo de fé.

Três tipos de celebrações Marianas:

1 - Solenidades - obrigatórias mais importantes:
Solenidade, Maria Mãe de Deus (Theotokos)-dógma [C. Éfeso, 431] - 01 de janeiro.
Anunciação - 25 de março.
[Rel. dogma da Virgindade perpétua de Maria, C. Roma, 649 - expressão de sua consagração total, de corpo e alma {Cf. Santo Agostinho, a virgindade não se resume ao corpo, mas à opção das pessoas}; em Maria o corpo humano se tornou para sempre espaço onde o Espírito do Altíssimo pousa e faz morada; por todo ser humano, independente de sua condição sexual, tem algo de virgem, como solo das sementes do Reino.]

*Assunção  -  dogma - 15 de agosto. - {Aqui na Diocese com o título de Nossa Senhora de Oliveira, Padroeira da Cidade e da Diocese.}

[Pio XII em 1950 - participação singular na ressurreição de Cristo e antecipação da ressurreição dos cristãos.]

*Imaculada Conceição   -  dogma  -  8 de dezembro.
[Pio IX, 1854 - Maria preservada do pecado original em antecipação aos méritos de Cristo.]
*No Brasil, Solenidade de Nossa Senhora Aparecida - 12 de outubro.

2 - Festas recomendadas:

a) Visitação - 31 de maio.
b) Nascimento de Maria - 8 de setembro.
c) No Brasil e na América Latina - N. Sra. de Guadalupe, padroeira - 12 de dezembro.

3 - Memórias - menor importância [facultativas: a comunidade local decide celebrar, ou não.]

a) N. Sra. de Lourdes - 11 de fevereiro.
b) N. Sra. de Fátima - 13 de maio
c) N. Senhora do Carmo - 16 de julho
d) N. Sra. das Dores - 15 de setembro.
e) N. Sra. do Rosário - 07 de outubro.



  





  



  
     

sábado, 10 de novembro de 2012

CÉU, INFERNO E PURGATÓRIO - eles existem?...

Antes de entrar no assunto é preciso lembrar que o inferno nos dias de hoje parece um assunto ultrapassado, coisa da Idade Média. Mas engana-se quem pensa assim, pois, ele é tão real e presente quanto o Céu. Aliás, não tem sentido algum crer somente que existe o Céu, pois, o inferno faz parte dele, pois ele também foi criado por Deus.

Se perguntássemos a qualquer estudioso, ou a um teólogo:

Onde é o inferno? ou, onde é o Céu?, ou ainda: onde é o Purgatório?

Não encontraríamos resposta de um lugar no tempo e no espaço para defini-los.

Pois, a nós não foi dado o poder de saber... Mas, a Bíblia dá uma noção, não de um "lugar" geograficamente dito, mas, de estado (situação), estado de santidade ou perfeição, estado por causa do pecado, imperfeição (morte eterna). Por isso quando se aplica o termo: 

Céu, destaca-se lugar da realeza e a glória de Deus e com ele os seus anjos e santos.
Os antigos chamavam Deus de O Altíssimo isto é, aquele que é Grande, Elevado, o Senhor de todas as coisas.

E quando se falava em Inferno satanás e seus anjos maus, lembrava-se: lugar das profundezas, isto é eterna submissão, escuridão, fogo eterno, tormento, algo que estaria longe da presença de Deus, estado de sofrimento eterno.  Jesus várias vezes se referia a esse "lugar" onde hveria choro e ranger de dentes.

(Cf. Lc 13, 28; Mt19, 30; Mt 24, 51)

Jesus usa a parábola do rico epulão e do pobre Lázaro ( Cf. Lc16, 19-31); para nos dar a idéia do que é Céu e inferno. 
E mostra-nos também que são as situações da vida, nossas atitudes boas e más que nos levará a obter a salvação ou a perdição. Nossas boas ou más obras farão a diferença e mostrará nossas escolhas.
Contudo, o Céu é uma realidade e o inferno também. E é pelas nossas obras que seremos julgados... Cf. Mt 25, 31-46 

Não há segunda chance, existe dois caminhos: com Jesus a salvação, sem Jesus a condenação. Porém, o caminho da salvação passa pela porta estreita, não é fácil, o caminho é pedregoso e espinhoso, a porta é estreita, só passa um de cada vez, por isso ninguém pode salvar ninguém cada um é responsável pela sua salvação. (Cf. Lc 13,22- 28)
A porta da perdição, esta é larga, muito larga, e fácil, cheia de boas oportunidades, para a perdição sim podemos nos condenar e levar outros a se condenarem.      

Estar na presença de Deus, gozar de sua santidade é o prêmio para os justos. Ao passo que o inferno é estar fora desta presença, é escuridão total estar fora, longe...  ausência, sede Deus. O inferno portanto é separação, total de Deus, comparado a um abismo que não se pode atravessar. (Cf. Lc16, 26)     

Muitos padres, teólogos e até gente muito estudiosa tem receio de falar do inferno com medo de que as pessoas fiquem traumatizadas. Mas não é verdade, é preciso falar e entender que existem as duas realidades. 

O inferno é descrito na Bíblia em várias passagens, e significa "lugar, situação de tormento eterno". A Bíblia descreve o inferno com um lago de fogo, ou "geena". É lá, que Deus colocou satanás e seus anjos maus após terem se rebelado no Céu.


É lá que se destina as almas daqueles que se perderem nesta vida.
A situação em que se encontra as almas condenadas ao inferno é chamada de morte eterna, porque é um caminho sem volta. As pessoas que estão na "situação infernal" estão lá não porque Deus quis, mas porque durante a vida nada fizeram para merecer a salvação que Jesus lhes deu. Deus não condena ninguém, nós mesmos nos condenamos pelas nossas atitudes. 


É por isso que temos que pensar, e, pensar muito sobre nosso destino espiritual. Deus nos ama e não quer que nos percamos, mas temos que fazer a nossa parte. Embora alguns estudiosos, teólogos e religiosos cristãos de diversas dominações tentem passar a ideia de que o inferno é uma situação espiritual e não um lugar, volto a afirmar que: a Bíblia nunca mascarou a presença do inferno neste mundo e no outro. Jesus mesmo, várias vezes se referiu ao inferno como um lugar de punição, claro que não se descarta a possibilidade de ser um estado de vida eterna à parte, mas que existe sofrimento lá ninguém pode negar, pois, nos Evangelhos, Jesus é muito claro. Jesus veio nos trazer a vida, como Ele mesmo disse: "Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância!" - sem Jesus não há garantia de salvação, uma vez que foi preciso que ele se encarnasse para isso. 


Mas, enquanto você e eu estamos vivos neste mundo, temos todos os meios legais possíveis que Deus nos dá para viver e tomar posse desta salvação. Quais são eles? - 1) Jesus e sua Palavra 2) Sua verdadeira Igreja 3) Os Sacramentos. E ainda mais, para garantir esta salvação, Deus nos infunde  o Espírito Santo (autor da santificação) e, também os seus Anjos para nos guiarem. Por isso só se condena quem quer.


Mas, se desviarmos das Leis de Cristo e da Igreja, corremos o risco de não alcançarmos a salvação. Depois da morte (física) vem a vida eterna, no céu ou no inferno. Depois da morte não há mais chances para receber salvação. Enquanto estamos aqui, Deus através de Jesus se apresenta como "Deus Misericordioso", podemos errar e nos reconciliar com Ele várias vezes. Mas, depois da morte (física), Deus se torna o "Deus Juiz", e a justiça de Deus se cumprirá, não há mais apelo. As almas santas (salvas) podem interceder por nós, mas nada podem fazer por si mesmas. 
Temos que pensar nisto, pois os "religiosos" às vezes por uma imaturidade teológica, se esquece de explicar (talvez porque é mais complexo) a existência do Deus Juiz. A Bíblia nos diz que: "Por consequência, é necessário que o homem morra uma vez, e, depois da morte vem o juízo".       


 Assim como o reino de Deus deve ser construído, já neste mundo, antecipando para o Céu. O inferno também é construído aqui e repassado depois na eternidade, porque, depende das escolhas que fazemos: o bem ou o mal. Deus nos dá o livre arbítrio de escolher; o nosso modo de vida espiritual. O ser humano é o único que pode decidir sua vida espiritual, para o bem ou para o mal.
E mais, tem a chance de se arrepender e viver uma boa relação com Deus. Jesus nos deu essa garantia. Os Anjos não tem este direito, porque, por serem espíritos e estarem diretamente participando da glória de Deus, não estão sujeitos à salvação. Por isso, Lúcifer e seus anjos foram expulsos do Céu após se rebelarem. E não tem mais volta, nunca poderão entrar de novo no céu, como nós podemos de quisermos. Por isso, que, ele nos odeia e faz de tudo para  perdermos a salvação.        


Do lado esquerdo você verá uma foto de uma pintura, que não é do inferno, e sim, de uma situação que leva ao inferno. O que esta pintura representa? O que ela tem a nos dizer?
a) Primeiro vemos uma situação de morte. A pintura mostra um moribundo em cima da cama prestes a morrer. A morte aparece entrando pela porta e aponta uma flecha como que querendo acertar certeiramente o moribundo. Ele olha assustado, mas embora prestes a morrer ainda pensa em seus bens materiais. No alto do seu leito estão os seres (demônios), rodeando e ostentando um baú de tesouros materiais que ele ajuntou durante a vida, um dos seres se apresenta caído ao solo com um papel,  como um testamento ou um recibo, como se estivesse cobrando no moribundo alguma coisa; o outro mostra-lhe um saco com, talvez um saco de moedas ou de ouro. Quem é o moribundo? - pelas características se trata de um soldado muito rico, a julgar pela lança e pelo capacete jogado no chão, logo abaixo da cama. 


Mais acima, se vê do lado direito, um anjo da guarda tenta mostrar ao moribundo o caminho da salvação, talvez forçando-o a olhar para si mesmo e para Jesus Cristo, que está no alto à esquerda, Jesus está direcionando para ele um facho de luz,  que significa, o momento da graça da salvação,  para que ele se arrependa. Ao lado do baú um homem com um terço na mão coloca algo em uma bandeja que um ser segura nas mãos... talvez entregando de volta o trato de riqueza que o moribundo fez durante a vida. O baú está cheio de coisas... logo mais abaixo, um capacete de soldado, um escudo, uma capa, uma espada e uma luva de combatente, que eram usados durante as batalhas. Significa que o homem, prestes a morrer estava derrotado. Não podia mais lutar, nem para si e nem para salvar a sua alma que estava prestes a ir parar no inferno, embora Deus intervisse e não quisesse que isso acontecesse, por isso, o anjo força-o a olhar para o alto para que se arrependa de seus pecados e morra em paz. Esse quadro nos ensina que nunca é tarde de mais para se arrepender, até na última hora Jesus vem ao nosso favor, mas pode ser que não abramos o coração ao arrependimento, e aí pode ser tarde demais. Jesus não quer que ninguém se perca, mas o homem esquecendo-se de Deus, e como tal sem Deus, se condena. Aí lembremos das palavras de Jesus: "Ajuntai tesouros no céu, onde o ladrão não rouba e a traça e a ferrugem não corrói." (Mt6, 19-21) ... e em outra diz: "de que vale o homem ganhar o mundo inteiro se vier perder a sua alma, (vida) que é o maior tesouro que ele pode ter?" e nos pede que abramos nossos olhos à luz de Deus. (Mt6, 22-23).   
    
QUAL A CAUSA DO INFERNO?

Ele foi criado por Deus antes mesmo da criação do mundo, é um lugar, um estado em que os demônios habitam.
No Céu existia um anjo poderoso, criado por Deus, seu nome era Lúcifer, que significa, anjo de luz. Ele também servia no trono de Deus.
Lúcifer, sendo limitado, criado por Deus, sentiu inveja e queria ser igual a Deus, por isso se revoltou e arrastou com ele outros anjos poderosos, muitos principados e potestades. E se tornaram demônios, ou espíritos imundos. E por causa disso tentam a todo custo atrapalhar os planos de Deus, mesmo sabendo que nunca conseguirão. 
O Senhor Deus os expulsou do Céu e os lançou no inferno. Deus rebaixou Lúcifer, que passou a ser chamado de satanás, que significa anjo caído. O inferno é um lugar de tormento sem fim. Uma vez estando lá não se pode sair mais. É o que a Igreja chama de "morte eterna". Morte eterna porque o inferno é o último lugar em que Deus pode destinar a alma de quem se condena. Lá não existe a presença de Deus. Para lá vão todos os que morreram  em pecado grave, e sem se arrepender, e não buscaram viver  esta vida de acordo com Deus e seus mandamentos.   

Mas Você poderá perguntar: -  Porque Deus não destruiu Lúcifer e seus anjos maus? - a resposta é: - porque Deus não é um tirano vingativo, nem destruidor, nem assassino. Satanás se destruirá com seu próprio poder no fim dos tempos. Um dia satanás deixará de reinar este mundo, quando Jesus voltar para o julgamento final de todas as coisas. Até lá somos responsáveis diretos pela nossa salvação ou nossa condenação.


Mas por que o diabo quer que as almas se percam? - porque ele é inimigo de Deus, ele não tem mais nada a perder, não tem mais o direito ao Céu como nós batizados temos, e como tal, não pode mais entrar no céu como nós, ele sente uma enorme inveja de nós por causa disto e ódio de Deus. Quando um justo entra no Céu, seu orgulho é rebaixado, é mais uma derrota para ele. 

A INTERFERÊNCIA DE SATANÁS NO MUNDO

Quando Deus criou a Terra, e, nela o homem, satanás sentiu ainda uma grande inveja  pela obra de Deus. Aproveitando-se do livre arbítrio que o Senhor deu ao ser humano, (coisa que satanás não tem, porque os anjos são submissos diretamente a Deus), tratou logo tratou de dar um jeito para que o pecado entrasse no mundo pela desobediência.

Logo, queria que o homem tivesse a petulância de se achar como Deus, porque, era uma coisa que ele mesmo não conseguiu.
Mas, ele conseguiu, e fez  com que o homem desobedecesse a Deus.
A Bíblia, em Gênese, diz que satanás agiu como uma serpente, usou os meios mais fáceis para enganar e destruir o ser humano, porque é o "pai da mentira" - na verdade o que ele deseja é matar (a alma), roubar (de nós o céu) e destruir-nos (levar-nos consigo para o inferno). 


Com o pecado, semeado por satanás, o homem estava privado do Céu. 
A cizânia do pecado já tinha sido lançada. E com ela todas as suas consequências ruins, inclusive a morte. São Paulo nos diz que: "o salário do pecado é a morte." E realmente é, a morte só entrou no mundo por causa do pecado. 
Mas ainda sim, satanás acusava Deus, porque sabia que o homem em sua fragilidade  não podia salvar por si só. 
E foi para isso que Jesus veio, porque somente um justo e sem pecado poderia se sacrificar, pagando todo o pecado lançado por satanás na humanidade. o Sacrifício de Jesus na Cruz, anula a obra de satanás. O Sangue de Jesus lava os nossos pecados. E não há outro capaz de salvar senão o Sangue de Jesus. 


O inferno é um realidade! Não se pode negar ou achar que isso é bobagem, Jesus Cristo várias vezes falando do inferno disse que, lá, é um lugar de tormento. Assim como o Céu é alegria total o inferno é tristeza total. 
Mas, as consequências do inferno sobressai neste mundo pelo pecado, e para lá vão muitos pecadores que não aceitaram viver a santidade tão exigida por Deus, como Jesus mesmo disse: "Sede perfeifos como vosso Pai Celeste é perfeito!"


O diabo é muito astuto, ele age como uma cobra a espera da presa. Ele usa do poder de persuasão para enganar as pessoas. Quer um exemplo? - é muito comum ouvir as pessoas dizerem: 'o inferno é aqui na terra', outras dizem, 'o sofrimento faz parte da vida', outras porém afirmam, 'o diabo não existe'.


Tudo isso o diabo faz para enganar as pessoas, pois ele sabe que na medida em que deixarmos de crer noa existência dele,  ele faz com que a pessoa passe a não temer a Deus; e a cometer inúmeros pecados. Como: assassinatos, violência doméstica, roubos, latrocínios, infanticídio, guerras, pedofilia, as drogas, o desrespeito, enfim, tudo que não presta. E ele age através de duas coisas, a inveja e o ódio, ele provoca sempre a inveja, pois ele sabe que a inveja provoca sempre o desejo de ter não importa se custe caro ou não, de poder. E o ódio faz com que o ciúme e a sede de vingança se propague, e a vingança leva pessoas e nações inteiras à matança. 


Muitos estão lá, não se enganem, a Bíblia nos fala que satanás, além de sedutor deste mundo, tem poder para arrastar nações inteiras para o inferno. 


Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo nos quer bem. Mas o que acontece quando desviamos do caminho da salvação é receber as consequências do pecado.


Deus nunca nos força a segui-lo, para isso nos deu o livre arbítrio, de escolher entre o bem e o mal. Nós mesmos nos condenamos ou nos salvamos, vai depender de que lado você está. 


Uma das coisas que mais desafia o diabo e no qual ele odeia é a Igreja. Pois a Igreja através de Jesus, é o caminho da salvação.


Por isso é comum encontramos tantas revoltas contra o Papa, os padres e bispos. Primeiro nos faz deixar de acreditar na autoridade da Igreja e do Santo Padre.
Outra astúcia do diabo é: afastar-nos do seio da Igreja e da comunidade, porque assim, passamos a dar ouvidos às seitas, passamos a dar ouvidos para outras crenças e falsas doutrinas, fora da Igreja de Cristo. E o diabo sabe que um cristão desarmado é como ir para guerra sem fuzil, como irá se defender? O diabo ainda nos força a revoltarmos contra a própria Palavra de Deus, porque ele sabe muito bem que: ela é a verdade e ele, o pai da mentira. Por isso é desde os tempos dos primeiros cristãos até os dias de hoje, encontramos gente para censurar e criticar a Bíblia, isso é ação do diabo. 


Satanás ainda usa outro método, nos ilude, com outras verdades, que parecem ser cristãs, para que deixemos de acreditar nas verdades da nossa fé, porque sabe que o ser humano sem Jesus, e a sua verdadeira Igreja é presa fácil para ele. 


 Tanto fez, até fazer com que o homem fundasse falsas igrejas para enganar os fiéis. e, não só isso, fazendo "curas" e "milagres" em nome de Jesus, mas, em verdade, isso não vem de Deus e sim do próprio diabo.


Jesus mesmo havia nos alertou: "muitos virão e dirão: Senhor!, Senhor!, fizemos muitos milagres e expulsamos demônios em teu nome! Então naquele dia lhe será dito: em verdade eu vos digo: não vos conheço". 


No livro do Apocalipse, satanás é descrito como uma besta, uma fera, cheia de poder e força que quer engolir a humanidade inteira. E realmente ele tem este poder (embora limitado) se o cristão se deixar levar por seus caminhos. 


E como o caminho do inferno é largo e confortável, fácil de chegar!


Jesus nos diz que existe duas portas: a porta do Céu, que é estreita, isto é, exige de nós que passemos por ela suportando os desafios deste mundo mas sempre na expectativa da salvação. Muitas vezes para chegar ao céu temos que renunciar muitas pompas que o mundo oferece porque as coisas deste mundo, ficam neste mundo. Só o bem e a graça de Deus é capaz de nos conduzir ao Céu. A vida com Deus exige de nós compromisso com a paz, a solidariedade, o respeito e o amor para com Deus e o próximo. E muitas vezes, fazer esta experiência não é tarefa fácil, exige perseverança.


Ao passo que, a porta do inferno é larga, isto é, o diabo não exige nada de nós.
Como príncipe deste mundo, ele não tem o Céu como herança como nós temos. Então ele nos serve as melhores coisas, um prato cheio de facilidades, riquezas, dinheiro, poder, prestígio, orgulho, avareza, as drogas, a inveja, o ciúme, e  sede cada vez mais de poder; uma série de coisas que são deste mundo e no fim como não pode salvar ninguém conduz à total perdição. Porque a primeira coisa que ele faz é fazer com que as pessoas passem a não ter mais o respeito para com as coisas de Deus, a religião e a Igreja; para a pessoa ela não é mais importante até que a  deixa de servir a Deus para servi-lo.     


Quando a Virgem Maria apareceu e Fátima, (Portugal), em 1917, aos três jovens pastores, Francisco, Jacinta e Lúcia, ela mostrou à Lúcia, a maior dos três, a visão do inferno. Se você quiser mais detalhes acesse meu outro blog, AÇÃO EVANGELIZADORA CATÓLICA. (elmandovaleriano.blogspot.com)


Lá descrevo os acontecimentos da aparição. A Virgem não teve o propósito de assustar os meninos, mas mostrou que o inferno existe e lá estão muitas almas sofrendo. Porque ofenderam muito a Deus e a nosso Senhor Jesus Cristo. 
O que Nossa Senhora pede é que em nossas orações rezemos para que não possamos ir para lá e nem os outros. Aliás, na Oração do Rosário ou do Terço aprendemos a rezar: "ó meu Jesus perdoai e livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu e socorrei as que mais precisarem. " - não é assim? se assim rezamos é porque temos a consciência que o inferno é real mesmo.


O diabo desde o início teve ódio e pavor de Nossa Senhora, pois ela trouxe ao mundo o Filho de Deus que veio para nos trazer a salvação. A primeira coisa que ele fez foi por no pensamento de certas pessoas que a Virgem Maria é uma mulher qualquer. Porque fazendo assim os cristãos passam a não acreditar nem em Nossa Senhora, e  nem em seu filho Jesus, nem aceitar a proteção materna. Veja como ele é astuto, é uma verdadeira cobra. 

Satanás desde o início quis impedir que Deus realizasse o seu plano de salvação. Instigou em primeiro lugar o ódio contra a Virgem Maria, mas ela o derrotou. ( Apoc 12,6-7), Ele também foi derrotado pelo sangue de Jesus. (Apoc 12, 10-11). Ele age para contaminar tentar  destruir os fiéis e a Igreja de Cristo.
Agindo de tempos em tempos, provocando revoltas, perseguições e conflitos, agindo até mesmo em pessoas influentes.
 Agindo até mesmo na mente intelectuais dentro da Igreja, pois foi assim que surgiu a teologia da libertação. Ele usa métodos e  pessoas influentes, até mesmo religiosas, o que ele puder de melhor para espalhar sua contaminação. 


Assim como a Igreja usa das novas tecnologias para evangelizar as pessoas, satanás também as usa para conseguir seus adeptos.
E uma coisa que não podemos esquecer é que os que conhecem a palavra de Deus e não a praticam, estão mais sujeitos ao castigo eterno que os ateus. Jesus mesmo disse aos fariseus e doutores da Lei. "Vós não entrareis no reino de Deus e por causa  de vós muitos não entrarão". Porque eles conheciam os mandamentos e no entanto, colocavam empecilhos para que fosse cumprida a Lei de Deus. (Mt23, 13 e v. 23-24)   


Satanás não tem poder sobre o nome de Jesus nem sobre a Igreja, e nem sobre aqueles que foram batizados, porque estas estão marcados com o selo do sacerdócio eterno de Cristo. Se estamos com Cristo, ele jamais nos poderá vencer. Foi Jesus mesmo que entregando o governo da Sua Igreja a Pedro disse: 


"Eis que tu és Pedro e sobre esta pedra firmarei a minha Igreja e as portas do inferno nunca poderão rompê-la!" 
"E eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo que ligares na Terra será ligado no Céu, e, o que desligares na Terra, será desligado no Céu!" Mt 16, 18-19


Mas, é bom que fique claro, caro amigo (a): temos que ter medo do inferno, porque ele existe mesmo. Todas as vezes que Jesus falou do inferno, falou claramente, nunca escondeu que o inferno existe e é o lugar do castigo eterno: "ali haverá choro e ranger de dentes!" para nos mostrar que o sofrimento eterno não tem fim. Depois que você morre, nada pode fazer para salvar a sua alma. Por isso, o tempo é aqui! Não deixe para amanhã sua conversão, busque a Deus, ele é perdão, misericórdia e amor. Só vai para o inferno quem quer.


Temos que pensar na existência do inferno como uma realidade.
Por enquanto, Deus age com sua misericórdia, mas chegará o dia, quem sabe depois da morte, Ele virá como juiz. Aí então ele agirá com justiça sobre os bons e os maus. Jesus nos fala que no dia do juízo, Deus virá como um ladrão, não que Deus seja um ladrão. Mas Ele compara a esperteza do ladrão que chega de surpresa. Se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, estaria preparado. Assim, é Deus. Quando menos esperarmos ele nos chamará a prestar contas. (Mt 24, 42-44).     


Não podemos nunca deixar  de temer o inferno pois somos pecadores, temos um longo caminho até alcançar a plenitude. Por isso Deus sempre nos oferece a graça da reconciliação com Ele, através do Sacramento da Confissão. Deus nos oferece o caminho para as portas do Céu, este caminho está na Eucaristia, Jesus Cristo. Para evitar as tentações é que existe a Sagrada Escritura, que ouve a Palavra de Deus nunca se desviará do caminho, pois Jesus é um amigo que não não abandona no meio do caminho, nós não estamos sós. Temos um Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Repito mais uma vez: vai para o inferno quem quer!
  
A salvação é um presente de Deus para nós. Mas ela tem duas condições: que aceitemos Jesus como nosso Senhor e Salvador e depois vivamos segundo a sua Palavra.
Enquanto que a perdição não tem condição, mas, é uma cobrança cara do diabo, que dá e oferece de tudo. E, faz de tudo, até faz até milagres acontecerem, mas a salvação eterna ele não pode dar. 


Uma das armas mais comuns que o diabo usa é a tentação. Isto é, instiga-nos o desejo de fazer coisas erradas, de desobedecer a Lei de Deus. 


Como ele mesmo desobedeceu  e um dia e foi expulso do Céu, quer também, que nós  percamos esta graça.


Ele tudo fará para conseguir. Uma das primeiras tentações é a prepotência, isto é, coloca no pensamento humano o desejo de ser superior a Deus e aos outros.


Foi isto que ele fez com Adão: satanás em forma de serpente disse: "Deus não quer que comais o fruto da árvore da ciência porque no dia em que comeres dela sereis deuses também!"´(Gen 3, 4-5) - não só entrou no homem  o bem, mas também entrou o mal, e como consequência entrou a morte que até então não tinha poder sobre o homem. O diabo engana pelas coisas mais fáceis.


Outra tentação ainda pior, é: fazer com que o homem perca o temor (respeito) a Deus e sua Lei. Porque assim o homem é capaz de tudo: até matar em nome de Deus.


Porque vemos tantas mortes, tanta violência, tanta miséria, tanta miséria espiritual humana, tantos abortos, tantos crimes, tantos suicídios?, e ainda mais, o quanto a ciência quer desafiar a Deus manipulando e brincando com a vida, tentando ser "deuses" também... vemos tudo isso acontecer e não entendemos que tudo isso faz parte de uma ação diabólica contra Deus que tem suas guarras desde o início


Satanás tenta-nos tirar o amor e o respeito para com Deus, assim, como nos faz desligar da Santa Doutrina, porque, assim ficando frágeis, não somos capazes de combatê-lo nesta vida.


Nos faz negar a fé e ainda mais faz com que neguemos o Espírito Santo que habita em cada um de nós, pois ele sabe muito bem que a alma pertence a Deus e, enquanto neste mundo, os Espírito Santo nos moverá para o caminho da santidade.


O Espírito Santo é a força motriz que nos leva a buscar as coisas de Deus, o diabo percebendo isso faz com que neguemos o  Espírito Santo, e aí, estamos definitivamente condenados. Porque sem Deus, nada podemos fazer. É o pecado contra o Espírito Santo ao qual Jesus tanto fala em Mt 12, 32. // SIGNIFICA:  NEGAR A DEUS E A GRAÇA DA SALVAÇÃO E O PRÓPRIO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO. 


MANIFESTAÇÕES DIABÓLICAS

Uma das maneiras de perceber a ação de satanás é através das manifestações diabólicas, ou seja, as forças capazes de levar uma pessoa à cometer crimes, suicídios, depressão e até doenças que os médicos não podem diagnosticar, são causadas por forças diabólicas.
Outra manifestação diabólica, e esta, a  mais comum e que ultimamente vem arrastando muita gente é a prática do espiritismo. Nessas chamadas "sessões espíritas", onde são evocados os espíritos, muitos demônios se manifestam dizendo ser aquele ou aquela pessoa falecida. Saiba que o cristão não deve praticar o espiritismo, principalmente naqueles casos em que são evocados os espíritos, pois nesses casos o que se evoca não vem de Deus. Outro caso de manifestação diabólica é a prática da feitiçaria, a magia negra e o satanismo (culto a satanás). Nesses casos a manifestação aparece em pessoas que tem o diabo como deus, fazem culto a ele. Gostam de entrar em cemitérios à noite, para fazer seus rituais  satânicos. Gostam de tudo que lembram morte. Andam de preto, pintam o corpo como se fossem cadáveres vivos, gostam de rock que, eles chamam de rock pesado, incentivam a violência, a homofobia, a auto-flagelação e a prática exagerada de sexo, o uso de drogas de vários gêneros. Gostam de profanar as sepulturas para roubarem e beberem bebidas em crânios humanos, etc. E se vestem como se fosse o próprio satã. E mais ainda: os adeptos destas seitas satânicas sacrificam animais e até seres humanos, sobretudo crianças, em sacrifício ao diabo. Recentemente a imprensa está noticiando casos de criancinhas sacrificadas em rituais satânicos.   


Na Idade Média, usava-se muito os rituais de exorcismo. Que era feito em casos de possessão. Mas ultimamente a Igreja tem restringido esse ritual por saber que muitas  vezes havia exagero dos sacerdotes; o que se achava uma pessoa possuída pelo diabo era simplesmente um caso de loucura extrema, ou epilepsia, ou até mesmo um surto psicótico. Mas não quer dizer que a possessão não exista; ela pode existir mas em casos extremamente raros. A Igreja, porém, com a ajuda da ciência e da psiquiatria investiga as possibilidades e analisa caso a caso. Não é como certas pessoas irresponsáveis que, saem por aí dizendo que todas as causas de doenças e outros males são coisas do diabo.


As seitas fazem isso, muitas vezes tirando a chance das pessoas fazerem um bom tratamento psicológico. Na Idade Média a Igreja a ciência não tinha os recursos que tem hoje, por isso muitos casos de loucura era atribuída à possessão diabólica. Mas, hoje em dia, a Igreja toma todos os cuidados possíveis. Com a ajuda da ciência e dos médicos pode -se analisar estas manifestações e distinguir entre a possessão ou doença psicológica. O exorcismo na Igreja ainda é usado, mas, em último caso e muito restrito. 


Na possessão: o diabo se manifesta no corpo da pessoa. A pessoa fica possuída por um ou por legiões de demônios de uma só vez, nesses casos a pessoa age de uma forma totalmente diferente, muda o tom de voz, fala certas coisas, que, no passado que não tinha como saber, pronuncia blasfêmias horríveis contra Deus. A pessoa fica violenta ou em certos momentos muito calmo. 


Muitas vezes o corpo do possuído fica todo retorcido.   A pessoa fica agressiva, algumas vezes até se auto flagelam. Depois volta-se ao normal. 
Nesses casos é preciso fazer o exorcismo, coisa rara, muito rara, hoje em dia. Mas ainda pode acontecer. Nesses casos existem padres especialistas no assunto, com extrema responsabilidade; que são autorizados somente pelo Vaticano, e tem uma longa experiência sobre o assunto para fazer o exorcismo.


Outro exemplo de manifestação diabólica é: Através da visão de vultos e ouvir vozes estranhas, nesses casos os médicos costumam interpretar como surto psicológico e muitas vezes o tratamento só faz piorar a situação, pois, nesses casos a pessoa pode até se suicidar.


Outro exemplo: O mais comum são as tentações que nos levam a pecar.
Para todos esses casos não há outro remédio senão a Oração. Jesus mesmo disse, "Orai para não cairdes em tentação!"  e nos ensinou na oração do Pai-Nosso. "...E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal..."  
                             
Vamos ler algumas passagens da Bíblia que nos falam sobre a existência do inferno.


ABRA SUA BÍBLIA E LEIA:


Gên 3, 1-19....... Foi por causa de satanás que Adão e Eva desobedeceram a Deus iludidos pela astúcia de satanás que pôs no coração deles o desejo de ser como Deus. Pelo pecado da desobediência de nossos primeiros pais entrou o pecado e a morte no mundo.


Mt 22, 1-14 ....... Jesus explica que o Céu é como uma festa. Deus nos convida: ricos, pobres, gente de todas as raças. Mas se não estivermos preparados adequadamente. Jesus usa o símbolo da veste nupcial, para dizer que o nosso coração deve estar revestido da graça da salvação se quisermos entrar no Céu. Do contrário seremos atirados para fora. O céu já começa acontecer aqui neste mundo para se prolongar na eternidade. Se não nos vestirmos com as vestes nupciais do perdão, da justiça, do acolher e viver o Evangelho o resultado é o sofrimento. O inferno é como participar de uma festa em sua casa, mas, sem você poder participar dela.


Lc 15, 11-32  - Jesus veio nos convidar à conversão e nos fazer uma proposta de amor, ter com Ele uma vida nova. Ele nos restaura e nos conduz a salvação, porque nos ama e quer a nossa felicidade eterna, ele veio como um pastor que salva as suas ovelhas do perigo de morte. Veio buscar as ovelhas desgarradas para levá-las ao aprisco do Paraíso. (Sl 22/23) Deus faz uma festa no céu cada vez que um justo é salvo. Pois ele é nosso Pai e nos quer na sua família. Qual Pai que não gosta de ver os filhos todos reunidos em sua casa? Assim é o Pai celeste, e Jesus nosso irmão veio para nos levar a estar definitivamente na casa do Pai.


Lc 16, 1-31...... Enquanto estamos neste mundo somos administradores das coisas que Deus nos entregou, e é por isso que devemos ter preguiça de fazer crescer o seu reino. Deus nos pedirá contas porque ele nos criou para que trabalhemos em prol de um  mundo melhor, dentro do respeito com os semelhantes e com a natureza. Ele não nos abandonou neste mundo de mãos vazias, a cada um deu os diversos talentos para fazer deste mundo melhor para se viver. 
Deus deseja que apliquemos neste serviço não a nossa vontade mas a sua vontade, e a sua vontade é que nenhum dos filhos seus se percam.
Mas, Deus é nosso Pai, mas é Juiz e a justiça de Deus deve ser aplicada a quem não fizer a sua parte.


Nesta passagem Jesus conta uma história: a do rico mesquinho ou epulão e do pobre Lázaro.


A riqueza meus amigos, muitas vezes nos impede de amar a Deus e o próximo. Ela nos pode afastar de Deus. Não significa que não devemos ter riquezas, podemos ser ricos, mas o que Deus quer de nós é que abramos nossas mentes e o nosso coração para não deixar o dinheiro tomar conta de nós a ponto de nos desviar do caminho da salvação. O rico sobretudo porque possui mais, tem mais compromisso com o repartir o que tem com o que não tem. Por isso que Jesus disse que o rico tem mais dificuldade de entrar no céu. Porque a riqueza muitas vezes tira o homem de sentir a necessidade de Deus. 
Como consequência disto, Jesus mostra que após uma vida muito boa aqui na terra, o rico morre e vai para o tormento eterno, isto é, se aqui não fez nada para estar com Deus, lá no inferno está com a ausência eterna da presença de Deus. (porque o inferno é o único lugar onde Deus não se faz presente); Jesus fala que ele sente uma grande sede sede, (comparada com a sede física), e lá com sede de Deus faz de tudo para que os seus parentes não vá para lá, mas já é tarde demais. E a resposta de Deus (na figura de Abraão) é: Não! eles tem as Leis os profetas, se não escutar a palavra de Deus e da Igreja, nem se um morto ressuscitar e aparecer lá eles não acreditarão. 
Ao contrário é Lázaro, o mendigo leproso, cheio de feridas no corpo, passava fome, frio, e tinha como amigo os cães que lambiam suas feridas. Sua vida foi de sofrimento, mas ele tinha dentro de si a maior riqueza, Deus. Ele amava a Deus e guardava seus mandamentos. E quando morreu, ele que não tinha nada neste mundo mas cheio da presença de Deus foi recebido no céu.
Jesus não está querendo que nos tornemos mendigo para entrar no Céu, mas ele usa esta comparação para dizer que para chegar ao Céu, temos que mortificar em nós o orgulho, a avareza. Tem os que buscar as coisas de Deus, amar e fazer sua vontade. Temos que repartir o que temos, sermos solidários com nossos irmãos. E sobretudo saber ouvir aqueles que nos orientam quando nos desviamos do caminho, isto é a Igreja (simbolizada pelos Profetas). 


Nesta parábola você vê os dois contrastes entre Céu e inferno. E vê que Jesus não esconde que o inferno existe e é uma realidade.


Não podemos deixar de acreditar na existência de Deus, mas temos que acreditar na existência do diabo para saber discernir o que é bom e o que ruim, ou, o que nos leva a salvação, ou as coisas que nos levam à perdição.


Mt 25, 31-46 - Deus nos pedirá conta se a nossa justiça e a nossa solidariedade falhar neste mundo. 


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OUTRAS EXPLICAÇÕES SOBRE: CÉU, INFERNO E PURGATÓRIO

Texto de: Pe. Francisco Sehnem, scj.


Nós aprendemos na catequese que o juízo particular decide nossa sorte eterna: O céu e o inferno. Aqueles, porém que apresentam a pureza necessária para serem admitidas no Céu devem "ir ao purgatório".


CÉU

Céu é o "lugar" onde está Deus, a Santíssima Trindade, com os anjos e santos. "Os olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem o coração humano jamais imaginou o que Deus tem preparado para aqueles que o amam" (1Cor 2, 9).
Estas palavras servem de referência para se descrever a glória da vida eterna. A paz, o perdão e a união com Cristo constitui o início do céu. A felicidade eterna começa em parte, no meio das necessidades e tribulações desta vida, que vai desabrochar plenamente no Paraíso.

As passagens mais extensas sobre a vida eterna estão no Apocalipse. Contêm a ardente esperança dos primeiros cristãos. Na Palavra de Deus encontramos o ponto de partida que enche o nosso coração de alegria e esperança, nos dá a certeza da felicidade celeste.


PURGATÓRIO

A Igreja afirma que, por não terem satisfeito à justiça divina pelos pecados veniais cometidos, muitas pessoas vão para o "lugar" da purificação até que tenham feito a expiação de todos os seus pecados, porque no Céu não entra ninguém impuro.
"Os que morreram na graça de Deus, mas não estão purificados, embora tenham garantida a salvação eterna, passam, após a morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar no céu" (CIC 1030).

O Purgatório foi teorizado no pontificado do Papa Gregório I, em 593, com base no livro 2Mc 12, 42-46. A Igreja formulou a doutrina do Purgatório, sobretudo no Concílio Vaticano de floresça, em 1439, e de Trento, em 1563.

Desde o início da Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial a Santa Missa, a fim de que purificados, eles cheguem a visão beatífica de Deus (CIC 1032) - Outros textos:  1Cor 3, 15; 1Pd 1,7; Mt 12, 31; Hb 9, 27; 2Cor 5, 10 e Lc 16, 25-26.

O Concílio Vaticano II fala de um estado de purificação, antes de entrar no Céu (LG 49). É uma purificação. Não é um lugar, mas em Deus. No Purgatório existe a esperança e a firme certeza do amor de Deus.
Quem está no Purgatório é eleito de Deus, e, mesmo sem contemplá-lo ainda face a face, já sente o amor divino. Não é um estado de condenação, mas de purificação, e quem nele se encontra participa da plena Comunhão dos Santos. Daí o valor da oração pelos mortos.

A Igreja se refere ao Purgatório de maneira positiva e a celebração de Finados é uma solenidade. A Comunhão dos Santos é uma verdade de fé, pois os fiéis falecidos que encontram no Purgatório estão em comunhão com os que militam na terra, como também com os bem aventurados no Céu. O Purgatório é um dado de fé do Cristianismo e não tem nada em comum com outras religiões, em relação aos mortos.

A oração pelos fiéis defuntos é tradição na Igreja. No Cânon da Missa mencionam-se o nome dos defuntos e o dia de Finados é uma ocasião  de oração especial pelos defuntos.


INFERNO

Jesus fala da possibilidade de alguém se perder para sempre (Mt 25, 46). E podemos entender mal esta palavra, como se fosse feita injustiça ao condenado, tal como é possível quando se trata do castigo nesta vida. Por isso é mais compreensível designar a mesma realidade por outro termo: Pecado eterno.

Para a pessoa uma situação de frio endurecimento torna-se eterna. Deus, amor, bondade, Cristo, comunidade e irmãos não lhes dizem nada. É a desordem consumada: O pecado levado ao extremo. O definitivo fechar-se sobre si mesmo: nenhum contato, nem com Deus nem com os outros. E o castigo do pecado é a segunda morte (Ap 20, 14), a eterna.

Podemos pensar: É impossível conciliar o inferno com o amor de Deus. Mas, precisamente, aqueles que estavam compenetrados desse amor de Deus, acreditavam no inferno.
Em primeiro lugar, o próprio Jesus, que não se pronuncia a respeito dos condenados. Mas, perguntado pelo número de salvos e condenados, responde com uma séria exortação, para que tomem o caminho que leva à vida. E o aviso de Jesus é uma graça para nós.
Os Santos também acreditavam no inferno. Santa Terezinha procurou uma resposta na Justiça de Deus: "Ninguém está no inferno sem o merecido".

Devemos crer em Deus tal como Ele se revelou em Jesus, onde contemplamos seu amor extremo; de sua boca ouvimos também estas palavras:
"Não temais os que matam o corpo, mas não a alma. Temei Aquele que pode perder, no inferno a alma e o corpo" (Mt 10, 28).

É costume forçar as crianças irem à missa aos domingos, porque "quem falta à missa comete pecado mortal e vai para o inferno". Ao participar da missa elas sentem alívio, porque, por mais uma semana estarão livres do inferno. Porém, esse não é o motivo para participar da missa. Cristo nos espera para Sua festa.
Quer todos os amigos ao redor de Suas mesa para nos dar tudo, inclusive a salvação eterna. 
Portanto, não precisamos temer o dia do julgamento. Ao contrário, se vivemos a santidade no dia a dia, devemos aguardar este dia com alegria. Pois, será o momento glorioso do triunfo do Senhor Jesus sobre todo o mal em nossa vida.  

Fonte: Revista Brasil Cristão Ed. 184; nov/12
  
                     


       





               
               

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sagrada Escritura-Livro de Cabeceira do Cristão

Estamos dentro do mês da Bíblia. O Mês de setembro é convidativo para que reflitamos se temos o costume de rezar e meditar a Palavra de Deus.

Estamos falando da "Lectio Divina" isto é, a leitura orante da Palavra de Deus.

É uma prática de oração em que consiste utilizar a Palavra de Deus para rezar. ´

Consiste em: Ler, Meditar, Orar e Contemplar a Sagrada Escritura
.
A leitura da Sagrada Escritura deve ser feita devagar, com a intenção de entrar em sintonia com a mensagem que Deus tem para cada um de nós. 
Não se trata de abrir a Bíblia apenas para tirar a sorte, de qualquer maneira ou até de forma supersticiosa. Mas trata-se de obter um cuidado e um amor em abrir nosso sentidos e o entendimento para entender a mensagem que Deus tem a nos dizer.

A meditação exige que nos aprofundemos mais naquilo que o Senhor tem a nos revelar. Várias vezes lemos o mesmo texto e a mensagem de Deus se renova a cada momento de nossa vida. Pois, a Palavra de Deus nunca se desatualiza. Consiste em abrir nossos ouvidos, principalmente nosso coração para escutar o que o Senhor tem a nos dizer, como bons servos que sabem escutá-Lo.

A Oração é o momento pelo qual, de acordo com nosso contexto pessoal, damos resposta a Deus daquilo que ouvimos. Esse "ouvir" consiste em deixar o coração aberto diante do Senhor. É o momento seu com Deus, particular, é hora de se abrir, de  se deixar e sentir ser abraçado poe Ele. É também o momento de agradecer, louvar e pedir, pois estará em conversa direta com Deus Pai. É um momento de muitas graças e curas.

A contemplação é o momento em que não é preciso palavras, mas apenas o silêncio interior, do profundo do ser, que se faz sentir a entrega total de si mesmo a Deus Pai. Não é preciso palavras mas apenas uma entrega.
O silêncio também fala quando olhamos para dentro de nós mesmos, Deus está ali também presente em nosso viver.
Você entrando em contato com a Palavra de Deus, ao mesmo tempo é confortado por ela, e as palavras do coração falam por si só. 
A Palavra de Deus é vida, é ela quem nos fortalece, ilumina e guia.

Por isso todo bom Cristão deve praticar a "Lectio Divina", isto é Orar a Palavra de Deus.
A Palavra de Deus, ou seja, a Sagrada Escritura, deve ser nosso principal livro. O livro de cabeceira, onde encontramos sempre palavras de conforto e felicidade.
A Sagrada Escritura não foi feita para ser discutida e sim praticada, por isso que é importante aprender com ela, e praticá-la.

Todo cristão deve sempre buscar na Sagrada Escritura seu refúgio. Ela ilumina e nos mostra o caminho da Salvação que é Jesus.
Ela por si só não Salva ninguém, mas tem o poder de nos conduzir ao bom caminho na medida em que aprendemos a praticar, a orar e meditá-la.
Deus nos fala de muitas maneiras, mas é através da Sagrada Escritura que aprendemos como nossos antepassados, os Santos, os profetas, os patriarcas e os Apóstolos a praticaram. Então ela também nos dá exemplo, testemunha a grandeza do poder de Deus Pai, Filho e Espírito Santo nos caminhos da história. E o primordial: Ela nos revela Jesus o filho de Deus como único Caminho, verdade e vida.

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O QUE É A BÍBLIA? - RESUMO

A Bíblia surgiu dentro do povo de Israel por volta do ano 1000 a.C até 100 d.C , seus escritos foram escritos em épocas diferentes de acordo com a situação de cada época. Começa com a escolha de um povo (o povo Hebreu), o povo de Israel através de uma aliança com os Patriarcas: Abraaão, Isac, Jacó e Moisés e termina com a Nova Aliança de Deus através de Jesus. 
Os escritos bíblicos foram escritos primeiro em aramaico (idioma primitivo dos hebreus), depois em hebraico e por último em grego, cujas eram as línguas mais faladas da época.

A Bíblia também é chamada de "Revelação Escrita", pois, Deus se revelou a humanidade através dos patriarcas e dos profetas ( no tempo do rei Davi) e dos apóstolos de Cristo, os quais tiveram o cuidado de registrarem os acontecimentos e as leis divinas ao longo da história. Muito antes da Revelação Escrita existia a "Revelação ou Transmissão Oral" (já que os antigos hebreus eram nômades e não possuíam a escrita) - isto significa que, os ensinamentos da Palavra de Deus, bem como seu cumprimento ou observância era passado de geração a geração oralmente.

Porém, mais tarde com a chegada da escrita sentiu-se a necessidade de registrar os fatos, acontecimentos e ensinamentos da Palavra de Deus ao povo de Israel, já no tempo do Rei Davi, por meio da escrita e continuou ao  longo de séculos e milênios. 
  
Homens sábios que sob a inspiração do Espírito Santo, tiveram a missão de não só registrar os acontecimentos históricos de uma determinada época, mas também registrar as Leis e o propósito de Deus que é o seu amor para com o seu povo. Para tal, alguns contavam com a ajuda de seus auxiliares que eram chamados de "escribas" ou "escritores". Não só eram descritos os acontecimentos históricos, mas também as Leis diretas do Senhor Javé e as indiretas através de moisés e os sumos sacerdotes, como: as leis do Templo, as leis civis, os rituais da religião judáica, as orações (salmos), pensamentos, conselhos, poesia, romance, aventura, enfim tudo que A RESPEITO povo de ISRAEL. Depois, futuramente os Apóstolos tiveram o cuidado de registrar os ensinamentos e a vida de Jesus. Bem como os ensinamentos da Igreja cristã primitiva. E é através da Revelação dos Apóstolos que a Igreja Católica basea toda sua doutrina. Não há nada inventado, tudo parte do princípio bíblico. É a Bíblia que rege toda a tradição da Igreja: normas, preceitos, catequese, doutrina, rituais, sacramentos, teologia etc... TODA A HISTÓRIA DA IGREJA ESTÁ ALICERÇADA NA TRADIÇÃO APOSTÓLICA.    

A bíblia ao contrário do que muitos pensam não é um livro para nos prender, mas é um livro de "Libertação", pois, ela sempre traz uma mensagem do amor de Deus mesmo em tempos de guerras, fome, miséria e perseguição. Mostra que Deus sempre está conosco. Aliás, ela mesma nos revela Jesus Cristo com o nome de Emanuel que quer dizer, Deus-Conosco, não é interessante? (...)

Por mais que queiramos compreender toda a Sagrada Escritura, não podemos. Pois ela sempre traz uma mensagem nova e causa diversos efeitos em nossa vida. Sua linguagem muitas vezes não é fácil de ser compreendida, por isso o melhor é estudá-la através dos estudos teológicos (livros especializados, encontros, escolas bíblicas, etc.) para que possamos melhor entendê-la. Participar  de grupos de reflexão como os círculos bíblicos, ou ainda em caso de dúvidas devemos buscar a orientação de um padre ou um professor de teologia para que possamos entender, compreender melhor o significado de cada texto. 

NOTA: A Igreja Católica Apostólica Romana é a única que dispõe e guarda o Depósito da Fé. Isto é, a Igreja guarda todo os escritos bíblicos originais e zela por eles, somente ela através dos bispos pode traduzir e ensinar as verdades da fé. Ninguém pode inventar uma Bíblia ou traduzir de qualquer forma a Sagrada Escritura. 

Algumas Bíblias, como a Bíblia Ave-Maria vêm com notas explicativas dos textos no rodapé e um dicionário bíblico no final, além de mapas que mostram como era a Palestina no tempo  dos grandes Reinos de Israel e no tempo de Jesus. Isso nos ajuda a compreender melhor os textos bíblicos, mas em caso de dúvida é bom  procurar ajuda de quem entende do assunto. 
Os escritos bíblicos possuem muitas linguagens figuradas de forma que não podemos ser radicais ao interpretar por nossa própria conta os textos sagrados, pois, o radicalismo pode muitas vezes nos desviar do verdadeiro sentido proposital dos textos. Por isso que a Igreja não aprova que qualquer pessoa traduza os textos sagrados por causa da dificuldade em entender o significado. Já que para entender e traduzir certos textos é necessário anos de estudo, dentro de vários campos, inclusive pesquisando áreas da História e a situação histórica em que os livros foram escritos.  

Tem muita gente por aí que acha que entende de Bíblia, e quer esfregar algum texto que lhe interesse na cara das pessoas. Fique ligado! Quem age assim não está interessado em anunciar a Palavra de Deus mas está forçando, empurrando goela abaixo e de forma egoísta aquilo que deveria ser um convite, com o propósito de nos chamar atenção para "suas seitas".   
A Palavra de Deus não deve nunca servir para discussão e sim, ela deve ser vivida,  para  fazer experimentar e aproximar-nos do amor de Deus. 

A primeira tradução da Sagrada Escritura foi feita por São Jerônimo que era teólogo, filósofo, gramático, escritor, apologista, sacerdote e doutor da Igreja (viveu entre 340-420 d.C.). Sua tradução ficou conhecida como "Vulgata". Mas hoje a tradução que mais aproxima dos escritos originais é a Bíblia de Jerusalém. Não que a tradução Vulgata seja errada, mas a Bíblia de Jerusalém traz uma cópia mais fiel dos originais. Ou seja, as palavras que eram de difícil compreensão, ou caíram em desuso, na tradução Vulgata foi traduzida por outras mais recentes e comuns no latim e no português para melhor compreensão, mas, sem perder o sentido do conteúdo transmitido.
Na Bíblia de Jerusalém, (traduzida do grego), vamos notar algumas diferenças de tradução, justamente por causa da linguagem e tradição da época nela conservados. Mas, tanto a Vulgata de S. Jerônimo, como a Bíblia de Jerusalém são perfeitas e válidas. 

São Jerônimo dedicou grande parte da sua vida a traduzir a Sagrada Escritura. E essa tradução feita do hebraico e grego, para o latim, língua oficial da Igreja na época. E foi dividida em seções de livros. 
Existem alguns livros que estão à parte do Novo Testamento por serem considerados mais fábulas do que verdade. São os livros apócrifos - (como o evangelho de S. Tiago por ex.), considerados não inspirados. Esses livros, foram escritos por terceiros e não foram acrescidos à Bíblia porque não continham verdades sólidas fundamentadas, e sim, algumas lendas até fabulosas demais.    

Mais tarde, para facilitar a leitura no Séc. XIII d.C. nela foi acrescentado os capítulos  pelo Cardeal Estêvão Langton. E no Séc. XVI - Sante Pegnini e Roberto Estêvão elaborou um sistema  mais fácil de ler a Bíblia, além dos capítulos, também a dividiu numericamente pequenos trechos que são os versículos. Assim, cada capítulo possuía um certo número de versículos (pequenos textos numerados) e ficava fácil encontrar a citação desejada no texto sagrado sem dificuldades.

A primeira obra de impressão moderna da Bíblia ocorreu em Gutenberg na Alemanha em 1450, considerada o trabalho mais importante da época. Mas a primeira Bíblia impressa em português foi feita em 1748 através da tradução vulgata de São Jerônimo por D. Diniz (rei de Portugal) nos anos de 1279 a 1325. 

A palavra Bíblia vem do nome grego "Biblos" - (se refere a um papiro do séc. XI a.C.) Significa: apanhado, coleção ou conjunto de livros. Ela foi dividida em dois grandes conjuntos de livros: Antes de Cristo temos o Antigo Testamento ou Antiga Aliança, e, depois de Cristo temos o Novo Testamento ou Nova Aliança. A palavra testamento, significa, legado ou tratado. 

Um Tratado Eterno de amor que Deus tem para conosco através de sua palavra.

 Quando alguém morre e tem muitos bens para repartir entre os herdeiros, deixa registrado um Testamento, escrito, com normas e um formal de partilha é feito de acordo com a vontade do testamenteiro. Jesus morreu, deixando-nos um Novo Testamento, isto é, todos nós somos herdeiros dos bens que ele nos deixou, somos herdeiros primeiramente da sua graça, depois, somos herdeiros do Céu. Jesus conquistou isso para nós, para nossa felicidade. Quando abrimos o Testamento de Jesus, vemos que as condições para merecer esse grandioso bem é viver o amor uns para com os outros. Esta é a condição se quisermos receber nossa herança. Assim a Bíblia é o Testamento que nos garante o direito a felicidade, a salvação e consequentemente, a santidade. 
 Assim como todo Testamento possui um selo para ser aberto no dia da sua leitura, Jesus Cristo selou seu Novo Testamento com seu sangue, garantindo-nos total integridade e direitos e através do Espírito Santo no-los revelou, de forma que todos nós, (batizados), possamos ter a graça de merecer e conquistá-la definitivamente um dia.    

Mas quem deu o nome de Bíblia aos escritos sagrados foram os discípulos de Jesus. (+ séc. II)   Hoje a tradução em português mais fiel da Bíblia já encontrada é a tradução grega ou a Bíblia de Jerusalém, que faz uma cópia fiel dos textos originais.  

Partindo do princípio conforme escrito por S. Paulo que: "Toda escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e educar  conforme a Justiça"... 2Tm 3, 16;  - hoje poderemos dizer que devemos desconfiar de certas traduções. 

Temos que tomar muito cuidado com certas traduções que contém graves erros de tradução trocando muitas vezes os nomes dos personagens e o sentido dos textos e podem confundir ainda mais as pessoas. 

Por isso é bom e recomendável que se compre apenas Bíblias que sejam autorizadas pela Igreja Católica aonde sejam autorizadas sua impressões pelo bispo que acompanha a sua edição. Nunca podemos traduzir ao "pé da letra" mas considerar em primeiro lugar o sentido e o propósito dos textos para que e por que foi escrito, dentro de cada época. Pois pode ser que o que valia para uma época antes ganha novo sentido em outra. Por exemplo: 

No Antigo Testamento encontramos a A Lei de Talião - "Olho por olho, dente por dente" ou seja, pague o bem com o bem e o mal com o mal - consistia em pagar com a mesma moeda o mal ou o bem causado por alguém. Assim, se alguém matasse uma pessoa, alguém que matou tinha que ser morta também. Já pensou o que seria do mundo se todos agissem assim?... No Novo Testamento, vemos que Jesus corrigiu esta Lei mandando que todos seus discípulos se praticassem a caridade e não a vingança. Ou seja, devemos amar sempre e nunca odiar, pois Deus é amor. (Mt 5, 38-40) E para provar Jesus deu sua vida por nós. E por fim nos deixou um novo Mandamento: AMAR COM A MESMA INTENSIDADE QUE ELE NOS AMOU - Jo15, 12-17.  

Não podemos cair no radicalismo bíblico, pois, isto leva a heresia, isto é, pode fazer-nos afastar do verdadeiro sentido bíblico que é fazer-nos conhecer e amar a Deus.
Os escritos bíblicos possuem linguagens simbólicas. Era uma prática muito antiga de linguagem escrita que os autores tinham. De maneira que a mensagem chegasse a quem lhes interessavam diretamente (sem que houvesse perseguições) e os receptores desta mensagem lhes cabiam entender e interpretar o significado das palavras.
Nem sempre os governantes de Israel eram os judeus. Israel vem sofrendo interferências de outras nações a séculos. Muitos não seguiam a religião judaica, adoravam outros deuses, e levavam consigo a sua prática religiosa. E mandavam perseguir e matar os que seguiam a religião judaica. Muitos profetas tiveram que se exilar. Estes profetas tentando fazer com que o povo não esmorecesse na fé no único Deus escreviam suas mensagens de forma simbólica para evitar as perseguições e fazer com que a palavra do Senhor fosse levada diretamente aos judeus.
Assim a Bíblia possui textos que compreendemos e textos que não podemos compreender sem a ajuda de alguém especialista em Bíblia e escritos antigos. E para entendê-los muitas vezes os estudiosos tiveram que contar com a ajuda da Ciência e da Arqueologia.
Temos que tomar muito cuidado, pois o sentido bíblico que parece ser na verdade ganha outro significado. Para isso é necessário entender dentro daquela história, na realidade daquele povo o para quê, por quê foram escritos.

Tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento existe esta linguagem, como no Livro de Isaías, Zacarias, Daniel, os Salmos, Os Evangelhos, e o mais famoso, o Apocalipse. 
O Apocalipse é um livro muito simples, mas muito misterioso pois envolve uma linguagem simbólica pela qual João o Evangelista descreve a vitória de Cristo e sua Igreja. 
Usa e "abusa" de vários símbolos do Antigo Testamento para transmitir uma mensagem cristã, a qual não podia ser diretamente escrita por causa da perseguição do Império Romano aos cristãos. Então, por exemplo, ele se refere a Jesus como Cordeiro, Leão da tribo de Judá, o Alfa e o Ômega, etc. Quando se refere as perseguições ele usa símbolos para destacar os perseguidores da Igreja e o mal, usa o número 666, o dragão, os cavalos, a morte, etc. Quando fala da promessa celeste, ele usa os anciãos, os anjos, os mártires, os animais, ouro, incenso, anjos, louvores, preces e música, etc. Jesus em seu evangelho, usou as parábolas (historinhas), para ensinar o povo simples, que muitas vezes caiam no radicalismo farisaico por não entender as Leis de Moisés. Isso lhes faziam cair no radicalismo religioso, e impediam-lhes de amar verdadeiramente a Deus e ao próximo. Uma das causas que levam às guerras religiosas. 

O radicalismo e o fundamentalismo religioso leva a uma cegueira espiritual e esta cegueira conduz a pessoa ao fanatismo e à perdição. Um copo cheio demais transborda e faz molhar, um copo com pouca água  não é suficiente para nos matar a sede. Ou seja, tudo na vida para dar certo, para nos fazer felizes tem que estar na medida certa.
A cegueira espiritual  dos fariseus condenou Jesus à morte. E quantos hoje estão cegos por não entenderem a Palavra de Deus? Quantos matam e morrem em nome de Deus?... A causa disto é o radicalismo, o fanatismo e o fundamentalismo religioso. 
   
Então na verdade, a linguagem simbólica é usada para confundir quem na verdade não lhe interessava (como um código) e pudesse chegar melhor e com segurança até os cristãos. Funcionou tanto que está no nosso meio até hoje.
Mas, cair no radicalismo e interpretar ao "pé da letra" a Sagrada Escritura é perigoso pois pode nos fazer cometer heresias, fugir do verdadeiro sentido bíblico, da verdadeira mensagem. É aí que surgem as seitas e a violência, intolerância e a idolatria.   
Jesus Cristo várias vezes condenou esse radicalismo, quando censurou os fariseus pelas práticas erradas da palavra de Deus. (Cf. Mt. 5, 17-48 : 23, 1-39)               

As mensagens bíblicas devem ser ser aplicadas em nós hoje?

Sim! A finalidade dela é fazer com nós conheçamos a verdade e possamos estabelecer uma relação de filhos com Deus. Ela também nos aponta para a salvação e nos conduz até lá através de Jesus Cristo, mas sobretudo é ela quem nos dá a conhecer o amor de Deus por nós e nos convida a abrir nosso tempo, nosso espaço e nosso coração para o Espírito Santo. Pois ela é sempre atual, porque Deus é sempre atual. Seus escritos são para os de ontem, os de hoje e os de amanhã. A palavra de Deus não muda, ela é sempre  a mesma, apenas se adequa à nossa realidade e por isso se faz atual.     
           
A Bíblia também serve para que aprendamos a lidar com a  nossa Justiça dentro de uma dinâmica do amor de Deus Pai.
Ela vai nos educar para que saibamos administrar nossa justiça com o amor. Pois somos filhos de Deus bons ou maus. E nossa justiça, deve ser o amor, o respeito mútuo e a caridade, estas sempre devem ser maiores que as leis do nosso País. E nenhuma outra está acima dela se quisermos entrar no Céu. (Mt 5, 20)

Ela deve ocupar um lugar de destaque, não nas estantes, esquecida e empoeirada, mas deve ocupar verdadeiramente seu lugar que é nosso coração. A Palavra de Deus nos revela o Verbo Divino que veio morar entre nós, se fez um de nós, assim, diz o escritor Cassio Abreu: "A dinâmica da Palavra de Deus é que não apenas a leitura, mas a suas mensagens podem e devem ser aplicadas em nossa vida hoje"