terça-feira, 3 de julho de 2012

AS DESGRAÇAS NEM SEMPRE SÃO CASTIGOS

Você já deparou com alguém que vive achando que tudo de ruim que acontece a culpa é de Deus, ou mandado por Deus como castigo, por este ou aquele pecado? - Pois é, quanta gente ainda pensa assim, não é mesmo? - talvez eu e você... Mas será que é isto mesmo?

Bem, ... segundo a Bíblia não é bem assim. São Lucas descreve no seu Evangelho o que Jesus tratava desse assunto que, já a tanto tempo também incomodava algumas pessoas da sua época:

(Cf. Lc13, 1-8) - As pessoas não entendiam porque tanto culpados como inocentes eram mortos da mesma maneira. Isto é, no tempo de Jesus os criminosos sofriam as piores mortes. A cruz era destinada aos ladrões, presos políticos e assassinos. Os outros morriam de penas não menos piores. Mas ali se misturavam tanto os puros, como costumavam chamar os judeus crentes, como os impuros, ou seja, aqueles que não observavam as leis de Deus. 
E achavam porém que aquilo era um absurdo, ou um castigo de Deus. Mas Jesus então explica que não. O que traz a desgraça e o sofrimento, não a vontade de Deus, mas, é obra humana. A violência, a morte, a vingança, a fome, a miséria, as doenças e tantos outros tipos de desgraças, não são castigos de Deus. A culpa é do ser humano que se esquece e desvia do caminho. É  homem que mata o próprio homem. Deus ama a todos, para Deus não há distinção entre rico ou pobre, entre puro e impuro, todos são seus filhos. Mas cabe ao homem saber se arrepender e buscar o amor de Deus. Há muita gente que vê castigo em tudo, são pessimistas até consigo mesmos.

Jesus quer que prestemos atenção no que está a nossa volta. Quer que percebamos as diversas situações que nos levam a afastar-se de Deus e quer que procuremos viver de acordo com sua vontade. Ou do contrário iremos pro mesmo caminho daqueles que pereceram, não por causa de Deus, mas por causa do pecado. Hoje não é diferente, há vários tipos de mortes, sejam elas físicas ou espirituais, mortes e sofrimentos aos quais muitas vezes não são mandadas por Deus, mas sim, conseqüências de nossos próprios erros, quando escolhemos o errado ao invés do certo. Quando damos menos importância à Palavra de Deus e da Igreja, quando optamos por fazer o mal e não o bem.
Então ou sofremos os piores castigos, ou os piores tipos de mortes por arcar com as conseqüências de nossos erros e de nossa vida de futilidades.

São Paulo nos diz que o salário do pecado é a morte. Recebemos como conseqüência de uma vida desregrada, de pecados e vícios a morte como salário. Morte tanto do corpo, como da alma. Por outro lado quem opta por seguir e fazer o que Jesus quer possui vida em abundância, isso inclui a vida eterna.
Então não é Deus quem nos castiga, nós mesmos nos castigamos com nossos erros. Somos livres para escolher seguir o certo ou o errado, e as conseqüências dessa escolha depende única e exclusivamente de nós.

Segundo São Lucas, após este episódio, Jesus conta a parábola da figueira estéril. (Vs.6-9):
Um homem tinha plantado uma figueira, na sua vinha,  e, indo buscar o fruto não achou. Então disse o seu empregado: - Há três anos que venho procurando frutos nesta figueira e não encontro. Corte-a para que não ocupe inutilmente o terreno. Mas o empregado respondeu: - Meu senhor, deixa ainda este ano, eu lhe cavarei, porei adubo. Talvez dê frutos. Do contrário, corta-lha-ei.

Esta figueira de que Jesus fala, somos todos nós. Deus nos criou para que possamos dar bons frutos. Tem gente vive neste mundo e não faz nada, não trabalha, não estuda, não quer nada da vida e só vive fazendo o que não presta. Deus quer que sejamos frutuosos, isto é, que vivamos de acordo com sua  Palavra. Ele quer que os bons frutos cresçam em nós a amadureça. E isso só acontece se o nosso coração, se nossa vida for regada e adubada com seu amor. Para isso ele nos oferece meios para os quais temos condições de ser boas "plantas". Um desses meios é a Sagrada Escritura, o segundo a Igreja, o terceiro os Sacramentos. Pelos quais todos nós somos constantemente adubados com o amor de Deus. 

Deus é o dono da vinha e da figueira. Jesus é o viticultor que cuida desta vinha. A vinha é o Reino de Deus que começa já neste mundo. O terreno desta vinha é o nosso coração.
Jesus sempre está do nosso lado. Mesmo quando não somos capazes de produzir os frutos. Ele vem colocar seu "adubo" em nossas vidas. Como todo adubo é um composto de substâncias, o "adubo" que Jesus usa para nos fazer crescer e dar frutos é composto: Evangelho+Eucaristia+vivência dos Sacramentos+presença do Espírito Santo. Esta é a fórmula que nos torna capazes de produzir bons frutos. Sem eles o que que resta é a poda, da poda à lenha, da lenha à fogueira. 

Mas Jesus é esse viticultor, cheio de paciência, que luta até no último momento para que possamos nos converter e ser melhores. Jesus não quer cortar-nos de seu reino, Ele prefere esperar que possamos dar pelo menos um fruto, mas que esse fruto seja bom e agradável ao "dono da vinha", ou seja, Deus Pai.

E é por causa de nossa falta de fé, de esperança, de amor. É por causa do pecado que não somos boas "figueiras" . E quando vem as tribulações, quando sofremos os impactos da vida, quando sobrevêm a morte, aí achamos que Deus está nos castigando. Mas pelo contrário, somos nós que atraímos o castigo e a desgraças, são as nossas más condutas, nossos pecados e nossa vida totalmente ausente de Deus que nos leva ao vazio extremo, nos tornamos incapazes de ser felizes.

Mas você deve estar se perguntando...
Se Deus nos ama, porque então sofremos, ou melhor passamos pelo sofrimento?
Porque não encontramos respostas de Deus nas horas em que mais precisamos?
Bem... não é fácil responder esta pergunta sem um conhecimento interior. O fato é que quem passa pela experiência do amor de Deus sabe as respostas certas na hora certa e sabe vencer os sofrimentos da melhor maneira possível, porque tem fé. Isto é, acredita, confia e abandona no amor de Deus. Quem mais experimentou esse amor de Deus, quem mais pode provar este amor foi São Paulo, ele mesmo nos diz:     Que nos separará do amor de Deus? a dor?, a espada?, a nudez?, a fome?, a perseguição?, perigo? a espada? a morte? - mais adiante ele vai afirmar: se Deus é por nós quem será contra nós?
Por incrível que pareça Deus sempre está atento às nossas dificuldades. É por isso que para nos educar espiritualmente é necessário que passamos pela dor e pelo sofrimento, natural de todo ser humano. Deus sabe disso e é por isso que ele não poupou nem mesmo seu Filho que, enquanto homem também se fez um de nós, se encarnou, se igualou a nós em tudo menos no pecado. Aliás seu sofrimento na Cruz revela o quanto Deus quis se igualar a nós sofrendo como todo ser humano. Mas não ficou só na Cruz, se ficasse seria Deus um derrotado. Mas não! Ele passou pela morte e a venceu ressuscitando para nos provar que todo sofrimento tem começo meio e fim.
Assim conosco não seria diferente imaginar uma vida só de prazeres, de facilidades, de alegrias sem nada à conquistar no futuro. Ora! se Deus reserva o melhor para nós, e se sofrer faz parte de um plano superior é claro que Deus não deixará que o sofrimento nos vença. Pelo contrário, devemos vencer o sofrimento com Ele.

Assim como uma doença para ser tratada precisa de um bom médico e um bom diagnóstico. Muitas vezes o sofrimento precisa de um diagnóstico da alma, onde cada um deve se examinar espiritualmente. Quais os motivos que estão me levando a sofrer. Muitas vezes passamos pelo sofrimento físico, porque não há cura interior. Deus não interfere em nosso livre arbítrio, mas Ele nos mostra que muitas vezes o sofrimento, natural de todo homem, também é causado por chagas espirituais. Exige de nós uma libertação interior da alma. Por isso também o sacramento da Confissão é muito importante.
Mas se quisermos um exemplo de como vencer os sofrimentos devemos nos espelhar  em São Paulo. Ele mortificou em si o pecado, passou a viver para Cristo.
São Paulo se espelhou em um atleta de corrida. Para isso estabeleceu metas, estratégias. Ora, todos sabemos que o atleta para vencer precisa de esforço, precisa passar pelos sofrimentos, mas, sobretudo, precisa de uma boa estratégia e uma boa dieta se quiser vencer. Assim São Paulo tinha a sua meta:

 a) Permanecer sempre no amor de Deus, nunca perder a direção espiritual.
 b) Tinha uma relação íntima com Deus. Depois de sua conversão nunca se deixou enganar. Vivia para Cristo.
c) Sua estratégia era se afastar de tudo aquilo que o impedia de amar e servir a Jesus  Cristo.
d) Sua dieta era a riqueza da fé, a doçura da esperança e o brilho da caridade. Ele destacava que sem amor é impossível vencer os sofrimentos. Ele que experimentou esse amor de Deus nunca se deixou abater. A ponto de dizer: Quem nos separará do amor de Cristo? (...) "Ainda que eu tenha tudo, mesmo que eu fale a língua dos anjos, mesmo que tenha vigor de profeta, sem amor, eu nada seria!"
e) No sofrimento ele provou este amor, por isso não menosprezava o sofrimento, mas mortificando-os em Cristo, e pode afirmar: "Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro!"
f) E para confirmar a vitória, depois de passar e vencer os sofrimentos, com amor imenso ele diz: "Terminei minha carreira, (venci a corrida) guardei a minha fé!"
g) E para aqueles que, assim como hoje, se acham derrotados pelo sofrimento ele diz: "Agora só me resta esperar a Coroa como prêmio que o Justo Juiz (Jesus) me dará!"

No entanto, podemos perceber que: para São Paulo a chave para vencer o sofrimento, é preciso estabelecer uma relação de amor para com Deus. Muitas vezes falta-nos experimentar esse amor, pois, quando estamos com Deus o sofrimento apenas é uma questão de tempo.                         


             

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