segunda-feira, 8 de setembro de 2014

EU SOU FETO HUMANO, DEIXE-ME VIVER - " Ame a vida por mim!"



 EU SOU FETO HUMANO

Achar que o feto não seja uma pessoa separada, mas apenas uma parte do corpo da mãe, não é correto. A circulação do sangue da mãe e do feto não são separadas. O feto possui princípios separados de crescimento e desenvolvimento, sistema nervoso separado, circulação do sangue separada, esqueleto próprio, musculatura própria, cérebro, coração e órgãos vitais próprios.
A individualidade do feto é atestada por se poder ouvir, através de aparelhos, as batidas do coração entre 1 e 3 semanas de gestação. Isto mostra que o feto já possui um coração próprio.


Um feto não tem olhos? - Os olhos do feto começam a se formar aos 19 dias de gestação. Na oitava semana de gestação suas pálpebras se tornam sensíveis ao serem tocadas. Se a pálpebra é tocada, a criança fecha os olhos. Com oito semanas de gestação o feto tem uma face humana com pálpebras fechadas como nas pessoas que estão a dormir. No quinto mês de gestação as sobrancelhas começam a crescer e já aparece uma franja nas pestanas.

Um feto não tem mãos, órgãos, tamanho, sentidos? - As mãos, os dedos e os polegares podem ser claramente observados com 1 mês e 3 semanas de gestação. Com dois meses já existem impressões digitais nas mãos e nos pés do feto. As palmas das mãos se tornam sensíveis ao toque e com dois meses e meio o feto já pode agarrar objetos com as mãos, tais como uma pequena haste.
Com 2 meses todos os órgãos estão presentes no feto. Com  dois meses e meio, se tocarmos a testa do feto, ele pode virar a cabeça para o outro lado e franzir as sobrancelhas. Com três meses, seus órgãos e sentidos estão presentes e aparentes.



Não se alimenta com a mesma comida? 
 O feto humano e sua mãe são quase ao pé da letra alimentados com a mesma comida. 
Embora o sangue do feto e da mãe se misturem durante a gestação, a criança no entretanto, recebe oxigênio e alimento de sua mãe através da placenta.

Não pode sentir sofrimento? Não é ferido pelas mesmas armas? - Com 3 semanas o feto já sente dor. Nas transfusões de sangue intra uterinas em fetos, os cirurgiões responsáveis pela operação devem levar a sério o fato de que o feto pode sentir dor. A criança não nascida não é de forma alguma um monte de geleia, pelo contrário, ela é capaz de sentir quando foi atingida, e protestará a isso como  faria se estivesse em seu berço. No caso das transfusões de sangue intra uterinas, o médico pode sentir a criança pular quando a agulha atravessa a sua pele. No caso de um abortamento de dois meses e meio, por curetagem, no qual se retalha um bebê em pedaços através de uma espécie de foice chamada cureta, não há dúvidas que o feto sente de fato o que lhe está sendo feito.
As armas utilizadas contra o feto durante o abortamento causam a morte do feto pelas mesmas razões médicas pelas quais um adulto atacado da mesma forma morreria.

Não está sujeito a doenças? - Sim está sujeito às doenças. Entre as doenças que podem atacar o feto, pode ser mencionadas a sífilis e algumas outras doenças provocadas por vírus.
Outras doenças do feto podemos ser diagnosticadas e tratadas antes mesmo do nascimento.  
Como nos casos em que, devidos a problemas relacionados com fator Rh, são feitas transfusões de sangue no feto sem retirá-lo do útero. 
Em outros casos a própria natureza pode encarregar-se de curar o feto sem necessidade de assistência médica, como num caso registrado pela literatura médica, em que um tiro de revólver, ocorrido aos três meses de gestação, sarou naturalmente, ficando somente uma cicatriz após o nascimento.

Não é aquecido e resfriado pelo mesmo inverno e verão, como um adulto é?  - A resposta é sim. Os fetos são afetados por variações de temperaturas da mesma maneira como os adultos são. Se o corpo de um adulto, por exemplo, estiver mais frio do que o normal, o seu cérebro necessitará de mais oxigênio e o seu coração baterá mais devagar. Da mesma maneira, se houver necessidade de baixar a temperatura de uma gestante de cinco meses para 5 graus, para que ela possa ser submetida a uma cirurgia, o coração do feto deixará de bater 180 batidas por minuto e passará a bater 120 batidas por minuto.

Se me permitissem não choraria? - Antes do fim do terceiro mês de gestação as cordas vocais do feto estão completas. Ele não poderá rir nem chorar. Mas apenas porque não existe ar dentro do útero. Entretanto, a literatura médica registra casos em que foi necessário injetar uma bolha de ar em gestantes de último trimestre; quando a bolha de ar cobria a face da criança, e a criança inalava o ar, permitia que as cordas vocais operassem, produzindo-se um choro que era perfeitamente ouvido por todos os presentes, incluindo os médicos e enfermeiras. As mães posteriormente relataram que a bolha de ar se mantinha sobre a face da criança todas as vezes que elas se deitavam para dormir, permitindo com que as crianças em seus úteros chorassem com tanta força tanto que elas com seus maridos não conseguiam dormir.

(feto na 4a. semana de gestação)

Se me envenenarem não morrei? - Os fetos são tão ou mais susceptíveis ao envenenamento do que o restante da população. As mesmas substâncias químicas causam um número de problemas para adultos que vivem nas grandes cidades, especialmente nas horas em que não há bons programas de controles à poluição ambiental, chegando ao feto através do corpo da mãe, lhe são igualmente ou mais danosos. Sem falar das bebidas alcoólicas e as drogas lícitas (medicamentos) e ilícitas (álcool, crack, cocaína, maconha, heroína, êxtase, etc); que vão atingir o feto diretamente através do corpo da gestante, o atingirá mais do que a mãe. 

O tabaco (fumo) é o grande vilão desta história. Essas drogas além de  causar má formação do feto, pode por genética fazer da criança um futuro dependente. Há relatos em que pais que usavam álcool e fumo, no futuro, seus filhos se tornaram dependentes das mesmas drogas. Fumantes ou dependentes de álcool. E assim, acontece comas outras drogas. No passado um medicamento chamado Talidomida causou grande estrago nas mulheres fazendo com que as crianças nascessem com paralisia, outras com sérias deficiências físicas e mentais.    

Se me agredirem, não revidarei? - Infelizmente grande parte das pessoas são propensas a pensar que o feto pode ser abortado sem maiores consequências para a mãe ou sua futura descendência. 
Isso é um engano lamentável. O aborto encerra riscos que não puderam ser ainda avaliados corretamente pela comunidade médica, quanto menos pela opinião pública.
Não se tem estatísticas, por exemplo de quantas mães morrem por aborto, simplesmente porque as gestantes não morrem diretamente na mesa de aborto, mas, algum tempo depois. Em outro lugar ou em pronto socorro e estes casos não são registrados como mortes por causa de aborto. E não ficam conhecidas pelos jornais e empresas que fazem pesquisas e estatísticas. (Sem contar os abortos clandestinos).
Mesmo quando feito pelas mãos de um médico treinado, o aborto é uma operação de risco, que não tem nenhuma semelhança com o parto, nem com o aborto natural, ao contrário do que possa parecer à primeira vista.
Durante o parto os médicos apenas ajudam a natureza a realizar seu trabalho, quando chega a hora do nascimento os médicos são simplesmente instrumentos de ajuda, é a própria natureza quem faz o milagre acontecer. Quando isso não acontece o médico está para ajudá-la.
O aborto natural é feito pela própria natureza, que no qual, o organismo entende que aquele feto está morto e como tal precisa ser eliminado protegendo a gestante das demais consequências. Então o feto é expulso naturalmente. O contrário do aborto forçado, provocado em que existe um ato de violência contra a mãe e contra a criança (que está viva); a criança o mais comumente tem que ser retalhada em pedaços dentro do útero e lhe tirada à força. É isso que provoca uma série de complicações. 

Para provar como isso acontece, relatamos aqui uma caso que aconteceu em 1971 num hospital de uma faculdade de Medicina da Inglaterra, onde o aborto é legalizado. De 1182 pacientes em que foram praticados aborto no próprio hospital, 17% perderam mais do que 500 mililitros de sangue, 9,5% necessitaram de transfusões de sangue após o aborto. Em 4% ocorreram lesões cervicais, em mais de 1% o útero foi perfurado. Seis vezes foi necessário em emergência abrir toda a barriga da gestante. 27%, isto é, mais de uma em cada 4 pacientes tiveram febre alta de mais de 38 graus durante mais de 24 horas. Isto mostra que o aborto mesmo praticado em um hospital devidamente especializado, equipado e preparado, o aborto não é uma operação tão simples e não sujeita a complicações sérias como costuma a ser pensado.

Mas o mais inquietante é que uma em cada quatro pacientes tiveram complicações  depois do aborto sendo feito por profissionais treinados, as complicações variam desde à infecções ao óbito após o aborto. O mais significativo é que tais complicações ocorreram com cirurgiões antigos e experientes.

Neste hospital, que era da faculdade de Medicina, estas complicações eram tratadas rotineiramente. Porém, mesmo nos países onde o aborto é legalizado, as clínicas de aborto não possuem um sistema de transfusão de sangue, quase nunca fazem exames completos antes do aborto,não existem acompanhamento das pacientes após o aborto, (a gestante saindo de lá fica por conta própria), dificilmente mantém registros corretos. Nem sempre os médicos tem devida preparação, frequentemente nem são cirurgiões. As gestantes são mandadas pra casa logo após o aborto, mesmo fazendo ali barbaridades tais que seriam puníveis em qualquer clínica ou hospital que não fosse aborto, quase nunca a justiça ou Conselhos de Medicina punem os culpados. Isto é o que há para dizer quanto ao andamento rotineiro destas clínicas. Porém, também são frequentes outras irregularidades tais como a gestante voltar lá com hemorragia e ela ser convencida como algo normal após o aborto, só se vindo a perceber a gravidade exata do problema quando já é demasiado tarde, deixar-se por negligência patente, pedaços de criança dentro do útero e outras assim.

Aparte estes, existem ainda outros danos acarretados que podem ser acarretados por um aborto. (Entre eles o psicológico, acarreta depressão grave por arrependimento e sentimento de culpa.)
O fato é que a maternidade é uma função que pertence à própria vida da mulher, não só do ponto de vista moral como também do ponto de vista psicológico e biológico. Uma vez que a mulher admita que está grávida, e ela precisa fazer isto para procurar o aborto, ela sentirá um apego inconsciente ao filho, ainda que aparentemente ela não queira este filho e procure um aborto. 
Isto poderá se evidenciar, mais tarde em depressões sérias e até mesmo psicoses, que nada mais  são do que reações profundas de um ato que ela fez contra a própria natureza.

Este é um dos fatos que menos são considerados ao se decidir um aborto. E é o mais importante, pois a mãe decide interromper forçadamente os laços maternos naturais que a envolve psicologicamente, e que não conseguirá na maioria das vezes,  ela sofrerá sem volta suas consequências pro resto da vida.
Tomemos o caso de uma jovem mãe solteira que pensa em resolver seu problema de momento. Terá ela a consciência do sofrimento ela terá que passar por ter que criar um problema ao qual ela sofrerá pelo resto de sua vida?
Esta jovem não pensou no dia em que desejar ser mãe, e neste dia o filho desejado estará a lhe lembrar do aborto, transformando em fonte de angústia o que deveria ser uma fonte de realização pessoal. Nos casos extremos isto chega a representar a morte não de uma, mas de duas criaturas, uma das quais é a própria gestante, que passa a fechar em si mesma ao ponto de necessitar de psiquiatria pelo resto de seus dias para levar uma vida normal.  Assim, as pessoas que pensam que um aborto com a idéia de não colocarem uma criança no mundo para sofrer, deveriam pensar bem se com isto não estariam impondo sobre si mesmas um sofrimento ainda mais desumano.

Outros danos acarretados por um aborto vai ter suas consequências na futura descendência da gestante, pois o aborto provocado aumenta a possibilidade de se vir a ter posteriormente bebês prematuros, abortos espontâneos e morte fetal.

Devemos concluir dizendo que infelizmente existe muita gente que deseja realmente acreditar que o feto humano não é humano, e que o aborto não dá lugar a complicações sérias e frequentes. Trata-se de um supermercado de mentiras que significam o feto dizendo que não está formado ou que é um pedaço de gelatina, e que escondem informações sobre os riscos médicos e psicológicos do aborto para venderem seu próprio peixe. 

Agora eu pergunto: Para que praticar o aborto? Para que satisfazer a si mesmo com egoísmo matando um inocente?
Tantas pessoas que por algum motivo não podem ter filhos e desejariam ter...
Quantas mães que abandonam seus filhos, se antes ou depois de nascidos são rejeitados desde o ventre e quando nascem são jogados nas latas de lixo, deixadas abandonadas em bancos de praças, jogadas em lagoas, ou são mortas pelo aborto... Que tipo de seres humanos somos que não respeitamos a vida?
O feto sadio, vivo é uma pessoa. Quando a mulher engravida, Deus já colocou ali seu sopro não temos o direito de ceifar uma vida, isso só cabe a Deus. Não podemos brincar de Deus. Que direito os governos e os médicos tem sobre decidir quem vai viver ou morrer?
Por isso que nós cristãos devemos ser contrários ao aborto, devemo ser contrários a tudo que causa exclusão e morte, porque sabemos do Mandamento de Deus: "Não Matarás!"
Hoje é possível planejar filhos com maior eficácia. Há tantos meios de evitar a gravidez, porém se ela acontecer de forma "indesejada" porque não respeitar a vida que ali está indefesa? Porque não planejar então uma adoção?
Sabemos que existem tantos casais que querem adotar uma ou mais crianças...
Podemos nos considerar animais racionais praticando e aprovando o aborto? se nem mesmo os animais irracionais abandonam seus filhotes? (...) Vamos refletir... vamos dizer sempre:

 ABORTO NÃO! SIM À VIDA! 

 
       
Introdução

O uso de substâncias nocivas à saúde no período gravídico-puerperal, como drogas lícitas e ilícitas, deve ser investigado e desestimulado, pois crescimento fetal restrito, aborto, parto prematuro, deficiências cognitivas no concepto, entre outros, podem estar associados ao uso e abuso dessas substâncias.
As gestantes que têm por hábito consumir tais substâncias devem ser tratadas como de risco. Entende-se por gravidez de alto risco aquela na qual a saúde e/ou a vida tanto da mãe como do concepto têm maiores chances de sofrerem danos do que as da média da população considerada.


Os efeitos decorrentes do uso de drogas recreativas vêm sendo amplamente pesquisados, com achados que apontam a presença de álcool no leite materno em grandes proporções, que promovem alterações na produção, volume, composição e excreção do leite, causando prejuízos aos recém-natos.
O uso do cigarro durante a gestação associa-se a maior risco de intercorrências maternas e tal observação é feita pela análise comparativa do risco de intercorrências entre as gestantes e não fumantes. Além disso, sabe-se que ocorre uma diminuição da quantidade de leite produzido pelas mulheres que fumam. Os achados mais recentes acerca dessa questão ainda são inconclusivos, pois não elucidam a relação entre níveis hormonais, produção de leite materno (lactogênese) e sua relação com a diminuição da quantidade de leite nas mães tabagistas. Diferenças nos níveis de prolactina entre as mães fumantes e que deixaram de amamentar e as que fumam e amamentam ainda não foram evidenciadas.
Especial atenção deve ser dada a essas gestantes, visto que o fumo, no decorrer da gestação, está associado a maior incidência de fetos pequenos para a idade gestacional e baixo peso ao nascer (BPN). Em estudo realizado por Marin, constatou-se que gestantes fumantes apresentavam menor adesão ao pré-natal, pois compareciam a menor número de consultas em relação às não fumantes. Os autores sugerem uma possível falta de vontade de parar de fumar ou, até mesmo, falta de informação sobre os malefícios causados pelo uso do cigarro à sua saúde e à do concepto.
Os efeitos deletérios do tabagismo são bastante sutis e mais difíceis de serem identificados em relação às drogas ilícitas, sendo o uso recreativo durante a gestação uma atividade que pode permanecer despercebida, trazendo consequências tanto durante a gravidez quanto na lactação. Cerca de 80% das mulheres fumantes continuam com tal hábito durante sua gestação.
O consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação tem sido assunto amplamente estudado pela comunidade científica, tendo em vista as várias repercussões diretas para o feto, sendo a síndrome alcoólica fetal (SAF)15,16 a mais conhecida e mais grave delas. A SAF caracteriza-se por danos ao sistema nervoso central, que causam anomalias neurológicas, craniofaciais, deficiência no crescimento pré e pós-natal, disfunções comportamentais e malformações associadas. Entre as alcoolistas, existe um risco de aproximadamente 6% de dar à luz a uma criança portadora de SAF. Mesmo crianças que sofreram exposição pré-natal ao álcool e que não apresentam os critérios da SAF têm dificuldades comportamentais e emocionais que interferem no seu convívio social, escolar e doméstico. Essas crianças apresentam menor capacidade de adaptação e habilidades abaixo da média em relação a indivíduos da mesma idade, demonstram problemas de socialização e comunicação, sendo que grande parte desenvolve desajustes comportamentais significativos, como impulsividade e promiscuidade.
A exposição ao álcool traz agravos também à saúde da mãe, como doenças cardiovasculares, câncer, depressão e distúrbios neurológicos. Além disso, está associada ao ganho de peso gestacional insuficiente, menor número de consultas no pré-natal e aumento do risco de utilização de outras drogas.


Estima-se que 20 a 25% das gestantes consumam esporadicamente algum tipo de bebida alcoólica. Apesar da variação de forma e intensidade, a frequência de consumo tem aumentado nos últimos anos.
O alcoolismo pode ser subdiagnosticado durante a gestação devido ao despreparo dos profissionais de Saúde na investigação de queixas e sintomas, como também pelo constrangimento da gestante em relatar o uso da bebida alcoólica. De acordo com o Ministério da Saúde, o uso de álcool e/ou cigarro pelas gestantes deve ser rigorosamente desencorajado, considerando que não se tem conhecimento dos níveis seguros de consumo de tais substâncias durante o período gestacional.
Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo descrever o consumo de álcool e cigarro em gestantes adultas e identificar a associação desses com o resultado obstétrico em gestantes atendidas em maternidade pública do Rio de Janeiro.
Métodos
Trata-se de um estudo analítico do tipo transversal, realizado na Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ME/UFRJ), intitulado “Avaliação do impacto da assistência nutricional pré-natal no resultado obstétrico”, sob a responsabilidade do Grupo de Pesquisa em Saúde Materna e Infantil do Núcleo de Pesquisa em Micronutrientes do Instituto de Nutrição Josué de Castro da UFRJ, desenvolvido no período de 1999 a 2006.
A população estudada corresponde a de gestantes atendidas em Unidade de Saúde que atende gratuitamente
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Fatores associados ao uso de álcool e cigarro na gestação
em torno de 1.400 a 1.500 puérperas por ano, provenientes de várias regiões do município do Rio de Janeiro. Foi evidenciada a similaridade entre as características da clientela atendida nessa maternidade no período com as características verificadas para o conjunto das puérperas atendidas pelo setor de Saúde no município do Rio de Janeiro, segundo informações disponibilizadas pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Ministério da Saúde.
A amostra estudada foi constituída por 433 puérperas adultas (≥20 anos), que atendessem aos critérios de inclusão: não portadoras de enfermidades crônicas, de gestação de feto único, peso pré-gestacional conhecido ou medido até o final da 13a semana gestacional, com acesso à assistência pré-natal e com informação acerca do uso de álcool e cigarro na gestação. Os critérios de exclusão foram: puérperas a respeito das quais não havia registro completo das informações acerca do uso de álcool e cigarro na gestação, as de gestação gemelar e as com enfermidades crônicas. As informações sobre os conceptos das mulheres incluídas no estudo também foram analisadas.
A coleta de informações ocorreu por meio de entrevista e consulta aos prontuários, com o preenchimento de instrumento pré-testado e aplicado por equipe de pesquisadores treinados e supervisionados. As características maternas e dos recém-nascidos avaliadas foram agrupadas em maternas (hábitos sociais, antropométricas, sociodemográficas, da assistência pré-natal, clínicas e obstétricas) e dos recém-nascidos (condições ao nascer e intercorrências).
Foram analisadas as seguintes variáveis dependentes: uso de álcool na gestação e uso de cigarro na gestação. Considerou-se uso de álcool/cigarro na gestação quando esse foi detectado pelo profissional de Saúde na consulta de pré-natal, em qualquer idade gestacional, e registrado no prontuário. As variáveis independentes analisadas foram: idade materna, renda familiar per capita, situação marital, escolaridade, cor da pele, condições de saneamento da moradia, índice de massa corpórea (IMC, kg/m2) pré-gestacional, ganho de peso gestacional total, número de gestações, história de aborto, gestação planejada. Quanto à gravidez índice foram investigadas as intercorrências gestacionais, número de consultas da assistência pré-natal, número de consultas da assistência nutricional pré-natal, peso e comprimento ao nascer, idade gestacional ao nascimento segundo a data da última menstruação (DUM), correlação do peso/idade gestacional ao nascer, intercorrências do recém-nascido.
As informações sobre as intercorrências gestacionais foram obtidas por meio de consulta aos pareceres da equipe médica e avaliação dos exames laboratoriais incluídos nos prontuários, considerando-se as recomendações do Ministério da Saúde e de Saunders, Bessa e Padilha. Na avaliação antropométrica materna, adotou-se a recomendação do Ministério da Saúde validada por Padilha.
As intercorrências dos recém-nascidos foram identificadas a partir de consulta aos pareceres da equipe médica. As variáveis intercorrências maternas e dos recém-nascidos foram analisadas de forma dicotômica, sendo considerada presença ou ausência de intercorrência, mesmo quando a puérpera ou o recém-nascido apresentasse apenas uma intercorrência.
As condições de saneamento da moradia foram consideradas adequadas se houvesse água encanada, coleta regular de lixo e esgoto, e inadequadas quando um dos serviços estivesse ausente.
Quanto ao peso ao nascimento, os recém-nascidos foram classificados em BPN quando o peso ao nascimento foi inferior a 2.500 g; recém-nascidos pré-termos (RNPT) foram os nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas.
Visando à padronização dos procedimentos de coleta de dados, os pesquisadores envolvidos foram treinados/reciclados e supervisionados. A confiabilidade dos dados foi avaliada por meio do reteste do instrumento em subamostra correspondendo a 13% do total de mulheres estudadas. Na avaliação da concordância entre os entrevistadores, empregou-se a estatística kappa (k), que avalia a reprodutibilidade de variáveis categóricas, e definiu-se o intervalo de confiança (IC) de 95%. O coeficiente de correlação intraclasse (ICC) com IC95% foi calculado para avaliar a concordância de variáveis contínuas ou ordinais. Na interpretação das estatísticas considerou-se como boa concordância k e ICC >0,6.
Na análise exploratória dos dados, foram calculadas as medidas de tendência central (média e desvio padrão, DP) e de dispersão das variáveis contínuas. O teste do χ2 foi empregado no estudo da homogeneidade das proporções e foram obtidos os valores das Odds Ratio (OR) bem como IC95% para avaliação da razão de chance entre a exposição e os defechos selecionados. O nível de significância estatística considerado foi de 5%. A homogeneidade das variâncias foi observada por meio da estatística Levene, para avaliação da adequação do tipo de teste estatístico a ser adotado. Todas as análises foram realizadas no pacote estatístico Statistical Package for Social Sciences for Windows, versão 13.0.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) da UFRJ. Todas as participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
Resultados
A amostra foi constituída por 433 gestantes cuja média de idade foi de 27,2 anos (DP=5,1), variando
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Freire K, Padilha PC, Saunders C
entre 20 e 45 anos. A qualidade dos dados foi evidenciada, pois foram verificados valores de ICC>0,92 e de k>0,65.
Na Tabela 1, encontram-se as principais características maternas. Verificou-se que 31,6% das mulheres apresentaram desvio ponderal pré-gestacional; a maioria declarou viver em situação marital estável com o companheiro, vivia em moradia com boas condições de saneamento e quase a metade da amostra apresentava ensino fundamental completo.
Na Tabela 2, são descritas as características das gestantes e de seus recém-nascidos. Na avaliação antropométrica materna, as médias do IMC pré-gestacional e do ganho ponderal gestacional total foram de 23,2 kg/ m2 (DP=3,8) e 12,9 kg (DP=5,2), respectivamente. As puérperas tiveram, em média, 8,2 consultas de pré-natal (DP=2,46) e 2,3 consultas de assistência nutricional pré-natal (DP=0,3). Quanto às condições ao nascimento, verificou-se peso médio ao nascer de 3.285,2 g (DP=47,9), e idade gestacional média ao final da gestação de 39,1 semanas (DP=1,7) (Tabela 2).
Quanto ao uso do cigarro, 5,5% (n=24/433) das puérperas relataram o uso de cigarro durante a gestação. Conforme descrito na Tabela 3, as características maternas associadas a essa prática foram: situação marital; idade materna e assistência nutricional pré-natal. Além disso, o fumo durante a gestação foi fortemente associado ao uso de álcool, sendo que 31,3% das gestantes fumantes fizeram uso concomitante de cigarro e álcool (OR=3,08; IC95%=1,1-8,1). Constatou-se que as mulheres que viviam sem o companheiro tinham chance três vezes maior de usar cigarro na gestação (OR=3,1; IC95%=1,3-7,2) em comparação às que viviam com o companheiro, assim como as mulheres com idade maior ou igual a 35 anos tinham chance três vezes maior de usar cigarro na gestação (OR=3,1; IC95%=1,1-8,1) em comparação às mulheres de menor idade.
O cuidado nutricional representou um fator de proteção contra a prática do tabagismo na gestação, pois as gestantes que não foram acompanhadas pelo nutricionista tiveram chance três vezes maior de usar cigarro durante a gestação (OR=3,7; IC95%=1,5-9,1) em comparação às gestantes acompanhadas pelo profissional.
Analisando-se o impacto do uso de cigarro nas condições ao nascer, verificou-se que essa prática não se associou ao nascimento de RNPT (p=0,6), BPN (p=0,3) e intercorrências do recém-nascido (p=0,7).
Verificou-se, nesse estudo, que o uso de cigarro na gestação não foi associado ao grau de escolaridade materna (p=0,07), condições de saneamento da moradia (p=0,3), número de gestações (p=0,07), planejamento da gestação (p=0,8), estado nutricional materno pré-gestacional (p=0,4), adequação do ganho de peso gestacional (p=0,1), e não aumentou a chance de intercorrências gestacionais (p=0,5).
Tabela 1 - Características antropométricas e sociodemográficas de puérperas adultas
Características maternas
%
Estado nutricional pré-gestacional (n=418)
Baixo peso
6,2
Peso normal
68,2
Sobrepeso
19,9
Obesidade
5,5
Cor da pele (n=433)
Não-branca
59,1
Branca
40,9
Situação marital (n=433)
Vive sem companheiro
22,6
Vive com companheiro
77,4
Escolaridade (n=433)
Analfabeta
1,2
Ensino fundamental incompleto
32,1
Ensino fundamental completo
16,2
Ensino médio incompleto
17,1
Ensino médio completo
25,6
Superior
7,9
Condições de saneamento da moradia (n=433)
Inadequada
3,9
Adequada
96,1
Tabela 2 - Características maternas e dos recém-nascidos
Características
n
Média
Desvio padrão
Renda familiar total (salários mínimos)
400
4,6
3,7
IMC pré-gestacional (kg/m2)
418
23,2
3,8
Ganho de peso gestacional total (kg )
418
12,9
5,2
Número de gestações
433
2,2
1,5
Peso ao nascer (g)
428
3.285,2
47,9
Comprimento ao nascer (cm)
418
49,7
2,8
Idade gestacional ao nascer pela DUM (semanas)
427
39,1
1,7
Número de consultas da assistência pré-natal
431
8,2
2,5
Número de consultas da assistência nutricional pré-natal
433
2,3
0,3
IMC: índice de massa corpórea; DUM: data da última menstruação.
Tabela 3 - Associação entre as características sociodemográficas, antropométricas, obstétricas, da assistência pré-natal e o uso de cigarro na gestação
Variáveis
Uso de cigarro na gestação
n
%
n
%
pa
Situação marital (n=433)
0,005
Vive sem o companheiro
11
11,2
87
88,2
Vive com o companheiro
13
3,9
322
96,1
Idade materna (n=433)
0,01
>35 anos
6
13
40
87
<35 anos="" br="">18
4,7
369
95,3
Uso de álcool na gestação (n=433)
0
Sim
10
31,3
22
68,7
Não
14
3,5
387
96,5
Assistência nutricional pré-natal (n=433)
0,003
Sim
17
9,5
162
90,5
Não
7
2,8
247
97,2
aA homogeneidade das variâncias foi observada por meio da estatística Levene (p>0,05).
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Fatores associados ao uso de álcool e cigarro na gestação
Quanto ao uso de álcool, verificou-se que 7,4% (n=32/433) das puérperas relataram a prática durante a gestação. Conforme descrito na Tabela 4, as características maternas associadas a essa prática foram: situação marital, idade materna e a história de aborto. Tal associação foi confirmada com a análise das OR, e as mulheres que viviam sem o companheiro tiveram chance quase três vezes maior (OR=2,9; IC95%=1,4-6,1) de ingerir álcool na gestação em comparação às que viviam com o companheiro. As com idade superior a 35 anos (OR=2,6; IC95%=1,06-6,4) e as com história de aborto (OR=2,8; IC95%=1,0-7,9) foram as que apresentaram maior chance de uso de bebidas alcoólicas no período gestacional.
O uso de álcool na gestação não foi associado, no presente estudo, ao grau de escolaridade materna (p=0,5), condições de saneamento da moradia (p=0,2), número de gestações (p=0,9), planejamento da gestação (p=0,3), estado nutricional materno pré-gestacional (p=0,09), adequação do ganho de peso gestacional (p=0,1), assistência nutricional pré-natal (p=0,8) e também não se associou ao desenvolvimento de intercorrências gestacionais (p=0,3).
Avaliando o impacto do uso do álcool dentre as gestantes nas condições ao nascer, verificou-se que essa prática não se associou ao nascimento de RNPT (p=0,1), BPN (p=0,6) e intercorrências do recém-nascido (p=0,4).


Discussão
O presente estudo revelou prevalência de 5,5% de mulheres que fumaram durante o período gestacional, valor similar ao encontrado em estudo norte-americano. No entanto, outros trabalhos demonstraram prevalências maiores, chegando a 20%24,25. Em relação ao consumo de álcool, 7,4% fizeram uso durante a gravidez, valores que estão de acordo com a literatura, sendo que a prevalência de uso de álcool na gestação varia entre 0,5 e 62,0%, dependendo do tipo de estudo e do método de investigação utilizados.
Neste estudo, foi traçado o perfil de mulheres com maiores chances de uso de álcool e cigarro na gravidez. A situação marital instável foi fator preditor para o uso de ambas as substâncias, achados semelhantes ao encontrado em outro estudo. Na literatura, constata-se a associação significativa entre etilismo e situação marital, podendo ser o consumo por estas mulheres duas vezes maior do que entre as casadas. Isso se deve ao fato de que a gestação em mulheres solteiras estar frequentemente associada a outros fatores de risco para o uso de bebida alcoólica, como baixa escolaridade, baixo nível socioeconômico e gravidez indesejada.
O consumo de álcool foi fortemente associado ao tabagismo entre as gestantes incluídas no estudo e tal achado tem sido verificado em outras séries. Em estudo de rastreamento sobre o uso de álcool entre gestantes atendidas no serviço público, foi verificado que o uso de bebidas alcoólicas frequentemente é associado ao hábito de fumar e ao uso de drogas ilícitas, em mulheres de baixa escolaridade, solteiras, com mais de 30 anos e que possuam apoio social inadequado. Em outro estudo, verificou-se que entre gestantes adultas, 35% revelaram consumir bebidas alcoólicas com uso concomitante ao cigarro.
Um estudo nacional realizado nos Estados Unidos com 1.800 gestantes descreve que o uso de cigarro foi de 18,9% e o de álcool foi de 10%. Analisando-se o consumo das duas substâncias concomitantemente, verificou-se que 6,1% das mulheres faziam uso de cigarro e álcool. Tendo como base esses achados, pode-se dizer que o uso dessas substâncias durante a gestação ainda é significativamente alto, necessitando de pesquisas mais específicas para estes casos e medidas preventivas que ajudem na diminuição de incidência de novos casos.
O hábito de fumar e o etilismo na gestação podem ser subdiagnosticados devido ao “sentimento de culpa” das gestantes, que, contornando possível repreensão e desaprovação pelo profissional de Saúde, podem vir a relatar um consumo menor da substância ou negá-lo. Outra hipótese, mais relacionada ao consumo de álcool, é a falta de informação sobre o potencial maléfico de seu uso.
Devido a questões culturais brasileiras, algumas mulheres passam a ingerir bebida alcoólica durante a gestação e/ou puerpério, mais especificamente a cerveja escura, sob orientação de suas mães e avós, que relacionam o consumo da bebida a maior produção de leite materno. Outra questão que deve ser considerada é a constante divulgação pela mídia dos efeitos benéficos à saúde atribuídos ao consumo regular de pequenas doses de vinho, que, por conta dos flavonoides e de outras substâncias fenólicas presentes no vinho tinto, são apresentados como antioxidantes que diminuiriam o risco de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.
Tabela 4 - Associação entre as características sociodemográficas, antropométricas, obstétricas, da assistência pré-natal e o uso de álcool na gestação
Variáveis
Uso de álcool na gestação
n
%
n
%
pa
Situação marital (n = 433)
0,003
Vive sem o companheiro
14
14,3
84
85,7
Vive com o companheiro
18
5,4
317
94,6
Idade materna (n=433)
0,03
>35 anos
7
15,2
39
84,8
<35 anos="" br="">25
6,5
362
9,35
História de aborto
0,04
Sim
6
18,2
27
81,8
Não
14
7,3
178
92,7
aA homogeneidade das variâncias foi observada por meio da estatística Levene (p>0,05).
340 Rev Bras Ginecol Obstet. 2009; 31(7):335-41
Freire K, Padilha PC, Saunders C
No entanto, tais recomendações são imprudentes no tocante às gestantes, que poderiam tomar tais medidas como verdades; elas devem se abster do consumo de álcool durante toda a gestação e período periconcepcional.
Em relação ao acompanhamento pré-natal médico, as gestantes apresentaram frequência ao pré-natal acima do mínimo de seis consultas, como preconizado pelo Ministério da Saúde, apesar de estudos apontarem menor adesão ao pré-natal entre gestantes fumantes do que nas não fumantes. O uso de álcool e cigarro também foi associado à menor adesão à utilização do suplemento de micronutrientes no pré-natal.
O uso de álcool e cigarro foi mais prevalente dentre as mulheres com idade igual ou superior a 35 anos. Encontraram-se achados semelhantes em estudo realizado no Brasil, onde 15,7% das gestantes tabagistas tinham 35 anos ou mais. Em outra casuística, constatou-se que mulheres com idade maior que 30 anos tiveram mais chances de desenvolver obesidade do que mulheres mais jovens, e, ainda, que alguns fatores obstétricos, como fumo, etilismo, entre outros, estão associados à obesidade.
É sabido que a ingestão de álcool pelas gestantes aumenta o risco de aborto espontâneo na gestação, e tal associação foi observada no presente estudo, pois, verificou-se que, dentre as mulheres que faziam uso de álcool na gestação, 18,2% relataram história de aborto. Os mecanismos pelos quais o álcool afeta o concepto ainda não estão completamente elucidados. Acredita-se que a substância atravesse a barreira placentária, deixando o feto exposto a concentrações semelhantes à do sangue materno. Devido ao metabolismo e à eliminação do álcool serem mais lentos, o líquido amniótico fica impregnado pela substância, tornando o ambiente inóspito para o feto e favorecendo a incidência da SAF. Os mecanismos por meio dos quais o álcool induz o aparecimento da SAF ainda são desconhecidos. Estudos sugerem que os efeitos ocorram por mecanismos metabólicos, tendo participação em diversos estágios pré e pós-natais. Estariam, ainda, envolvidos no processo fatores maternos e dietéticos, entre outros.
Apesar de alguns estudos descreverem a associação entre consumo de álcool e tabaco na gestação e prematuridade, BPN, intercorrências do recém-nato, condições de saneamento e cor da pele, no presente estudo, tais associações não foram evidenciadas, o que pode ter decorrido do tamanho amostral insuficiente. Além disso, pode-se apontar como limitação do estudo o fato de que as informações acerca da dose e da frequência de exposição ao álcool e tabaco foram obtidas apenas a partir da consulta aos prontuários, nos quais não estava disponível maior detalhamento das informações.
Considerando os achados do presente estudo, faz-se imperiosa a necessidade de programas de intervenção e prevenção que visem à interrupção do hábito de fumar e do etilismo durante o período periconcepcional, sobretudo entre as gestantes solteiras, de baixa escolaridade, de idade mais avançada e que não tenham acompanhamento nutricional, visto que a cessação de tais hábitos antes do período gestacional é a garantia de proteção máxima ao feto.
No Brasil, o atendimento pré-natal possui uma abrangência quase que generalizada, revelando-se momento ideal para intervenção e prevenção do uso de substâncias prejudiciais para mãe e filho, tendo em vista que, nesse período, intensificam-se os laços entre os profissionais de Saúde e as gestantes, garantindo, assim, que melhores oportunidades de intervenção ocorram. Para tanto, é necessário que os profissionais que fazem assistência materno-infantil estejam preparados para a detecção do uso das substâncias e saibam orientar essas gestantes, destacando-se os malefícios do uso sobre sua saúde e a do concepto, que podem implicar dificuldades presentes e futuras.


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