quinta-feira, 23 de abril de 2015

POR QUE VOCÊ PEDRO?

Pouco sabemos da vida particular deste homem espetacular; não sabemos muita coisa a respeito dele. Sabemos que seu nome original é Simão.
Um pescador da Galileia que um dia foi chamado por Cristo para ser Apóstolo. 
Cristo muda seu nome para כיפא, Kepha (Cefas em português), que em aramaico significa "pedra", "rocha", nome este que foi traduzido para o grego como Πέτρος, Petros, através da palavra πέτρα, petra, que também significa "pedra" ou "rocha", e posteriormente passou para o latim como Petrus, também através da palavra petra, de mesmo significado.

Os evangelhos falam muito de Pedro, mas após o chamado de Jesus. 
Sabemos que seu pai se chamava Jonas. Logo os Apóstolos o chamarão de Simão Pedro. Foi um dos doze Apóstolos. 
Existem diversas interpretações protestantes sobre o significado deste versículo. As igrejas do protestantismo histórico, argumentam que a "pedra" referida seria a confissão de fé de Pedro, isto é, que Cristo é o Messias . As igrejas pentecostais e neo-pentecostais argumentam recentemente que a pedra é o próprio Jesus. Em ambos os casos afirma-se que na tradução da Bíblia em grego, a palavra para pedra é "petra", que significa uma "rocha grande e maciça", a palavra usada como nome para Simão, por sua vez, é "petros", que significa uma "pedra pequena" ou "pedrinha". Porém em grego, inicialmente as palavras "petros" e "petra" eram sinônimos no primeiro século e no Evangelho segundo Mateus original em aramaico, língua falada por Jesus e pelos apóstolos, a palavra para rocha ou pedra é Kepha, enquanto a palavra para pedrinha é evna, o que Jesus disse a Simão foi “tu és Kepha e sobre esta kepha construirei minha igreja.”
Então aqui podemos dizer que Jesus não estava falando apenas dele e sim da vocação de Simão Pedro quando após sua morte se tornaria o chefe da sua Igreja.
Todos sabemos que Cristo é a Pedra Angular, mas como Jesus precisava subir aos céus um dia, e como tal deixou sua Igreja na terra para a santificação do seu povo, Nosso Senhor Jesus Cristo escolhe um homem para estar à frente da sua Igreja. Esse homem é Pedro. Foi uma indicação, uma escolha direta de Jesus que ninguém, nem pensamentos contrários pode mudar. Pedro então se torna o pastor-chefe da Igreja e após a ascensão de Jesus aos Céus, ele fica sendo o seu representante na terra. Ou seja, se quisermos ver a pessoa de Jesus na sua Igreja, nosso olhar deve se voltar para Pedro, pois, ele reflete a pessoa de Jesus.  

Vamos ler com cuidado o texto que fala sobre essa missão de Pedro: Mt16, 13-20 

Chegando ao território de Cesareia de Filipe,

Jesus perguntou aos discípulos: 
                                                        
No dizer do povo quem é o Filho do homem?
Responderam: "Uns dizem que é João Batista; outros, Elias, outros Jeremias ou um dos profetas".
Disse-lhes Jesus: "E vós quem dizeis quem sou?"
Simão tomando a palavra disse:
"Tu és o Cristo, filho de Deus vivo!"
Jesus então disse:
"Feliz é tu Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus, tudo que ligares na terra será ligado no céu. E tudo o que desligares  na terra será também desligado nos céus". Depois ordenou aos discípulos que não dissessem nada a ninguém que ele era o Cristo.

Vamos analisar bem o texto para melhor entendimento:

Primeiro Jesus faz uma pergunta difícil de ser respondida. 

Quem sou eu pra vocês? ... 

Embora os discípulos convivessem com Jesus em meio a muitas ideias contrárias eles tinham dúvidas, muitas dúvidas. Dúvidas essas que somente após Pentecostes foram-lhes abertos as mentes e eles puderam ver com maior clareza que as Escrituras falavam unicamente do Messias. Jesus queria confrontar as opiniões. O mundo lá fora tinha Jesus como um grande profeta, achavam até que eram um dos grandes profetas como, João Batista ou Elias que tinha ressuscitado. Mas ainda não acreditavam que ele era realmente o messias. Mas os discípulos tinham razão de sobra para acreditar que Jesus não era só um simples profeta.
Pedro tem a certeza de quem é Jesus. 
João Batista testemunhou a chegada do Messias apontando-o duas vezes como o "Cordeiro de Deus" aquele que tira o pecado do mundo,(Jo1, 29.36). João que tinha visto o Espírito Santo descer sobre Jesus e a voz do Pai dizer: "Este é meu filho amado no qual ponho minha afeição" (Mc1,10)   Mas, num certo momento de fraqueza, quando estava preso e prestes a ser morto mandou seus discípulos perguntarem a Jesus se ele era realmente  o Messias. Qual a Dúvida de João Batista? Ele testemunhou Jesus publicamente a ainda restava-lhe a dúvida.    
Logo, Jesus manda dizer a João que os cegos vêem, os coxos andam,os mortos ressuscitam. (Mt11, 2-5) Embora fosse o maior dos profetas como disse Jesus restava-lhe essa dúvida. 
Pedro não, pelo contrário, sendo o mais velho, sendo de cabeça dura, as vezes turrão,  mas, o mais experiente, afirmou categoricamente, muito embora impelido pelo Espírito Santo, mas ele deixa sair de sua boca as mais belas palavras: "Tu és o Cristo o Filho do Deus Vivo!" - derrotando tudo que o mundo e as filosofias pensavam a respeito de Jesus. Assim com essa profissão, Jesus não é um simples profeta. Nem tampouco reencarnação de ninguém (como criam alguns); ele, Jesus, é o Cristo de Deus. o Ungido de Deus, o Filho de Deus.      

Jesus  põe os discípulos em "saia justa", "Quem vocês acham que eu sou?" - Mas aí entra um personagem importante, o Espírito Santo toca o coração de Pedro e ele professa quem Jesus realmente é. "Tu és o filho do Deus Vivo!". Pronto! Com palavras fortes e verdadeiras, Pedro havia respondido e acabado com as incertezas dos outros onze; se é que elas existiam. Jesus então o elogia, não por ele, mas porque naquele momento o Espírito Santo tinha tocado o coração de Pedro. Era preciso que tal afirmação acontecesse, pois a partir daquele instante Jesus estava pondo em projeto sua Igreja. Então vem a escolha dos doze Pedro era o mais velho, era meio duro, briguento, mas um homem de coração sincero. 
Jesus então o escolhe para ser o líder da sua Igreja. "Tu és Cefas" a rocha, a pedra pela qual eu fundarei a minha Igreja. Note que até aqui a Igreja não existia, a missão de Jesus ainda não estava completada. Faltava ainda aquelas palavras do alto da Cruz: "Tudo está consumado!" - Tudo está realizado, cumpriu-se as Escrituras. 

Mas Jesus já entrega a Pedro as chaves  do reino dos céus. O que isto significa?
Significa que as chaves é o poder de Jesus sobre a Igreja, pelo qual Pedro teria toda autoridade para governar o povo. A partir de Pedro a Igreja abriria as portas da salvação ao mundo inteiro, através dele todos nós seríamos conduzidos a ela numa porta só, JESUS CRISTO.

 A palavra chave que dizer muitas coisas e não só aquela ferramenta de metal que abre e fecha  as fechaduras das portas. Chave quer dizer também, segredo, legado, poder divino. Esse poder dado a Pedro não é um governo como os dos reis comuns, mas o poder de estabelecer um elo entre nós e Cristo pela ação da Igreja. Isso não é maravilhoso?

Jesus sabia que tinha que morrer, ressuscitar e subir ao Céu. A salvação seria dada a todos os homens de qualquer canto da terra. Porém sem a Igreja quem conheceria e tomaria posse da salvação? O papado não é um governo como outro qualquer, ele existe porque assim é necessário segundo as ordens de Jesus a Pedro; ele é um serviço. o Papa está a serviço de Jesus para seu povo na Caridade.  

E porque nós somos pecadores e portanto, mesmo com direito a salvação os pecados continuariam a existir, pois somos humanos. 

Nesse ponto Jesus institui a Igreja para nos modelar, para nos conduzir à santidade. Para isso Jesus escolheu doze homens, os seus Apóstolos e dentre eles um seria o seu representante legal, visível, esse homem é Pedro. 
Mais tarde, com o passar dos tempos a Igreja viria a lhe chamar os sucessores de Pedro de Papa palavra que significa Pai. Também Vigário de Cristo. E a Pedro a Igreja o chama de príncipe dos Apóstolos por causa desta escolha de Jesus. É uma expressão carinhosa que exprime claramente quem é a pessoa de Pedro e seus sucessores. 

Mas uma pergunta fica: Será que Pedro compreendeu bem aquelas palavras de Jesus?
A princípio não. Primeiro, os Apóstolos e todo povo que acreditava em Jesus, via nele o Messias, mas aquele messias que viria para revolucionar Israel, tomar o poder das mãos dos Romanos. Não via Jesus como enviado de Deus para a salvação dos pecados. E os Apóstolos esperavam também a mesma coisa. Tanto que quando Jesus morreu na cruz foi uma desolação para eles, a ponto de alguém dizer: "E nós que acreditávamos que ele havia de restaurar o reino de Israel e agora já faz três dias que tudo aconteceu!" - Parece-nos irônico para quem ouviu Jesus dizer outrora que ele era o Cristo. 

Mas somente a ressurreição e a partir da manifestação de Jesus Ressuscitado que as coisas foram se esclarecendo. Agora sim outra vez o chamado de Pedro é definitivamente confirmado por Jesus ao governo da sua Igreja. Dessa vez Jesus confirma o chamado e a missão de Pedro. Encontramos essa passagem no Evangelho de São João após os fatos que relatam a ressurreição, agora era Jesus Glorioso, Jesus Ressuscitado quem novamente confirmou Pedro na missão de Pastor da sua Igreja. Vamos ler o texto: Jo21, 15-18.

Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro:
"Simão, filho de João, tu me amas mais que estes?"
Respondeu ele: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo".
Disse-lhe Jesus: "Apascenta meus cordeiros."
De novo Jesus perguntou:
Simão, filho de João, tu me amas?
Pedro respondeu: "Sim Senhor, tu sabes que te amo."
Disse-lhe Jesus: "Apascenta meus cordeiros."
De novo perguntou Jesus pela terceira vez:
"Amas-me?", e respondeu:
"Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo."
Disse Jesus: "Apascenta minhas ovelhas. Em verdade eu te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas por onde querias. Mas quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres". Por estas palavras ele indicava com que tipo de morte havia de glorificar a Deus.

Não foi a toa que Jesus queria ouvir de Pedro uma resposta firme, coerente e decisiva. Pedro havia nagado Jesus por três vezes quando Jesus tinha sido preso. Embora ele tenha se arrependido, de coração sincero, por causa disso não se achava mais digno de ser um Apóstolo. Mas também após a comunicação de que Jesus tinha ressuscitado foi o primeiro dos Apóstolos a correr ao sepulcro e vê-lo vazio. 
Pedro duvidou várias vezes. Uma vez quando Jesus ia andando sobre o mar, queria ir ao encontro de Jesus e em vez de confiar mais uma vez duvidou e começou a afundar. A ponto de Jesus questionar a sua fé. Jesus precisava saber (embora conhecesse seu coração), de Pedro uma resposta definitiva. Porque somente por amor, um grande amor, poderia assumir a missão de ser Pastor da sua Igreja. Era Pedro que daquele dia em diante em nome de Jesus tomaria o rumo da barca. Era ele o responsável pela pesca das almas humanas que Cristo conquistou pela morte na Cruz.
Mas a resposta de Pedro é firme: "Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo!"     
Essa era a nova missão de Pedro. Ser o Pastor de sua Igreja. Jesus confirma Pedro nesta missão, mas exige dele uma resposta clara e objetiva, uma resposta de amor. Mas não foi Pedro que deu testemunho apenas, foi João o discípulo amado de cristo quem testemunhou essa verdade e deixou para nós que a autoridade de Pedro, o seu pastoreio veio da ordem do próprio Jesus. Foi com a autoridade de Jesus Ressuscitado quem determinou a Pedro. Com isso Jesus criava primeiro seu representante na terra e depois em Pentecostes a Igreja com a unção e assistência do Espírito Santo caminhava e entrava na história. A única e verdadeira Igreja de Jesus.  Mas tudo iniciou-se com estas palavras de Jesus a Pedro. Na última Ceia Jesus institui o sacerdócio ministerial e depois institui o sobre Pedro confirma o Magistério da Igreja.  

A TESE SOBRE O CHAMADO DE PEDRO  

Nos evangelhos sinóticos, o nome de Pedro sempre encabeça a lista dos discípulos de Jesus, o que na interpretação da Igreja Católica Romana deixa transparecer um lugar de primazia sobre o Colégio Apostólico. Não se descarta que Pedro, assim como seu irmão André, antes de seguir Jesus, tenha sido discípulo de João Batista.

Outro dado interessante era a estreita amizade entre Pedro e João Evangelista, fato atestado em todos os evangelhos, como por exemplo, na Última Ceia, quando pergunta ao Mestre, através do Discípulo amado (João), quem o haveria de trair ou quando ambos encontram o sepulcro de Cristo vazio no Domingo de Páscoa. Fato é que tal amizade perdurou até mesmo após a Ascensão de Jesus, como podemos constatar em Atos dos apóstolos, na cena da cura de um paralítico posto nas portas do Templo de Jerusalém.

Segundo a tradição defendida pela Igreja Católica Romana e pela Igreja Ortodoxa, o apóstolo Pedro, depois de ter exercido o episcopado em Antioquia, teria se tornado o primeiro Bispo de Roma. Segundo esta tradição, depois de ser milagrosamente solto da prisão em Jerusalém, o apóstolo teria viajado até Roma e ali permanecido até ser expulso com os judeus e cristãos pelo imperador Cláudio, época em que haveria voltado a Jerusalém para participar da reunião de apóstolos sobre os rituais judeus no chamado Concílio de Jerusalém. Após esta reunião, Pedro ficou em Jerusalém. Paulo, Barnabé, Judas (Barsabás) e Silas foram para Antioquia.

Depois de três anos, Paulo volta a Jerusalém para visitar Pedro e com ele fica quinze dias. Quatorze anos depois, Paulo retorna a Jerusalém e lá se encontra com Tiago, Pedro e João.

Tempos depois, por volta da metade do século I d.C, Pedro vai a Antioquia, onde ocorre uma discussão entre ele e Paulo, conhecida como o Incidente em Antioquia. 

Esse fato separou os dois por algum tempo. Mas qual é a verdadeira causa da discussão que separou os dois? Não sabemos com profundidade, mas, podemos deduzir o fato de que Paulo ousava querer converter povos de outras nações que não fossem judeus. Para Paulo todos eram dignos de receber o batismo sem distinção de raça ou cor, todos eram dignos de receberem a salvação o que eles chamavam de incircuncisos, pagãos ou gentios. Paulo defendia que o Evangelho não pertencia mais só aos cristãos judeus, mas a todos, era preciso levar o Evangelho para todo mundo, além dos muros de Jerusalém. Em tese ele estava certo porque Jesus assim havia ordenado. Pedro achava que não que a Igreja deveria permanecer em Jerusalém e que somente os judeus poderiam ser batizados. O que depois o Livro dos Atos vai descrever que Pedro muda de idéia após uma visão que Jesus lhe tinha mandado onde ele entendeu que aquela mesma mostraria que ele estava enganado e que todos os povos, os gentios teriam que ter acesso ao batismo e à Palavra.         

A tradição da Igreja Católica Romana afirma que depois de passar por várias cidades, Pedro haveria sido martirizado em Roma entre 64 e 67 d.C. Desde a Reforma, teólogos e historiadores protestantes afirmaram que Pedro não teria ido a Roma; esta tese foi defendida mais proeminentemente por Ferdinand Christian Baur, da Escola de Tübingen. Outros, como Heinrich Dressel, em 1872, declararam que Pedro teria sido enterrado em Alexandria, no Egito ou em Antioquia. Hoje, porém, os historiadores concordam que Pedro realmente viveu e morreu em Roma. O historiador luterano Adolf Harnack afirmou que as teses anteriores foram tendenciosas e prejudicaram o estudo sobre a vida de Pedro em Roma. Sua vida continua sendo objeto de investigação, mas o seu túmulo está localizado na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o qual foi descoberto em 1950 após anos de meticulosa investigação.

Alguns pesquisadores acreditam que, assim como Judas Iscariotes, Pedro tenha sido um zelota, grupo que teria surgido dos fariseus e constituía-se de pequenos camponeses e membros das camadas mais pobres da sociedade. Este supostamente estaria comprovado em Marcos 3:18, assim como em Atos 1:13, no entanto, o certo "Simão, o Zelote" é na realidade uma pessoa distinta dentre as nomeações descritas nas referidas citações.

PEDRO PRIMEIRO BISPO DE ROMA - A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA 

A comunidade de Roma foi fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo e é considerada a única comunidade cristã do mundo fundada por mais de um apóstolo e a única do Ocidente instituída por um deles. Por esta razão desde a antiguidade a comunidade de Roma (chamada atualmente de Santa Sé pelos católicos) teve o primado sobre todas as outras comunidades locais (dioceses); nessa visão o ministério de Pedro continua sendo exercido até hoje pelo Bispo de Roma (segundo o catolicismo romano), assim como o ministério dos outros apóstolos é cumprido pelos outros Bispos unidos a ele, que é a cabeça do colégio apostólico, do colégio episcopal. A sucessão papal (de Pedro) começou com São Lino (67) e, atualmente é exercida pelo Papa Francisco, eleito em 13 de março de 2013. Segundo essa visão, o próprio apóstolo Pedro atestou que exerceu o seu ministério em Roma ao concluir a sua primeira epístola: "A [Igreja] que está em Babilônia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, meu filho. Trata-se da Igreja de Roma . Assim também o interpretaram todos os autores desde a Antiguidade, como abaixo, como sendo a Roma Imperial (decadente). O termo não pode referir-se à Babilônia sobre o Eufrates, que jazia em ruínas ou à Nova Babilônia (Selêucia) sobre o rio Tigre, ou à Babilônia Egípcia cerca de Mênfis, tampouco a Jerusalém; deve, portanto referir-se a Roma, a única cidade que é chamada Babilônia pela antiga literatura Cristã. Verdadeiramente antes da Igreja Católica se estabelecer em Roma, porque isso aconteceu tempos depois sob o reinado do Imperador Constantino; Roma era uma cidade promíscua, onde se cultuavam outros deuses. Tida como devassa e prostituta por causa das muitas promiscuidades  e crimes que ali cometiam, inclusive com a condenação e morte cruel de vários cristãos que eram martirizados ou jogados no coliseu para serem devorados pelos leões. 
Somente após a Igreja ter se estabelecido em Roma e se tornado a religião oficial do Império Romano que a coisa mudou de figura e a Basílica de São Pedro foi construída em cima do lugar onde Pedro havia sido sepultado. Mas a Catedral oficial do Papa é a Basílica de São João de Latrão. Por isso sabe-se que a Igreja Católica não surgiu no tempo de Constantino mas é a mesma Igreja descendente dos Apóstolos e cujo Pedro era seu legítimo Pastor.

Testemunhos históricos de Pedro em Roma

Os historiadores atualmente acreditam que a tradição católica esteja correta; igualmente, muitas tradições antigas corroboram a versão de que Pedro esteve em Roma e que ali teria sido martirizado.

Clemente, terceiro bispo de Roma e discípulo de Pedro, por volta de (96) d.C., em sua Epístola aos Coríntios, faz clara alusão ao martírio deste e de Paulo em Roma:

"Todavia, deixando os exemplos antigos, examinemos os atletas que viveram mais próximos de nós. Tomemos os nobres exemplos de nossa geração. Foi por causa do ciúme e da inveja que as colunas mais altas e justas foram perseguidas e lutaram até a morte. Consideremos os bons apóstolos. Pedro, pela inveja injusta, suportou não uma ou duas, mas muitas tribulações e, depois de ter prestado testemunho, foi para o lugar glorioso que lhe era devido. Por causa da inveja e da discórdia, Paulo mostrou o preço reservado à perseverança. Sete vezes carregando cadeias, exilado, apedrejado, tornando-se arauto no Oriente e no Ocidente, ele deu testemunho diante das autoridades, deixou o mundo e se foi para o lugar santo, tornando-se o maior modelo de perseverança".

Inácio de Antioquia, bispo, mártir e também discípulo de Pedro, em cerca de (107) d.C., em sua Epístola aos Romanos, a qual fora dirigida à comunidade cristã lá situada, refere-se nos seguintes termos ao martírio de Pedro e Paulo em Roma:
"Não vos dou ordens como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, eu sou um condenado. Eles eram livres, e eu até agora sou um escravo".
Papias, bispo de Hierápolis, por volta de (140) d.C., ao tratar da origem do Evangelho de Marcos, atribui o relatado a João Marcos, companheiro de Paulo e Barnabé, a partir da convivência com os que haviam estado com Jesus, em especial Pedro quando este estava em Roma:

"Papias, bispo de Hierápolis, atesta a atribuição do segundo evangelho a Marcos, “intérprete” de Pedro em Roma. O livro teria sido composto em Roma, depois da morte de Pedro (prólogo antimarcionita de século II, Ireneu) ou ainda durante sua vida (segundo Clemente de Alexandria).
Quanto a Marcos, foi identificado como João Marcos, originário de Jerusalém (At 12,12), companheiro de Paulo e Barnabé (At 12,25; 13,5.13; 15,37-39; Cl 4,10) e, a seguir, de Pedro em “Babilônia” (isto é, provavelmente, em Roma) segundo 1Pd 5,13.
O bispo Dionísio de Corinto, em extrato de uma de suas cartas aos romanos (170) trata da seguinte forma o martírio de Pedro e Paulo:

"Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina do Evangelho. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente.
Gaio, presbítero romano, em 199:

"Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Ide à Via Ostiense e lá encontrareis o troféu de Paulo; ide ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro."

Gaio dirigiu-se nos seguintes termos a um grupo de hereges: "Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja".

Orígenes (185 - 253) responsável pela Escola Catequética de Alexandria afirmou:
"Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve que fosse crucificado de cabeça para baixo.
"Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo".

Crucifixão de São Pedro (Santa Maria del Popolo, Roma, Caravaggio, 1600).

Ireneu (130 - 202), Bispo de Lião (nascido em Izmir atual Turquia) referiu:

"Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo." e ainda "Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado."

"Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.
Formado como jurista Tertuliano (155-222 d.C.) falou da morte de Pedro em Roma:
"A Igreja também dos romanos pública - isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas - que Clemente foi ordenado por Pedro."

"Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!" - e falando da Igreja Romana, "onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor."
"Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz.
Eusébio (263-340 d.C.) Bispo de Cesareia, escreveu muitas obras de teologia, exegese, apologética, mas a sua obra mais importante foi a História Eclesiástica, onde ele narra a história da Igreja das origens até 303. Refere-se ao ministério exercido por Pedro:
"Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade."
Epifânio (315-403 d.C.), Bispo de Constância (também foi Bispo de Salamina e Metropolita do Chipre) fala da sucessão dos Bispos de Roma:
"A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc...
Doroteu de Tiro:
"Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro. Optato de Milevo:
"Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, e que Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou."
Cipriano (martirizado em 258), Bispo de Cartago (norte da África), escreveu a obra "A Unidade da Igreja" (De Ecclesiae Unitate), onde diz:
"A cátedra de Roma é a *Cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.
Santo Agostinho (354 - 430):

"O sucessor de Pedro foi o Papa Lino."

Logo, apesar das opiniões divergentes que surgiram a partir da Reforma Protestante, era constante, unânime e ininterrupta a tradição segundo a qual Pedro pregou o evangelho em Roma e lá encontrou o martírio, o que é robustecido pelos escritos dos Pais da Igreja e pela arqueologia.
Ou seja, mesmo após a Reforma os protestantes querendo desmerecer a origem da Igreja Católica, dizendo que os bispos de Roma ou Papas surgiram a partir do governo do Imperador Romano Constantino, essa contestação é derrubada à partir da História e dos próprios estudos arqueológicos.Não se pode negar que a Igreja Católica Apostólica Romana é a única e verdadeira Igreja Cristã fundada por Jesus Cristo e entregue ao governo de Pedro e seus sucessores. Não se pode negar mediante a veracidade dos fatos, pois, contra fatos não existem argumentos. 

*Cátedra = Cadeira de chefe ou governo de onde se legisla uma lei ou toma decisões importantes.
Os textos escritos pelo apóstolo

O Novo Testamento inclui duas epístolas cuja autoria é atribuída a Pedro: A "Primeira epístola de São Pedro e a Segunda epístola de São Pedro".

INDÍCIOS DA ARQUEOLOGIA
O Túmulo de São Pedro

Baldaquino da Basílica moderna de São Pedro, de Bernini. O túmulo de São Pedro encontra-se diretamente abaixo desta estrutura.
A partir da década de 1950 intensificaram-se as escavações no subsolo da Basílica de São Pedro, lugar tradicionalmente reconhecido como provável túmulo do apóstolo e próximo de seu martírio no muro central do Circo de Nero. Após extenuantes e cuidadosos trabalhos, inclusive com remoção de toneladas de terra que datava do corte da Colina Vaticana para a terraplanagem da construção da primeira basílica na época de Constantino, a equipe chefiada pela arqueóloga italiana Margherita Guarducci encontrou o que seria uma necrópole atribuída a Pedro, inclusive uma parede repleta de grafitos com a expressão Petrós Ení, que, em grego, significa "Pedro está aqui".

Também foram encontrados, em um nicho, fragmentos de ossos de um homem robusto e idoso, entre 60-70 anos, envoltos em restos de tecido púrpura com fios de ouro que se acredita, com muita probabilidade, serem de Pedro. A data real do martírio, de acordo com um cruzamento de datas feito pela arqueóloga, seria 13 de outubro de 64 d.C. e não 29 de junho, data em que se comemorava o traslado dos restos mortais de Pedro e São Paulo para a estada dos mesmos nas Catacumbas de São Sebastião durante a perseguição do imperador romano Valeriano em 257.


   

      

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