sexta-feira, 13 de novembro de 2015

APRENDENDO SOBRE A FÉ - O que é a fé?

     O que é a fé? Os apóstolos pediram a Jesus, "Senhor aumenta-nos a fé!" a fé e algo grandioso que faz mover nosso íntimo em direção ao  Criador. 

Jesus disse: 
Se tiverdes a fé ainda que seja do tamanho de um grão de mostarda, direis aquele monte, sai e passa-te daqui para o outro lado e ele te obedecerá. "

       Mas o que é a fé? Ela é crer, confiar e depender de Deus. A fé é um dom de Deus. Preciosa e inviolável. Ela que nos move e quando não restar mais nada em nossa vida, mas existir a fé, então não estamos perdidos. Porque quem tem fé, tem um tesouro capaz de mudar tudo ao nosso redor. A fé é a força que Deus nos dá para podermos vencer os desafios desta vida. Ela liga corpo, alma, mente e espírito. Por isso quem não tem fé, conhece Deus, mas, não o sente em seu interior. A fé é como a chama de uma vela que deve ser mantida acesa, e esse combustível que a mantém acesa e a oração. Tem cristão que diz, perdi a fé. Não você só deixou ela num canto. A fé é como a luz, e quem pode esconder o brilho da luz? Disse Jesus. 
         Mas, a fé é algo precisa ser alimentada, e esse alimento é a oração acompanhada de boas obras. São Paulo nos diz que a fé sem obras e morta. Por isso, temos que pedir: Senhor, aumenta nossa fé. Motiva nosso interior, para que possamos estar junto de ti. Amém!

A FÉ E OS MILAGRES

          Fé e milagres. Muita gente acredita naquele ditado,"ver para crer". Mas Jesus nos ensina que bem aventurado aquele que crê sem ter visto. 

          Lembremos o episódio da ressurreição de Lázaro, amigo de Jesus. Jesus fez uma oração, e antes de acontecer o milagre ele disse: "Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim, por causa do povo que está ao meu redor, para que creiam que tu me enviaste" (Jo11, 41-42) ... Os milagres de Jesus tinham uma finalidade fazer com que o povo cresse que ele era o Cristo. 
           Marta, irmã de Lázaro, acreditava, tinha fé que Jesus podia fazer algo. Quando Jesus disse "Eu sou a ressurreição e a vida, aquele que crê em mim ainda que esteja morto viverá", crês nisso? Ela respondeu com toda Fé: "Sim Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus aquele que devia vir ao mundo!" Jo 11, 24-27. Marta acreditava que Jesus ia fazer aquele milagre, ela sabia, tinha fé, confiava e dependia de Jesus. Porque sabia que ele era o Cristo de Deus. Ela, bem como sua outra irmã Maria, não precisou ver o milagre acontecer, porque ela tinha fé e acreditava. Confiava em Jesus. É isso que precisamos entender. Quantas pessoas estão esperando acontecer um milagre para depois ter fé. Quanto a fé vem antes do milagre acontecer. É muito fácil acreditar depois de ver o milagre, mas isso também significa falta de confiança em Deus. E faltou confiança em Deus já não existe fé.       

     Hoje com a explosão de milagres que as seitas promovem, parece que estas palavras de Jesus caem em contradição. Mas a pergunta é:
      Para que serve a fé mesmo? A fé e o motor que nos leva até Deus. Por isso que não precisamos ver para crer. Basta confiar em Deus que a obra acontecerá. Jesus disse: "Quem crê em mim ainda que esteja morto viverá". Jo11,25. Ou seja a fé supera qualquer milagre, ela não depende de olhos humanos, mas, depende dos olhos da alma. Depende de por total confiança na palavra de Deus.         

      Vamos recordar a fé do centurião, que pedindo em favor de seu servo disse a Jesus: "Senhor basta que diga uma só palavra e eu sei que meu servo será curado". Mt8,8 - Jesus disse que em toda Israel não encontrou uma pessoa de tamanha fé como aquele homem, um romano. A fé também não é monopólio de ninguém ela é um dom de Deus dada a todos os crentes.
      A fé meus irmãos, não foi feita para os anjos, ela foi dada por Deus para que nós pecadores possamos chegar ate Deus com todo amor e confiança e por consequência à santidade. Quando nós passamos a ver com os olhos da alma tudo ao nosso redor muda. E muda pra melhor. Mas o que nos torna incrédulos muitas vezes, não é como cremos e sim a maneira como nos aproximamos de Deus.         Veja o caso de Tomé que precisou ver as marcas dos pregos, tocar com os dedos para crer que Jesus tinha ressuscitado. Logo, Jesus disse: "Creste porque me viste? Bem aventurado aquele que crê sem ter visto". Jo20, 27.

         Se conhecemos Jesus, se acreditamos nele, não precisamos ver milagres para acreditar. Se procuramos milagres demais é sinal que algo não vai bem com a nossa fé.
          Basta que tenhamos confiança no seu amor. Quer outro fato? Quando falta fé, falta confiança em Deus. Não podemos dizer que temos fé sem crer, confiar e depender de Deus. Pois, do contrário vamos quebrar a cara. Lembremos do episódio que Jesus andou sobre as águas. Quando Pedro viu que era Jesus pediu logo que fosse ao seu encontro. Enquanto confiava não afundou, mas quando vacilou na fé começou a afundar. Desesperado gritou por socorro. Jesus pegou e disse: "Homem de pouca fé, porque duvidaste?" Mt14, 22-31
         A fé não combina com falta de confiança e com a dúvida. Se cremos no poder de Deus, se confiamos nele temos que ir até o fim. Lembremos quando os apóstolos estavam na barca e de repente começou uma tempestade, o vento soprava tão forte que parecia fazer a barca tombar. Jesus "dormia". Os apóstolos vendo aquilo se encheram de pavor e acordaram Jesus para pedir por socorro. E Jesus deu uma ordem ao vento e cessou a tempestade. Mas censurou os discípulos: "Ainda não tendes fé?" (Mc4, 35-41)  Quantas tempestades acontece em nossa vida. Muitas vezes ficamos esperando que Jesus desperte para nos socorrer. Mas como pode ser isso Deus não dorme. Mas nós muitas vezes cochilamos na fé e ficamos esperando por milagres, sem esquecer de nossas próprias responsabilidades.


QUEM TEM FÉ TEM O MAIOR DOS TESOUROS

         Jesus nos diz que: "Aquele que me quer seguir renuncie-se a a si mesmo, toma cada dia a sua cruz de cada dia e depois me siga. Pois todo aquele que  quiser salvar sua  vida, vai perdê-la; mas aquele que sacrificar sua vida por amor de mim vai ganhá-la. Pois que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sim mesmo e causa sua própria ruína?" (Lc9, 23-25)  

Que adianta ao homem querer tudo nesse mundo (bens e riquezas, satisfação momentânea e falsos milagres) se vier a perder a alma? Não é melhor entrar aleijado no céu do que com os membros perfeitos ir para o inferno? (Mt5, 29-30)

        Passar pelos mesmas cruzes. carregar a cruz do dia a dia, implica que possamos carregar nossas dores, alegrias. O cristão que pensa que só porque crê em Jesus e o aceitou como salvador, mas, quer se esquivar das cruzes e dos sofrimentos não irão seguir o Mestre. Tenho medo dessas seitas pregam que existe fé sem sofrimento, sem cruz, porque Jesus passou por ela e nós vamos ter que passar se quisermos chegar ao céu. Jesus não nos enganou, não disse que seria fácil. A fé é a única condição para a Salvação. Mas quando vem as dificuldades tratamos logo de fazer de Deus um empregado, gritamos por socorro, por milagres e deixamos de lado nossas responsabilidades como seres humanos. Tornamo-nos cristãos irresponsáveis. Ter fé é perceber que a lógica de Deus não é a nossa lógica, os planos de Deus não são nossos planos.

        O que as seitas ensinam as pessoas? Elas ensinam a tentar a Deus. Hoje em dia a teologia da prosperidade está na moda. Está na moda determinar, mandar Deus fazer um milagre a força mesmo que isso significa passar em cima do Mandamento: "Não tentarás o Senhor teu Deus!" (Dt6, 16) Então porque aceitei Jesus agora tenho direito de mandar na vontade de Deus. Eu determino a cura, o enriquecimento ilícito, o emprego, a saúde etc, etc. 
Em troca de altos dízimos os falsos pastores vendem milagres. Muitas vezes a cura, a graça acontece mas pode ser que você trocou a sua Salvação por algo momentâneo nesse mundo.

        Vamos recordar o que aconteceu com Moisés. Quando em Massá ou Meribá o povo murmurou contra Moisés . Porque não tinha água para beber. Javé-Deus estava testando o povo escolhido na sua fé e no entanto, eles murmuraram tanto e contrariando a vontade de Javé-Deus. E Moisés foi queixar-se com Deus então ele então fez jorrar água da rocha. Mas em troca disso Deus disse que Moisés veria a terra prometida mas não pisaria nela, porque havia tentado o Senhor. (Ex17, 1-7) (Dt32, 51-52)

NÃO ATENTEIS CONTRA A FÉ

        Então ... porque forçaram a Deus, tentando-o fazer um milagre que não era de sua vontade Deus determinou naquele momento Moisés não iria entrar na terra prometida. Moisés obedeceu o povo mas desagradou a Javé-Deus.

      Sabe o que essa rocha significa? Ela é o símbolo de Jesus Cristo, a Pedra Angular. Essa "Rocha  Viva" é o Nosso Salvador Jesus Cristo; a vara que permitiu sair da Rocha Eterna água para nossa Salvação é a lança do solado que feriu o peito de Cristo, perfurando seu pulmão do qual saiu sangue e água, sinal do batismo da Igreja e a terra prometida é o Céu a vida eterna. (Jo19, 34)

       Quando tentamos contra a vontade de Deus determinando algo que não é de sua vontade agimos da mesma forma provocando a Deus o resultado é este. E como consequência Deus pode atender, mas por causa da provocação perdemos a oportunidade de ir para o Céu.

      E aí, você quer essa troca? Porque é isso que os pastores falsos estão fazendo com muita gente. Fazendo as pessoas provocarem o poder de Deus determinando curas e libertações. Fazendo de Deus um empregadinho que obedece as ordens deles.  

      A fé exige de nós uma prova, perseverança e sinceridade. Quem tem fé e perseverante. Também e sincero diante das situações. Mesmo que o barco possa virar e ventos contrários soprem em desfavor. Quem tem fé continua remando firme. Por outro lado crer sem ter visto e crer no invisível e no impossível, pois Deus e invisível e faz do impossível o possível. Quem crê em Deus da maneira certa é feliz, porque aprendeu a amar a Deus da forma certa. Quem crê, confia e espera de Deus tudo na sua vida. E não fica esperando por milagres. Mas faz como São Paulo, se lança no colo de Deus, pois Ele é nossa esperança e nossa força. TUDO POSSO NAQUELE QUE ME DÁ FORÇAS.


FÉ E ORAÇÃO E HUMILDADE

      Às vezes nos deparamos com a seguinte pergunta: Qual o forma correta de fazer uma oração? 
    Bem primeiro temos que observar que existem formas distintas de oração: a) Oração coletiva – é aquela que fazemos juntamente com toda a igreja ou assembleia. Nela nós louvamos, pedimos, suplicamos, adoramos a Deus de forma coletiva dentro de um rito que chamamos de culto ou celebração. A Santa missa também é uma oração coletiva. Nós nos reunimos para celebrar a palavra de Deus e a Eucaristia. E esta é a forma mais sublime de oração. Também quando rezamos um tríduo ou novena para um santo ou santo em nossas casas e capelas. Por exemplo: A novena de Natal com as famílias, nós estamos celebrando coletivamente. Nesse caso, pode ser formulados em manuais devocionais ou orações impressas, folhetos ou de acordo com a liturgia da Igreja.

b) Outra forma de Oração é a oração individual, particular, que cada um faz. A Oração particular é diálogo entre a pessoa e Deus. Nela não precisa de fórmulas, pois, é uma conversa de filho para o pai. Nesse caso é entre você e Deus.Deus conhece nossos corações e por isso a oração em particular deve ser o momento em que você deve aproveitar para colocar a conversa com Deus em dia. Ser direto e transparente, pois, Deus já sabe até do que você vai pedir ou agradecer.  
      Deus gosta de ouvir nossas orações. Ele deseja que nós como filhos “sentemos em seu colo” como “criancinhas” e busquemos o que precisamos. Mas o que não pode acontecer é o que vamos aprender aqui como às vezes somos arrogantes, injustos e não sabemos nem mesmo pedir. E é isso que Jesus vai nos ensinar. Qual é a forma certa de orar.
       Você sabia que uma oração mal feita é tentar a Deus?
Uma oração mal feita tenta a Deus porque ofende o seu poder e sua divindade. Por isso Jesus disse que temos que tomar cuidado com a forma com que nós devemos Orar.

     Em vossas orações não multipliqueis palavras como fazem os fariseus; as vezes as pessoas gastam tempo demais pedindo uma coisa pra Deus, e no fim acabam por pedir aquilo que desagrada a Deus contradizendo a própria oração.
Exemplo1: Tem gente que pede ao Senhor ajuda eu ganhar na loteria. Ora é justo pedir a Deus riqueza?  Jesus disse que não podemos servir a Deus e ao dinheiro. Isto não contradiz a Bíblia? Deus condena a riqueza porque ela faz a pessoa ficar avarenta, e a avareza é um pecado.

     Exemplo2: Oração de fofoqueiro - Senhor eu quero te pedir uma coisa, não me faça ficar como o meu vizinho. Olha Senhor ele não liga para as pessoas, não ajuda ninguém e, além disso, trai a esposa. Ora aqui a oração se torna uma fofoca. Por incrível que pareça tem gente que reza assim.
    Jesus citou um exemplo desses quando contou a parábola do fariseu e do publicano. Os publicanos eram responsáveis por cobrar os impostos, eram mal vistos pelos judeus porque não frequentavam o templo e exploravam o povo cobrando mais do que deviam e se enriqueciam ilicitamente. Zaqueu e Mateus eram publicanos. Então os judeus os consideravam impuros. Os fariseus eram homens que eram rigorosos em cumprir as leis de Moisés. Conhecedores da lei faziam questão que o povo soubesse das suas “falsas piedades”.   
Vamos ler a passagem:A parábola do  fariseu e o publicano está em Lc 18.9-14.

 RESUMO DA PARÁBOLA

    Essa parábola de Jesus foi proferida com o objetivo de atingir alguns homens que “confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros” (Lucas 18.9). Ela mostra a história de dois tipos de homens diferentes, que em um mesmo dia tiveram um mesmo pensamento, que foi o de ir até o templo fazer orações. Jesus faz um contraste entre a oração realizada pelo fariseu, que era um religioso da época e a realizada por um publicano, que era um cobrador de impostos e, por esse fato, era de um grupo muito odiado pelas pessoas e até considerado pecador da pior qualidade. Já explicamos aqui no blog com mais detalhes o que significa fariseu e também o que significa publicano. Se quiser saber mais detalhes leia esses artigos.

Explicando as parábolas de Jesus: O fariseu e o publicano

ENSINAMENTOS DA PARÁBOLA

    Ter uma religiosidade não significa que agradamos a Deus. Quantas pessoas confessam ser religiosas, fervorosas mas seu coração está longe da caridade. Não basta cumprir a Lei de Deus, também é preciso ter humildade, compaixão pelos que sofrem. O cristão de fé transmite uma alegria diferente, uma alegria que parte do coração porque aprendeu de Jesus a ser manso e humilde. Humildade no significado bíblico não é ser bobo, baixar a cabeça diante das pessoas e das situações. Ser humilde é reconhecer que somos servos de Deus, servos inúteis, mas que trabalhamos para espalhar a boa semente do Evangelho.
   É reconhecer que somos pequenos grãos de mostarda, mas que através de Jesus crescemos e nos tornamos árvores frondosas. Nada neste mundo começa do alto. 

  Uma roseira para se tornar linda e dar flores bonitas você planta ela pequena, um simples talo que só tem espinhos muitas vezes. Logo, vamos regando ela começa a crescer até virar uma planta grande com muitos galhos e muitas rosas.
   Um pé de feijão começa de uma pequenina semente. Logo, ele se torna um arbusto bem viçoso e daí floresce, e daí começa a dar vagens  muitos outros feijões, até chegar à nossa mesa e matar a nossa fome. Em ambos os casos é preciso regá-los, por adubo, tratar da plantinha para ela ela crescer.
   O cristão também é assim. Deus planta em cada um de nós a semente do Evangelho, essa semente tem que ser cuidada, regada com nossa fé e adubada com nossas orações, por fim, os frutos que virão, é o cuidado que temos ao longo do caminho em não fazer com que essa semente morra, devemos cuidá-la sempre, regá-la sempre para que não murche.  Isto é a fé. Não basta ser religioso, ir a missa, rezar o terço todo dia.Se a nossa fé for baseada em repetir orações e fórmulas. Se o nosso coração não se tornou terra fértil onde possa crescer a palavra de Deus. 
  Jesus disse que temos que somos sal da terra e luz do mundo. E que não podemos ocultar essa luz, pois é través dessa luz que cada um de nós irradia, é desse sal que dá sabor as coisas, é que vamos fazer as pessoas verem que somos diferentes, que somos pessoas de fé, e vão caminhar ao nosso lado iluminados com nossos bons exemplos e temperados com o sal de nossa fé rumo a Pátria definitiva. A fé que temos não é para guardarmos mas é para passar para os outros. Para que cresçam e deem frutos.             

 Essa parábola mostra claramente que a religiosidade que ostentamos em nossa vida não significa nada para Deus se não brotar de um coração sincero e se não for de acordo com a vontade Dele. Observe que o fariseu e o publicano tiveram atitudes de religiosos, pois estavam buscando a Deus em oração, porém, o fariseu, o mais religioso dos dois, é reprovado, pois sua religiosidade – e oração – eram vazias. O publicano não era considerado um religioso, mas tinha um coração que agradava a Deus. 


 O orgulho religioso mata nossa vida com Deus. O fariseu mostrou o quanto estava distante de Deus quando exaltou suas próprias obras como sendo, na visão dele, o motivo de Deus o “aceitar” em Sua presença. Porém, ele apenas mostrou o quanto adorava a si mesmo e não a Deus. Observe esse trecho de sua fala: “O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.” (Lucas 18.11). Quando Jesus diz que o fariseu orava “de si para si mesmo” mostra que Deus não o ouvia, pois o seu orgulho matara sua comunhão com Deus.

Ter uma visão bíblica de si mesmo é a chave para agradarmos a Deus. O publicano, apesar de não ser um atuante religioso, foi até a presença de Deus com uma visão bíblica de si mesmo e de sua situação corrompida de pecador. De cabeça baixa, batia no peito, clamando pela misericórdia de Deus sobre sua vida. Esse homem mostrou verdadeiro arrependimento e humildade diante da presença santa e gloriosa de Deus. Por isso, Jesus disse que ele foi justificado para sua casa, afinal, agradara a Deus com um coração verdadeiramente religioso.

Nem tudo que parece é. O ensino da parábola se torna muito profundo quando destrói os julgamentos que as pessoas fazem baseadas na aparência das pessoas. O fariseu aparentemente era justo e visto com alta consideração por muitos, mas seu coração hipócrita estava diante de Deus. Ele vivia sob uma capa de hipocrisia, sustentando algo que não vivia de verdade. Já o publicano era visto como o pior dos pecadores, e alguns nem mesmo aceitavam a sua presença buscando a Deus, considerando-o impuro demais para ter “conserto”. Porém, ele se tornou o justo da história!

SEJAMOS AGRADECIDOS - Certa vez Jesus realizou este milagre: Lc17, 11-19


E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio da Samaria e da Galileia; 12 E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe, 13 E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós.
14 E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos.
15 E um deles, vendo que estava são, voltou, glorificando a Deu em alta voz; 16 E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano.
17 E, respondendo Jesus, disse; Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? 18 Não houve quem voltasse, para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? 19 E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.

Grande era a fé daqueles homens. Mas eram samaritanos. os judeus tinham os samaritanos como impuros. Jesus não fazia como os judeus, ele veio para salvar a todos. E a todos mostrou sua misericórdia. Eram homens de fé? Sim. Acreditavam que Jesus podia curá-los daquela enfermidade. Um leproso era marginalizado tanto pelo seu mal como estava à margem da sociedade. Não podiam conviver com as outras pessoas, tinham que viver afastados e ainda dizer "impuro","impuro" para que todos soubessem que era doente de lepra, que naquele tempo, quem tinha lepra era considerado amaldiçoado. Pois, naquele tempo a lepra era considerada um castigo de Deus.
O que Jesus fez? Curou os dez de uma só vez. Restituiu-lhes não só a saúde do corpo, mas também restituiu-lhes a dignidade perdida. Mas, dos dez apenas um voltou para agradecer a Jesus. Os nove foram embora. Este episódio não nos lembra alguma coisa?
Quantos milagres Deus através de Jesus, pela sua intervenção ou pela intercessão dos Santos nós conseguimos? Quantas graças que alcançamos diariamente... O emprego, a saúde, a vida, a família, os amigos, a paz... Tudo isso Deus nos oferece e ainda o maior de todos os milagres, a Salvação. Como somos ingratos diante de Deus. Quantos que buscam Jesus em todos os lugares mas não o encontram por falta de fé. Possuem uma fé superficial, mas agem como folhas secas que o vento leva onde quer. 
E o milagre de Jesus que se dá na Eucaristia, Pão da Vida, Cálice da Salvação... Muitas vezes nós recusamos Jesus Eucarístico, que está disposto a nos ouvir lá no sacrário... Ou recebemos a Eucaristia absorvemos apenas o pão, mas nosso coração está fechado para Jesus que está ali presente e quer morar em nós. Como somos mal agradecidos. 
Quantas pessoas acham que milagre é ressuscitar mortos, curar do câncer, levantar o paraplégico... Sim. Também é. Mas o maior milagre que Deus nos dá é a vida com dignidade. 
As pessoas correm atrás das seitas procurando por milagres. Mas, se esquecem de que elas mesmas são capazes de fazer milagres muitos maiores se realmente tiverem uma fé viva. 
Não é o padre, o pastor ou quem lá que seja que faz milagres é Jesus. E Jesus está em mim, em você, basta crer, confiar e depender porque Jesus cura gratuitamente, enquanto muitas seitas vendem falsos milagres. 
Prometem riquezas, vida fácil, prosperidade de todo tipo às custas de dinheiro. Fazem tudo para alcançar glórias para as suas "igrejas" que não passam de templos arredios. Pisam no Evangelho, porque a graça de Deus é gratuita. E aí Deus concede o milagre, mas, retira a graça. Como aconteceu com Moisés em Massa acontece hoje.
Quantos que atraídos por estas seitas deixam de lado a verdadeira Igreja e portanto, desligam-se da verdadeira Videira, se tornam ramos secos, trocam uma vida inteira no céu por alguns minutos de felicidade, de prosperidade terrena. Desligam-se do Corpo Místico de Cristo, para buscarem as seitas. Pensam que estão aceitando Jesus, mas na verdade estão longe dele, longe da verdadeira Videira. Desligam do verdadeiro Pastor e abandonam o Redil. 
"Eu sou a videira verdadeira, e meu pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará para todos o que der fruto. para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar frutos se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo e queimar-se-á. Se permanecerdes e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e será feito. Nisto será glorificado meu Pai, para que deis muitos frutos e vos torneis meus discípulos".  Jo 15, 1-8
Ah meu irmãos! quão são lindas essas palavras do Divino Salvador e como elas são pesadas para aqueles que acham que fé é só para crer. Quantos hoje que buscam uma fé momentânea e se perdem pelos caminhos das seitas... Não só desligaram da videira, mas se tornaram ramos cortados que pode à princípio ficarem verdades, mas quando o sol da justiça vier serão secos e queimados. 
Fé só para buscar milagres e sim para dar frutos. Ela é um exercício do dia a dia. Depende de permanecermos firmes na palavra de Deus. Os frutos são muitos se estivermos ligados à Videira verdadeira. Isto significa permanecer ligados em Jesus+Igreja+Vida Sacramental. E onde está isso? Nas seitas? Não! na verdadeira Igreja de Cristo. E se não estivermos ligados ao Cabeça desta Igreja que é Jesus, se não participarmos desta verdadeira Igreja, como membros vivos e sadios, não podemos dizer que somos pessoas de fé.  Como disse, a fé deve ser exercitada : Fé + esperança + caridade (amor ao próximo). Sejamos religiosos, mas, antes de tudo, pessoas que se comprometem com a fé. Fé em Jesus, fé na sua Igreja, Fé na sua palavra. Para dizer como Tomé: "Meu Senhor e meu Deus" e para dizer como a Igreja: "Meu Deus e meu tudo!".      



Diz o Papa Francisco :
“Jesus é a videira, e através d’Ele – como a seiva da árvore – passa aos ramos o próprio amor de Deus, o Espírito Santo. Nós somos os ramos, e através desta parábola Jesus quer fazer-nos perceber a importância de permanecer unidos a Ele. Os ramos não são autossuficientes, mas dependem totalmente da videira, na qual se encontra a fonte da sua vida”, disse o Papa.
Francisco explicou que, com os cristãos, acontece da mesma forma, pois por meio da Igreja, cada fiel fica em “comunhão vital com Cristo”. No entanto, para que isso aconteça, é necessário manter-se fiel ao Batismo e crescer na intimidade com o Senhor mediante a oração, a escuta e a docilidade à sua Palavra, a participação aos Sacramentos, especialmente, à Eucaristia e à Reconciliação.
Segundo o Papa, a íntima unidade com Jesus possibilita a vivência dos dons do Espírito Santo que, conforme escreve São Paulo, são “amor, alegria, paz, magnanimidade, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si”.
“É a partir destas atitudes que se reconhece um cristão, tal como, dos frutos se reconhece a árvore”, disse o Papa Francisco que destacou os frutos da bondade, da caridade e da paz que os cristãos podem levar ao mundo amando os mais pobres e aqueles que estão em sofrimento".
Sejamos cristãos agradecidos. Somos servos inúteis, fazemos o que temos de fazer.  
Sejamos pessoas, cristãos de Fé viva. Não de fé momentânea.        
                       



Os milagres que acontecem conosco depende da fé, mas, a fé não depende de milagres para acontecer. Ela está em nós, é dada por Deus para que possamos realizar sua obra. Os milagres, as curas e libertações são partículas da fé. Muito mais do que crer no sobrenatural, é confiar em Deus. Uma pessoa de fé jamais abandona a Deus. É comum as pessoas se queixarem que em algum momento não foram atendidas em suas preces. Isso não significa que você perdeu a fé. Há muitas razões pelas quais Deus retém nossos pedidos. Ou porque somos egoístas demais e pedimos só o que nos convém momentaneamente, ou porque somos arrogantes demais, ou tratamos as coisas de Deus como um objeto de troca, ou porque não chegou o momento certo para a graça acontecer ( o relógio de Deus não é o nosso). O evangelista Mateus no seu capítulo VI a partir dos versos: 1-18, dedicou quase todo ele explicando como Jesus ensinou a forma correta de fazer orações e as boas obras simbolizada no gesto de dar esmolas. Jejum+Oração+boas obras. Como disse São Paulo ter fé e não fazer nada com ela, isto é não realizar aquilo que Deus através de Jesus nos ensinou não resolve nada. Por outro lado, a fé algo que move nosso interior, instiga nossa alma a buscar a verdade que é Jesus. Se na vida alcançamos milagres, ótimo, eles servem para aumentar a nossa fé, pois serve de testemunho aos nossos olhos.Mas não necessariamente precisamos deles para crer. A fé é uma força invisível movido pelo imenso desejo de sempre fazer o que é certo aos olhos de Deus. Ela é quem nos põe diante do Criador, e que nos faz buscar a cada dia os bens que ele nos oferece. A fé também nos aproxima da Salvação definitiva dada por Jesus e sem ela o homem não pode salvar-se. Porque é a fé que nos leva a aproximar da graça salvadora que Jesus nos deu. Por isso Jesus é categórico em dizer que não precisamos de milagres, de ver coisas esplendorosas para ter fé. Ela mora em nós e basta que a exercitemos durante o percurso de nossa vida. Ora, se a fé mora em nós as coisas vão acontecendo naturalmente, sem precisar forçar a Deus por algo que queremos ter. A fé não é somente para alcançar milagres, ela é para alcançar a Salvação. Ela é o elo que une criatura+Criador. Por outro lado, a fé é construída através das boas obras que realizamos. São degraus que ao longo da vida vamos construindo pela fé até o ponto de alcançar a vida plena definitiva. Por isso que o que faz uma pessoa virtuosa é a pratica da Fé+esperança+caridade, chamadas pela Igreja de "Virtudes Teologais". Não necessariamente precisamos de algo esplendoroso para exercer a nossa fé, mas ela deve ser exercitada nos gestos simples de amor no dia a dia com os que estão ao nosso redor. Ter fé também é acreditar e apostar na vida, respeito pela vida. Que é o maior milagre que está diante de nossos olhos e muitas vezes não valorizamos. Buscamos tantos milagres e não buscamos o maior deles a Vida. Fé fé nos proporciona que respeitemos a vida sobretudo no ventre materno, pois a fé também é dos pequeninos. Quando matamos a vida pelo aborto, então automaticamente matamos a vida em nós mesmos. Quando plantamos a desesperança, a discórdia, a violência, a falta de perdão, a ofensa, a dúvida, ... matamos a nossa fé. Pense nisso. Ore, medite a Oração de São Francisco de Assis. Bom final de semana!
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

- São Francisco de Assis


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A PORTA SANTA - ANO SANTO - 2015/2016 - ANO DA MISERCÓRDIA

A Porta Santa é aberta pelo papa a cada início do Ano Santo. Ela simboliza Jesus Cristo, a porta pela qual todos nós chegaremos ao Reino de Deus. 
Esse ano o santo Padre o Papa Francisco irá abrir esta porta, juntamente com os bispos de todas as Dioceses espalhadas pelo mundo para dar início ao Ano Santo da Misericórdia.



 Ele se iniciará no dia 08 de dezembro de 2015; dia em que celebramos a festa da Imaculada Conceição de Maria e terminará no dia 26 de novembro de 2016, festa de Jesus Cristo Rei do Universo. 

 Todos os fiéis católicos estão convidados a nesse dia passar pela Porta Santa e receber a indulgência plenária, ou seja, o perdão dos pecados. Para isso as pessoas deve estar em estado de graça. Significa que as pessoas devem se confessar e comungar e rezar pelas intenções do santo Padre o Papa, ou pelas quais forem colocadas naquele dia pelos bispos da igreja.

 Em Jo10, 9 Jesus disse: "Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem". Jesus é essa porta. Ele é o Bom Pastor. Ele não deseja que nenhum de nós se perca e fique preso nos espinheiros do pecado. Deus nos ama e nos quer ao seu lado como bons filhos. Por isso ele estende seus braços para nos acolher, sempre está disposto a perdoar, ainda que seja no último dia de nossa vida. Mas, se entendermos essa Misericórdia de Deus, se a queremos sempre, por que esperar pela última hora?  

 O gesto de passar pela Porta Santa no ano jubilar nos lembra que o cristão só se salva porque passa pela verdadeira "porta" que é Jesus Cristo.
  Jesus disse que existem duas portas: a primeira é a porta estreita que é Jesus. O caminho para a Salvação passa por esta "porta" ela é estreita porque passa um só por vez. Ou seja, a busca pela salvação é individual e cada um deve esforçar-se por passar por ela.    Jesus usa essa comparação porque nos currais onde recolhiam as ovelhas o pastor usava havia uma porta estreita e nessa porta os bons pastores tinham o cuidado de contar e verificar suas ovelhas. Se faltasse alguma, ou se alguma estivesse machucada, eles tinham condições de observar. 
 Assim é o caminho da salvação é assim. Jesus o Bom Pastor cuida de nós com carinho e se uma ovelha está machucada por alguma situação da vida, Ele nos acolhe e nos cura. Por isso Jesus é essa "Porta estreita" pela qual todos nós devemos passar. Um só por vez. E passar pela "porta estreita" ou seja, por Jesus Cristo para que ele nos acolha, significa libertar de tudo aquilo que nos faz perder o rumo do caminho. Na vida existem muitos caminhos mas um só é o verdadeiro caminho e uma só é a porta pela qual devemos passar. O caminho para chegar a esta porta não é fácil, é cheio de espinhos e dificuldades. Para passar por esta porta é preciso aceitar as cruzes que o mundo nos impõe. Carregá-las com paciência e amor. Renunciar as tentações e ilusões deste mundo. Dia a dia seguir Jesus praticando sua palavra. Esse é o significado de "passagem" pela porta. Essa porta que nos conduz à eternidade que é Jesus.  

Passar por esta porta não é fácil. Por isso vale observar os conselhos de São Paulo:

"Comportemos-nos honestamente, ... Nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções, nada de contendas, nada de ciúmes. Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne nem satisfaçais aos apetites". Rm13, 13-14.

Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo! Exorta-nos São Paulo. Isto é, imitai o Senhor, transformai à imagem do Senhor; imitai suas virtudes. Não há outro meio de passar pela porta senão se revestir da graça, se não abandonar o pecado. 

Rm 8, 12-17 - "Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, havereis de morrer. Mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis. Pois, todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas, recebestes o espírito de adoção pelo qual chamamos: Aba! (Pai). O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de de Deus. E, se filhos, também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados".  

Está aí a dica para quem quiser passar pela "Porta estreita" simbolizada neste ano jubilar pela "Porta Santa".                        

 Por outro lado, Jesus disse que existe outra porta. Uma porta larga. Essa "porta larga" é satanás. Sim, ele também oferece uma porta bem mais ampla e cheia de facilidades. Satanás não é um bom pastor, ele não está preocupado com o bem estar das pessoas, nem tampouco com a salvação. Ele está interessado na condenação eterna das almas. Por isso sua porta é larga e cheia de facilidades. Satanás abre as portas do mundo, das tentações e de toda espécie de sedução que o mundo oferece. Nesse caminho tudo é fácil. Satanás não está preocupado em cuidar das ovelhas, pelo contrário, como ele é um ladrão, rouba as ovelhas do redil do Senhor. Ou seja, as pessoas que vivem longe da graça de Deus e estão no pecado. Por isso que a "porta larga" é cheia de vantagens, enquanto que pela "Porta Estreita" que é Jesus só passa por ela aqueles que o buscam com sinceridade, as boas ovelhas. As que querem ser salvas, renunciando o pecado e vivendo uma vida de graça diante de Deus vivendo as virtudes evangélicas.
A consequência de passar pela porta larga é a perdição, a morte eterna. "Porque o salário do pecado é a morte". (Rm 6, 23). 

Jesus não deseja e nem quer que isso aconteça. O Ano Santo é um tempo de graça e um convite para todos os cristãos a buscar a reconciliação com Deus. É  preciso abandonar o pecado já e voltar à buscar Divina Misericórdia enquanto temos chance, depois pode ser tarde demais ou quase impossível. Jesus deseja que cada um de nós volte à conversão e busque sua Misericórdia, pois foi para isso que ele veio, para nos dar vida nova. Vaja o que nos ensina São Paulo: 

"Ou ignorais que todos fomos batizados em Jesus Cristo na sua morte? Fomos, pois sepultados com ele na sua morte pelo batismo que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova. Se formos feitos o mesmo ser com ele na sua, sejamos igualmente por uma igual ressurreição. Sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência do corpo (outrora) subjugado ao pecado. (Pois quem morreu, libertado está do pecado). Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele...Portanto, vós também considerais mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus". Rm6, 3-8.11   

  
Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que levam à perdição, e muitos são os que entram por esse caminho. Porque estreita é a porta e difícil o caminho que conduzem à vida, apenas uns poucos encontram esse caminho! Pelo fruto se conhece a árvore Mt 7, 13-14

Ali haverá uma estrada, um caminho que será conhecido por Caminho de Santidade. Os impuros não passarão por ele; servirá tão somente aos que são do Caminho; os ímpios e insensatos escolherão não seguir por ele. Is 35:8Porque estreita é a porta e difícil o caminho que conduzem à vida, apenas uns poucos encontram esse caminho! Pelo fruto se conhece a árvore. Mt 7:14
E Ele lhes exortou: “Esforçai-vos por adentrar pela porta estreita, pois Eu vos asseguro que muitas pessoas procurarão entrar e não conseguirão. Lc 13:24 


Quando o proprietário da Casa tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, exclamando: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele, contudo, vos responderá: ‘Não vos co-nheço, nem sei de onde sois vós!’. Lc 13:25

Assim, portanto, todo aquele dentre vós que não renunciar a tudo quanto de mais estimado possui não pode ser meu discípulo. Lc 14:33


 O Ano Santo que será proclamado pelo Santo Padre o Papa, é uma forma de convidar a todos os católicos a voltarem-se à Misericórdia do Pai. Deus se interessa por nós e Ele deseja que busquemos a sua misericórdia. Estamos vivendo numa época difícil onde a palavra misericórdia é cada vez menos usada. Jesus pede que busquemos a misericórdia, mas que sejamos misericordiosos, retratos do Pai celestial que por nós tem grande apreço.

O Pai Misericordioso nos espera. O gesto de entrar pela Porta Santa nesse ano jubilar significa a necessidade que temos de buscar o perdão de Deus, entrar pela verdadeira porta que é Jesus Cristo. Esta porta que só entra nela os justos. (SL 118,20)         

É um convite para que possamos ser misericordiosos, a buscar viver uma vida de amor, perdão, solidariedade, justiça e paz. Coisa que o mundo está deixando de praticar porque está aterrado pelo egoísmo capitalista e pelo pecado da corrupção. 
Quantas pessoas hoje vivem piores que animais irracionais sem se dar conta que ao seu redor existem pessoas necessitadas de amor, de compreensão, de gestos de carinho?

 Pessoas que se sentem desvalorizadas porque perderam a esperança de um mundo melhor. Pessoas com fome e sede de justiça. Pessoas sem pão, sem direito a uma justiça digna, pessoas feridas em seu direito de nascer. Vidas que são ceifadas a todo instante vítimas da violência, do aborto, do estupro, dos assaltos, enfim, várias situações em que o mal corrompe e pessoas são corrompidas por ele. Porque não buscam e Deus. Não querem compromisso com a fé. Porque compromisso com a fé implica deixar para trás todo erro. Toda uma vida de pecado e ambição. 

 Jesus vem ao nosso encontro ele deseja que busquemos a sua misericórdia, porque caso contrário o fruto de viver longe dela é a morte eterna.Não há outro caminho a não ser Jesus. Ele quer e deseja que voltemos para casa, que entremos pela porta do Amor de Deus. Que peçamos perdão e voltemos às práticas das virtudes. 

NO ANO SANTO UM CONVITE A VIDA SACRAMENTAL
  

Jesus deixou à sua Igreja sinais de sua Graça santificante que são Sacramentos. Os Sacramentos são canais da Graça Santificante de Deus. Cada um com sua especialidade noa conduz e nos fortalece na caminhada rumo ao reino de Deus. Batismo, Crisma ou Confirmação, Eucaristia, Confissão ou Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio. Desses 07 Sacramentos, seis deles são destinados diretamente ao povo cristão, aos fiéis leigos. Todos possuem igual importância. Ministrar os sacramentos é obrigação da Igreja e um direito que Jesus deu a todos os cristãos. Eles são chaves para abir as portas do Céu por onde Jesus quer que passamos. Passar pela porta também é receber e vivenciar os sacramentos por toda nossa vida.

  Quem acha que não precisa da Igreja e não precisa dos sacramentos então não é cristão, nem crê em Jesus Cristo como Salvador. Porque a Igreja foi fundada por Jesus para para que possa conduzir  e tomar conta o rebanho de Jesus Cristo. É através dos Sacramentos que Jesus nos oferece graças especiais pelas  quais somos fortalecidos. Dentre eles a Eucaristia, que é Jesus vivo e presente no Pão e Vinho consagrados.

 Nesse ano Santo possamos também refletir qual nossa atitude diante dos Sacramentos. Eles são canais, pelos quais o Espírito Santo infunde em nós a  graça santificante. Jesus não os teria instituído se tais não fossem essenciais para nossa vida de Filhos e Deus.   

(D. Darci Nicioli, C.Ss.R.) "A tradição da Igreja conserva o rito de abrir uma porta - a Porta Santa! - durante o ano proclamado como "santo" , para celebrar o amor compassivo de Deus. É um tempo oportuno de graças e bênçãos, tempo de reconciliação e de perdão. É dom divino que precisamos sempre pedir, receber, agradecer e partilhar.

 Em Jesus Cristo o Pai se manifestou, de uma vez por todas, a compaixão e o amor ilimitado para com seus filhos e filhas. Não existe amor maior. 
As curas e os exorcismos (Lc 13, 10s); o milagre de Caná (Jo2, 1s); a saliva que libertou o surdo mudo (Mc7, 34s); a multiplicação dos pães e peixes (Mt14, 13s) e sobretudo, a cruz redentora, são sinais que indicam e realizam a salvação. Libertam da escravidão no tempo presente e abre as portas da eternidade.

 A comunidade deixada por Jesus Cristo continua esta obra salvadora. Atualizando essa prática taumatúrgica, que cura o corpo e liberta o espírito do mal e do pecado. A Igreja estabeleceu sinais eficazes da graça através dos sacramentos da fé, que nos permitem alcançar este mistério, como por exemplo: a água, o óleo, o vinho, o pão etc. Nessa dinâmica é que se insere o rito da Porta Santa, instituído pelo Papa Francisco. 


"Eu sou a porta". Diz Jesus: "Se alguém entrar por mim, será salvo; entrá e sairá e encontrará pastagem". (Jo10,9)
 Num  sentindo figurado, a porta é o meio pelo qual se estabelece o encontro ou se faz caminho para o outro. Esse é o intento do Santo Padre ao abrir a "Porta Santa" na Basílica de São Pedro, no dia 08 de dezembro, de 2015. Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. Nesse dia abrir-se-á o "Ano da Misericórdia" para toda a Igreja, convocando também a humanidade inteira para um grande encontro: a reconciliação com Deus, entre nós e o cosmos. No domingo seguinte (ao dia 08), o rito se repetirá em todas as catedrais, santuários e igrejas que o bem pastoral assim o exigir.  

 O sinal da porta recorda-nos que o perdão é possível e que o Todo-Poderoso toma a iniciativa pois "não fomos nós que amamos Deus, mas, foi Ele que primeiro nos amou". (Jo4,10)

 Durante todo o ano, até a festa de Cristo Rei, no dia 26 de novembro de 2016, teremos a oportunidade de passar pela "porta" e buscar a reconciliação, dar e receber o perdão. Não é uma porta mágica, mas ocasião especial de conversão e Confissão dos pecados, como consequente mudança de mentalidade e de atitudes. Não há pecado que não tenha perdão! Essa é a verdadeira indulgência que refaz a nossa esperança. Ano Santo! Porta Santa! E... vida nova!

 Família ... povo de Deus, vamos trabalhar para que muitos outros especialmente aqueles que estão distantes ou indiferentes a Deus, reencontrem o amor que gera a vida, busquem e recebam o perdão. Aqui no Santuário Nacional a "Porta Santa" também será aberta: "Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto... "(Mt 7,7)  

PALAVRAS DO SANTO PADRE O PAPA FRANCISCO SOBRE O ANO SANTO DA MISERICÓRDIA

  “Decidi convocar um Jubileu extraordinário centralizado na misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: “Sede misericordiosos como o vosso Pai” (cfr Lc 6,36). Este Ano Santo – explicou o Pontífice – terá início na próxima solenidade da Imaculada Conceição e se concluirá em 20 de novembro de 2016, Domingo de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do universo e rosto vivo da misericórdia do Pai.”
Durante a homilia Francisco ressaltou a riqueza da misericórdia de Deus evidenciando “com quanto amor Jesus olha para nós, com quanto amor cura o nosso coração pecador”. A seguir, a homilia na íntegra:
Também este ano, na vigília do quarto Domingo da Quaresma, nos reunimos para celebrar a liturgia penitencial. Unimo-nos a tantos cristãos que, em todas as partes do mundo, acolheram o convite a viver este momento como sinal da bondade do Senhor. De fato, o Sacramento da Reconciliação permite recorrer confiantemente ao Pai para ter a certeza de seu perdão. Ele é verdadeiramente “rico de misericórdia” e a estende com abundância àqueles que recorrem a Ele com coração sincero.
Em todo caso, estar aqui para fazer a experiência de seu amor é, em primeiro lugar, fruto da sua graça. Como nos recordou o apóstolo Paulo, Deus jamais cessa de mostrar ao longo dos séculos a riqueza da sua misericórdia. A transformação do coração que nos leva a confessar os nossos pecados é “dom de Deus”, é “obra sua” (cfr Ef 2,8-10). Ser tocados com ternura por sua mão e plasmados pela sua graça permite-nos, portanto, aproximar-nos do sacerdote sem temor pelas nossas culpas, mas com a certeza de ser por ele acolhidos em nome de Deus, e compreendido apesar de nossas misérias. Saindo do confessionário, sentiremos a sua força que dá novamente a vida e restitui o entusiasmo da fé.
O Evangelho que ouvimos (cfr Lc 7, 36-50) nos abre um caminho de esperança e de conforto. É bom sentir sobre nós o mesmo olhar de compaixão de Jesus, assim como o percebeu a mulher pecadora na casa do fariseu. Neste trecho duas palavras retornam com insistência: amor e juízo.
Há o amor da mulher pecadora que se humilha diante do Senhor; mas antes ainda há o amor misericordioso de Jesus por ela, que a impele a aproximar-se. Seu choro de arrependimento e de alegria lava os pés do Mestre, e seus cabelos os enxugam com gratidão; os beijos são expressão de seu afeto puro; e o unguento perfumado derramado com abundância atesta como Ele é precioso a seus olhos. Cada gesto desta mulher fala de amor e expressa seu desejo de ter uma certeza inquebrantável em sua vida: a de ter sido perdoada. E Jesus lhe dá essa certeza: acolhendo-a demonstra-lhe o amor de Deus por ela, justamente por ela! O amor é o perdão são simultâneos: Deus lhe perdoa muito, tudo, porque “muito amou” (Lc 7,47); e ela adora Jesus porque sente que n’Ele há misericórdia e não condenação. Graças a Jesus, seus muitos pecados Deus os deixa para trás, não os recorda mais (cfr Is 43,25). Para ela, então, tem início uma nova estação; renasceu no amor para uma vida nova.
Esta mulher verdadeiramente encontrou o Senhor. No silêncio, abriu-lhe o coração; na dor, mostrou-lhe o arrependimento por seus pecados; com seu choro, apelou à misericórdia divina para receber o perdão. Para ela não haverá nenhum juízo a não ser o que vem de Deus, e este é o juízo da misericórdia. O protagonista deste encontro é certamente o amor que vai além da justiça.
Simão o fariseu, pelo contrário, não consegue encontrar o caminho do amor. Permanece parado na soleira da formalidade. Não é capaz de dar o passo sucessivo para ir ao encontro de Jesus que lhe traz a salvação. Simão limitou-se a convidar Jesus para o almoço, mas não o acolheu verdadeiramente. Em seus pensamentos invoca somente a justiça, e assim fazendo, erra. Seu juízo sobre a mulher o distancia da verdade e não lhe permite nem mesmo compreender quem é o seu hóspede. Deteve-se na superfície, não foi capaz de olhar para o coração. Diante da parábola de Jesus e da pergunta sobre qual servo amou mais, o fariseu responde corretamente: “Aquele ao qual perdoou mais”. E Jesus observa: “você julgou bem” (Lc 7,43). Somente quando o juízo de Simão é dirigido ao amor, então ele acerta.
       O chamado de Jesus leva cada um de nós a jamais deter-se na superfície das coisas, sobretudo quando temos diante de nós uma pessoa. Somos chamados a olhar além, a nos voltar para o coração para ver de quanta generosidade  cada um de nós é capaz. Ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus; todos conhecem o caminho para ter acesso a ela e a Igreja é a casa que todos acolhe e a ninguém rejeita. Suas portas permanecem escancaradas, a fim de que aqueles que foram tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Maior é o pecado e maior deve ser o amor que a Igreja expressa para com aqueles que se convertem.
       Caros irmãos e irmãs, pensei muitas vezes sobre como a Igreja possa tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que se inicia com uma conversão espiritual. Por isso decidi convocar um Jubileu extraordinário centralizado na misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: “Sede misericordiosos como o vosso Pai” (cfr Lc 6,36).
Este Ano Santo terá início na próxima solenidade da Imaculada Conceição e se concluirá em 20 de novembro de 2016, Domingo de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do universo e rosto vivo da misericórdia do Pai. Confio a organização deste Jubileu ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, a fim de que possa animá-lo como uma nova etapa do caminho da Igreja em sua missão de levar a toda pessoa o Evangelho da misericórdia.
Estou certo de que toda a Igreja poderá encontrar neste Jubileu a alegria para redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual todos somos chamados a dar consolação a todo homem e toda mulher de nosso tempo. Desde já o confiamos à Mãe da Misericórdia, a fim de que volte para nós o seu olhar e vele sobre nosso caminho.    

Carta do Papa Francisco com motivo do Ano da Misericórdia
Ao Venerado Irmão Dom Rino Fisichella, Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.
A proximidade do Jubileu Extraordinário da Misericórdia permite-me focar alguns pontos sobre os quais considero importante intervir para consentir que a celebração do Ano Santo seja para todos os crentes um verdadeiro momento de encontro com a misericórdia de Deus. Com efeito, desejo que o Jubileu seja uma experiência viva da proximidade do Pai, como se quiséssemos sentir pessoalmente a sua ternura, para que a fé de cada crente se revigore e assim o testemunho se torne cada vez mais eficaz.

O meu pensamento dirige-se, em primeiro lugar, a todos os fiéis que em cada Diocese, ou como peregrinos em Roma, viverem a graça do Jubileu. Espero que a indulgência jubilar chegue a cada um como uma experiência genuína da misericórdia de Deus, a qual vai ao encontro de todos com o rosto do Pai que acolhe e perdoa, esquecendo completamente o pecado cometido. Para viver e obter a indulgência os fiéis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à Porta Santa, aberta em cada Catedral ou nas igrejas estabelecidas pelo Bispo diocesano, e nas quatro Basílicas Papais em Roma, como sinal do profundo desejo de verdadeira conversão. Estabeleço igualmente que se possa obter a indulgência nos Santuários onde se abrir a Porta da Misericórdia e nas igrejas que tradicionalmente são identificadas como jubilares. É importante que este momento esteja unido, em primeiro lugar, ao Sacramento da Reconciliação e à celebração da santa Eucaristia com uma reflexão sobre a misericórdia. Será necessário acompanhar estas celebrações com a profissão de fé e com a oração por mim e pelas intenções que trago no coração para o bem da Igreja e do mundo inteiro.
Penso também em quantos, por diversos motivos, estiverem impossibilitados de ir até à Porta Santa, sobretudo os doentes e as pessoas idosas e sós, que muitas vezes se encontram em condições de não poder sair de casa. Para eles será de grande ajuda viver a enfermidade e o sofrimento como experiência de proximidade ao Senhor que no mistério da sua paixão, morte e ressurreição indica a via mestra para dar sentido à dor e à solidão. Viver com fé e esperança jubilosa este momento de provação, recebendo a comunhão ou participando na santa Missa e na oração comunitária, inclusive através dos vários meios de comunicação, será para eles o modo de obter a indulgência jubilar. O meu pensamento dirige-se também aos encarcerados, que experimentam a limitação da sua liberdade. O Jubileu constituiu sempre a oportunidade de uma grande amnistia, destinada a envolver muitas pessoas que, mesmo merecedoras de punição, todavia tomaram consciência da injustiça perpetrada e desejam sinceramente inserir-se de novo na sociedade, oferecendo o seu contributo honesto. A todos eles chegue concretamente a misericórdia do Pai que quer estar próximo de quem mais necessita do seu perdão. Nas capelas dos cárceres poderão obter a indulgência, e todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai, que este gesto signifique para eles a passagem pela Porta Santa, porque a misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também transformar as grades em experiência de liberdade.
Eu pedi que a Igreja redescubra neste tempo jubilar a riqueza contida nas obras de misericórdia corporais e espirituais. De facto, a experiência da misericórdia torna-se visível no testemunho de sinais concretos como o próprio Jesus nos ensinou. Todas as vezes que um fiel viver uma ou mais destas obras pessoalmente obterá sem dúvida a indulgência jubilar. Daqui o compromisso a viver de misericórdia para alcançar a graça do perdão completo e exaustivo pela força do amor do Pai que não exclui ninguém. Portanto, tratar-se-á de uma indulgência jubilar plena, fruto do próprio evento que é celebrado e vivido com fé, esperança e caridade.
Enfim, a indulgência jubilar pode ser obtida também para quantos faleceram. A eles estamos unidos pelo testemunho de fé e caridade que nos deixaram. Assim como os recordamos na celebração eucarística, também podemos, no grande mistério da comunhão dos Santos, rezar por eles, para que o rosto misericordioso do Pai os liberte de qualquer resíduo de culpa e possa abraçá-los na beatitude sem fim.
Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança. O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando com coração sincero se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai. Também por este motivo, não obstante qualquer disposição em contrário, decidi conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado. Os sacerdotes se preparem para esta grande tarefa sabendo conjugar palavras de acolhimento genuíno com uma reflexão que ajude a compreender o pecado cometido, e indicar um percurso de conversão autêntica para conseguir entender o verdadeiro e generoso perdão do Pai, que tudo renova com a sua presença.
Uma última consideração é dirigida aos fiéis que por diversos motivos sentem o desejo de frequentar as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade São Pio X. Este Ano Jubilar da Misericórdia não exclui ninguém. De diversas partes, alguns irmãos Bispos referiram-me acerca da sua boa fé e prática sacramental, porém unida à dificuldade de viver uma condição pastoralmente árdua. Confio que no futuro próximo se possam encontrar soluções para recuperar a plena comunhão com os sacerdotes e os superiores da Fraternidade. Entretanto, movido pela exigência de corresponder ao bem destes fiéis, estabeleço por minha própria vontade que quantos, durante o Ano Santo da Misericórdia, se aproximarem para celebrar o Sacramento da Reconciliação junto dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, recebam validamente e licitamente a absolvição dos seus pecados.
Confiando na intercessão da Mãe da Misericórdia, recomendo a sua proteção para a preparação deste Jubileu Extraordinário.
Vaticano, 1º de setembro de 2015
Franciscus   
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Durante o Jubileu, as leituras para os domingos do tempo ordinário serão do Evangelho de Lucas, chamado “o evangelista da misericórdia”.
O anúncio oficial e solene do Ano Santo será com a leitura e publicação da Bula no Domingo da Divina Misericórdia, festa instituída por São João Paulo II que é celebrada no domingo depois da Páscoa, em 2015, no dia 12 de abril.
Rito inicial e organização
O rito inicial do jubileu será a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro. Trata-se de uma porta que é aberta somente durante o Ano Santo e simboliza o conceito de que, durante o Jubileu, é oferecido aos fiéis um “percurso extraordinário” para a salvação.
Têm uma Porta Santa as quatro maiores basílicas de Roma: São Pedro, São João Latrão, São Paulo Fora dos Muros e Santa Maria Maior. As portas dessas basílicas serão abertas sucessivamente à abertura daquela da Basílica de São Pedro.
A organização do Jubileu da Misericórdia foi confiada, pelo Papa, ao Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização.
História dos Jubileus
Antigamente entre os hebreus, o jubileu era um ano declarado santo e que acontecia a cada 50 anos, no qual se devia restituir a igualdade a todos os filhos de Israel.
A Igreja católica iniciou a tradição do Ano Santo com o Papa Bonifácio VIII em 1300. Ele planejou um jubileu por século. A partir de 1475, para possibilitar que cada geração vivesse pelo menos um Ano Santo, o jubileu ordinário passou a acontecer a cada 25 anos. Um jubileu extraordinário pode ser realizado em ocasião de um acontecimento de particular importância.
Até hoje, foram 26 Anos Santos ordinários. O último foi o Jubileu de 2000. Quanto aos jubileus extraordinários, o último foi o de 1983, instituído por João Paulo II pelos 1950 anos da Redenção.
A Igreja católica deu ao jubileu judaico um significado mais espiritual. Consiste em um perdão geral, uma indulgência aberta a todos, e uma possibilidade de renovar a relação com Deus e com o próximo. Assim, o Ano Santo é sempre uma oportunidade para aprofundar a fé e viver com renovado empenho o testemunho cristão.