sexta-feira, 19 de agosto de 2016

PEDAGOGIA MARIANA - Uma proposta de vida às juventudes

Propomos a leitura do texto do nosso colaborador diácono Cléber Pagliochi, da Diocese de Chapecó - SC. Sobre a pedagogia de Maria no processo de evangelização. É um belo roteiro para o desafiante trabalho com jovens hoje.   

Maria é uma mulher que provoca cada cristão a repensar sua fé. Em Lucas, ela assume o rosto de uma verdadeira discípula missionária. É nesse sentido que este artigo busca auxiliar um auxílio pedagógico proposto pelas atitudes de Maria. O texto da Anunciação (Lc1, 26-38) inicia-se contando que no "sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria". (v. 26-27).

Esse trecho introduz a história de Jesus no Evangelho de Lucas, pois até então se retrata a origem de João Batista, com seus pais, Zacarias e Isabel. O texto aponta para um modelo composto por quatro etapas que mostram a pedagogia Mariana.

1) OUVIR: O versículo 28 apresenta o anjo saudando Maria, provavelmente dentro de uma casa, já que o texto diz: "entrando onde ela estava". 
Nessa saudação algo mexe com ela, tanto que a provoca. A primeira etapa mariana faz pensar na grande necessidade de ouvir, provocar a audição. Como é difícil falar com alguém que não escuta enquanto se  conta algo.
Maria pelo contrário, se coloca atenta à saudação. Com esse primeiro passo, somos chamados a questionar: como nós jovens estamos nos colocando em relação ao mundo? E aos outros jovens?

2) PENSAR:  saudação do anjo: "Alegra-te cheia de graça, o Senhor está contigo!" (Mc1,28b). Maria ficou intrigada com essa palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação. O segundo passo é o pensar, que se refere ao modo como Maria refletiu o que acabava de ouvir. Talvez dentre tantas coisas que temos carência atualmente, o momento para parar para pensar seja um que mais falta. Agimos muitas vezes por impulso. O agir sem pensar pode nos retirar a responsabilidade sobre o que e como agimos.
Pensar é planejar. É pegar nas mãos aquilo que se tem, juntar como que se acredita, misturar como que se almeja e construir o mundo e a história.

3) QUESTIONAR: "Como é que vai ser isso, se eu não conheço nenhum homem?" (Mc1, 34b).
Penso que esse questionamento de Maria não foi nem um pouco ingênuo. Em muitas interpretações ele possui uma significado apenas biológico. Maria não podia ter filhos sem um homem. Mas creio que vai além. Pensemos que Maria era apenas uma moça solteira, em uma sociedade muito machista. Junto com o questionamento de Maria surge uma enorme angústia, afinal, ela precisa enfrentar toda uma cultura e uma sociedade. Maria toma a iniciativa de clarear o projeto de quem faria parte.

Percebe-se que Maria faz uma pergunta que carrega consigo todo um conjunto de contexto e missão. Maria propõe pensar que para ser sujeito de nossa vida é preciso questionar e entender aquilo que vivemos. Questionar é interessar-se pelo projeto, é entrar naquilo que se ouve, é dar valor o outro...

4) ASSUMIR A MISSÃO: "Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim a segundo a tua palavra" (Mc1, 38). Maria vive esta etapa pedagógica de forma brilhante. Tanto é que percebida por muitos como o modelo de discípula. Maria visita, percebe-se os problemas, sente falta de alegria, sente as necessidades e aceita ser a mãe de Jesus.
Com isso, a pedagogia maria nos propõe passos fundamentais que partem da abertura, do ouvir o outro e nos conduz a uma missão. Somos jovens  com projeto de vida que valoriza o outro e que busca transformar esse mundo e a sermos sujeitos da história. Guiados por esse amor, pedimos que a Boa Mãe nos auxilie a construir a civilização do amor e achegar cada vez mais pertinho do sonho de Deus para nós. 

(Rul Antônio de Souza, da equipe de redação do Jornal Mundo Jovem)        

            
         

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