quinta-feira, 19 de abril de 2018

HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA


HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA



1. A Igreja na história A Igreja continua a manter a presença de Cristo na história humana; obedece ao mandato apostólico pronunciado por Jesus antes de subir ao Céu: «Ide e ensinai todas as gentes, batizando em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir todas as coisas que vos mandei”. Eu estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo» (Mt 28,19-20). Na história da Igreja verifica-se, portanto, um entrecruzar entre o divino e o humano, por vezes, dificilmente diferenciável.Com efeito, lançando um olhar à história da Igreja, há aspectos que surpreendem o observador, inclusive o não crente: a) a unidade no tempo e no espaço (catolicidade): a Igreja Católica, ao longo de dois milênios, permaneceu a mesma entidade, com a mesma doutrina e os mesmos elementos fundamentais: unidade de fé, de sacramentos, de hierarquia (pela sucessão apostólica); além disso, em todas as gerações reuniu homens e mulheres dos povos e culturas mais diversos e de zonas geográficas de todos os cantos da terra; b) a acção missionária: a Igreja aproveitou todos os acontecimentos e fenômenos históricos, em todo o tempo e lugar, para pregar o Evangelho, também nas situações mais adversas; c) a capacidade, em cada geração, de produzir frutos de santidade em pessoas de todos os povos e condições; d) um forte poder de recuperação perante crises, às vezes muito graves.
 2. A Antiguidade Cristã (até 476, ano da queda do Império Romano do Ocidente) A partir do séc. I, o cristianismo iniciou a sua expansão, sob a orientação de São Pedro e dos apóstolos e, depois, dos seus sucessores. Assiste-se, portanto, a um progressivo aumento dos seguidores de Cristo, sobretudo no interior do Império Romano; nos primeiros tempos do séc. IV constituíam, aproximadamente, 15% da população do Império, e estavam concentrados nas cidades e na parte oriental do império romano. A nova religião difundiu-se, de todos os modos, também para além dessas fronteiras: na Armênia, Arábia, Etiópia, Pérsia, Índia. O poder político romano viu no cristianismo um perigo, pelo fato de reclamar um âmbito de liberdade na consciência das pessoas a respeito da autoridade estatal; os seguidores de Cristo tiveram que suportar numerosas perseguições, que conduziram muitos ao martírio; a última e a mais cruel teve lugar no início do séc. IV devida aos imperadores Diocleciano e Galério. No ano 313 o imperador Constantino I, favorável à nova religião, concedeu aos cristãos a liberdade de professarem a fé, e iniciou uma política muito benévola para com eles.
Com o imperador Teodósio I (379-395) 2 o cristianismo converteu-se na religião oficial do Império Romano. Entretanto, nos finais do séc. IV, os cristãos eram já a maioria da população do império romano. No séc. IV, a Igreja teve que enfrentar uma forte crise interna: a questão ariana. Ário, presbítero de Alexandria, no Egito, defendia teorias heterodoxas, pelas quais negava a divindade do Filho, que seria, assim, a primeira das criaturas, embora superior às outras. A divindade do Espírito Santo era também negada pelos arianos. A crise doutrinal, com que se encruzilharam frequentemente intervenções políticas dos imperadores, perturbou a Igreja durante mais de 60 anos; foi resolvida graças aos dois primeiros concílios ecumênicos, o primeiro de Niceia (325) e o primeiro de Constantinopla (381), em que se condenou o arianismo, se proclamou solenemente a divindade do Filho (consubstantialis Patri, em grego homoousios) e do Espírito Santo, e se compôs o Símbolo Niceno-Constantinopolitano (o Credo). O arianismo sobreviveu até ao séc. VII, porque os missionários arianos conseguiram converter à sua crença muitos povos germânicos, que só pouco a pouco passaram ao catolicismo. No séc. V houve, pelo contrário, duas heresias cristológicas, que tiveram o efeito positivo de obrigar a Igreja a aprofundar no dogma, para o formular de modo mais preciso. A primeira heresia é o nestorianismo, doutrina que, na prática, afirma a existência em Cristo de duas pessoas, além de duas naturezas. Foi condenada pelo Concílio de Éfeso (431), que reafirmou a unicidade da pessoa de Cristo. Dos nestorianos derivam as Igrejas siro-orientais e malabares, ainda separadas de Roma. A outra heresia foi o monofisismo, que defendia, na prática, a existência em Cristo de uma só natureza, a divina; o Concílio de Calcedônia (451) condenou o monofisismo e afirmou que em Cristo há duas naturezas, a divina e a humana, unidas na pessoa do Verbo, sem confusão nem mutação (contra o nestorianismo), sem divisão nem separação (contra o monofisismo); são os quatro advérbios de Calcedônia: inconfuse, immutabiliter, indivise, inseparabiliter. Dos monofisitas derivam as Igrejas coptas, siro-ocidentais, armênias e da Etiópia, separadas da Igreja Católica. Nos primeiros séculos da história do cristianismo assiste-se a um grande florescimento da literatura cristã, homilética, teológica e espiritual: são as obras dos Padres da Igreja, de grande importância na reconstrução da Tradição; os mais relevantes foram Santo Irineu de Leão, Santo Hilário de Poitiers, Santo Ambrósio de Milão, São Jerônimo e Santo Agostinho, no Ocidente; Santo Atanásio, São Basílio, São Gregório Nacianceno, São Gregório de Nissa, São João Crisóstomo, São Cirilo de Alexandria e São Cirilo de Jerusalém, no Oriente. 3. A Idade Média (até 1492, ano da chegada de Cristóvão Colombo à América) Em 476 caiu o Império Romano do Ocidente, que foi invadido por uma série de povos germânicos, alguns deles arianos, outros pagãos. O trabalho da Igreja nos séculos seguintes foi o de evangelizar e contribuir para civilizar estes povos, e mais adiante os povos eslavos, escandinavos e magiares. A alta Idade Média (até ao ano 1000) foi, sem dúvida, um período difícil para o continente europeu, pela situação de violência política e social, empobrecimento cultural e regressão econômica, devidos às contínuas invasões (que duraram até ao séc. X). A Igreja com a sua ação conseguiu, pouco a pouco, conduzir estes jovens povos para uma nova civilização, que alcançará o seu esplendor nos séculos XII-XIV. No séc. VI nasceu o monaquismo beneditino, que garantiu o aparecimento de ilhas de paz, tranquilidade, cultura e prosperidade, à volta dos mosteiros. No séc. VII foi de grande importância à ação missionária, em todo o continente, dos monges irlandeses e escoceses; no séc. VIII a dos beneditinos ingleses. Neste último século terminou a etapa da Patrística, com os últimos dois Padres da Igreja, São João Damasceno, no oriente, São Beda o Venerável, no ocidente. Nos séculos VII-VIII, nasceu a religião islâmica na Arábia; após a morte de Maomé os árabes lançaram-se numa série de guerras de conquista que os conduziram à constituição de um vastíssimo império; entre outros, subjugaram os povos cristãos da África do Norte e da Península Ibérica e separaram o mundo bizantino do 3 latino-germânico. Um período, de aproximadamente 300 anos, que constituiu um flagelo para os povos da Europa mediterrânica, por causa das incursões, emboscadas, saques e deportações realizados de modo, praticamente, sistemático e contínuo. Nos finais do séc. VIII institucionalizou-se o poder temporal do papado (Estados Pontifícios), que já existia de fato desde finais do séc. VI; tinha surgido para suprir o vazio de poder criado na Itália central pelo desinteresse do poder imperial bizantino, nominalmente soberano na região, mas incapaz de prover à administração e defesa da população. Com o tempo, os Papas verificaram que um limitado poder temporal era uma eficaz garantia de independência em relação aos diversos poderes políticos (imperadores, reis, senhores feudais). Na noite de Natal do ano 800 restaurou-se o império no Ocidente (Sacro-Império Romano): o Papa coroou Carlos Magno na basílica de São Pedro; nasceu, assim, um estado católico com aspirações universais, caracterizado por uma forte sacralização do poder político, e um complexo entrecruzar de política com religião, que durará até 1806. No séc. X o papado sofreu uma grave crise por causa das interferências das famílias nobres da Itália central na eleição do Papa (Século de Ferro); e mais em geral, devido aos reis e senhores feudais se terem assenhoreado da nomeação de muitos cargos eclesiásticos. A reação papal a tão pouco edificante situação ocorreu no séc. XI, através da reforma gregoriana e a chamada “questão das investiduras”, em que a hierarquia eclesiástica conseguiu recuperar amplos espaços de liberdade em relação ao poder político. No ano 1054, o patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário, fez a separação definitiva dos gregos da Igreja Católica (Cisma do Oriente); foi o último episódio de uma história de faturas e disputas iniciada já no séc. V, e devida, em boa medida, às graves interferências dos imperadores romanos do oriente na vida da Igreja (césaro-papismo). Este cisma afetou todos os povos dependentes do patriarcado e afeta ainda agora búlgaros, romenos, ucranianos, russos e sérvios. No início do séc. XI, as repúblicas marítimas italianas tinham arrebatado o controlo do Mediterrâneo aos muçulmanos, pondo um limite às agressões islâmicas; no final do século, o crescimento do poder militar dos países cristãos teve como expressão o fenômeno das cruzadas à Terra Santa (1096-1291), expedições bélicas de caráter religioso cujo fim era a conquista ou defesa de Jerusalém. Nos séculos XIII e XIV assiste-se ao apogeu da civilização medieval, com grandes realizações teológicas e filosóficas (a Alta Escolástica: Santo Alberto Magno, São Tomás de Aquino, São Boaventura, o Beato Duns Scoto), literárias e artísticas. No que se refere à vida religiosa é de grande importância a aparição, no início do séc. XIII, das ordens mendicantes (franciscanos, dominicanos, etc.). O afrontamento entre o papado e o império, já iniciado com a “questão das investiduras”, continuou com diversos episódios nos séculos XII e XIII, terminando com o enfraquecimento das duas instituições; o império reduziu-se na prática a um estado alemão, e o papado sofreu uma notável crise; de 1305 até 1377 o local de residência do Papa transferiu-se de Roma para Avinhão, no sul de França, e pouco depois do regresso a Roma, em 1378 iniciou-se o Grande Cisma do Ocidente; uma situação muito difícil, em que se verificou no início o aparecimento de dois papas e, depois, três (as obediências a Roma, a Avinhão e a Pisa), enquanto o mundo católico da época permanecia perplexo sem saber quem era o pontífice legítimo. A Igreja pôde superar também esta duríssima prova e a unidade foi restabelecida com o Concílio de Constança (1415-1418). Em 1453 os turcos otomanos, muçulmanos, conquistaram Constantinopla, pondo, assim, termo à milenária história do Império Romano do Oriente (395-1453), e conquistaram os Bálcãs, que permaneceram quatro séculos sob o seu domínio. 4 4. A Idade Moderna (até 1789, ano do início da Revolução Francesa) A Idade Moderna inicia-se com a descoberta da América, evento que, juntamente com as explorações em África e na Ásia, originou a colonização europeia de outras partes do mundo. A Igreja aproveitou este fenômeno histórico para difundir o Evangelho nos continentes fora da Europa; assiste-se ao aparecimento de missões no Canadá e Louisiana, colônias francesas, na América espanhola, no Brasil português, no reino do Congo, na Índia, Indochina, China, Japão, Filipinas. Para coordenar estes esforços na propagação da fé, a Santa Sé instituiu em 1622 a Sacra Congregatio de Propaganda Fide. Entretanto, ao mesmo tempo em que o catolicismo se expandia para áreas geográficas onde o Evangelho nunca tinha sido pregado, a Igreja sofria uma grave crise no velho continente: a “Reforma” religiosa propugnada por Martinho Lutero, Ulrico Zwinglio, João Calvino (fundadores das diferentes denominações do protestantismo), juntamente com o cisma provocado pelo rei de Inglaterra, Henrique VIII (anglicanismo), conduziu à separação da Igreja de amplas regiões, Escandinávia, Estônia e Letônia, boa parte da Alemanha, Holanda, metade da Suíça, Escócia, Inglaterra, para além dos respectivos territórios coloniais já na sua posse ou conquistados posteriormente (Canadá, América do Norte, Antilhas, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia). A Reforma Protestante tem a grave responsabilidade de ter quebrado a milenária unidade religiosa no mundo cristão ocidental, provocando o fenômeno do confessionalização, ou seja, a separação social, política e cultural da Europa e de algumas das suas regiões em dois campos: o católico e o protestante. Este sistema cristalizou na fórmula cuius régio, eius et religio, pelo qual os súbditos estavam obrigados a seguir a religião do príncipe. O afrontamento, entre os dois campos, conduziu ao fenômeno das guerras de religião, que afetou, sobretudo a França, os territórios germânicos, Inglaterra, Escócia e Irlanda, e que se pode considerar terminado apenas com a Paz de Westfalia (1648) no continente, e com a capitulação de Limerick (1692) nas Ilhas Britânicas. A Igreja Católica, embora assolada pela crise e pela defecção de tantos povos em poucos decênios, soube encontrar energias insuspeitas para reagir e começar a realizar uma verdadeira reforma; este processo histórico tomou o nome de Contra Reforma, cujo clímax é a celebração do Concílio de Trento (1545-1563), no qual se proclamaram, com clareza, algumas verdades dogmáticas postas em dúvida pelos protestantes (cânon das Escrituras, sacramentos, justificação, pecado original, etc.), e se tomaram também decisões disciplinares que robusteceram e tornaram mais compacta a Igreja (por exemplo, a instituição dos seminários e a obrigação de residência dos bispos nas respectivas dioceses). O movimento da Contra Reforma Católica pôde também valer-se da atividade de muitas ordens religiosas fundadas no séc. XVI; trata-se de iniciativas de reforma no âmbito das ordens mendicantes (capuchinhos, carmelitas descalços), ou institutos de clérigos regulares (jesuítas, teatinos, barnabitas, etc.). Assim, a Igreja saiu da crise profundamente renovada e reforçada, e pôde compensar a perda de algumas regiões europeias com uma difusão verdadeiramente universal, graças à obra missionária. No séc. XVIII a Igreja teve que combater dois inimigos, o Regalismo e a Ilustração. O primeiro coincidiu com o desenvolvimento da monarquia absoluta; apoiados na organização de uma moderna burocracia, os soberanos dos estados europeus conseguiram instaurar um sistema de poder autocrático e total, eliminando as barreiras que se interpunham (instituições de origem medieval como o sistema feudal, os privilégios eclesiásticos, os direitos das cidades, etc.). Neste processo de centralização do poder, os monarcas católicos tenderam a invadir o âmbito de jurisdição eclesiástica, na tentativa de criar uma Igreja submetida e dócil em relação ao poder do rei; é um fenômeno que assume nomes diversos, dependendo dos estados, realismo em Portugal e Espanha, galicanismo em França, josefismo nos territórios dos Habsburgo (Áustria, Boemia, Eslováquia, Hungria, Eslovênia, Croácia, Lombardia, Toscana, Bélgica), jurisdiccionalismo em Nápoles e Parma. Este fenômeno teve o seu ponto mais acalorado na expulsão dos jesuítas por parte de muitos governos e na ameaçadora pressão sobre o papado para que suprimisse a ordem (como sucedeu em 1773). 5 O outro inimigo com que se enfrentou a Igreja no séc. XVIII foi o Iluminismo, um movimento, em primeiro lugar filosófico, que teve grande êxito entre as classes dirigentes; tem como pano de fundo uma corrente cultural que exalta a razão e a natureza e, ao mesmo tempo, faz uma crítica indiscriminada à tradição; é um fenômeno muito complexo, que apresenta, em todo o caso, fortes tendências materialistas, uma ingênua exaltação das ciências, a recusa da religião revelada em nome do deísmo ou da incredulidade, um irreal otimismo a respeito da bondade natural do homem, um excessivo antropocentrismo, uma confiança utópica no progresso da humanidade, uma difundida hostilidade contra a Igreja Católica, uma atitude de suficiência e desprezo pelo passado, e uma arreigada tendência para realizar reducionismos simplistas na busca de modelos explicativos da realidade. Trata-se, em resumo e em boa medida, da origem de muitas das ideologias modernas, que reduzem a visão da realidade eliminando da sua compreensão a revelação sobrenatural, a espiritualidade do homem e, finalmente, o anelo pela procura das verdades últimas da pessoa e de Deus. No século XVIII foram fundadas as primeiras lojas maçônicas; uma boa parte delas assumiu tonalidades e atividades claramente anticatólicas. 5. A Idade Contemporânea (a partir de 1789) A Revolução Francesa, que começou com o decisivo contributo do baixo clero, derivou rapidamente para atitudes de galicanismo extremo, chegando a produzir o cisma da Igreja Constitucional, e assumindo a seguir, tonalidades claramente anticristãs (instauração do culto ao Ente Supremo, abolição do calendário cristão, etc.), até chegar a uma cruenta perseguição da Igreja (1791-1801): o papa Pio VI morreu em 1799 prisioneiro dos revolucionários franceses. A subida ao poder de Napoleão Bonaparte, homem pragmático, trouxe a paz religiosa com a Concordata de 1801; mais adiante, no entanto, surgiram desavenças com Pio VII pelas intromissões contínuas do governo francês na vida da Igreja; como resultado disso, o Papa foi feito prisioneiro por Bonaparte, aproximadamente, durante cinco anos. Com a restauração das monarquias pré-revolucionárias (1815), regressou para a Igreja um período de paz e tranquilidade, favorecido também pelo romanticismo, corrente de pensamento predominante na primeira metade do séc. XIX. No entanto, depressa se delineou uma nova ideologia profundamente oposta ao catolicismo: o liberalismo, herdeiro dos ideais da Revolução Francesa que, pouco a pouco, conseguiu afirmasse politicamente, promovendo a instauração de legislações discriminatórias ou persecutórias contra a Igreja. O liberalismo uniu-se em muitos países ao nacionalismo e, mais tarde, na segunda metade do século, aliou-se ao imperialismo e ao positivismo, que contribuíram ulteriormente para a descristianização da sociedade. Simultaneamente, como reação às injustiças sociais provocadas pelas legislações liberais, nasciam e difundiam-se várias ideologias com o objetivo de se fazerem porta-vozes das aspirações das classes oprimidas pelo novo sistema econômico: o socialismo utópico, o socialismo “científico”, o comunismo, o anarquismo, todas elas unidas por projetos de revolução social e uma filosofia subjacente de tipo materialista. O catolicismo no séc. XIX perdeu, em quase todas as nações, a proteção do Estado que, pelo contrário, passou a ter uma atitude adversa; e em 1870 terminou o poder temporal dos papas, com a conquista italiana dos Estados Pontifícios e a unificação da península. No entanto, ao mesmo tempo, a Igreja soube retirar vantagens desta crise para fortalecer a união de todos os católicos à volta da Santa Sé, e para se libertar das intromissões dos estados no governo interno da Igreja, atuação diferente da que sucedeu no período das monarquias confessionais da Idade Moderna. O clímax deste fenômeno foi a solene declaração, em 1870, do dogma da infalibilidade do Papa pelo Concílio Vaticano I, celebrado durante o pontificado de Pio IX (1846- 1878). 

Além disso, neste século a vida da Igreja caracterizou-se por uma grande expansão missionária (em África, Ásia e Oceania), por um grande florescimento de fundações de congregações religiosas femininas de vida ativa e pela organização de um vasto apostolado laical. 6 No séc. XX, a Igreja enfrentou numerosos desafios, Pio X teve que reprimir as tendências teológicas modernistas dentro do próprio corpo eclesiástico. Estas correntes caracterizavam-se, nas suas manifestações mais radicais, por um imanentismo religioso que, embora mantivesse as formulações tradicionais da fé, na realidade as esvaziava de conteúdo. Bento XV enfrentou a tempestade da Primeira Guerra Mundial, conseguindo manter uma política de imparcialidade entre os contendores e desenvolvendo uma atividade humanitária a favor dos prisioneiros de guerra e da população afetada pela catástrofe bélica. Pio XI opôs-se aos totalitarismos de diverso tipo, que perseguiram, de um modo mais ou menos aberto, a Igreja durante o seu pontificado, o comunista na União Soviética e em Espanha, o nacional-socialista na Alemanha, o fascista em Itália, o de inspiração maçônica no México; além disso, este Papa desenvolveu uma grande promoção do clero e do episcopado local nas terras de missão africanas e asiáticas que, continuada depois pelo seu sucessor, Pio XII, permitiu à Igreja apresentar-se diante do fenômeno da descolonização como elemento autóctone e não estrangeiro. Pio XII teve que enfrentar a terrível prova da Segunda Guerra Mundial, durante a qual atuou de diversos modos para salvar da perseguição nacional-socialista o maior número possível de judeus (calcula-se que a Igreja Católica tenha salvado aproximadamente 800.000); com um procedimento realista, não considerou oportuno fazer uma denúncia pública, visto que esta teria piorado a grave situação dos católicos também perseguidos em vários dos territórios ocupados pelos alemães, e teria anulado a sua possibilidade de intervir em favor dos judeus. Muitas altas personalidades do mundo israelita reconheceram publicamente, depois da guerra, os grandes méritos deste Papa em relação ao seu povo. João XXIII convocou o Concílio Vaticano II (1962-1965), que foi concluído por Paulo VI, e que abriu uma época pastoral diversa na Igreja, salientando o chamamento universal à santidade, a importância do esforço ecumênico, os aspectos positivos da modernidade, a ampliação do diálogo com outras religiões e com a cultura. Nos anos a seguir ao Concílio, a Igreja sofreu uma profunda crise interna de caráter doutrinal e disciplinar, que conseguiu superar, em boa medida, durante o longo pontificado de João Paulo II (1978-2005), papa de extraordinária personalidade, que fez com que a Santa Sé tivesse níveis de popularidade e prestígio nunca antes conhecidos, dentro e fora da Igreja Católica. Carlo Pioppi Bibliografia básica J. Orlandis, História Breve do Cristianismo, Rei dos Livros, 1993. M. Clemente, A Igreja no tempo, Grifo, 2000. A. Torresani, Breve storia della Chiesa, Ares, Milano 1989.

O sagrado Magistério da Igreja é dirigido pelo Papa, sucessor de Pedro, Cabeça visível do Corpo de Cristo. A história dos papas é, de certo modo, a história da própria Igreja. Apresentamos em seguida a relação dos Papas, desde Pedro até João Paulo II, conforme publicação oficial do Vaticano. Apresentamos também a relação dos 37 antipapas; foram eleitos sem legitimidade. Esta longa cadeia de 265 Papas da Igreja católica é uma prova inequívoca da Instituição divina do papado, por Cristo, a fim de manter a unidade da Igreja e da sua doutrina. Somente a graça de Deus poderia manter esta sucessão ininterrupta de papas, apesar de toda a miséria humana, da qual eles não foram isentos. Nenhum instituição humana teve tão longa vida e estabilidade. 1. 42´67 ´ S. PEDRO, de Batsaida (Galiléia), morou na cidade de Antioquia e depois foi a Roma (42), onde morreu mártir no ano 67. 2. 67´76 ´ S. LINO, de Volterra, Toscana 3. 77´88 ´ S. CLETO ou ANACLETO, romano 4. 89´98 ´ S. CLEMENTE I, romano 5. 98´105 ´ S. EVARISTO, grego 6. 105´115 ´ S. ALEXANDRE I, romano 7. 115´125 ´ S. SISTO I, romano 8. 125´136 ´ S. TELÉSFORO, grego 9. 137´140 ´ S. HIGINO, grego 10. 140´155 ´ S. PIO I, de Aquiléia, Itália 11. 155´166 ´ S. ANICETO, Sírio 12. 166´175 ´ S. SOTERO, de Fondi 13. 175´189 ´ S. ELEUTÉRIO, de Nicópolis, Grécia 14. 189´199 ´ S. VÍTOR I, africano 1 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 15. 199´217 ´ S. ZEFERINO, romano 16. 217´222 ´ S. CALISTO I, romano Antipapa: Hipólito (217´ 235) 17. 222´230 ´ S. URBANO I, romano 18. 230´235 ´ S. PONCIANO, romano 19. 235´236 ´ S. ANTERO, grego 20. 236´250 ´ S. FABIANO, romano 21. 251´253 ´ S. CORNÉLIO, romano Antipapa Novaciano (251) 22. 253´254 ´ S. LÚCIO I, romano 23. 254´257 ´ S. ESTÊVÃO I, romano 24. 257´258 ´ S. SISTO II, grego 25. 259´268 ´ S. DIONÍSIO, grego 26. 269´274 ´ S. FÉLIX, romano 27. 275´283 ´ S. EUTIQUIANO, de Luni, Toscana 28. 283´296 ´ S. CAIO Dalmácia (hoje, Iugoslávia) 29. 296´304 ´ S.MARCELINO, romano 30. 307´309 ´ S. MARCELO I, romano 31. 309´310 ´ S. EUSÉBIO, grego 32. 311´314 ´ S. MELQUÍADES, africano 2 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 33. 314´335 ´ S. SILVESTRE I, romano 34. 336 ´ S. MARCOS, romano 35. 337´352 ´ S. JÚLIO I, romano 36. 352´366 ´ S. LIBÉRIO, romano Antipapa: Félix II (355´ 365) 37. 366´384 ´ S. DÂMASO I, espanhol Antipapa: Ursino (366´367) 38. 385´398 ´ S. SIRÍCIO, romano 39. 399´401 ´ S. ANASTÁCIO I, romano 40. 401´417 ´ S. INOCÊNCIO I, de Albano (Roma) 41. 417´418 ´ S. ZÓSIMO, grego 42. 418´422 ´ S. BONIFÁCIO I, romano Antipapa: Eulálio (418´419) 43. 422´432 ´ S. CELESTINO I, (sul da Itália) 44. 432´440 ´ S. SISTO III, romano 45. 440´461 ´ S. LEÃO I, (Magno), da Túscia (perto de Roma) 46. 461´468 ´ S. HILÁRIO, Sardenha 47. 468´483 ´ S. SIMPLÍCIO, de Tívoli (Roma) 48. 483´492 ´ S. FÉLIX III, romano 49. 492´496 ´ S. GELÁSIO I, africano 50. 496´498 ´ S. ANASTÁCIO II, romano 3 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 51. 498´514 ´ S. SÍMACO, da Sardenha Antipapa: Lourenço (498´505) 52. 514´523 ´ S. HORMISDAS, de Frosinone 53. 523´526 ´ S. JOÃO I, da Túscia 54. 526´530 ´ S. FÉLIX IV, do Sannio (perto de Roma) 55. 530´532 ´ BONIFÁCIO II, romano Antipapa: Dióscoro (530) 56. 533´535 ´ JOÃO II, romano 57. 535´536 ´ S.AGAPITO I, romano 58. 535´540 ´ S. SILVÉRIO, de Frosinone 59. 540´555 ´ VIRGÍLIO, romano 60. 556´561 ´ PELÁGIO I, romano 61. 561´573 ´ JOÃO III, romano 62. 574´578 ´ BENTO I, romano 63. 578´590 ´ PELÁGIO II, romano 64. 590´604 ´ S. GREGÓRIO I, Gregório Magno, romano 65. 605´606 ´ SABINIANO, de Túsculo (Roma) 66. 607 ´ BONIFÁCIO III, romano 67. 608´615 ´ S. BONIFÁCIO IV, de Valéria dei Marzi 68. 615´618 ´ S. ADEODATO I, romano 4 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 69. 619´625 ´ BONIFÁCIO V, Nápoles 70. 625´638 ´ HONÓRIO I, Campânia 71. 640 ´ SEVERINO, romano 72. 640´642 ´ JOÃO IV, dálmata 73. 642´649 ´ TEODORO I, grego 74. 649´655 ´ S. MARTINHO I, de Todi 75. 655´657 ´ S. EUGÊNIO I, romano 76. 657´672 ´ S. VITALIANO, de Segni 77. 672´676 ´ ADEODATO II, romano 78. 676´678 ´ DONO, romano 79. 678´681 ´ S. AGATÃO, siciliano 80. 682´683 ´ S. LEÃO II, siciliano 81. 684´685 ´ S. BENTO II, romano 82. 685´686 ´ JOÃO V, da Síria 83. 686´687 ´ CÓNON, grego Antipapas: Teododoro (687), Pascoal (687´692) 84. 687´701 ´ S. SÉRGIO I, da Síria 85. 701´705 ´ JOÃO VI, grego 86. 705´707 ´ JOÃO VII, grego 87. 708 ´ SISÍNIO, da Síria 5 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 88. 708´715 ´ CONSTANTINO, da Síria 89. 715´731 ´ S. GREGÓRIO II, romano 90. 731´741 ´ S. GREGÓRIO III, Síria 91. 741´752 ´ S. ZACARIAS, grego 92. 752 ´ ESTÊVÃO, romano 93. 752´757 ´ S. ESTÊVÃO II (III), romano 94. 757´767 ´ S. PAULO I, romano Antipapas: Constantino II (767´768) ´ Filipe (768) 95. 768´772 ´ S. ESTÊVÃO III (IV), siciliano 96. 772´795 ´ ADRIANO I, romano 97. 795´816 ´ S. LEÃO III, romano 98. 816´817 ´ S. ESTÊVÃO IV, (V), romano 99. 917´824 ´ S. PASCOAL I, romano 100. 824´827 ´ EUGÊNIO II, romano 101. 827 ´ VALENTIM, romano 102. 827´844 ´ GREGÓRIO IV, romano Antipapa: João (844) 103. 844´847 ´ SÉRGIO II, romano 104. 847´855 ´ S. LEÃO IV, romano Antipapa: Anastácio (855) 6 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 105. 855´858 ´ BENTO III, romano 106. 858´867 ´ S. NICOLAU I, romano 107. 867´872 ´ ADRIANO III, romano 108. 872´882 ´ JOÃO VIII, romano 109. 882´884 ´ MARINO I, de Gallese 110. 884´885 ´ ADRIANO III, romano 111. 885´891 ´ ESTÊVÃO V (VI), romano 112. 891´896 ´ FORMOSO, romano 113. 896 ´ BONIFÁCIO VI, de Gallese 114. 896´897 ´ ESTÊVÃO VI (VII), romano 115. 897 ´ ROMANO, de Gallese 116. 897 ´ TEODORO II, romano 117. 898´900 ´ JOÃO IX, de Tívoli 118. 900´903 ´ BENTO IV, romano 119. 903 ´ LEÃO V, de Árdea Antipapa: Cristóvão (903´904) 120. 904´911 ´ SÉRGIO III, romano 121. 911´913 ´ ANASTÁCIO III, romano 122. 913´914 ´ LÂNDON, de Sabina (Lácio) 123. 914´928 ´ JOÃO X, de Ravena 7 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 124. 928´929 ´ LEÃO VI, romano 125. 929´931 ´ ESTÊVÃO VII (VIII), romano 126. 931´935 ´ JOÃO XI, romano 127. 936´939 ´ LEÃO VII, romano 128. 939´942 ´ ESTÊVÃO VIII (IX), romano 129. 942´946 ´ MARINO II, romano 130. 946´955 ´ AGAPITO II, romano 131. 955´963 ´ JOÃO XII, romano 132. 963´964 ´ LEÃO VIII, romano 133. 964´965 ´ BENTO V, romano 134. 965´972 ´ JOÃO XIII, romano 135. 973´974 ´ BENTO VI romano Antipapa: Bonifácio VII (974) 136. 975´983 ´ BENTO VII, romano 137. 983´984 ´ JOÃO XIV, de Pavia 138. 985´996 ´ JOÃO XV, romano 139. 996´999 ´ GREGÓRIO V, de Caríntia, Alemanha Antipapa: João XVI (997´ 998) 140. 999´1003 ´ SILVESTRE II, francês 141. 1003 ´ JOÃO XVII, romano 8 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 142. 1003´1009 ´ JOÃO XVIII, de Áscoli Piceno 143. 1009´1012 ´ SÉRGIO IV, romano 144. 1012´1024 ´ BENTO VIII, romano Antipapa: Gregório (1012) 145. 1024´1032 ´ JOÃO XIX, romano 146. 1033´1044 ´ BENTO IX, romano (primeiro pontificado) 147. 1045 ´ SILVESTRE III, romano 148. 1045 ´ BENTO IX, romano (segundo pontificado) 149. 1045´1046 ´ GREGÓRIO VI, romano 150. 1046´1047 ´ CLEMENTE II, alemão 151. 1047´1048 ´ BENTO IX (terceiro pontificado) 152. 1048 ´ DÂMASO II, alemão 153. 1049´1054 ´ S. LEÃO IX, de Egisheim, Alemanha 154. 1054´1057 ´ VÍTOR II, de Dollestein, Alemanha 155. 1057´1058 ´ ESTÊVÃO IX (X), de Lorena, Alemanha Antipapa: Bento X (1058) 156. 1059´1061 ´ NICOLAU II, de Borgonha, França 157. 1061´1073 ´ ALEXANDRE II, Milão Antipapa: Honório II (1061´1072) 158. 1073´1085 ´ S. GREGÓRIO VII, de Soana, perto de Sena 9 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por Antipapa: CLEMENTE III (1080 e 1084´1100) 159. 1086´1087 ´ B. VÍTOR III, de Benevento 160. 1088´1099 ´ B. URBANO II, francês 161. 1099´1118 ´ PASCOAL II, de Viterbo Antipapa: Teodorico (1100´1102), Alberto (1102), Silvestre IV (1105´1111) 162. 1118´1119 ´ GELÁSIO II, de Gaeta Antipapa: Gregório VIII (1118´1121) 163. 1119´1124 ´ CALISTO II, de Borganha, França 164. 1124´1130 ´ HONÓRIO II, de Ímola Antipapa: Celestino II, (1124) 165. 1130´1143 ´ INOCÊNCIO II, romano Antipapas: Anacleto II (1130´1138), Vítor IV (1138) 166. 1143´1144 ´ CELESTINO II, de Cittá di Castello 167. 1144´1145 ´ LÚCIO II, de Bolonha 168. 1145´1153 ´ B. EUGÊNIO III, de Pisa 169. 1153´1154 ´ ANASTÁCIO IV, romano 170. 1154´1159 ´ ADRIANO IV, inglês 171. 1159´1181 ´ ALEXANDRE III, Sena Antipapas: Vítor IV (1159´1164); Pascoal III (1164´1168); 10 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por Calisto III (1168´1178); Inocêncio III (1179´1180) 172. 1181´1185 ´ LÚCIO III, de Lucca 173. 1185´1187 ´ URBANO III, de Milão 174. 1187 ´ GREGÓRIO VIII, de Benevento 175. 1187´1191 ´ CLEMENTE III, romano 176. 1191´1198 ´ CELESTINO III, romano 177. 1198´1216 ´ INOCÊNCIO III, Anagni 178. 1216´1227 ´ HONÓRIO III, romano 179. 1227´1241 ´ GREGÓRIO IX, Anagni 180. 1241 ´ CELESTINO IV, Milão 181. 1243´1254 ´ INOCÊNCIO IV, de Gênova 182. 1254´1261 ´ ALEXANDRE IV, de Anagni 183. 1261´1264 ´ URBANO IV, francês 184. 1265´1268 ´ CLEMENTE IV, francês 185. 1271´1276 ´ B. GREGÓRIO X, de Piacenza 186. 1276 ´ B. INOCÊNCIO V, de Savóia, França 187. 1276 ´ ADRIANO V, de Gênova 188. 1276´1277 ´ JOÃO XXI, português 189. 1277´1280 ´ NICOLAU III, romano 190. 1281´1285 ´ MARTINHO IV, francês 11 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 191. 1285´1287 ´ HONÓRIO IV, romano 192. 1288´1292 ´ NICOLAU IV, de Áscoli Piceno 193. 1294 ´ S. CELESTINO V, de Isérnia 194. 1294´1303 ´ BONIFÁCIO VIII, de Anagni 195. 1303´1304 ´ B. BENTO XI, de Treviso 196. 1305´1314 ´ CLEMENTE V, francês 197. 1316´1334 ´ JOÃO XXII, francês Antipapa: Nicolau V (1328´1330) 198. 1334´1342 ´ BENTO XII, francês 199. 1343´1352 ´ CLEMENTE VI, francês 200. 1352´1362 ´ INOCÊNCIO VI, francês 201. 1362´1370 ´ B. URBANO V, francês 202. 1370´1378 ´ GREGÓRIO XI, francês 203. 1378´1389 ´ URBANO VI, de Nápoles 204. 1389´1404 ´ BONIFÁCIO IX, Nápoles 205. 1404´1406 ´ INOCÊNCIO VII, de Sulmona 206. 1406´1417 ´ GREGÓRIO XII, veneziano Antipapas: Clemente VII (1378´1394); Bento XIII (1394´1423); Alexandre V (1409´1410); João XXIII (1410´1415) 12 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 207. 1417´1431 ´ MARTINHO V, de Genazzano (Roma) 208. 1431´1447 ´ EUGÊNIO IV, de Veneza Antipapa: Félix V (1439´1449) 209. 1447´1455 ´ NICOLAU V, de Sarzana, Gênova 210. 1455´1458 ´ CALISTO III, espanhol 211. 1458´1464 ´ PIO II, de Pienza, Sena 212. 1464´1471 ´ PAULO II, de Veneza 213. 1471´1484 ´ SISTO IV, de Celle Lígure (Savona) 214. 1484´1492 ´ INOCÊNCIO VIII, de Gênova 215. 1492´1503 ´ ALEXANDRE VI, espanhol 216. 1503 ´ PIO III, de Sena 217. 1503´1513 ´ JÚLIO II, de Savona 218. 1513´1521 ´ LEÃO X, de Florença 219. 1521´1523 ´ ADRIANO VI, holandês 220. 1523´1534 ´ CLEMENTE VII, de Florença 221. 1534´1549 ´ PAULO III, de Viterbo 222. 1550´1555 ´ JÚLIO III, romano 223. 1555 ´ MARCELO II, de Montepulciano (Sena) 224. 1555´1559 ´ PAULO IV, de Nápoles 225. 1559´1565 ´ PIO IV, de Milão 13 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 226. 1566´1572 ´ S. PIO V, de Bosco Marengo, perto de Alexandria, Itália 227. 1572´1585 ´ GREGÓRIO XII, de Bolonha 228. 1585´1590 ´ SISTO V, de Grottammare 229. 1590 ´ URBANO VII, romano 230. 1590´1591 ´ GREGÓRIO XIV, de Cremona 231. 1591 ´ INOCÊNCIO IX, de Bolonha 232. 1592´1605 ´ CLEMENTE VIII, de Florença 233. 1605 ´ LEÃO XI, de Florença 234. 1605´1621 ´ PAULO V, romano 235. 1621´1623 ´ GREGÓRIO XV, de Bolonha 236. 1623´1644 ´ URBANO VIII, de Florença 237. 1644´1655 ´ INOCÊNCIO X, romano 238. 1655´1667 ´ ALEXANDRE VII, de Sena 239. 1667´1669 ´ CLEMENTE IX, de Pistóia 240. 1670´1676 ´ CLEMENTE X, romano 241. 1676´1689 ´ INOCÊNCIO XI, de Como 242. 1689´1691 ´ ALEXANDRE VIII, de Veneza 243. 1691´1700 ´ INOCÊNCIO XII, de Nápoles 245. 1700´1721 ´ CLEMENTE XI, de Urbino 245. 1721´1724 ´ INOCÊNCIO XIII, romano 14 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por 246. 1724´1730 ´ BENTO XIII, de Bari 247. 1730´1740 ´ CLEMENTE XII, de Florença 248. 1740´1758 ´ BENTO XIV, de Bolonha 249. 1758´1769 ´ CLEMENTE XIII, e Veneza 250. 1769´1774 ´ CLEMENTE XIV, de Forli, Rímini 251. 1775´1799 ´ PIO VI, de Cesena 252. 1800´1823 ´ PIO VII, de Cesena 253. 1823´1829 ´ LEÃO XII, de Genga, Ancona 254. 1829´1830 ´ PIO VIII, de Cíngoli, Macerata 255. 1831´1846 ´ GREGÓRIO XVI, de Belluno 256. 1846´1878 ´ PIO IX, de Senigallia, Ancona 257. 1878´1903 ´ LEÃO XIII, de Carpineto 258. 1903´1914 ´ S. PIO X, de Riese, Treviso 259. 1914´1922 ´ BENTO XV, de Pegli, Gênova 260. 1922´1939 ´ PIO XI, de Désio, Milão 261. 1939´1958 ´ PIO XII, romano 262. 1958´1963 ´ JOÃO XXIII, de Sotto il Monte, Bérgamo 263. 1963´1978 ´ PAULO VI, de Concésio, Bréscia 264. 1978 ´ JOÃO PAULO I, de Canale D’Agordo*, Belluno 265. 1978 ´ JOÃO PAULO II, de Cracóvia, Polônia. 266. 2005 ´ Bento XVI, 15 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por Bavária, Alemanha. * Canale d´Agordo chamava-se, até 1964, Forno de Canale. NACIONALIDADE DOS PAPAS Sírios 6 Alemães 7 Africanos, 3 Espanhóis, 3 Dálmatas, 2 (iuguslavos), Português 1, Palestino 1, Inglês 1, Holandês 1, Polonês 1 Total 266 2. Duração dos Pontificados Os mais longos Pio IX 32 anos Leão XIII 25 anos João Paulo II 25 anos Pio VI 24 ´ Adriano I 23 ´ Pio VII 23 ´ 16 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por Alexandre II 22 ´ Clemente IX 21 ´ Urbano VIII 21 ´ S. Silvestre 21 ´ S. Leão I (Magno) 21 ´ S. Leão III 21 ´ Pascoal II 19 ´ Pio XII 19 ´ Inocêncio II 18 ´ João XXII 18 ´ Bento XIV 18 ´ Pio XI 17 ´ Os mais curtos Estevão 3 dias Bonifácio VI 10 ´ Urbano VII 15 ´ Marcelo II 20 ´ Teodoro II 20 ´ Celestino IV 20 ´ Dâmaso II 20 dias 17 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por Pio XIII 26 ´ Leão XI 26 ´ Adriano V 28 ´ João Paulo I 33 ´ Gregório VIII 57 ´ Inocêncio IX 62 ´ Vitor III 113 ´ 3. Número de papas por século Século / Número de papas I 5 II 10 III 14 IV 10 V 12 VI 13 VII 20 VIII 13 IX 20 X 23 XI 21 18 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por XII 16, XIII 17, XIV 10, XV 11, XVI 17, XVII 11, XVIII 8, XIX 6 XX 8 XXI  14. Papas que renunciaram. Ponciano, em 235. Celestino V, em 1294. Gregório XII, 1415 (havia sido deposto pelo Concílio de Pisa, depois renunciou espontaneamente). 5. Papas que foram depostos. Silvério, em 537. João X, em 928. João XI, em 935. João XII, em 963. Bento V, em 964 19 / 20 Lista contendo todos os papas Escrito por. Leão VIII, em 964. Gregório XII, deposto ilegalmente pelo Concílio de Pisa em 1409, abdicou em 1415. . Bento IX, deposto três vezes, em 1044, 1045 e em 1047. 6. Papas irmãos S. Paulo I, sucedeu em 757 ao seu irmão S. Estevão II (III). João XIX sucedeu em 1024 ao seu irmão Bento VIII. 7. Papas que reinaram várias vezes. Bonifácio VII (antipapa) foi eleito a primeira vez em 974 e novamente eleito em 978. . Bento IX (1032 ´ 1044), foi reeleito depois de ter sido deposto (1045), mais tarde foi novamente deposto e novamente reeleito (1047 ´ 1048).

sábado, 31 de março de 2018

SEMANA SANTA EM OLIVEIRA - MINAS GERAIS É TRADIÇÃO


Minas Gerais, herdou dos portugueses a tradição da religiosidade cristã católica. Tudo em Minas Gerais é feito com muito amor em qualquer cidade, principalmente as cidades históricas como, Sabará, Mariana, Ouro Preto, São João Del Rei e principalmente Oliveira.






Oliveira carrega esta tradição desde o século XVIII, mas que ganhou seu auge no século XIX. Onde as famílias nobres, os comerciantes, os fazendeiros, coronéis da época se empenharam em dar apoio às traições religiosas destas cidades históricas, principalmente aqui em Oliveira. Nesta cidade encontramos as raízes do barroco português, ainda presentes no Setenário das Dores de Maria, nos motetos cantados pelas ruas da cidade, nas poucas igrejas antigas que ainda restam.  

(Do Lado esquerdo, a foto do Senhor dos Passos e do lado direito a imagem de Nossa Senhora das Dores que se encontram na Igreja dos Passos em Oliveira MG. Imagens esculpidas em Portugal, no séc.XIX por João D'ffonseca Lapa)  


A Igreja Passos foi construída entre os séculos XVIII e XIX e pertencia à Fazenda dos Pinheiro Campos, hoje, a E. E.  "Prof. Pinheiro Campos". 


E a Matriz de Nossa Senhora de Oliveira, em estilo barroco e rococó foi construída em meados do século XVII e terminada no final do século XIX. Ao longo desses séculos ela sofreu inúmeras mudanças em seu estilo. Como alterações e retirada dos altares originais e de diversas imagens que compunham sua ornamentação. Recém-reformada no final do séc. XX por iniciativa do Governo Federal através do Ministério do Turismo e da Petrobrás. A reforma durou aproximadamente 11 anos, porque tiveram que reconstruir peças inteiras que foram danificadas pelo tempo ou que foram tiradas, como os dois altares laterais de São José e Santa Ana, além da recuperação das pinturas originais do altar-mor onde se encontra a primeira imagem barroca de Nossa Senhora da Assunção. O título de Maria como "Nossa Senhora de Oliveira" foi dado por causa da Cidade e da Diocese. Sendo que a padroeira oficial de Oliveira é venerada pelo título de Nossa Senhora da Assunção, sua festa é 15 de agosto segundo o calendário litúrgico. Posteriormente a esta a Igreja em Roma reconheceu o título de Maria como "Nossa Senhora de Oliveira ", Padroeira da Diocese e do Município de Oliveira, bem como a dedicação à Catedral da Diocese com o mesmo título; mas conservando sua festa no dia 15 de agosto.     
Na foto ao lado direito vemos a imagem de Nossa Senhora de Oliveira e à esquerda você vê a Matriz histórica e a Catedral Diocesana de Nossa Senhora de Oliveira
A devoção à Nossa Senhora da Oliveira, ocorre em alguns lugares de Minas Gerais e também em Portugal.  Mas, o título de "da Oliveira" para o termo "de Oliveira"  talvez se deve ao fato de estender também o título ao Município  que leva o mesmo nome e não só à Diocese. 





Imagem histórica de Nossa Senhora da Assunção. Original em estilo  barroco trazida pelos portugueses,  recém-restaurada )






Dentre as figuras religiosas ilustres destacamos o saudoso Pe. Guido Evangelista da Silva. Foi Pároco da Paróquia N. Sra. de Oliveira, cura da Catedral.




(Na foto acima a Igreja dos passos no início do século XX)

As celebrações externas da Semana Santa em Oliveira são históricas, datadas do séc. XVIII quando ainda pertencia à Diocese de S. João Del Rei. Por isso grande parte das músicas barrocas que temos são de compositores sanjoanenses como o João da Mata e Martiriano Ribeiro Bastos. João da Mata compôs os motetos do Setenário das Dores, dos Passos e das Dores e os da Paixão.

Oliveira é a única cidade que possui em seu acervo musical a "Marcha das Dores", intitulada de: "A VÍTIMA" composta por João da Mata.


João da Mata foram compôs suas obras, umas aqui em Oliveira e outras já tinha sido compostas e foram trazidas por ele, outras trazidas de São João Del Rey e introduzidas no acervo da música sacra oliveirense; mostrando o grau de co-irmandade entre Oliveira e São João Del Rei. Somente as Marchas dos Passos e da Paixão e o canto do MISERERE que foram trazidas para Oliveira, e foram compostas pelo Maestro, Martiriano Ribeiro Bastos

João da Mata, era maestro e compositor, era mulato, não tinha paradeiro, andou por muitas cidades de Minas Gerais e deixou várias obras espalhadas inclusive as que temos em nosso acervo sacro em Oliveira.

Essas duas cidades: São João Del Rey e Oliveira  herdaram o que tinham de mais comum, a grande "Religiosidade popular" expressa na Cultura do povo mineiro.


O Professor e Juiz de Paz Múcio Lobuono, introduziu outras peças barrocas como o Popule Meus, do Pe. José Maria Xavier, e O Crux Ave:



O Crux, ave, spes unica,Ave, oh Cruz, única esperança
hoc passionis tempore:neste tempo da paixão:
auge piis justiam,aumentai nos piedosos a santidade,
reisque dona veniame concedei-nos o perdão.

(Era muito cantada pelo coral "Mater Dolorosa" na via sacra, realizada na Igreja dos Passos sob a regência do Prof. Múcio).

A obra "O Crux Ave" foi composta pela primeira vez por Venantius Fortunatus (530-609 d.C); ela aprece nas obras da música sacra dos compositores sanjoanenses, como várias outras, ganharam um sentido peculiar dentro do estilo dos compositores daquela época, também do estilo de música que predominava nos séculos XVIII-XIX, inclusive o "barroco mineiro". 

Em Oliveira MG o que predomina são as obras de João da Mata e Martiriano Ribeiro Bastos.


João da Mata compôs diversos motetos para procissões e para o Setenário, como: O vos Omines - Stabat Mater, Cui comparabo te, Domini Venni, Pupilis Fact Sum, Popule Meus, Pater mi, Ecxe Amus, Filliae Jeruzalem e  muitas outras. 

       


A Igreja dos Passos está ligada diretamente à tradição da Semana Santa em Oliveira. Essa Igreja que antes pertencia à Fazenda Pinheiro Campos (onde hoje é o Colégio Pinheiro Campos), é a mais tradicional igreja de Oliveira. E é nela que estão as famosas imagens que saem nas procissões da Semana Santa. A imagem de Jesus dos Passos e de Nossa Senhora das Dores, esculpida em Portugal pelo escultor João da Lapa. Ela possui a Confraria que desde então possui um corpo de homens e mulheres responsáveis não só por zelar da capela, como também pela organização das procissões da Semana Santa. Ela também é responsável por manter de pé essa rica tradição. 



Assim como os grandes homens, políticos que aqui viveram e participaram ativamente das principais decisões em nosso País,  deram sua parcela de contribuição para cuidar de nossa cidade e manter essa belíssima tradição.
Oliveira ganha mais e mais espectadores, visitantes de todos os lados, e filhos que por obra do destino estão espalhados pelo Brasil afora, Chegam à Oliveira nesta época tão bela e solene para a celebração da Semana Santa, tão rica e profunda de detalhes que só Oliveira no berço de Minas Gerais pode fazer. Um presente que recebemos de nossos antepassados e cada vez mais cultivado no coração dos oliveirenses. Quem vem à Oliveira, nunca se esquece desta terra tão acolhedora. Oliveira não só é berço da cultura mineira mas também de grandes homens intelectuais como por exemplo não se lembrar de Carlos Chagas (cientista que descobriu a doença de chagas) e Dr. Eliseu Resende, era formado em engenharia, foi responsável por diversas obras importantes em nossa cidade como a Avenida Nova que leva o nome de seu Pai, Miguel Resende e a Avenida Maracanã.  Foi Ex-ministro, deputado e senador. Recentemente a Praça localizada entre a Av. Maracanã e Al. Dr. Cícero de Castro Filho, recebeu o seu nome em sua homenagem, onde foi posto seu busto. E a Casa da Cultura (onde era o Fórum) recebeu o nome de "Casa da Cultura Carlos Chagas" em homenagem ao cientista e sanitarista Carlos Chagas, contém um rico acervo de sua vida.

O ACERVO SACRO (IGREJA DOS PASSOS) 


A prova maior do amor e do carinho que nossos antepassados tiveram para com esta terra, está representada nas belíssimas imagens da Senhora das Dores e do Senhor dos Passos, que foram doados no séc. XIX pelo Sr. Antônio da Silva Campos, um apaixonado por Oliveira. As imagens foram esculpidas em madeira, no estilo roca, em tamanho natural pelo artista escultor português João D'ffonseca Lapa.

Representa a imagem da Virgem das Dores, uma mulher não assustada, mas triste em ver a dor do seu Filho amado, Jesus com a Cruz nos ombros.

 Ela está com as mãos sobrepostas uma em cima da outra na altura do abdômen como se dissesse: "Oh meu filho, meu filho querido!" , surpresa com as barbaridades que os algozes lho fizeram. 

A lágrima lhe cai dos olhos, expressando a dor da mãe; ali  representada pela espada cravada no peito, simbolizando as palavras do  profeta Simeão:
 "E uma espada lhe traspassará a alma!" 

A boca está entreaberta. Ma mãe que vê o sofrimento do Filho e nada pode fazer senão sofrer com ele na alma ao vê-lo caído, acabrunhado pelo peso da Cruz. 

 "-Oh! meu filho, meu amado e querido filho!"

E como não lembrar da palavras do Livro das Lamentações que expressam bem este significado: 

"Ó vós todos que passais pelo caminho, atendei e vede se existe uma dor semelhante a minha dor!"  (Lm1, 12)   

Esta é a belíssima representação artística do escultor português João D'ffonseca Lapa.  


Esse ano completa 140 anos que as imagens de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores foram trazidas para Oliveira. 

Elas foram trazidas para Oliveira pelo Sr. Antônio da Silva Campos e foram recebidas com muita festa pelo povo juntamente com o  Vigário Pe.  José Teodoro. Em 1876 foi encomendado para as duas imagens vestes de cetim e veldo bordadas com fio de ouro, encomendadas na França pelo avô do cientista Carlos Chagas.
 As informações sobre o artista estava dentro da cruz do Senhor dos Passos em um escrito, que foi descoberto tempos depois:

 "Esta cruz, Christo e Senhora da Soledade foi esculpida por João d'Affonseca Lapa. 1876 - Villa Nova de Gaya -  (cidade) Porto".  







Representa, a imagem do Senhor dos Passos. Jesus com a Cruz nos ombros, pesada cruz, olhar triste, caído de joelhos olhando a mãe e ao mesmo tempo a multidão, como que se dissesse: "Vede Mãe! vede o que faço por amor pelos ingratos homens pecadores!" - "Eu vim para isso sem mim eles nada podem fazer!" fica as palavras mudas no coração de Maria, um olhar, um instante apenas até o caminho do calvário. Jesus que vai com sua cruz, os olhos abertos, esbugalhados, rosto sofrido e ferido expressam angústia, cansaço, com a dor do sofrimento,  a boca entreaberta do Filho Jesus que parece suspirar, até no dizer da alma, "como pesa carregar todos os pecados da humanidade, sofrer por eles, por amor, o peso da Cruz até o Calvário", parece escutar as palavras do moteto dos passos que diz: "Popule meus qui ti feci tibi?" - "Povo meu que te fiz eu?, que te fiz para merecer sofrer tanto?" --- Esta é a representação artística de João da Lapa para a a Imagem do Senhor dos Passos. 
  



(Procissão que relembra o encontro de Jesus e Maria sua mãe no caminho do Calvário) 



Nesta procissão do encontro de Maria e Jesus as duas imagens, percorrem as ruas, parando nas capelinhas que chamamos de "passinhos" onde se cantam os motetos. O quarteto juntamente com os músicos da Banda De Música entoam os motetos em latim, composto pelo artista músico sanjoanense do séc. XIX João da Mata. São pequenos trechos dos evangelhos que se refere à paixão de Cristo e às dores de Maria. O encontro acontece no largo da Matriz de Nossa Senhora de Oliveira, cercada por uma multidão de fiéis, de olhares atentos e ouvidos  à pregação do padre ou do Bispo no alto do púlpito. Na foto ao lado podemos ver o saudoso Pe. Reinato Frasão Breves conduzindo a procissão com o relicário do Santo Lenho (uma partícula da verdadeira Cruz de Cristo). À frente (segurando o Pálio) à sua esquerda vemos o saudoso Dr. Eliseu Resende e à direita o ex-prefeito de Oliveira, José Orlando Santos.




Na saída do cortejo o quarteto canta o "Pater Mi", a oração de Cristo no momento da agonia no Horto das Oliveiras:
"Pater mi si possibili est transeat me calix". - "Pai se for possível, afaste-se de mim este cálice, mas que seja feita a tua vontade!" 
Este é o primeiro do sete motetos que se cantam pelas ruas da cidade durante o cortejo das procissões de Passos (terça-feira santa) e de Dores, (quarta-feira santa). 


A TRADIÇÃO DAS MARIAS MADALENAS



Dentre os figurados bíblicos da Semana Santa a personagem mais atrativa é da Maria Madalena. Madalena não é o sobrenome dela, se refere ao seu local de origem. Isso é muito comum na Bíblia, por exemplo: Quando aparece o nome do homem que ajudou Jesus a carregar a Cruz, o chamam de Simão o Cirineu, porque era da cidade de Cirene. Maria era de Magdala, por isso Magdalena, ou Madalena.      
Maria Madalena, como todos sabem foi aquela mulher que foi amiga e discípula de Jesus. É comum as pessoas confundirem-na com aquela prostituta do Evangelho que Jesus perdoou. Mas, na verdade não é a mesma pessoa.
Madalena era uma mulher muito rica que tinha um castelo próximo à Betânia em Magdala e possivelmente tenha conhecido Jesus através de outros seus amigos Marta, Maria e Lázaro a quem Jesus ressuscitou. Existe outras fontes que dizem que ela era prima de Maria, Marta e Lázaro. 
O fato é que ela deixou tudo para seguir Jesus, estava junto da Cruz com o discípulo João, Maria mãe de Jesus e Maria de Cléofas tia de Jesus  e foi a primeira testemunha da Ressurreição. E depois da ressurreição se uniu aos Apóstolos na evangelização. Daí  a importância dela como uma mulher cristã e forte junto à primeira Comunidade Cristã. 



Na tradição ela é uma mulher comum do povo, por isso os judeus a tinham como pecadora. 

Alguns teólogos dizem que ela em um certo tempo voltou à sua vida de antes e depois voltou a se arrepender de modo sincero de uma vez por todas. Um papa da Idade Média, Gregório Magno (591 d.C) associou-a àquela mulher pecadora do Evangelho cuja Jesus tinha perdoado mediante a acusação dos fariseus, (Jo8, 1-11). Mas, hoje a Igreja já desmentiu que ela não tem nenhuma relação com a prostituta que nos fala São João. Ela era muito querida por Jesus. Talvez por seu posicionamento firme e sua conversão sincera. Ela amava muito seu mestre. E depois de sua morte passou ficou com os Apóstolos ajudando na difusão do Evangelho.  

Dentro de um contexto bíblico há ao menos duas mulheres que conseguiram realizar tal ato de maneira tão marcante e que Jesus teve compaixão e as perdoou, a primeira relatada em Mateus 26.6-13 = Marcos 14.3-9: 

"E, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com unguento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa.
E os seus discípulos, vendo isto, indignaram-se, dizendo: Por que é este desperdício?
Pois este unguento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres.
Jesus, porém, conhecendo isto, disse-lhes: Por que afligis esta mulher? pois praticou uma boa ação para comigo.
Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre.
Ora, derramando ela este unguento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento.
Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória sua".

A segunda está em João 12.1-8 Maria de Betânia



"Seis dias antes da Páscoa Jesus chegou a Betânia, onde vivia Lázaro, a quem ressuscitara dos mortos.  Ali prepararam um jantar para Jesus. Marta servia, enquanto Lázaro estava à mesa com ele.  Então Maria pegou um frasco de nardo puro, que era um perfume caro, derramou-o sobre os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos. E a casa encheu-se com a fragrância do perfume.
 Mas um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, que mais tarde iria traí-lo, fez uma objeção: “Por que este perfume não foi vendido, e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários". Ele não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão; sendo responsável pela bolsa de dinheiro, costumava tirar o que nela era colocado.
 Respondeu Jesus: “Deixe-a em paz; que o guarde para o dia do meu sepultamento.  Pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão”.

Se observarmos as leituras os textos de Mateus e Marcos são sinóticos, isto é seus conteúdos são parecidos. No entanto esses evangelistas não dão nome da mulher que ungiu a cabeça de Jesus. Porém, descrevem onde foi acontecido p jantar em que aconteceu a cena. 
A segunda fez a mesma coisa que a primeira só que aqui o evangelista João diz quem era a mulher, é Maria de Betânia, irmã de Lázaro. Os estudiosos bíblicos concluíram que essa Maria era uma mulher de boas posses, vivia em uma grande casa nos arredores de Magdala um lugarejo próximo à Betânia e por isso, ficou também conhecida por Maria Magdalena.  
Também ao observar os dois textos do Evangelho percebemos que Jesus participou de dois jantares diferentes. O primeiro foi na casa de Simão o leproso. O segundo foi na casa de Lázaro, com Maria, Marta, Lázaro e os Apóstolos. 
Logo, podemos concluir que nenhuma dessas passagens de Mateus e Marcos se refere à Maria Madalena ou Maria de Betânia ser a prostituta Jesus tinha perdoado.
Portanto, foi um erro de interpretação muito grave que o Papa Gregório Magno fez ao associar Maria Madalena a pecadora perdoada por Jesus. Algumas pessoas ainda hoje insistem em dizer tal coisa por falta de estudo. Por outro lado, deixando a hipótese da mulher prostituta descrita por João no Cap.8, 1-11 - podemos dizer que essa "pecadora" é Maria Madalena, mas, não no sentido de ser prostituta. "Pecadora", mulher do povo que não seguia ao pé da letra as leis judaicas. Mulher comum que não tinha preconceitos e conversava com todos. Mulher humilde que era tratada pelos fariseus como pecadora. Não podemos negar que Jesus não admirasse sua coragem e seu maneira de ser. E foi à ela que ele apareceu ressuscitado pela primeira vez. Uma gentileza e uma forma que Jesus teve de lhe agradecer por todo carinho que ela teve para com ele durante sua missão aqui. Deus não precisa de nada neste mundo, mas ele precisa ser reconhecido e amado e Madalena foi essa pessoa, nos deixou esse exemplo. Ela amou seu mestre mais que Pedro. Ela não abandonou Jesus, não traiu seu Mestre, foi uma verdadeira discípula leal até o fim.       

Temos muito pouco para especular sobre a vida dessa mulher. Mas podemos conhecê-la a fundo, com as poucas informações no texto. Primeiro, ela soube que Jesus estava na casa do Fariseu e foi ao seu encontro. O que significa que ela estava procurando Jesus.
Segundo, ela trazia consigo um vaso de alabastro. E alabastro é uma pedra rara, na cor branca, que possui valor e utilidade até os dias de hoje. Na época de Jesus, essa pedra só era encontrada em dois lugares, e um deles é o Egito. E por isso, era valiosa e custava caro importar objetos de alabastro do Egito para outros países e regiões.
O Alabastro é uma pedra feita de calcita, que pode ser amolecida com ácido. Dessa forma era possível moldar o alabastro para fazer utensílios. O alabastro também, quando cortado em fatias finas, fica translucido e é utilizado na fabricação de lâmpadas e vidraças de janelas até os dias de hoje.
Quando Simão diz, que essa mulher era uma pecadora, logo entendemos que se tratava de uma prostituta ou uma adúltera. 
No tempo de Jesus uma prostituta, não tinha uma vida lucrativa, ao ponto de dar condições pra ela comprar um vaso de alabastro.
Caso fosse uma adúltera, talvez estivesse agora sido abandonada pelo marido, o que significa que estava desamparada e por isso buscou o perdão do Senhor. Em outras palavras, aquela mulher esteve ajuntando dinheiro por algum tempo, para poder comprar o vaso??? ... Não sabemos.
O unguento era uma espécie de pasta que quando em contato com a pele, derrete e começa a perfumar. E também possuía um valor muito alto, pois era preparado por perfumistas ou sacerdotes, que usavam grande variedade de substâncias aromáticas.
E por isso era muito caro, pois existe o custo pelo trabalho de conseguir e reunir essas substâncias aromáticas, existe o custo pela mistura e produção do unguento, somando ainda o custo pela conservação que deveria ser feita preferencialmente em vasos de alabastro. E igual ao vinho, quanto mais velho, melhor e mais caro.
Pois fica entendido que ela não comprou o vaso em si, mas comprou o vaso pelo unguento (perfume) que vem dentro do vaso. Ou seja, se a embalagem do produto é cara, muito mais caro é o conteúdo dentro da embalagem. Com isso podemos entender que somente uma pessoa de grandes posses podia fazer isso. E esse alguém foi Maria Madalena ou Maria de Betânia. Não porque ela era uma prostituta, no sentido da palavra, mas porque era uma pessoa rica e influente. 

Temos que entender que prostituição na Bíblia não se refere apenas à profissão de vender o corpo em troca de favores sexuais. Mas, significa aquelas pessoas que viviam impuras ou que não praticavam as leis de Moisés. Para os fariseus essas pessoas eram tidas como pecadoras porque se relacionavam com pessoas como os cobradores de impostos ou publicanos, ou com os romanos ou pessoas de outros lugares que não eram judeus. Também os que traiam a pátria, a nação e a religião judaica.   
              
Após a ressurreição e ascensão de Cristo, segundo a Tradição Maria foi com o Apóstolo Tiago para a Espanha e juntos foram responsáveis por levar o Cristianismo para aquela região. 
Maria foi uma autêntica discípula de Jesus, o seguiu em toda sua vida neste mundo esteve firme aos pés da cruz junto com Maria mãe de Jesus, Maria de Cléophas, Maria Salomé.   
    
Mas..., voltando para Oliveira MG, ela é representada ainda como aquela mulher rica, bem vestida com vestido e capa, lindos brocados e tiara como uma princesa.

A cada ano uma moça é escolhida para vestir a personagem, geralmente com o vestido que a própria candidata escolhe.

Uma tradição que começou em 1905. A personagem sai nas procissões de terça-feira santa (procissão do encontro), quarta-feira santa (procissão de dores), Sexta-feira Santa (Paixão do Senhor) e na sexta-feira Santa participa da "Cerimônia do descendimento da Cruz" onde ela passa o perfume no corpo de Jesus representado pela imagem de Jesus no esquife.  Juntamente com ela está outro personagem, que representa o discípulo João. Mc14, 8 Jesus disse: "Ela me embalsamou antecipadamente o corpo para a sepultura". Jesus já falava o que ia acontecer poucos dias depois. Por isso, ela passa o perfume no corpo da imagem de Jesus na cerimônia do descendimento, simbolicamente repetindo o aquele lindo gesto de arrependimento.

Esses personagens bíblicos foram utilizados no passado porque era uma forma de fazer das procissões não só um momento de oração e reflexão sobre a paixão de Cristo, mas também uma forma de evangelizar os mais simples. Assim, esse momento tão bonito também servia para mostrar às pessoas um pouco da história bíblica e dos personagens que estavam ligados diretamente à História da Salvação. E como foi muito bem aceito tornou-se então tradição que até hoje continua embelezando as cerimônias da Semana Santa.   

  
 
(Representação: Madalena passando o perfume no corpo de Jesus)

 

 Assim sai a imagem do Senhor dos Passos, carregando a sua pesada cruz pelas ruas de Oliveira. E a Senhora das Dores do outro lado da cidade, para o encontro no meio da praça XV de Novembro. Lá se vão acompanhados pelo povo que escuta o cantar do Coro "Mater Dolorosa. Regido pelo Prof. e Juiz de Paz, Múcio Lobuono, entoando o canto do "Miserere":  
"Miserere Deus sucudum magnam, misericordiam tuam!", - Tende piedade de mim ó Deus, segundo a tua misericórdia!" 
Depois a Lira Municipal entoa a Marcha (fúnebre) dos Passos, composta no séc. XIII pelo Maestro sanjoanense: Martiriano Ribeiro Bastos. Assim é a procissão do encontro. Oliveira é pura tradição, conservadora do seu bem mais precioso, a cultura.


(Na foto ao Lado, o Prof. Múcio Lobuono, maestro e Coordenador do Coral Mater Dolorosa
da Igreja dos Passos, regendo o Coral para o canto moteto do "Pater Mi" )  
  
Com idade avançada, o prof. Múcio Lobuono encerrou suas atividades frente à coordenação externa da Semana Santa e o Coral "Mater Dolorosa" que por anos a fio ajudou nas solenidades externas e no Setenário das Dores foi extinto. Desde o no de 2016, e no seu lugar foi criado um novo Coral que recebeu o nome de "Coral Prof. Múcio Lobuono" em sua homenagem. 



No vídeo abaixo vemos o Prof. Múcio regendo o novo Coral






Na foto se vê a imagem do Senhor Jesus Flagelado, que pertenceu ao Pe. Reinato Frasão Breves, "padre Breves"  já é falecido
Igreja dos Passos-Oliveira MG



                                                                                                                                                                 
                                                                                                         
                                                                                           

Capela do Santíssimo, Igreja dos Passos
Oliveira MG 




(saída da procissão do encontro, vista do Coro "Mater Dolorosa")












(vista do interior da Matriz de
 Nossa Senhora de Oliveira - Oliveira MG)




(Entrada, porta principal da 
Matriz Nossa Senhora de Oliveira) 





CAPELA DA MISERICÓRDIA
É assim chamada porque no passado pertencia ao antigo Hospital
da Santa Casa de Misericórdia  de Oliveira, construção que em anexo
ainda se encontra preservado ao lado da mesma.
Na Terça-feira Santa é usada para guardar  a imagem de Nossa Senhora das Dores
de onde à noite ela sai para a procissão do encontro.







D. José Medeiros Leite
Primeiro Bispo Diocesano de Oliveira MG
Natural de Mossoró - RN


D. Antônio Carlos Mesquita
2º Bispo diocesano de Oliveira MG
Natural de Itapecerica - MG

D. Francisco Barroso Filho
3º Bispo diocesano de Oliveira MG
Natural de Ouro Preto - MG
D. Jésus Rocha
4º Bispo diocesano de Oliveira
Natural de Diamantina - MG


D. Miguel Ângelo de Freitas Ribeiro, 5º e atual Bispo Diocesano de Oliveira MG 
Natural de Itaguara - MG









Professor Múcio Lobuono
Ex-organizador dos atos externos da Semana Santa
Provedor da Confraria Nossa Senhora das Dores







Na Quarta-feira santa, sai às ruas da cidade a procissão de dores, que lembram as dores de Maria quando percorria as ruas de Jerusalém seguindo Jesus, seu sofrimento como mãe que o acompanhou até o sepulcro. 




(Preparação para a saída do esquife com a imagem de Jesus morto - Procissão do Enterro, Sexta-feira Santa)






Nesta procissão sai Nossa Senhora das Dores, acompanhada 
pela multidão de fiéis que rezam e meditam estas dores, ao som do Quarteto do Coral Mater Dolorosa, que cantam os motetos de dores, recordando as profecias a respeito das dores de Maria Santíssima no caminho da salvação. Uma delas é tirada do livro das Lamentações: "O vos omines qui tranzitis per viam, atendite, atendite, et videte, si es dolor sucut di dolor meus!" - "Oh vós todos que passais pelo caminho, atendei e vede se há dor igual a minha dor!" - são palavras do Antigo Testamento que reflete as dores que Maria Santíssima sofreu com Jesus no caminho do Calvário.

Na Quinta-feira santa, não há procissões e os atos se concentram nas liturgias das missas dos Santos Óleos e da Ceia do Senhor ou "Lava- pés" como popularmente chamamos. Começa o Tríduo Pascal. Jesus instutuiu a Eucaristia e o sacerdócio ministerial ordenado. Como em todas as dioceses, a missa dos santos óleos, ou, da unidade dos cristãos, é realizada pela manhã na Catedral. E a missa da Ceia Pascal ou do "Lava-pés" tradicionalmente é realizada à noite.     









Na Sexta-feira Santa celebrando a Morte de Jesus, acontece a celebração da Liturgia das três horas da tarde e à noite a cerimônia do Descendimento da Cruz. Onde personagens vestidos de Nicodemus e José de Arimatéia, fazem a descida do corpo, (imagem) de Jesus da Cruz. Ao som da pregação do "sermão do descendimento". E começa então a longa procissão do enterro com a imagem do Senhor morto. neste dia é grande o número de fiéis que lotam as ruas com suas velas acesas, acompanhando o cortejo fúnebre ao som da Lira Municipal Oliveirense, que  executa a Marcha da Paixão, marcha fúnebre composta pelo maestro sanjoanense, Martiriano Ribeiro Bastos. E dos motetos da paixão, pelo quarteto  o Coral Mater Dolorosa. 

Nota: O coral Mater Dolorosa em 2016 foi substituído pelo Coral Múcio Lobuono.

Na foto acima à direita vê-se alguns membros da Lira Municipal Oliveirense. 


O momento mais esperado por todos é a cerimônia do descendimento da Cruz, feito na noite de Sexta-feira Santa, e a procissão do enterro. Jesus (simbolicamente) é tirado da Cruz e ungido (simbolicamente) por "Madalena". Enquanto o Coro Canta em latim, os motetos barrocos falando sobre a paixão e o pedido de perdão ou MISERERE DEUS.
  
O pregador faz o "Sermão do descendimento" onde é retirado o corpo (a imagem de JESUS CRUCIFICADO)  da Cruz. Um momento muito emocionante.  Também às três horas da tarde, como de costume em todas as paróquias do mundo acontece a Liturgia solene da Paixão e morte de Cristo, com a cerimônia de veneração da Cruz, o padre ou o bispo apresenta a imagem do Crucificado, cantando: "Eis o lenho da Cruz do qual pendeu a salvação do mundo!" e a assembléia responde: "Vinde! adoremos!" - num gesto de de adoração ao Senhor Jesus que se entregou na Cruz por nós! Confira as fotos:

(Na foto ao lado, vemos a procissão do enterro, com a imagem Jesus-morto sendo levado  em um esquife acompanhado pela multidão de fiéis)




Altar da Matriz de N. Sra. de Oliveira, adornada para
a adoração do Santíssimo Sacramento - (Tríduo Pascal) 






                                          Cerimônia da Veneração da Cruz, Matriz de São Sebastião-Oliveira MG  04/2011






   
(Esquife com a Imagem de Jesus morto-Igreja dos Passos - Oliveira MG) 
  
Durante a "Procissão do Enterro" se carrega a imagem de Jesus morto em um esquife de madeira, enquanto de distância em distância, a Verônica entoa um canto de lamento (em latim), mostrando a face de Jesus deixada no sudário. Este canto se refere ao livro das lamentações, e aplica à Virgem Maria: "O vos omines qui trasistis per viam, atendi te et videte, si es dolor, sicur dolor meus!" - que significa: "Ó vós todos que passais pelo caminho, atendei e vede se há dor semelhante a minha dor!". E segue o cortejo fúnebre ao som dos motetos e das matracas. 


CANTO DA VERÔNICA

Passagem do Livro do profeta Jeremias (Jr1, 12) que reflete toda dor de Maria ao ver Jesus sofrendo com o pesado patíbulo da Cruz nas costas à caminho do calvário, depois sua soledade ao vê-lo pregado suspenso no madeiro e morto nos seus braços.  É um canto de lamentação.

Ó vos omines qui trasitis per viam. Attendite  et videte si est dolor sicut dolor meus!"   

"Ó vós todos que passais pelo caminho, atendei e vede se existe dor igual a minha dor!"




MOTETOS DA SEMANA SANTA 


Na noite de Sexta-feira Santa é celebrada, no mundo lusófono, uma cerimônia conhecida como “Procissão do Enterro”, que consta de uma encenação do descendimento de Cristo da cruz e seu enterro no Santo Sepulcro. O Coro  canta uns versos da Sagrada Escritura  com as vozes tão lacrimosas e tristes  Heu! Heu! Domine! Salvator noster!, que quer dizer: "Ai, ai, Senhor nosso Salvador!"

É um canto de dor e tristeza pela morte de Jesus.  

Origem: Diocese de Braga (Portugal), é de autoria desconhecida, no final da idade Média, a Procissão do Enterro foi concebida como uma intensa teatralização das cenas relacionadas à morte de Jesus Cristo, com procissão e música, na qual inclui-se o tradicional "Canto da Verônica", sobre o texto "O vos omnes qui transitis per viam" (Ó vós todos que caminham pelas ruas).


Canto do "Miserere".


Canto de pedido de perdão.


"Mirerere mei, Deus magnam secundum misericordiam tuam!" 

" Tende misericórdia de mim ó Deus!" (Sl51/50

                                             

Intercalados com o canto da Verônica o coral Canta mais dois motetos: O "Cecidit Corona" - tirado do livro das Lamentações, Lm5, 16 -  que quer dizer "Caiu a coroa de nossa cabeça; ai de nós, porque pecamos." 

"Cecidit corona capitis nostri vae nobis quia peccavimus." 

O outro é o Pupilli facti sumus, tirado do Lvro das Lamentações; -Lm5, 3. "Órfãos sem pai, nossas mães são como viúvas".

"Pupilli facti sumus absque patre matres nostrae quasi viduae".


LITURGIA DAS 3 HORAS

matraca, segundo a tradição era usada pelos soldados romanos para fazer barulho alertando às pessoas sobre a passagem de um condenado à morte. Como a sirene de uma viatura, só que naquele tempo de maneira rude. Possui um som sinistro estridente. Consiste em um instrumento, rude, artesanal, feito de madeira, com duas alças laterais da tábua, à esquerda e à direita. E uma onde se pega. Quando se sacode ela faz um barulho, um estralo, provocado pelas alças de ferro. Ela na procissão dá lugar ao som dos sinos que se emudecem com o luto da solenidade da celebração da Paixão de Cristo, e conduz ao povo à reflexão. Todas as igrejas adotam a matraca na noite após a Missa da Santa Ceia até o Sábado Santo, antes da proclamação da Páscoa de Jesus.  

Mas, o cume da Semana Santa não é a Sexta-feira Santa e sim a Páscoa, a Semana Santa termina com a Proclamação da Páscoa do Senhor no Domingo da Ressurreição. Com a Missa festiva da Páscoa e a procissão do Santíssimo Sacramento, Cristo que está ressuscitado sai às ruas presente na Eucaristia. Como de costume em todas as Dioceses e paróquias acontece este momento solene de festejos. A procissão é feita de madrugada, ou no raiar do dia. Hora em que segundo o Evangelho as mulheres foram ao túmulo procurar o cadáver de Jesus e não encontraram, porque, Ele já tinha ressuscitado. Logo, narra o Evangelho, viram o Anjo que anunciava a ressurreição de Jesus. 
   
"O morte onde está a tua vitória?!" 
Cristo venceu o pecado e a morte. Os acontecimentos da Semana Santa só tem sentido para os cristãos se desejarmos realmente que esta Páscoa seja bem vivida e celebrada. Como Jesus disse à Madalena, "Ide contar aos meus discípulos que eu ressuscitei!", agora brota uma esperança, a vida nova.


Páscoa não é comer ovos de páscoa, nem outras guloseimas, não é a "páscoa" do comércio, mas é muito mais, para os cristãos, principalmente os católicos que viveram estes dias da Semana Santa, é alegrar-se com aquele que nos conquistou uma vida nova, perdida em razão de Adão. Se a vida começou em um jardim, terminou no pecado em um jardim. Em um jardim Jesus Cristo foi sepultado e nele ressuscitou para que possamos ter com Ele no jardim do Paraíso. Se não fosse Jesus a pagar pelos nossos pecados, jamais saberíamos o que é o Céu. Isso é Páscoa, passagem da morte para a vida. As coisas antigas ficaram para trás, em Cristo e no Cristo somos novas criaturas. 

















FOTOS DA SEMANA SANTA
SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO













DESCENDIMENTO DA CRUZ
E
PROCISSÃO DO ENTERRO


(Sermão do "Descendimento de Cristo na Cruz")
Enquanto o padre faz o sermão vai-se retirando a imagem de Cristo da Cruz





(Verônica canta nas ruas de Oliveira MG, durante a procissão do enterro e expõe o sudário com o rosto de Jesus)







(Calvário do lado de fora da Matriz N. Sra. de Oliveira - Oliveira MG)
                                              






(Chegada da Procissão do Enterro na Matriz N. Sra. de Oliveira - Oliveira MG)



                        (Procissão do Enterro-Sexta Feira Santa- Oliveira MG)









Interior da Matriz Nossa Senhora de Oliveira
Terça-feira Santa
Com o Calvário em seu interior 




Imagem de Jesus Flagelado
(Pertenceu ao Padre Reinato Frasão de Breves-Pe. Breves, Jundiaí-SP)


Interior da Matriz Nossa Senhora de Oliveira
Ornamentada para a adoração do Santíssimo Sacramento
na Quinta-feira Santa




UM POUCO SOBRE JOÃO DA MATA  

João Francisco da Matta aprendeu música com maestro e compositor sanjoanense Martiniano Ribeiro Bastos. Negro e pobre, tornou-se, no entanto, um excelente compositor deixou em várias cidades mineiras suas composições em cópias originais.
Além de maestro, dizem que fazia questão de assim ser chamado ocupou também a profissão de tropeiro; o que fez caminhar pelos por várias cidades e lugarejos das Minas Gerais. Foi assim que sua música tornou-se bastante conhecida.

Como tropeiro, caiu na boemia e na embriaguez.
Dizem que ele até chegou a morar um certo tempo em Oliveira MG. O fato é que ele deixou aqui muitas de suas obras.   
Tocava vários instrumentos de sopro principalmente os que possuem três chaves; dizem até que foi um virtuose no oficleide.

Tocava também alguns instrumentos de corda, era pianista, apresentou em concertos no Oeste e Sul de Minas, foi também um excelente professor de música, afinador de pianos e exímio compositor. Tinha como inspiração para as suas obras a ópera italiana.

Dos várias cidades que passou, uma delas é  Oliveira no Centro-oeste mineiro.

Em São João Del-Rey, há várias fotografias e outras referências provando que ele foi membro da Orquestra Lira Sanjoanense, inclusive há um busto em sua homenagem que ficou esquecido por algum tempo, mas, depois, foi resgatado preservando a memória da arte musical sacra sanjoanense...

Segundo os registros da época, feito pelo Vigário,  Pe. José Dias Custódio, recebeu o batismo no dia 28 de maio de 1832:

“Aos vinte oito de Maio de mil oito centos e trinta e dois nesta Matriz de Nossa Senhora do Pillar da Villa de São João de El Rey o Reverendo Coadjutor Joaquim Joze de Souza Lira baptisou e pôs os Santos Óleos a João filho legitimo de João da Mata e Antonia Maria de São Pio sendo os padrinhos Manoel Joze da Costa Machado, e Joanna Maria Joze Albuquerque  Carmelo,  todos desta Freguezia.


 Faleceu aos 77 anos aproximadamente.