sexta-feira, 3 de julho de 2026

PAPA LEÃO XIV EXCOMUNGA MEMBROS DA FRATERNIDADE SÃO PIO X POR ORDENAR BISPOS SEM MANDADO PAPAL

 

O que é a Fraternidade São Pio X, também conhecida como FSSPX?

 

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) é uma sociedade sacerdotal fundada em 1970 por Marcel Lefebvre. Sua história está intimamente ligada às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II e ao debate sobre a preservação da tradição litúrgica e doutrinária da Igreja. A seguir, um resumo detalhado.


1. Contexto histórico

Após o encerramento do Concílio Vaticano II (1962–1965), a Igreja Católica passou por profundas reformas, entre elas:

  • reforma da liturgia;
  • maior participação dos leigos;
  • diálogo ecumênico;
  • aproximação com outras religiões;
  • renovação da formação sacerdotal.

Muitos católicos acolheram essas mudanças como um desenvolvimento legítimo da tradição. Outros, porém, entenderam que algumas reformas representavam uma ruptura com práticas e ensinamentos anteriores.

Entre os críticos mais conhecidos estava o arcebispo francês Marcel Lefebvre.


2. Marcel Lefebvre

Marcel Lefebvre nasceu em 1905 na França.

Foi:

  • missionário no Senegal;
  • Arcebispo de Dakar;
  • Superior Geral da Congregação do Espírito Santo.

Durante o Vaticano II participou ativamente dos debates e tornou-se uma das principais vozes conservadoras.

Após o Concílio passou a afirmar que:

  • a nova Missa diminuía a ênfase no caráter sacrificial da Eucaristia;
  • o ecumenismo era excessivamente amplo;
  • a liberdade religiosa contrariava documentos anteriores do magistério;
  • a formação dos seminários havia se enfraquecido.

3. Fundação da Fraternidade (1970)

Em 1º de novembro de 1970, o bispo de Friburgo, François Charrière, aprovou canonicamente a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Seu objetivo era:

  • formar sacerdotes;
  • conservar a liturgia tradicional;
  • manter o ensino teológico clássico.

Foi criado o seminário internacional em Écône, que rapidamente recebeu candidatos de diversos países.


4. Crescimento

Nos primeiros anos:

  • muitos seminaristas ingressaram;
  • foram abertas casas em diversos países;
  • aumentou o número de fiéis ligados à Missa Tridentina.

A Fraternidade passou a celebrar exclusivamente a Missa segundo o Missal Romano de 1962, promulgado por João XXIII.


5. Conflito com Roma

A partir de 1974 intensificaram-se os conflitos entre a Santa Sé e a Fraternidade.

Em uma famosa declaração de 1974, Lefebvre afirmou permanecer fiel:

"à Roma eterna"

e criticou aquilo que chamava de tendências modernistas presentes na Igreja contemporânea.

Em 1975:

  • a aprovação canônica da Fraternidade foi retirada;
  • Roma pediu que Lefebvre encerrasse suas atividades.

Ele recusou-se a fazê-lo.


6. Suspensão de Lefebvre

Em 1976, apesar das determinações da Santa Sé, Lefebvre ordenou novos sacerdotes.

Como consequência:

  • recebeu suspensão das ordens (suspensio a divinis);
  • ficou proibido de exercer legitimamente o ministério episcopal.

Mesmo assim continuou:

  • ordenando padres;
  • administrando seminários;
  • expandindo a Fraternidade.

7. O problema dos bispos

Na década de 1980 Lefebvre já tinha mais de 80 anos.

Temia que, após sua morte, a Fraternidade desaparecesse por falta de bispos que pudessem ordenar novos sacerdotes.

Iniciaram-se negociações com o Papa João Paulo II.

Em maio de 1988 foi assinado um protocolo de acordo.

Entretanto, Lefebvre julgou que a nomeação de um bispo pela Santa Sé demoraria excessivamente e decidiu seguir por conta própria.


8. As sagrações episcopais de 1988

Em 30 de junho de 1988, em Écône, Lefebvre consagrou quatro bispos sem mandato pontifício:

  • Bernard Fellay
  • Bernard Tissier de Mallerais
  • Richard Williamson
  • Alfonso de Galarreta

Segundo o direito canônico, a consagração episcopal sem mandato do Papa acarreta uma grave sanção.

A Santa Sé declarou que Lefebvre, o bispo co-consagrante Antônio de Castro Mayer e os quatro novos bispos haviam incorrido em excomunhão por ato cismático.

A Fraternidade sempre contestou essa interpretação, sustentando que houve um estado de necessidade para preservar a tradição da Igreja.


9. O motu proprio Ecclesia Dei

Após as sagrações, João Paulo II publicou o documento Ecclesia Dei.

Nesse texto:

  • lamentou as consagrações;
  • afirmou que houve um ato de natureza cismática;
  • criou a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei para acompanhar grupos ligados à liturgia tradicional que permanecessem em plena comunhão com Roma.

Foi nesse contexto que surgiram institutos como o Fraternidade Sacerdotal São Pedro.


10. Situação canônica

Desde 1988, a FSSPX permaneceu em uma situação considerada canonicamente irregular pela Santa Sé.

Isso significa que:

  • seus sacerdotes são validamente ordenados;
  • seus sacramentos, em muitos casos, são válidos;
  • porém, em regra, exercem o ministério sem missão canônica ordinária da Igreja.

Essa situação distingue a Fraternidade tanto de uma plena comunhão canônica quanto de uma separação formal como a existente em outras comunidades cristãs.


11. Reaproximação com Bento XVI

Sob o pontificado de Bento XVI houve importantes gestos de aproximação.

Em 2007 publicou o motu proprio Summorum Pontificum, facilitando o uso do Missal de 1962.

Em 2009:

  • Bento XVI levantou a excomunhão dos quatro bispos sobreviventes da FSSPX;
  • ressaltou, contudo, que a Fraternidade ainda não possuía um status canônico regular e que questões doutrinárias permaneciam em aberto.

12. Pontificado de Francisco

Durante o pontificado de Francisco ocorreram novos gestos pastorais.

No Jubileu Extraordinário da Misericórdia:

  • foi concedida aos sacerdotes da FSSPX a faculdade válida e lícita para absolver confissões.

Posteriormente essa faculdade foi prorrogada de forma estável.

Também foram autorizadas, em determinadas condições e conforme orientações da Santa Sé, celebrações de matrimônio envolvendo sacerdotes da Fraternidade.

Essas medidas favoreceram o cuidado pastoral dos fiéis, sem resolver definitivamente a situação canônica da FSSPX.


13. Organização atual

Hoje a Fraternidade possui:

  • centenas de sacerdotes;
  • dezenas de seminários, priorados e escolas;
  • presença em diversos países;
  • apostolados voltados à educação, catequese e formação.

Sua autoridade máxima é o Superior Geral, eleito pelos membros da sociedade.


14. Posição doutrinária

A Fraternidade afirma aceitar:

  • a doutrina católica tradicional;
  • os dogmas definidos pelos concílios anteriores;
  • a autoridade do Papa.

Entretanto, sustenta que alguns ensinamentos do Concílio Vaticano II — especialmente sobre liberdade religiosa, ecumenismo e colegialidade episcopal — precisam ser interpretados em continuidade com o magistério anterior ou revistos. A Santa Sé, por sua vez, considera o Concílio Vaticano II parte do magistério da Igreja e entende que sua interpretação deve ser feita em continuidade com a tradição.


15. Situação atual

Atualmente, a relação entre a FSSPX e a Santa Sé caracteriza-se por:

  • diálogo contínuo, mas sem acordo definitivo;
  • reconhecimento, por parte da Santa Sé, de algumas faculdades pastorais concedidas aos seus sacerdotes;
  • ausência de um estatuto canônico regular para a Fraternidade;
  • permanência de divergências doutrinárias e canônicas.

Assim, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X continua sendo uma das organizações mais influentes do movimento tradicionalista católico contemporâneo, preservando a liturgia segundo o Missal de 1962 e mantendo um diálogo complexo com a Santa Sé em busca de uma eventual regularização canônica.

 

           A justificativa da FSSPX para eleição dos novos bispos.

            Novamente em 2026, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X apresentou uma justificativa muito semelhante à utilizada por Marcel Lefebvre nas sagrações de 1988. Segundo seus comunicados oficiais de 2026, a decisão de consagrar quatro novos bispos em 1º de julho de 2026, em Écône, não teria como objetivo criar uma "igreja paralela" nem contestar a autoridade do Papa, mas assegurar a continuidade de seu apostolado diante do que considera uma grave crise na Igreja.

Os principais argumentos apresentados pela Fraternidade foram:

1.    Garantir a sucessão episcopal para seu apostolado. A FSSPX afirmou que seus bispos remanescentes já estavam idosos e que era necessário assegurar que houvesse bispos capazes de conferir os sacramentos reservados ao episcopado, sobretudo a Crisma e a Ordenação sacerdotal. A Fraternidade declarou que isso visava atender seus cerca de 700 sacerdotes e seus fiéis em diversos países.

2.    Estado de necessidade. Esse continua sendo o principal fundamento canônico invocado pela FSSPX. Ela sustenta que existe uma "crise sem precedentes da fé" na Igreja e que, diante dessa situação extraordinária, haveria um estado de necessidade que justificaria a consagração de bispos sem mandato pontifício para preservar a Tradição católica. A Fraternidade considera que, nessas circunstâncias, a salvação das almas prevalece como lei suprema (salus animarum suprema lex).

3.    Não reivindicar jurisdição própria. Em seu comunicado de maio de 2026, o Superior Geral, Davide Pagliarani, declarou expressamente que as sagrações "não procedem de qualquer desejo de reivindicar um poder de jurisdição nem de estabelecer uma autoridade paralela na Igreja". Segundo a Fraternidade, os novos bispos exerceriam apenas funções sacramentais, sem pretender substituir a hierarquia da Igreja.

4.    Reconhecimento da autoridade do Papa. A FSSPX insistiu que não negava o primado do Papa nem sua jurisdição universal. Seu argumento foi que a consagração de bispos, embora realizada sem mandato pontifício, seria uma medida excepcional motivada pela necessidade de preservar a fé e os sacramentos tradicionais, e não uma rejeição da instituição do papado.

5.    Preservação da Tradição. A Fraternidade reafirmou que seu propósito era transmitir "o que a Igreja sempre acreditou, ensinou e praticou", entendendo que determinados ensinamentos e reformas posteriores ao Concílio Vaticano II representam uma ruptura com a tradição anterior.

A resposta da Santa Sé

A posição do Vaticano foi substancialmente diferente. O Papa Leão XIV e o Dicastério para a Doutrina da Fé advertiram previamente que a consagração de bispos sem mandato pontifício constituiria um ato de natureza cismática. Após a cerimônia, a Santa Sé declarou que os bispos consagrantes e os novos bispos incorreram em excomunhão e afirmou que o ato representava uma ruptura grave da comunhão eclesial.

Assim, o ponto central da divergência permanece o mesmo de 1988:

  • A FSSPX sustenta que existe um estado de necessidade extraordinário que justifica as consagrações episcopais sem autorização papal para preservar a Tradição e garantir a continuidade de seu apostolado.
  • A Santa Sé rejeita a existência desse estado de necessidade e afirma que somente o Papa pode autorizar legitimamente a consagração de bispos, considerando tais atos uma violação grave da disciplina e da unidade da Igreja.

Último apelo do Papa aos lefebvrianos: não rasguem a túnica de 

Cristo

A carta enviada por Leão XIV ao superior da Fraternidade São Pio X traz a data de 29 de junho, festa dos Santos Pedro e Paulo, véspera da anunciada consagração episcopal sem mandato pontifício, que constituiria um novo ato cismático

Como havia anunciado nos últimos dias ao encontrar os jornalistas em Castel Gandolfo, o Papa Leão enviou um último apelo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, pedindo que não prossiga com a consagração de quatro novos bispos sem mandato pontifício, prevista para a manhã de 1º de julho, em Écône, na Suíça.

“Com sentimentos paternos, desejo dirigir-me a Vossa Reverência e, por seu intermédio, aos bispos, sacerdotes, seminaristas e fiéis vinculados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, consciente da responsabilidade que o Senhor me confiou como Sucessor do Apóstolo Pedro. A Igreja reconhece o apreço pela vida litúrgica, o empenho na formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à Tradição que caracterizam muitas pessoas e comunidades vinculadas a essa Fraternidade. Tudo isto motivou a atenção e a benevolência que os meus Predecessores vos manifestaram constantemente.”

“Neste espírito, e repleto de afeto cristão, peço-vos e suplico-vos do fundo do coração: Reconsiderai! Exorto-vos a ter em conta, com muita atenção, o bem espiritual dos fiéis, porque a ação cismática que cometeríeis privá-los-ia da recepção lícita e, nalguns casos, até mesmo válida dos Sacramentos que eles amam e procuram para a sua santificação.”

“A Igreja – lê-se ainda na carta papal, redigida em francês e dirigida ao Superior-Geral da Fraternidade, padre Davide Pagliarani – está disponível a um caminho de diálogo e de entendimento, que o Espírito Santo pode tornar possível e fecundo. Rezo por vós, pois rasgar a Túnica inconsútil de Cristo é um pecado de extrema gravidade. Que o Senhor ilumine as vossas consciências e toque os vossos corações. Pela autoridade que recebi de Cristo, com o coração entristecido, mas ainda cheio de esperança, sinto o dever de vos pedir para desistirdes do vosso propósito, confiando estas intenções ao Coração Imaculado de Maria, Mãe do Bom Conselho.”

O Papa, portanto, pede mais uma vez aos lefebvrianos que renunciem a levar adiante o ato cismático das consagrações episcopais sem mandato pontifício. É significativo que o argumento mais forte apresentado na carta seja o bem das almas dos fiéis da Fraternidade São Pio X, uma vez que tal ato tornaria ilícitos e, em alguns casos (como na confissão sacramental e no matrimônio) também inválidos os sacramentos celebrados". [Fonte: vaticannews]

O CISMA

Aconteceu no último dia 01 de julho de 2026 na localidade de Écône, no cantão suíço do Valais, a Fraternidade São Pio X sagrou 4 bispos sem o “Mandato Papal”, que é o documento oficial da Santa Sé que dá legitimidade à sagração, desobedecendo a ordem do Santo Padre o Papa Leão XIV.

A escolha de Écône teve também um forte significado histórico. Foi no mesmo seminário que, em 30 de junho de 1988, Dom Marcel Lefebvre realizou as célebres sagrações de quatro bispos também sem mandato pontifício, um acontecimento que marcou profundamente as relações entre a FSSPX e a Santa Sé.

Em resposta, Santo Padre por meio do Dicastério Para o Doutrina Da Fé publicou uma nota de excomunhão aos bispos da FSSPX, padres e leigos


Durante a cerimônia de sagração episcopal, existe um momento previsto pela própria liturgia em que o bispo consagrador pergunta:

“Você tem o mandato apostólico?”

Nesse momento, a resposta é simples: deve ser apresentado publicamente o documento que contém a autorização do Papa para a sagração dos novos bispos.

Ao ser feita a pergunta por Dom Alfonso de Galarreta, da FSSPX, não foi exibido um mandato pontifício. Em seu lugar, foi lida uma declaração justificando as sagrações com base em um alegado “estado de necessidade” e na necessidade de preservar a Tradição. Esta foi a resposta:

“É a Igreja Católica e Romana, sempre fiel às tradições recebidas dos apóstolos, que, em circunstâncias inteiramente excepcionais, exige que providenciemos a manutenção dessas tradições, isto é, o depósito da fé, e que tomemos os meios necessários para transmiti-las fielmente a todos os homens para a salvação de suas almas.

Desde o Concílio Vaticano II até os dias atuais, as autoridades na Igreja têm sido animadas por um espírito contrário à fé e têm agido contra a santa tradição. Elas não mais suportam a sã doutrina”. A estas palavras a FSSPX já se autodeclarou cismática.

A NOTA PUBLICADA PELA SANTA SÉ

  A nota publicada pela Santa Sé em 2 de julho de 2026, por determinação do Papa Leão XIV e assinada pelo prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, Víctor Manuel Fernández, declarou que as consagrações episcopais realizadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X em 1º de julho de 2026 constituíram um "ato de natureza cismática" e constatou que os envolvidos incorreram em excomunhão latae sententiae (automática, prevista pelo direito canônico). [Isto significa que qualquer fiel que de ora em diante, mediante o decreto Papal, estiver ligado a Fraternidade São Pio X, ocorre em excomunhão automática. 

A Nota do Dicastério

“Desde os tempos de São Paulo VI até os mais recentes diálogos realizados neste Dicastério, as numerosas tentativas de reconduzir à plena comunhão com a Igreja Católica os membros do movimento iniciado por Dom Marcel Lefebvre revelaram-se infrutíferas. Essa situação agravou-se ainda mais em razão das recentes consagrações episcopais celebradas sem mandato pontifício, contra a vontade do Santo Padre e em manifesta violação do direito canônico.

Por isso, este Dicastério, no fiel exercício das funções que lhe foram confiadas, considera necessário reconhecer que tal ato configurou o delito de cisma, com as correspondentes consequências canônicas para os ministros sagrados e os fiéis leigos envolvidos. Com efeito, como já foi declarado em 1988, “tal desobediência — que implica uma rejeição prática do Primado Romano — constitui um ato cismático” (cf. João Paulo II, Carta Apostólica Ecclesia Dei, n. 3).

Diante disso, estabelece-se o seguinte:

1. Os ministros sagrados pertencentes à Fraternidade Sacerdotal São Pio X encontram-se em situação de cisma e, portanto, devem ser considerados cismáticos (cf. Ecclesia Dei, 5 c; Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Nota Explicativa sobre a excomunhão por cisma incorrida pelos aderentes ao movimento do Bispo Marcel Lefebvre, 24.08.1996, nn. 5-6), estando sujeitos à excomunhão prevista pelo direito (cân. 1364 § 1 do Código de Direito Canônico).

2. No que diz respeito aos fiéis leigos, devem ser considerados cismáticos e excomungados aqueles que aderem formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X nas condições estabelecidas pela Nota Explicativa do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos de 1996 (cf. ibidem, n. 7), ainda em vigor e assumida por este Dicastério.

Nova advertência do Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé sobre as ordenações episcopais sem mandato pontifício que o grupo tradicionalista anunciou para o mês de julho ...     [Fonte: vaticannews]

 

Os principais pontos do documento são os seguintes:

 

1. Qualificação das sagrações como ato cismático

 

O decreto afirma que a consagração de quatro bispos sem mandato pontifício e contra uma proibição explícita do Papa rompe objetivamente a comunhão hierárquica da Igreja.

 

Segundo a Santa Sé, não se tratou apenas de uma infração disciplinar, mas de um ato que afeta a unidade da Igreja porque cria uma sucessão episcopal paralela sem autorização do Sucessor de Pedro.

 

2. Declaração da excomunhão

O decreto não "impõe" uma nova pena, mas declara que ela já ocorreu automaticamente (latae sententiae) no momento das consagrações.

 

Foram declarados excomungados:

Bernard Fellay;

Alfonso de Galarreta;

os quatro sacerdotes consagrados bispos em Écône.

Segundo o Vaticano, todos participaram conscientemente de um ato proibido pelo direito da Igreja.

 

3. Declaração de situação de cisma

 

O decreto vai além das pessoas diretamente envolvidas e afirma que:

 

"Os ministros consagrados pertencentes à Fraternidade Sacerdotal São Pio X estão em situação de cisma."

 

Essa foi uma formulação mais abrangente do que a utilizada em 1988, indicando que, para a Santa Sé, a situação da Fraternidade passou a configurar um cisma de fato após as novas consagrações.

 

4. Advertência aos fiéis leigos

 

O documento também trata dos leigos.

 

Ele esclarece que nem todo fiel que frequenta uma capela da FSSPX é automaticamente excomungado. Entretanto, afirma que aqueles que aderirem formalmente à Fraternidade — isto é, assumirem conscientemente sua posição de ruptura com a autoridade da Igreja — devem ser considerados cismáticos e excomungados, conforme critérios já estabelecidos em uma nota interpretativa de 1996 do então Conselho Pontifício para os Textos Legislativos.

 

5. Fundamentação jurídica

 

O decreto fundamenta-se no princípio tradicional do direito canônico segundo o qual:

 

somente o Papa pode conceder legitimamente o mandato para a consagração de um bispo;

realizar uma consagração episcopal sem esse mandato constitui um delito gravíssimo contra a comunhão eclesial.

 

A Santa Sé entendeu que a FSSPX agiu apesar dos repetidos apelos do Papa Leão XIV para que desistisse das consagrações.

 

6. A carta de Leão XIV

 

Pouco antes das consagrações, Leão XIV enviou uma carta ao Superior Geral da FSSPX, Davide Pagliarani, pedindo que a Fraternidade desistisse da cerimônia. O Papa escreveu, em tom pastoral, palavras como:

 

"Suplico-lhes do fundo do coração: reconsiderem sua decisão."

 

Segundo a Santa Sé, esse apelo demonstrava que havia sido oferecida uma última oportunidade para evitar a ruptura.

 

A interpretação da Santa Sé

 

Na nota explicativa publicada pelo Vatican News, o editorial intitulado "A dor de uma ruptura" afirma que a principal contradição da FSSPX consiste em declarar que reconhece e ama o Papa, mas, ao mesmo tempo, desobedecer-lhe em uma matéria que compete exclusivamente ao Romano Pontífice. O texto recorda uma frase de Pio X segundo a qual o verdadeiro amor ao Papa se manifesta pela obediência, e sustenta que não há lugar na Igreja para a criação de uma hierarquia paralela.

 

A resposta da FSSPX

 

A Fraternidade rejeitou a interpretação do Vaticano. Ela afirmou que:

Não pretende fundar uma Igreja paralela; continua reconhecendo a autoridade do Papa; as consagrações foram motivadas por um estado de necessidade para preservar a Tradição e assegurar a continuidade dos sacramentos.

Em outras palavras, enquanto a Santa Sé considera o ato uma ruptura objetiva da comunhão eclesial, a FSSPX sustenta que se trata de uma medida extraordinária, justificada pela crise que percebe na Igreja, sem intenção de romper com o papado. Essa divergência de interpretação permanece no centro do conflito entre Roma e a Fraternidade.

O Vaticano publicou o processo para a “RECONCILIAÇÃO” de padres e fiéis leigos da FSSPX.

Tanto padres quanto leigos devem assinar uma Profissão de Fé e uma Declaração de Adesão.

Os padres devem estar “dispostos a aceitar o Concílio Vaticano II e a legitimidade do novus ordo Missae, mesmo permanecendo apegados ao usus antiquior”.

Leigos não considerados sob as censuras do Vaticano e, portanto, sem necessidade de "reconciliar-se" incluem:

“Leigos que frequentaram a Fraternidade Sacerdotal São Pio X unicamente por razões litúrgicas ou espirituais; Leigos que, embora cientes das tensões com a Santa Sé, não rejeitam o Magistério ou a autoridade do Pontífice Romano.”

O processo de “Reconciliação” é mais complicado para clérigos e envolve:

1. Encontrar um Ordinário

2. Escrever ao Papa

3. Apresentar certificado de ordenação

4. Assinar a Profissão e a Declaração

5. Ter o Ordinário atestar à Santa Sé que está disposto a acolher o padre sob sua jurisdição ad experimentum.

 

 

 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

BANDEIRA DE ISRAEL OU A CRUZ DE CRISTO - QUAL É O SINAL DO CRISTÃO?

 





Todos os anos é realizado o evento gospel, a “Marcha pra Jesus”. E a gente vê cada dia mais as pessoas do meio cristão, evangélicos portando a bandeira de Israel durante o evento. Ultimamente há um certo grupo de protestantes, com seus líderes tem tentando tornar judaizante o cristianismo, algo que os cristãos do primeiro século lutaram para desvincular as práticas judaicas do cristianismo. No livro dos Atos dos Apóstolos encontramos o primeiro Concílio da Igreja, podemos assim dizer, para discutir o problema das práticas judaicas no cristianismo. Ocorreu que, os judeus convertidos queriam que os gentios (os pagãos), passassem pela circuncisão. Foi preciso reunir os bispos, os Apóstolos, para discutir o assunto. São Pedro e São Tiago em nome da assembleia decidiram por excluir a circuncisão e as outras práticas que no cristianismo não fariam mais sentido. O batismo foi o único meio aceito, como sacramento, os convertidos deveriam ser batizados. A condição era receber o Evangelho, se arrepender, aceitar o Senhor Jesus, ser batizado. Sem precisar passar pelo jugo da lei, e dos rituais da lei de Moisés. 

        Quando o Senhor Jesus se encarnou, pregando em Cafarnaum, ao ler a passagem do profeta Isaías, ele disse que n’Ele estava se cumprindo a Escritura. Todas as profecias se cumpriram em Jesus Cristo. De modo que com ela, toda a Lei dos profetas e todas as leis cerimoniais foram cumpridas.

O evangelista São Mateus, escreveu seu evangelho para os judeus. Em seu evangelho, ele enfatiza muito quando ao narrar uma ação de Jesus, ele disse: “isso aconteceu para que se cumprisse a profecia tal”. Com isso, ele quer dizer aos judeus cristãos que Jesus é o Messias que o povo esperava. 

    Poderíamos perguntar: "Mas no evangelho está escrito que 'Jesus ocupará o trono de Davi'". Sim, mas esse anúncio feito pelo anjo em Lucas 1, 32, se refere ao caráter messiânico de Jesus, pois, Davi não é maior que Jesus. Lucas descreve isso para mostrar que Jesus, o Cristo de Deus vem de uma linhagem de sacerdotes e reis, que ele nascerá de seu povo e em primeiro lugar a salvação chegaria até eles, foi ofertada a eles e eles o rejeitaram. "Ide primeiro as ovelhas da casa de Israel" (Mateus10,6) - "Mas, veio para os seus e os seus não o receberam" (João1, 12).    

São Paulo, em 2Coríntios 5, 14-17 diz: “O amor de Cristo nos constrange, considerando que, se ele morreu por todos, logo todos morreram. Sim, ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo”. Mais adiante ele vai dizer: “Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação”. São Paulo nos ensina que o Senhor Jesus deu sua vida por todos. Ele se tornou o único reconciliador entre a humanidade e a divindade. Fez isso por amor aos homens, de modo que, como Ele morreu e ressuscitou, também morreremos e ressuscitaremos com Ele.

    Uma pergunta: De que modo Cristo nos salvou? Não foi se entregando no madeiro da cruz? Não foi na sua paixão, morte e ressurreição que tudo se fez novo?

    Sim, o Senhor Jesus veio tornar novas todas as coisas. Como Ele mesmo disse, referindo-se aos Mandamentos e a lei dos profetas: “Eu não vim abolir a Lei, mas vim aperfeiçoá-las”.

Nosso Senhor veio aperfeiçoar a Lei. E foi isto o que Ele fez. Em primeiro lugar uniu os Mandamentos em dois, ‘amar a Deus e ao próximo’ – “Nisto cumprirás todos os outros”, diz Nosso Senhor. Ele aboliu a na Antiga Aliança a Páscoa judaica, onde o cordeiro era oferecido pelo sacerdote e o sangue derramado em oblação pelo perdão dos pecados. Ele instituiu uma Nova Aliança, se fez vítima por nós, ao mesmo tempo om sacerdote e o cordeiro para anular de uma vez por todas o sacrifício de amimais. Ele dentro da ceia pascal judaica, instituiu os sagrados ministérios e tomando do cálice com o vinho disse “Tomai e bebei, isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança que será derramado por muitos em remissão dos pecados” – (Mateus26, 27-28) Pronto, Jesus retira o sacrifício de animais, Ele mesmo se torna a vítima pascal – cumprindo o que o profeta Isaías já havia anunciado. Diz o Senhor: “De que me serve a multidão de vossos sacrifícios? — diz o Senhor. Já estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados; não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes.” (Isaías 1,11) - Aqui o profeta anuncia o que Deus faria com os sacrifícios antigos. Eis que Jesus cumpre na sua carne as palavras do profeta. Agora, não vários, mas, um único e verdadeiro sacrifício foi capaz e suficiente para salvar a todos dos pecados. Israel e nem sua lei, símbolos e rituais nos pertencem porque somos constituídos de uma Nova Aliança no Sangue do Senhor Jesus.   

Nosso Senhor não empunhou nenhuma bandeira. Não! Mas ele tomou sobre si as nossas dores, carregou a Cruz até o calvário e nela se entregou por amor à humanidade.

Dias antes de sua morte, entrou em Jerusalém e foi recebido não com bandeiras, mas estendiam mantos e cobriam o caminho com ramos e aclamado como rei. (Marcos11, 8-10)

Jesus foi preso e condenado, não pelo desejo de Roma, porque Pilatos não achava nele nenhuma culpa – (João18, 31.38) – Mas, os sacerdotes juntamente com a turba dos judeus obrigaram Pilatos a condená-lo. Uma das razões pelas quais Jesus foi morto, foi pela inveja dos judeus, como os evangelistas vão narrar em vários textos: “Eles por inveja procuravam meios de mata-lo”. Como não podiam matá-lo (João18, 31), provocaram a Pilatos dizendo, “ele se fez rei, e todo aquele que se faz rei se declara contra César” [...] “Não temos outro rei senão a César!” (João19, 12.15-16) – embora Jesus tivesse dito a ele, “o meu reino não é daqui” (João18, 36), - mesmo assim os judeus entregaram-no à morte. Faz sentido um cristão empunhar a bandeira de quem renegou o Messias e de quem no passado entregou à morte nosso Salvador?         

Os judeus, até hoje, não creem em Nosso Senhor, não o aceitam como o verdadeiro Messias. Mesmo após a Ressurreição eles perseguiram os discípulos e os santos apóstolos e os mataram, como, por exemplo, São Tiago tido como o “irmão” do Senhor que foi lançado do pináculo do Templo. Lembrem-se de Saulo de Tarso que teve nas mãos o sangue do diácono Santo Estêvão. (Atos8, 1-3). E até os dias atuais, os judeus odeiam os cristãos. Toleram às vezes, mas há relatos de quem já foi à Jerusalém ter sido hostilizado pelos judeus e até sofreram cusparadas e xingamentos e outros insultos. Como é que os evangélicos podem agora querer ostentar a bandeira de quem condenou o Filho de Deus, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo?

O Israel de hoje não é o Israel bíblico. O Israel bíblico acabou quando Roma tomou o poder estabeleceu Herodes como ‘rei’ da Judeia.  Herodes, o Grande (37 a.C. – 4 a.C.)  Ele mandou matar o sumo sacerdote Aristóbulo III (seu cunhado) e também Hircano II, além de perseguir outros membros da linhagem sacerdotal hasmoneia, por medo de perder o poder.  O objetivo era eliminar rivais políticos e religiosos que poderiam disputar o poder.

Esse ato se soma à sua reputação de governante cruel e paranoico, que não hesitava em eliminar até familiares próximos para manter o trono.

A partir daí os sacerdotes do Templo eram indicados por Roma, como Anás e Caifás que condeno Jesus.

Portanto, não há mais dinastia sacerdotal no Israel de hoje. Nem sacerdotes, nem o Templo (que foi destruído no ano 70 d.C.), nem nada que justifique algum cristão louvar Israel empunhando uma bandeira. Aliás, o Israel Bíblico não tinha bandeira, quando marchavam levavam consigo a arca da Aliança. Outro mito é o hexagrama de Davi (estrela de Davi), não há nenhum registro que prove que o rei Davi usava uma estrela como guia.

A bandeira e o de Israel de hoje

O Estado de Israel, não existia, nos tempos bíblicos toda a região que hoje conhecemos chama-se Palestina. O Estado de Israel. Após a segunda grande guerra, o Estado de Israel foi criado, oficialmente em 14 de maio de 1948, após o fim do Mandato Britânico na Palestina. A fundação resultou de décadas de imigração judaica, do movimento sionista e da decisão da ONU de dividir a Palestina em dois Estados — um judeu e outro árabe. Em resumo: Israel nasceu em 1948 por causa do sionismo, da imigração judaica intensificada pelo Holocausto, da partilha da ONU e do fim do Mandato Britânico. A criação trouxe esperança para os judeus, mas também inaugurou um conflito duradouro com os árabes palestinos. A bandeira de Israel criada em 1848, nunca pertenceu ao Israel bíblico, mas foi criada baseada em outra que já existia projetada pelo movimento sionista no final do século XIX e início do século XX.

Qual é a bandeira do cristão?

A bandeira do cristão sempre foi a Cruz de Cristo. Foi ela o escudo de muitos santos. A cruz de Cristo, cuja é sinal de nossa Salvação empunhada por santos e doutores. Nos momentos de sofrimento, nos combates, nas velas dos navios, nas bandeiras dos reinados. Quer ficada sobre um Monte, quer nas torres das igrejas, em todo lugar. Quer nos sacramentais. Ela é a bandeira que o cristão deve portar, porque a cruz que antes era sinal de maldição, sinal de derrota e de morte, através de Cristo que nela se entregou por nós, como diz São Paulo, “que era loucura para os judeus, escândalo para os gentios”, se tornou bendita e sinal de nossa Salvação.

Portanto, quem odeia a cruz é o diabo e seus filhos porque ela se tornou sinal de vitória, pois, Cristo não permaneceu nela, mas foi nela que ele nos deu a vida eterna. Ela é a nova árvore da vida que foi privada de nossos primeiros pais e agora gera vida em abundância. Nós veneramos a Cruz de Cristo, porque ela é o sinal bendito do amor de Deus por nós.

Não há nenhum sentido, ostentar uma bandeira de um povo que outrora entregou o Filho de Deus à morte. Não há nenhum sentido querer louvar aqueles que odeiam o Santíssimo nome de Cristo. Quando vemos símbolos do judaísmo em templos católicos devemos perguntar: “Creio mesmo que Jesus fez uma Nova Aliança?”. “Creio nas palavras de São Paulo quando ele diz que “em Cristo tudo se fez novo” e que somos novas criaturas e não estamos mais sob o julgo da Lei de Moisés? Que tipo de cristão eu sou?

A cruz de Cristo é e sempre será nosso estandarte e sinal de nossa Fé.

    Quando os portugueses chegaram nesta terra, foi erguida uma cruz e celebrada a primeira Missa. O primeiro nome dado a ela foi 'Terra de Vera Cruz' e depois mudou-se para 'Terra de Santa Cruz' - o nosso País foi consagrado desde o início a Nosso Senhor Jesus Cristo. O nome Brasil foi dado posteriormente e é o terceiro nome desta terra. 

    As caravelas que aqui aportaram traziam o emblema dos Cavaleiros da Cruz de Cristo. Nosso povo deveria conservar aquilo que nossos antepassados fizeram. Esta terra que foi abençoada e consagrada à Jesus Cristo. Poderiam desde já ter sido marcada com qualquer outro símbolo, mas quis nossos antepassados assinalar este solo com a cruz de nosso Salvador. Nós herdamos deles a fé da Igreja Católica que sempre procurou levar o nome de Cristo em todo mundo. Na esquadra de Pedro Álvares de Cabral veio o sacerdote Frei Henrique de Coimbra que abençoou esta terra em que vivemos e amamos. A Cruz sempre foi nosso emblema porque ela nos recorda o sacrifício de Nosso Senhor, Jesus Cristo. O Brasil é um país de cristãos, construído sob a fé cristã e o povo está se esquecendo disso deixando-se levar por outras ideologias e crenças não cristãs e pagãs. Portar uma bandeira contrária à nossa fé em um evento cristão é cuspir na cruz de Cristo, é contratestemunho.        

Quais são os ensinamentos de Paulo apóstolo sobre a cruz?

 Para o apóstolo Paulo, a cruz é o centro do Evangelho e a maior expressão do amor e do poder de Deus. Em seus escritos, ele ensina que a cruz representa a sabedoria divina que substitui a lógica humana, o fim da escravidão do pecado, a destruição das barreiras entre os povos e a nossa própria morte para o mundo.1. O Poder e a Sabedoria de Deus, Paulo ensina que a mensagem da cruz pode parecer uma "loucura" (insensatez) para quem não tem fé. No entanto, para os que creem, ela é a demonstração máxima do poder de Deus para a salvação. Na cruz, a aparente fraqueza de Deus se revela mais forte e sábia do que qualquer lógica humana. Leia mais sobre esse conceito em O que é a mensagem da cruz (1Coríntios 1:18-25).

A Redenção e a Justificação. Foi na cruz que Jesus Cristo pagou o preço pelos nossos pecados. Paulo explica que o sacrifício de Cristo nos justificou gratuitamente, nos reconciliando com Deus e nos libertando da culpa e da condenação.

 A Identificação do Crente com Cristo (Morte e Ressurreição). Um dos ensinamentos mais profundos de Paulo é que o cristão não apenas contempla a cruz, mas é crucificado com Cristo. Ele declara: "Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim" (Gálatas 2:20). Isso significa que a nossa "velha natureza" pecaminosa morreu na cruz com Ele.

O Único Motivo de Glória para o apóstolo, a cruz é tão central que ele decidiu não pregar outra coisa a não ser "Jesus Cristo, e este crucificado". Ele rejeitou se orgulhar de suas próprias conquistas, status ou sabedoria, afirmando: "Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gálatas 6:14).

 A Destruição de Barreiras. A cruz também tem uma dimensão social e comunitária. Paulo ensina que o sacrifício de Cristo destruiu as paredes de separação (como a divisão histórica entre judeus e gentios) e reconciliou toda a humanidade em um único corpo, a Igreja. A cruz é o coração da fé cristã, transformando um instrumento de morte em fonte de vida e transformação. Para refletir sobre a dimensão espiritual e a vitória desse sacrifício, confira estes 10 versículos sobre o poder da cruz e o que a Bíblia ensina sobre ela.

A cruz ocupa um lugar central na mensagem do evangelho. Nos relatos do Novo Testamento, a morte de Jesus Cristo na cruz é apresentada como o momento em que Deus oferece redenção, perdão e reconciliação à humanidade.

Para os cristãos, a cruz não representa apenas um instrumento de execução usado no mundo romano. Ela simboliza o sacrifício de Cristo e a forma como Deus tratou o problema do pecado. Por isso, muitos textos do Novo Testamento falam sobre o “poder da cruz”, destacando seu significado espiritual.

O valor da cruz no seguimento a Jesus

Dom Vital Corbellini

Bispo de Marabá (PA)

    A cruz tem um grande valor para os cristãos porque ela é a condição essencial para seguir a Jesus e receber a dignidade de se unir com Ele. A sua palavra direciona a vida no sentido da liberdade humana: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16, 24). Numa outra ocasião, o Senhor também disse que quem não toma a sua cruz e o siga, não é digno dele (Mt 10, 38). São Paulo tinha presentes que “A palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que são salvos, para nós, ela é poder de Deus” (1 Cor 1,18). O Apóstolo também dizia que a pregação do Cristo crucificado era escândalo para os judeus e era loucura para os gentios (1 Cor 1, 23). A cruz é sinal de vida, de salvação, porque o Senhor deu a sua vida para toda a humanidade, passando pela cruz e assim ele chegou à glória da ressurreição. O valor da cruz esteve presente na teologia dos padres da Igreja. É importante ver as suas considerações em vista da vida verdadeira que vem da cruz do Salvador. 

    De acordo com a Igreja Católica, Jesus escolheu o caminho da Cruz para salvar a humanidade e manifestar o amor da Santíssima Trindade pelos homens. Com o objetivo de recordar a importância da cruz e venerá-la, a Igreja instituiu a festa da Exaltação da Santa Cruz, celebrada no dia 14 de setembro.

    “Para os católicos, a cruz, como lugar do sacrifício de Cristo, é o princípio da salvação dos homens. Por isso, diz o Catecismo Católico, no parágrafo 617, a Igreja a venera professando nela sua esperança: “Salve, ó Cruz, única esperança”.

    Opondo-se ao que comumente se pensa, padre Júlio César Evangelista Resende, Prior da Ordem da Santa Cruz no Brasil, afirma que a celebração deste dia 14 quer lembrar especialmente a glória da Cruz, muito mais que sua impressão de sofrimento e dor.

    “A Cruz é vista como a glória de Cristo. A sua glorificação começa na Cruz – sinal da nossa salvação. A cruz tem um profundo significado de obediência e fidelidade de Cristo ao projeto do Pai. Ele esvazia-se de Si e por amor entrega-se à humanidade. A Cruz é também esse grande sinal de entrega de amor que possibilitou a nossa salvação”, explicou o sacerdote. De acordo com padre Júlio, os católicos devem olhar para a Cruz, sobretudo, como sinal de esperança; nisto consiste o seu sentido. Uma esperança que, segundo o sacerdote, culmina na fé na vida eterna. “Este caminho da salvação, por meio de sua morte redentora na Cruz, é a maneira pelo qual Ele [Jesus] nos salva e nos convida a acreditar Nele e ter a vida eterna”. [Fonte diocesea.org.br -   Artigo por Dayse Maria Mellero de Melo]

    Catecismo da Igreja Católica, no nº 2015, afirma: “O caminho da perfeição passa pela cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças”.

A cruz como glória e força humana e divina.

1.    São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, nos séculos IV e V afirmou a importância da cruz como glória e força pela realidade humana e pela realidade divina. Ele dizia que nenhuma pessoa se envergonhe dos sinais sagrados e veneráveis da nossa salvação, da cruz que é o vértice dos bens humanos, pelos quais as pessoas vivem e são aquilo que são. Ele convidava as pessoas para carregarem a cruz de Jesus como uma coroa, porque tudo se consome nela. Tanto o batismo, porque a pessoa é regenerada por causa da presença da cruz como também os fiéis se alimentam do místico alimento que é o corpo de Cristo, são impostas as mãos para serem consagrados pelos ministros do Senhor, sempre é dado pelo símbolo da vitória, que é a cruz1. 

Em tudo é dado a cruz, sinal de salvação. 

São João Crisóstomo continuou o seu pensamento afirmando que a cruz é conservada sobre as casas, é desenhada sobre as paredes, é gravada sobre as portas, é impressa sobre a cabeça, e na mente, é carregada no coração humano. A cruz é de fato o sinal da salvação humana e da comum liberdade do gênero humano, sendo também o sinal da misericórdia do Senhor que por amor de todas as pessoas deixou-se conduzir como ovelha ao matadouro (Atos 8,32)

2.    Quando a pessoa faz o sinal na fronte, lembra todo o mistério da cruz e apaga nela as limitações e os pecados. O Apóstolo São Paulo afirmou que as pessoas foram compradas por alto preço por causa da cruz e do sangue do Senhor (1 Coríntios 7,23), chamando a cruz com preço do resgate

3.     São João afirmou que é preciso abraçar a cruz, a qual deve a salvação das almas humanas. Era a cruz que salvou e ela converteu o mundo do erro, estabelecendo a verdade em Jesus. 

A cruz no seu mistério e dimensão maior. 

4.    São Gregório de Nissa, Bispo no século IV afirmou que a cruz contém o mistério, pois na morte de Jesus existiu o lado humano, e na maneira de morrer, existiu o elemento divino. O Bispo disse que aquele que sobre a cruz se estendeu no momento oportuno, segundo o plano da salvação, através da morte é o mesmo que estreitou a si mesmo o universo, reunindo mediante a sua Pessoa as diversas naturezas dos seres vivos numa só harmonia

5.     A cruz englobou segundo São Gregório a dimensão maior, de amor a Deus e a toda a humanidade na sua radicalidade6

A cruz, como forma do seguimento a Jesus.

6.    São Jerônimo, Padre da Igreja nos séculos IV e V, afirmou a cruz como forma de seguimento a Jesus porque como o Evangelho diz que se a pessoa não carrega a sua cruz e não segue a Jesus não pode ser seu discípulo (Lucas 14,27). A pessoa deve se atrair pela cruz para ser discípulo do Senhor, pela prática das boas obras. Por isso São Jerônimo disse que é feliz os dias fiel que carrega no seu íntimo a cruz, a Ressurreição, a Ascensão do Senhor, porque a cada dia Ele vem à pessoa pela cruz. 

A cruz, a obra maravilhosa de Deus em Jesus.

7.    São João Damasceno, Padre da Igreja, nos séculos VII e VIII afirmou que a cruz foi a obra maravilhosa de Deus em seu Filho, Jesus, a sua venerável cruz. Foi graças a ela que a morte foi eliminada, porque Jesus a venceu com a sua morte redentora, pois, o pecado das origens recebeu sua expiação, o inferno foi derrotado, a ressurreição foi concedida, e através da cruz foi elevada a humanidade à direita de Deus, através de Jesus. Com o sinal da Cruz, em nome da Santíssima Trindade, nós iniciamos a nossa Oração, abençoamos os alimentos que comemos. Com ela somos também abençoados. Somos batizados com o sinal da cruz. Estamos intimamente ligados à ela, não como objeto de idolatria mas, como o sinal da nossa Salvação. Por isso, ela está em todo lugar, desde a hora em que nascemos até a hora que morremos ela nos acompanha para fazer-nos honrar o santo nome de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo que morreu por nós e pela nossa salvação.      

8.     Segundo São João, a morte de Cristo, isto é, a cruz revestiu o ser humano do autêntico poder e sabedoria de Deus, porque a vitória sobre a morte foi mostrada pela cruz, unindo em si, no Cristo Jesus toda a dimensão humana, material e invisível. 

A cruz, instrumentos da graça 

9.    Segundo São João Damasceno a cruz trouxe muitas graças para todas as pessoas. Ela foi escudo, a couraça e o troféu contra o demônio, sendo também o bastão dos enfermos, para conduzir o rebanho, o progresso dos fieis dos sacramentos da iniciação à vida cristã, a saúde da alma e do corpo, o remédio de todos os males, a fonte de todo o bem, a morte do pecado, a planta da ressurreição, a árvore da vida eterna10.

10. Esta madeira preciosa e digna de veneração, sobre a qual Jesus se sacrificou para toda a humanidade, seja objeto da adoração de toda a pessoa, uma vez que foi santificada pelo contato com o santíssimo corpo e sangue do Senhor.

A cruz, a grande glória.

11.         São Cirilo de Jerusalém Bispo do século IV afirmou que a cruz foi grande glória de vida para a humanidade. Ela iluminou quem era cego da ignorância, libertando todas as pessoas prisioneiras do pecado e levando a redenção à humanidade inteira.

12.          O universo inteiro foi redimido na sua totalidade porque aquele que morreu sobre a cruz era o Filho Unigênito de Deus. Se o pecado de um só reinou sobre a humanidade, também pela graça de Deus, em Jesus reinou a vida de uma forma abundante (Romanos 5,17). Se o primeiro homem foi a causa da morte universal, o segundo homem, Jesus foi a causa da vida universal, através de sua doação na cruz e ressurreição (João 14,6). Assim a cruz do Salvador é para todas as pessoas que o seguem, salvação. 

13.         A cruz é sinal de vida e de salvação, porque Jesus a assumiu e ele quer que todas as pessoas que o seguem renunciem a si mesmas, assumam a cruz e o sigam de fato. Ela possibilita a unidade da pessoa com Jesus para passar da cruz à glória da ressurreição. Jesus morreu na cruz para a vida de todas as pessoas e do mundo inteiro para assim chegar à vida eterna com o Senhor Jesus.

Eu espero com esse artigo ter ajudado meus irmãos católicos e meus irmãos separados a entender o significado da Cruz de Cristo e porque somente ela deve caminhar conosco durante a vida e não usar num evento que em tese é para homenagear e louvar o Senhor Jesus, não faz sentido ir à “Marcha para Jesus” empunhando uma bandeira de um povo que renegou o Filho de Deus e a Salvação.

E temos também que tomar cuidado para não tentar fazer como os judeus do primeiro século que queriam obrigar os gentios a cumprir a Lei de Moisés.

Já existem algumas seitas judaizantes que guardam o sábado, preceito abolido no Novo Testamento segundo o próprio São Paulo ao nos dizer que “em Jesus Cristo as coisas antigas se passaram e tudo se faz novo” – Estejamos atentos às palavras de São Pedro, que se faz tão atuais em nossos dias: “Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra e cressem. Ora, Deus que conhece os corações testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós. Nem fez distinção alguma entre nós eles, purificando pela fé os seus corações. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem vossos pais podiam suportar? – Atos15, 7-10.

São Pedro quando disse, “porque provocais a Deus, impondo uma carga que nem os vossos pais podiam suportar”, ele se referia às 613 leis do Antigo Testamento que os sacerdotes forçavam o povo a cumprir, mas eles mesmos não cumpriam. São Pedro em seu discurso reforça as palavras de Nosso Senhor: “Ai de também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmas sequer com um dedo vosso tocais os fardos”.

Estejamos atentos quando em nosso meio ainda existem pessoas se dizendo cristãos, mas, que não querem se libertar do “peso” da lei judaica. Tenham cuidado com essa gente. Tenham cuidado também com o fanatismo religioso evangélico, porque para nós católicos, pertencemos a uma religião não de um livro,  mas de uma pessoa, Nosso Senhor Jesus Cristo.    

        

                           

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