A
celebração ocorreu por dois acontecimentos principais da época.
O
primeiro ocorreu segundo as visões de Santa Juliana Cornillon. E o segundo quando aconteceu o milagre eucarostico de Bolsena.
Era
o ano de 1208, Santa Juliana de Liège, era uma leiga consagrada, morava num
hospital de leprosos, do povoado de Liègi (onde hoje é a bélgica), e segundo a
história, ela teve uma visão. Ela viu uma mancha na lua cheia, que segundo ela, com sua interpretação, "faltava um
pedaço". Isso aconteceu por 20 anos sem ela e entender o significado da visão.
Até que finalmente Deus revelou [pela locução interior], para ela o seu
significado. A lua era a Igreja, estava faltando no calendário da Igreja uma
festa, a festa de Corpus Christi.
Para
entender esse acontecimento devemos voltar à época dos fatos. O mundo em que
Santa Juliana vivia e a realidade da Igreja. Uns criam demais na Eucaristia a
ponto de não querer comungar por acharem-se indignos do Corpo do Senhor. A
ponto de Igreja ter que fazer uma lei que os fiéis deveriam se confessar e
comungar ao menos uma vez por ano pela Páscoa do Senhor. Esse é o mandamento da
Igreja que temos até hoje. Assim diz o Concílio de Latrão, no capítulo 21 – nº
812: “Cada fiel de um e de outro sexo, chegando a idade de razão confesse-se ao
menos sozinho seus pecados ao seu próprio sacerdote, ao menos uma vez ao ano e
se aplique a cumprir segundo suas forças a penitência que lhe foi imposta.
Receba com reverência ao menos pela Páscoa o sacramento da Eucaristia, a não
ser que a conselho de seu próprio sacerdote, por motivo razoável julga dever-se
abster-se por certo tempo”.
A
Igreja, aqui, já elaborando dois dos famosos mandamentos que conhecemos, ela
fez isso em 1215. E razão deste Mandamento é porque as pessoas criam na
presença de Jesus na Eucaristia ao ponto de acharem indignas se aproximarem da
Eucaristia e até de recebê-la. Ao ponto de ficar raro as pessoas comungarem. As
pessoas ficavam apavoradas com medo de se aproximarem do Corpo de Cristo e
comungarem. As pessoas criam na presença de Jesus na Eucaristia, mas não criam
na ordem de Jesus: “Tomai e comei!”; quem seria louco de se aproximar da
Eucaristia se Jesus não tivesse ordenado?
É
nesse contexto que vai surgir a festa de Corpus Christi. As pessoas não
comungavam, e para não terem que comungar surgiu uma devoção no século XII,
padres começaram a levantar a hóstia depois da consagração. Não se fazia isso.
Um gesto que para nós é óbvio, levantar a hóstia e o cálice. No início só se
levantava a hóstia e não o cálice, porque havia um temor que as pessoas
pudessem adorar o cálice e não o Preciosíssimo Sangue. As pessoas começaram ir
à igreja para ver a hóstia ser levantada. Começou a surgir uma devoção pela
consagração. As pessoas andavam pela cidade à procura de missas para ver a
hóstia ser levantada porque recebia dali alguma graça. É verdade, mas, não era
a recepção do sacramento. Alexandre Arles, no século XII sistematizou a ideia dizendo
que a pessoa podia receber a comunhão sacramental ao comungar o Corpo de
Cristo, mas que ela podia ao ver a hóstia fazer a comunhão espiritual. Só que
essas coisas saem do controle, um bispo inglês no século XIV, dizia que se as
pessoas fossem pra missa para ver a hóstia ser levantada na hora da
consagração, naquele dia elas não precisavam comer, já estavam alimentadas.
Naquele dia elas não envelheceriam, naquele dia elas recebiam todo tipo de
graça, o que é um exagero. São Boaventura decidiu com toda clareza ao dizer,
“não! Não é assim!” – “A Comunhão sacramental é que dá a graça”. Existe graça
ao ver a hóstia ser levantada, mas, não é a mesma coisa na Comunhão.
Esse
é o mundo de Santa Juliana, as pessoas creem na Eucaristia, mas ao mesmo tempo
tem dificuldade de se aproximar dela. Esse é o grande dilema. É nesse contexto
que surge a festa de Corpus Christi.
Mas,
não somente isso, se de um lado tinha gente que cria, por outro, tinha quem
cria de menos ou nem cria. Esse pessoal que cria de menos eram de dois grupos Benegário
de Tours, século XII, começou a dizer que não era possível que Jesus estivesse
presente na Eucaristia. Ele era seguidor da dialética de Aristóteles. Ele negou
a doutrina da transubstanciação. Berengário afirmava que o pão e o vinho não
sofriam uma alteração física ou material no altar para se tornarem o corpo e o
sangue de Cristo, propondo em vez disso uma mudança espiritual ou simbólica.
Foi várias vezes repreendido pela Igreja, mas, no final acabou por negar a
transubstanciação.
A
Igreja o repreendia, ele voltava atrás, voltou atrás várias vezes. Chegou
assinar uma fórmula muito estranha e grotesca, dizia que: “Cristo era
verdadeiramente carregado pelas mãos do sacerdote e triturado pelos dedos dos
fiéis”.
É
logico que ele escreveu isso de má intenção, porque depois disso, ele negou
novamente chegando a dizer que a transubstanciação era algo absurdo.
Nessa época também existia um outro grupo, os Cátaros,
também chamados de Albigenses. No sul da França, os cátaros não criam
absolutamente na Eucaristia porque eles consideravam a matéria má. Ou seja,
eles pregavam que Deus é puro e é espírito. O Deus bom criou o mundo
espiritual. Aconteceu que por alguma desgraça, as almas ficaram aprisionadas no
mundo material que foi criado por um deus mau. O mundo material é mau e,
portanto, se a matéria é má Deus não pode estar presente na Eucaristia porque
ela é matéria. Por isso, os cátaros não criam na Eucaristia.
A Igreja respondeu a isso tudo com a pregação. Enviou São
Domingos de Gusmão (fundador da Ordem Dominicana), para pregar aos cátaros para
trazer de volta essas pessoas novamente para a fé da Igreja. Mas apesar de
todos os esforços, ‘a lua continuava faltando um pedaço’. Ainda não havia a
festa de Corpus Christi.
Juliana, Eva e o Arquidiácono
Em Liège, onde hoje é a Bélgica, no século
XIII, encontramos Juliana que aos quinze anos de idade, em 1208 viu a lua
faltando um pedaço. Liège naquele tempo era uma cidade profundamente devota. Só
na cidade por volta de 1240, se calculava que havia por volta de 1500 beguinas.
Beguinas são mulheres leigas consagradas que viviam o celibato. Elas viviam em
regime de semiclausura, mas, sem regras monásticas.
É nessa cidade devota e ao mesmo tempo atormentada por
conflitos constantes entre o Bispo príncipe e Cabido dos cônegos, o imperador
que queria ter domínio sobre a cidade e a burguesia que estava surgindo naquela
época, o proto-capitalismo do fim da Idade Média. Essa cidade atordoada
política e economicamente uma menina de quinze anos vê que falta um pedaço na
lua e não entende o significado disso.
Depois que ela finalmente entendeu o que era aquela visão
teve medo de falar. Foi em 1225, quando era superiora religiosa que ela contou
ao seu confessor. A partir daí começou a espalhar a ideia de que faltava uma
festa para o Corpo de Cristo.
É aí que Deus mostra como ele muda a
história de forma inopinada. Uma leiga consagrada, Eva de São Martinho, que era
amiga de Santa Juliana, tendo ouvido aquela história se empenhou por manter
viva aquela chama da história da festa. Até que finalmente em 1246 o bispo da
cidade Dom Robert Thourotte resolve fazer a festa pela primeira vez. A primeira
festa de Corpus Christi aconteceu somente na cidade de Liège.
Com
a morte do bispo, morreu a festa. Só que naquela festa de 1246 havia presente
uma pessoa, Jacques Pantaleón. Esse homem se tornou sacerdote, fez carreira,
foi emissário na Prússia, depois em Verdon, foi patriarca de Jerusalém e depois
foi eleito Papa, com o nome de Urbano IV. Um francês se senta na Cátedra de São
Pedro e trazia a memória daquela festa de Corpus Christi de 1246.
Santa
Juliana já tinha falecido, morreu em 1258. Ela não viu a festa implantada na
Igreja toda, mas, o Papa Urbano IV, que antão estava morando em Orvieto, e não
em Roma porque Roma naquela época estava uma bagunça.
Naquele
tempo o Papa convidou para estar com ele grandes teólogos, dentre eles São
Tomás de Aquino e São Boaventura. E aconteceu uma coisa espantosa. Poucos
quilômetros dali, em Bolsena, um padre que vinha lá dor norte da Europa, tinha
feito peregrinação em Roma, voltando pra casa resolveu celebrar missa na Igreja
de Santa Cristina. [Santa Cristina foi mártir cristã do século III. Morreu
afogada no Lago Bolsena; ali sobre suas catacumbas se ergueu uma igreja],
durante a missa veio a dúvida no sacerdote sobre a presença real de Nosso
Senhor na Eucaristia. Quando ele partiu o pão, quando ela quebra a hóstia, pois
a hóstia naquele tempo era mais espessa, a hóstia começa a sangrar
abundantemente. Caindo sangue na toalha e no corporal. A hóstia tinha se
tornado carne.
O
padre apavorado com o acontecimento mandou um emissário até o Papa Urbano que
estava ali perto em Orvieto. O Papa ao saber da notícia se dirigiu em procissão
até Bolsena junto com as pessoas que tinham ido dar o recado. Os que estavam lá
pegaram a toalha e o corporal juntamente com a Eucaristia e foram também em
procissão ao encontro do Papa. Podemos dizer que foi a primeira procissão de
Corpus Christi.
Então
o Papa adorou Jesus, lá mesmo no meio do caminho. Depois ele mandou que São
Tomás de Aquino investigasse o ocorrido. Comprovado o milagre, o Papa resolveu
fazer acontecer o pedido de Santa Juliana. Instituiu a festa de Corpus Christi
no dia 11 de agosto de 1264 com a bula papal “Transiturus de hoc mundo”.
Até
aí trâmite oficial, mas ele se lembrou da beguina, Eva de São Martinho. Então
ele escreveu uma carta a ela dizendo que estava sendo promulgada a Festa de
Corpus Christi. Foi uma das primeiras cartas do Papa Urbano IV. Ele tinha
recordado daquela pobre mulher de Liège que havia lutado tanto para que o
desejo de Santa Juliana não morresse com ela. Agora finalmente ‘a lua estava
completa’.
São
Tomás de Aquino e o Ofício de Corpus Christi
Faltava
então, escrever a missa e o Ofício da festa. O Papa decidiu por uma espécie de
“concurso” que os teólogos (que já estavam na corte papal), escrevessem seus
textos e apresentassem a ele. Então São Tomás de Aquino escreveu juntamente com
os demais teólogos, dentre eles São Boaventura. No dia da apresentação São
Tomás de Aquilo leu o seu “Lauda Sion Salvatori”, a sequência de Corpus
Christi. Quando ele terminou a leitura São Boaventura ficou tão admirado que
rasgou seu texto dizendo que não podia apresentar seus escritos para não correr
o risco que aquela pérola preciosa sofresse algum obstáculo e não pusesse ser
apresentada. Com ele seguiram os demais rasgando seus escritos. A poesia de São
Tomás foi aprovada. Ela é grandiosa, não só porque ela é impecável enquanto
arte poética, mas, porque ela firma a fé dando resposta exatamente aos
problemas que a Igreja vivia naquele tempo. Os problemas que vimos no início,
de crer de mais e de menos. São Tomás começa batendo direto no ‘crer de menos’.
Ele diz: “Dogma datur Christimas, quod in carnem transit panis et vinin
in sanguinem. Quod non capis, quod non vides, animora firmat fides, praeter
rerum ordinem”. (Lauda Sion – estrofe 9)
“O
dogma é dado aos cristãos; o pão se transforma em carne, o vinho em sangue. O
que não compreendes, o que não vês, a fé corajosa afirma além da ordem das
coisas”.
Ele
destrói a heresia de Benegário e também dos cátaros, “a fé corajosa, embora eu
não compreenda, mas Jesus disse, então nós afirmamos com Ele”.
Mas
não é só isso. Se lembram das pessoas que não comungavam? São Tomás de Aquino
também tem uma palavra para isso. Não é só uma palavra de fé que se ouve hoje
em dia de abrir as portas, “venham todos, comunguem, sem problema nenhum, de
qualquer jeito. Ele diz: “Sumut boni, sumunti mali: Mors est malis, vita
bonis”. “Os bons e os maus comungam, mas, com sorte desigual. É morte para os
maus, vida para os bons”.
Aqui
está a coisa, pessoas boas comungam e pessoas más também comungam, mas o futuro
não é o mesmo para todos. Ou seja, vida ou morte. É aquilo que São Paulo vai
dizer em 1Coríntios 11, 27-29. “Que cada um examine a sim mesmo, e assim como
deste pão e beba deste cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o
corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação”.
Comungar
sem discernimento, sem estado de graça, isto é, em pecado, é morte eterna. Mais
adiante são Paulo diz: “Esta é a razão porque entre vós há muitos doentes e
fracos, e mortos. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.
Mas, sendo julgados pelo Senhor, ele nos castiga para não sermos condenados com
o mundo” (cf. 1Coríntios 11, 30-32).
O
texto não paralisa não deixa as pessoas sem comungar, dá a elas a
possibilidade, mas é importante distinguir. Por isso, a orientação do Concílio
de Latrão: “Confissão para bem comungar”.
Além
deste grande Lauda Sion, São Tomás de Aquino nos coloca diante de textos que
não estão na missa e na liturgia de Corpus Christi, mas, que nos ajudam muito a
nossa devoção depois que comungamos. Depois que a gente comunga nós temos que
adorar. Então tem aquele famoso hino ‘Adoro te devote’, está tão ligado à São
Tomás que a tradição diz que é obra dele e nós cremos. Assim diz o seguinte:
“Visus
tactus, gustus in te falitur, sed auditu solo tuto creditur”. “A vista, o tato,
o gosto falham e ti, só pelo ouvido se crê com segurança”.
(Adoro te devote, estrofe 2)
Ou
seja, os sentidos não vão captar a substância. É importante saber sobre isso.
Não é que na Eucaristia a nossa visão, nosso gosto e o nosso tato não capta a
substância, não! É que a visão, o gosto e o tato não são capazes de captar a
substância de nada; o que a gente capta com os sentidos é o acidente e não a
substância, são as aparências.
Ele
continua: “Só pelo ouvido se crê com segurança”. Essa é a realidade da
Eucaristia, nós temos que crer no que Jesus disse, crer com segurança, “tuto
creditur”. Porque temos que ter fidelidade de ouvir, porque nós não ouvimos
o barulho do pão, não! Nós ouvimos a voz de Cristo. E a voz de Cristo firma em
nós a fé. Firma em nós a coragem também de nos aproximarmos. Ele disse: “Tomai
e comei, isto é o meu corpo”. Tomai e bebei, isto é o meu sangue”. Nesta frase
de Cristo estão distribuídas essas duas tragédias: Os que tem medo de se
aproximar e aqueles que já não creem.
A procissão de Corpus Christi
O Cristo nas Ruas
É
importante dizer que a bula papal de 1264, que instituía a festa de Corpus
Christi nada dizia de procissão. Ou seja, a festa foi instituída, mas não havia
procissão. As procissões foram se acrescentando ao longo da história até virar
uma tradição em todo mundo. A primeira notícia de uma procissão com o Corpo de
Cristo aconteceu na Alemanha entre os anos 1265-1277. Não se sabe a data
precisa, as procissões medievais que eram expressões bonitas e de fé, mas que
também retratava um pouco a sociedade da época.
Mas,
é importante recordarmos o porque daquela visão da lua faltando um pedaço, na
época de Santa Juliana. Em si a reclamação de Deus ao fazer aparecer aquela
mancha. Não foi a falta de fé de Benegário e a incredibilidade dos cátaros.
Mas, aquela fé estranha das pessoas que não queriam se aproximar da Eucaristia.
Na verdade, no fundo, faltava uma festa para louvar a Eucaristia.
Mas,
você poderia dizer: ‘Mas, isso não é verdade, muitos liturgistas modernos dizem
que existe, que é quinta-feira santa, porque é ali que se faz a festa da
Eucaristia”. mas, quem diz isso não entendeu a visão de Santa Juliana. E nem
entendeu a liturgia como ela foi instaurada pelo Papa Urbano IV e a escrita de
São Tomás de Aquino. Porque Corpus Christi é uma festa da Eucaristia com toda
sua glória e esplendor. Na quinta-feira santa Jesus instituiu a Eucaristia, mas
Jesus saiu dali para ser morto; como poderá haver festa num drama marcado pela
paixão? Na quinta-feira santa celebramos a instituição da Eucaristia e do
sacerdócio católico, mas, era necessário para o bem espiritual dos fiéis
colocar a Eucaristia num outro quadro, numa realidade mais festiva, mais
luminosa. A festa de Corpus Christi é mais luminosa, “a lua luminosa”, ela é o
louvor da Eucaristia e, aqui é que toda a coloração festiva depois de termos
celebrado o Tempo Pascal.
É
por isso que São Tomás de Aquino inicia a sua Sequência com um grande louvor.
Ele diz: “Lauda Sion Salvatorem, lauda ducem et pastorem, in hyminis et canticis”. “Louva Sião, teu
Salvador, louva teu guia e pastor com hinos e cânticos”.
E
não é somente louvar, é incentivar as pessoas a fazer isso. “Quatum potes,
tantum aude: quia maior omini laude nec laudare sufficis”. “Tanto quanto
possas, tanto ouses: Porque é maior que todo louvor, e nunca o louvemos o
bastante”. (Lauda Sion – estrofe 1-2)
A
Eucaristia é maior que todo louvor, não há língua que louve, de homem ou de
anjo. Somente o louvor de Deus feito pelo próprio Filho Encarnado é capaz de
louvar a Deus pela grandeza da Eucaristia. Nós passaremos a eternidade louvando
por aquilo que é a Eucaristia.
O
significado da mancha
A
mancha estava preenchida e levou 40 anos. A menina com quinze anos que começou
a ver a lua ficou perplexa com aquele mistério por 20 anos. Depois demorou mais
20 anos para que a festa finalmente aparecesse. Ali estava preenchida o que
faltava na lua. Não com dogma, não com uma cruzada, não com absolutamente nada,
mas com louvor. Essa é a finalidade. Era isso que estava faltando, que
louvássemos verdadeiramente a Eucaristia.
Que
toda língua cante, que os anjos cantem e todos cantemos. Que a festa de Corpus
Christi seja verdadeiro louvor à Eucaristia.
A
Eucaristia é sustento e remédio para a alma.
No
milagre de Bolsena, Nosso Senhor quis nos mostrar que a Eucaristia não é uma
fantasia, também não é um teatro, ou faz de conta. As palavras de Jesus ao
instituir a Eucaristia que é a sua presença real, ou seja, corpo, sangue alma e
divindade, e cujo, ele a instituiu na quinta-feira Santa é uma realidade.
Nosso
senhor Jesus Cristo deixou-nos o sacramento da Eucaristia, o memorial perpétuo
paixão, morte e ressurreição. Mas, também a Eucaristia é o alimento da alma.
Mas,
poderia alguém perguntar: eu aceitei Jesus e estou salvo porque preciso da
Eucaristia?
Ora,
a salvação foi dada por Jesus no calvário. Ela passa por um processo que é:
aceitar Jesus, ser batizado, participar da igreja, viver de acordo com o
evangelho, dar testemunho de Cristo. E nesse processo exige longa caminhada
neste mundo. Jesus mesmo tendo nos dado a salvação, poderíamos perdê-la por
causa da nossa fraqueza, dos nossos pecados. Por isso, ele entregou a igreja
toda autoridade para guiar o seu povo. Não só quis ficar espiritualmente
conosco, mas quis se entregar como um todo por nós. Para isso ele por amor aos
homens, criou os sacramentos e dentre eles o maior de todos, a Eucaristia, que
é sua presença real. Assim como o corpo precisa de alimento para sobreviver, a
alma precisa se alimentar para a eternidade. A Eucaristia é o alimento da alma.
Jesus se torna alimento para a nossa salvação.
Por
que enganam-se aqueles que pensam que já estão salvos só porque aceitou Jesus.
A salvação ela é gratuita, mas, depende do nosso esforço para alcançá-la.
Todos
nós dependemos de Cristo para chegar à salvação plena. Jesus sabendo disso quis
se entregar no todo até mesmo em um pedaço de pão.
No
início do cristianismo a Eucaristia era chamada a fração do pão. Os cristãos
reuniram-se nas casas para partir o pão, segundo narra o livro dos Atos.
Acontece
que os participantes da ceia achavam que a Santa ceia era para matar a fome e
comiam demasiadamente saberem o que estava fazendo.
São
Paulo vai exortar os cristãos dizendo que a Eucaristia não é qualquer coisa.
Que as pessoas deveriam saber distinguir o corpo e sangue de Cristo na
Eucaristia.
Por
isso, que ele vai dar instruções de como os cristãos deveriam se preparar para
receber a Eucaristia.
Ele
disse: "irmãos. O que eu recebi do Senhor eu vos transmiti. Na noite em
que foi traído ele tomou do pão e disse isto é o meu corpo e tomando do cálice
disse isto é o meu sangue", e mais à frente ele vai dizer, "sabeis
quem comunga do corpo e sangue do Senhor sem fazer distinção de tal, come e
bebe a própria condenação, por causa disso há muitos doentes e mortos entre vós”.
– 1Coríntios11, 27-30.
São
Paulo está nos mostrando que a Eucaristia não é um teatro, não é faz de conta.
Ela é a presença real de Cristo. Ele disse: “Portanto, irmãos meus, quando
vos reunis para a ceia, esperai uns pelos outros. Alguém tem fome, coma em casa.
Assim vossas reuniões não atrairão condenação”. (cf. 1Coríntios11, 33-34. –
A ceia não é para ninguém se fartar, encher a pança, é para celebrar comungar a
Eucaristia.
É muito comum nas igrejas protestantes
celebrar o memorial da ceia. Mas o memorial é apenas uma lembrança. Na santa
missa acontece o que chamamos de transubstanciação, ou seja, pelas mãos do
sacerdote e pela ação do Espírito Santo as espécies do pão e do vinho se torna
o corpo e sangue de Cristo.
Muitos, ao longo da
história duvidavam da presença real de Cristo. Por isso os milagres
eucarísticos vão acontecendo ao longo do tempo até nos dias de hoje. Jesus não
precisava dar sinais de sua presença Eucarística. Porém, ainda existem alguns
que age como Tomé que tendo ouvido falar da ressurreição de Cristo ainda
duvidou e precisou tocá-lo fisicamente. Nosso senhor não deixa ninguém na
dúvida. E mesmo não precisando ele em cada tempo específico dá sinais de sua
presença. Esses sinais estão presentes nos milagres eucarísticos.
Antes
do milagre eucarístico de Bolsena, aconteceu o famoso milagre Eucarístico de
Lanciano. No ano 700, em Lanciano, na Itália, na igreja de São Lengoziano, um
monge da Ordem de São Basílio, que duvidava da presença real de Cristo na
Eucaristia, viu a hóstia transformar-se em carne viva e o vinho em sangue
durante a missa. A Carne e o Sangue (coagulado em cinco fragmentos) continuam
preservados e expostos para veneração. Estudos científicos indicam que a carne
pertence ao tecido do miocárdio (coração) e ambos são do grupo sanguíneo AB.
A
análise científica mais abrangente e conhecida das relíquias do Milagre
Eucarístico de Lanciano foi conduzida em 1970 pelo Dr. Edoardo Linoli,
professor de anatomia e histologia patológica, com a colaboração do Prof.
Ruggero Bertelli. Os resultados foram publicados em 1971 na revista Quaderni
Sclavo di Diagnostica Clinica e di Laboratorio.
As
principais conclusões científicas da pesquisa foram:
Tecido
Humano Real: A carne é constituída por tecido muscular
estriado do miocárdio (o músculo do coração).
Sangue
Real: O sangue coagulado pertence ao grupo sanguíneo AB. O
sangue AB é típico dos judeus.
Ausência
de Conservantes: Não foram encontrados vestígios de
qualquer agente conservante ou de embalsamamento que pudesse ter impedido a
decomposição natural ao longo dos séculos. Proteínas e Minerais: No sangue,
foram identificados proteínas e minerais em proporções normais de um sangue
humano vivo.
Pois
bem, a partir desse milagre todos os demais contém o mesmo tipo AB, e tecido do
miocárdio. Com isso Jesus quer que saibamos que ele está vivo, presente na
Eucaristia, não só espiritualmente, mas fisicamente, corpo, sangue, alma e
divindade.
O
milagre de Bolsena foi o mais conhecido, mas existem outros e tem uma coisa em
comum com o de Lanciano. Em ambos os casos ocorreu porque os sacerdotes tinham
dúvidas sobre a presença real de Jesus na Eucaristia. Tais milagres compravam
sua presença real e tirou as dúvidas das outras pessoas que também duvidava.
O
milagre eucarístico de Bolsena foi testificado por milhares de pessoas, mas
também foi comprovado cientificamente como verdadeiro e inexplicável.
O
Milagre Eucarístico de Bolsena (ocorrido em 1263) foi analisado cientificamente,
a restauração e análises recentes (2015): Durante um projeto de restauração do
corporal (pano de altar) na Catedral de Orvieto, especialistas em conservação e
tecidos antigos liderados por Ester Giovacchini examinaram o tecido. Análises
sob luz ultravioleta confirmaram a presença de depósitos biológicos divididos
entre plasma e soro.
Jesus
é o pão vivo descido do céu para salvação do mundo.
No
Evangelho de João (6, 22-71), Jesus realiza a transição da multiplicação dos
pães para o Discurso do Pão da Vida. Ele revela ser o verdadeiro pão descido do
céu, exigindo que Seus seguidores comam Sua carne e bebam Seu sangue para
alcançar a vida eterna. Vamos ler o Evangelho:
No dia seguinte a
multidão que estava no lado leste do lago viu que ali só havia um barco
pequeno. Sabiam que Jesus não tinha embarcado com os discípulos, pois estes
haviam saído sozinhos. Enquanto isso, outros barcos chegaram da cidade de
Tiberíades e encostaram perto do lugar onde a multidão tinha comido pão depois
de o Senhor Jesus ter dado graças. Quando viram que Jesus e os seus discípulos
não estavam ali, subiram nos barcos e saíram para Cafarnaum a fim de
procurá-lo. A multidão encontrou Jesus no lado oeste do lago, e perguntaram a
ele: — Mestre, quando foi que o senhor chegou aqui? Jesus respondeu: — Eu
afirmo a vocês que isto é verdade: vocês estão me procurando porque comeram os
pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres. Não
trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a
comida que dura para a vida eterna. O Filho do Homem dará essa comida a vocês
porque Deus, o Pai, deu provas de que ele tem autoridade. — O que é que Deus
quer que a gente faça? — perguntaram eles. — Ele quer que vocês creiam naquele
que ele enviou! — respondeu Jesus. Eles disseram: — Que milagre o senhor vai
fazer para a gente ver e crer no senhor? O que é que o senhor pode fazer? Os
nossos antepassados comeram o maná no deserto, como dizem as Escrituras
Sagradas: “Do céu ele deu pão para eles comerem.” Jesus disse: — Eu afirmo a
vocês que isto é verdade: não foi Moisés quem deu a vocês o pão do céu, pois
quem dá o verdadeiro pão do céu é o meu Pai. Porque o pão que Deus dá é aquele
que desce do céu e dá vida ao mundo. — Queremos que o senhor nos dê sempre
desse pão! — pediram eles. Jesus respondeu: — Eu sou o pão da vida. Quem vem a
mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede. Mas eu já
disse que vocês não creem em mim, embora estejam me vendo. Todos aqueles que o
Pai me dá virão a mim; e de modo nenhum jogarei fora aqueles que vierem a mim.
Pois eu desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou e não para
fazer a minha própria vontade. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum
daqueles que o Pai me deu se perca, mas que eu ressuscite todos no último dia.
Pois a vontade do meu Pai é que todos os que veem o Filho e creem nele tenham a
vida eterna; e no último dia eu os ressuscitarei. Eles começaram a criticar
Jesus porque ele tinha dito: “Eu sou o pão que desceu do céu.” E diziam: — Este
não é Jesus, filho de José? Por acaso nós não conhecemos o pai e a mãe dele?
Como é que agora ele diz que desceu do céu? Jesus respondeu: — Parem de resmungar
contra mim. Só poderão vir a mim aqueles que forem trazidos pelo Pai, que me
enviou, e eu os ressuscitarei no último dia. Nos Profetas está escrito: “Todos
serão ensinados por Deus.” E todos os que ouvem o Pai e aprendem com ele vêm a
mim. Isso não quer dizer que alguém já tenha visto o Pai, a não ser aquele que
vem de Deus; ele já viu o Pai. — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem crê
tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os antepassados de vocês comeram o
maná no deserto, mas morreram. Aqui está o pão que desce do céu; e quem comer
desse pão nunca morrerá. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer
desse pão, viverá para sempre. E o pão que eu darei para que o mundo tenha vida
é a minha carne. Aí eles começaram a discutir entre si. E perguntavam: — Como é
que este homem pode dar a sua própria carne para a gente comer? Então Jesus
disse: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: se vocês não comerem a carne do
Filho do Homem e não beberem o seu sangue, vocês não terão vida. Quem come a minha
carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último
dia. Pois a minha carne é a comida verdadeira, e o meu sangue é a bebida
verdadeira. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim, e eu vivo
nele. O Pai, que tem a vida, foi quem me enviou, e por causa dele eu tenho a
vida. Assim, também, quem se alimenta de mim terá vida por minha causa. Este é
o pão que desceu do céu. Não é como o pão que os antepassados de vocês comeram
e mesmo assim morreram. Quem come deste pão viverá para sempre. Jesus disse
isso quando estava ensinando na sinagoga de Cafarnaum. Muitos seguidores de
Jesus ouviram isso e reclamaram: — O que ele ensina é muito difícil! Quem pode
aceitar esses ensinamentos? Não disseram nada a Jesus, mas ele sabia que eles
estavam resmungando contra ele. Por isso perguntou: — Vocês querem me abandonar
por causa disso? E o que aconteceria se vocês vissem o Filho do Homem subir
para onde estava antes? O Espírito de Deus é quem dá a vida, mas o ser humano
não pode fazer isso. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida, mas
mesmo assim alguns de vocês não creem. Jesus disse isso porque já sabia desde o
começo quem eram os que não iam crer nele e sabia também quem ia traí-lo. Jesus
continuou: — Foi por esse motivo que eu disse a vocês que só pode vir a mim a
pessoa que for trazida pelo Pai. Por causa disso muitos seguidores de Jesus o
abandonaram e não o acompanhavam mais. Então ele perguntou aos doze discípulos:
— Será que vocês também querem ir embora? Simão Pedro respondeu: — Quem é que
nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão vida eterna! E nós cremos e
sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou. Jesus disse: — Fui eu que
escolhi todos vocês, os doze. No entanto um de vocês é um diabo! Ele estava
falando de Judas, filho de Simão Iscariotes. Pois Judas, embora fosse um dos
doze discípulos, ia trair Jesus.
Para
a Doutrina Católica, este texto é considerado o pilar fundamental que
fundamenta o Sacramento da Eucaristia. A narrativa pode ser dividida nos
seguintes pontos:
O
Sinal e o Interesse Material (v. 22-34)
Após
a multiplicação dos pães e dos peixes, a multidão vai atrás de Jesus. Ele
adverte que o buscam não por compreenderem o milagre como um sinal divino, mas
por terem comido e se saciado. O Alimento Espiritual: Jesus convida o povo a
trabalhar não pela "comida que perece", mas pelo alimento que dura
até a vida eterna. O Verdadeiro Maná: Ao ser questionado sobre que obra faria
(lembrando o maná que Moisés deu no deserto), Jesus esclarece que não foi
Moisés quem deu o verdadeiro pão do céu, mas o Pai.
A Auto-Revelação
(v. 35-51)
Jesus pronuncia o primeiro "Eu Sou" deste
capítulo: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem
crê em mim nunca mais terá sede"
O Escândalo e a Promessa Eucarística (v. 52-59). Aqui
ocorre o ponto central da interpretação católica. Jesus eleva o discurso ao
declarar que o pão que Ele dará é a Sua própria carne.
Comer a Carne e Beber o Sangue: Ele usa o verbo grego
trōgein (que significa literalmente "mastigar" ou "roer"),
enfatizando que Sua entrega não é um símbolo, mas uma realidade corporal.
O Discurso Duro e a Decisão (v. 60-71)
Diante da exigência de "comer a sua carne",
muitos discípulos acham o discurso inaceitável e o abandonam. Jesus não ameniza
Suas palavras nem diz que era apenas uma metáfora. Ele pergunta aos Doze
Apóstolos se eles também querem partir. A Resposta de Pedro: Simão Pedro
responde em nome de todos os Apóstolos: "Senhor, a quem iremos? Tu tens
palavras de vida eterna". Esta é a profissão de fé na autoridade divina de
Jesus.
Jesus
disse: "Em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu
Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é o pão que desce
do céu e dá vida ao mundo”. Disseram-lhe: “Senhor dá-nos deste pão”. Jesus
replicou: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim jamais terá sede”.
(Cf. João6, 32-36)
O Maná era uma prefiguração da Eucaristia. Assim como
a multiplicação dos pães. Jesus no evangelho de João não faz rodeios. Ele disse
quem não comer da minha carne do meu sangue não terá a vida eterna. Os
discípulos ouvido esse discurso perguntaram: como ele mesmo pode se dar de
comer. Porque eles achavam muito duras as suas palavras. Não entenderam o que Jesus
queria dizer. (João6, 60)
Muitos ficaram
escandalizados e foram embora. Mas Jesus não mudou o que disse. E voltando para
os seus apóstolos perguntou: "vós também quereis ir?" E Pedro tomando
a palavra respondeu: "a quem iremos Senhor? Só tu tens palavras de vida
eterna." (João6, 66-68)
Muitos
interpretam esta passagem do Evangelho como se Jesus estivesse falando
simbolicamente ao dizer "eu sou o pão da vida", para dizer que ele
estava dizendo que sua palavra é alimento. Sim, a palavra de Deus é alimento,
mas nesse caso, Jesus não estava falando metaforicamente. Ele estava anunciando
o que ele iria fazer no futuro, na última ceia ao instituir o sacramento da
Eucaristia.
Quando
ele diz "a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeiro é
bebida" ele não está falando de simbolismo.
Na
última ceia ao partir o pão ele disse, "tomar e comer isso é o meu corpo
que será entregue por vós", e ao passar o cálice com o vinho ele disse,
"toma aí bebei esse é o cálice do meu sangue, que será derramado por nós
para remissão dos pecados todas as vezes que fizerdes isto, fazei em memória de
mim".
Veja
que ele diz, "isto é", o verbo está no tempo presente. Quando ele diz,
isto é, ele está afirmar, todas as vezes que fizerdes isto eu estarei na
Eucaristia como memorial perpétuo da Nova Aliança no meu sangue.
Portanto,
na Eucaristia Jesus se faz presente em todas as santas missas. Em todos os
sacrários Jesus está presente.
Mas
você pode perguntar, por que não vejo Jesus na hóstia consagrada? Só
conseguimos entender este mistério com os olhos da fé. Quando Jesus apareceu
ressuscitado a Tomé, ele disse a Tomé: credes porque me vistes? Bem-
aventurados aqueles que creem sem terem vistos. Tomé Ajoelhando-se disse:
"meu senhor e meu Deus!"
Podemos
aplicar esta mesma passagem quando estamos diante do mistério da Eucaristia.
Não ouvimos com os olhos humanos, mas com os olhos da fé. O pão continua pão, o
vinho continua vinho. Mas não é mais pão e nem é mais vinho é o corpo e sangue
de Cristo. É por isso que muitas vezes Jesus precisou se manifestar fisicamente
para aqueles que ainda tinham dúvidas em seu coração. A palavra Eucaristia
significa ação de Graças, já a palavra hóstia significa vítima.
Por
isso na santa missa acontece o memorial da paixão e morte e ressurreição de
Jesus. Esse mesmo memorial que ele instituiu na última ceia.
Ou seja, em cada missa acontece o sacrifício
de Cristo na cruz, porém de forma incruenta. Significa que, o sacrifício de
Cristo na cruz foi feito uma vez só, porém, ele é renovado, ou seja, se
atualiza diariamente na Eucaristia. Quando celebramos a Santa missa estamos
celebrando o mistério da paixão morte e ressurreição de Jesus. Assim São Paulo
diz: "todas as vezes que fizerdes isto, estarei proclamando a morte do
Senhor até que ele venha".
A
festa de corpus Christi é um dia especial do ano escolhido para celebrarmos de
forma mais profunda esse grande mistério do amor de Deus por nós. Nosso senhor
que quis ficar conosco presente na Eucaristia, como ele mesmo disse: "eis
que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo".
Somente na Igreja
Católica podemos receber Jesus na Eucaristia. E somente da Igreja Católica
Jesus se faz presente fisicamente, espiritualmente e divinamente e está vivo
ressuscitado em todos os sacrários de todas as igrejas. Aquele que abandona a
Igreja de Cristo para se tornar um protestante a grande de receber Jesus. Por
que porque somente na Igreja Católica, seja ela de latino ortodoxo é que possui
a Eucaristia. Isto é o Cristo vivo presente em corpo, sangue alma e divindade.
Preciso dizer, e aqui não
quero fazer discriminação religiosa, mas, deixar claro que as igrejas
protestantes não tem Eucaristia. A Santa ceia protestante, embora mereça
respeito e consideração, não tem valor sacramental porque não podem consagrar o
pão e o vinho. Aliás, algumas denominações nem usem mais o vinho, mas suco de
uva o que já é um absurdo.
Portanto aquele que se
torna protestante também se torna inimigo do próprio Cristo Eucarístico. Pois,
se Jesus deixou na sua igreja esse Sacramento admirável, quem abandona a
verdadeira igreja para seguir outra falsa, o elo da Graça divina que é a Eucaristia.
Jesus é bem claro ao dizer, "quem não comer e beber da minha carne não
terá a vida eterna". Jesus é claro em dizer aos seus discípulos: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida. Pois a minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele". - João6, 54-56.
Aquele que abandona a verdadeira Igreja de Cristo, onde o sacramento da Eucaristia é dado em toda santa Missa. Onde Nosso Jesus Cristo se faz presente em todos os sacrários no sacramento da Eucaristia, perde a oportunidade da salvação. Jesus não forçou seus discípulos a ficarem com ele, "vocês também querem ir?" - disse Jesus àqueles que acharam duras suas palavras [...] Mas, Nosso Senhor estava sendo objetivo. A Eucaristia é um convite e um ato de amor de Jesus por nós. Ele não quis nos deixar sós, não nos abandonou após ter subido aos céus. Lembre-se das suas palavras na última Ceia, "não vos deixarei órfãos" - "Eis que estarei com vocês até o fim do mundo". Assim, nosso Senhor por amor a nós quis permanecer no pão e no vinho, ali escondido, como dizia São Francisco Marto, o vidente de Fátima, para sermos alimentados por Ele e recebermos a vida eterna.
Somente na Santa Igreja católica isto é possível. Não existe este sacramento em outras seitas. A "santa ceia" protestante não tem a Eucaristia, é um memorial, não um sacramento como acontece na santa Missa. Lembremos do final deste Evangelho (cf. João6, 70-71), onde Jesus disse, "não escolhi os doze? contudo entre vós há um demônio", se referindo a Judas Scariotes que havia de traí-lo. Quem abandona a verdadeira Igreja, abandona Jesus no Santíssimo Sacramento da Eucaristia para seguir as seitas se torna desertores fé. Se torna um novo traidor.
Oh Sacramento admirável! Se as pessoas entendessem e pudesse sentir o grande amor que o Senhor tem por nós a ponto de se entregar ao todo na Eucaristia por amor a todos os que ele salvou na Cruz. Pão dos anjos descido dos céus para nossa salvação.
Tantum ergo sacramentum. Veneremur cernui. Et antiquum documentum. Novo cedat ritui. Praestet fides supplementum. Sensuum defectui.
Genitori, genitoque. Laus et iubilatio. Salus,
honor, virtus quoque. Sit et benedictio. Procedenti ab utroque .Compar sit
laudatio
Amen.
Ó Sacramento tão sublime. Veneremos curvados. E a antiga Lei, dê lugar ao novo rito. A fé venha suprir a fraqueza dos sentidos. Ao Pai e ao Filho saudemos com brados de alegria. Louvando-os, honrando-os, dando-lhes graças e bendizendo-os. Ao espírito que procede de ambos demos os mesmos louvores. Amém.
Fonte: parte deste texto - explicação, história de Corpus Christi de Padre Paulo Ricardo


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