segunda-feira, 15 de junho de 2026

BANDEIRA DE ISRAEL OU A CRUZ DE CRISTO - QUAL É O SINAL DO CRISTÃO?

 

Todos os anos é realizado o evento gospel, a “Marcha pra Jesus”. E a gente vê cada dia mais as pessoas do meio cristão, evangélicos portando a bandeira de Israel durante o evento. Ultimamente há um certo grupo de protestantes, com seus líderes tem tentando tornar judaizante o cristianismo, algo que os cristãos do primeiro século lutaram para desvincular as práticas judaicas do cristianismo. No livro dos Atos dos Apóstolos encontramos o primeiro Concílio da Igreja, podemos assim dizer, para discutir o problema das práticas judaicas no cristianismo. Ocorreu que, os judeus convertidos queriam que os gentios (os pagãos), passassem pela circuncisão. Foi preciso reunir os bispos, os Apóstolos, para discutir o assunto. São Pedro e São Tiago em nome da assembleia decidiram por excluir a circuncisão e as outras práticas que no cristianismo não fariam mais sentido. O batismo foi o único meio aceito, como sacramento, os convertidos deveriam ser batizados. A condição era receber o Evangelho, se arrepender, aceitar o Senhor Jesus, ser batizado. Sem precisar passar pelo jugo da lei, e dos rituais da lei de Moisés.

 

        Quando o Senhor Jesus pregou em Nazaré ao ler a passagem do profeta Isaías, ele disse que n’Ele estava se cumprindo a Escritura. "Hoje se cumpriu este oráculo que acabais de ouvir". (Lucas4, 16-21)  Todas as profecias se cumpriram em Jesus Cristo. De modo que com ela, toda a Lei dos profetas e todas as leis cerimoniais foram cumpridas. Mas ao lermos os versículos mais à frente vamos deparar com a rejeição dos seus próprios compatriotas, ao rejeitar a mensagem de Nosso Senhor, tendo-o expulsado da sinagoga, e ainda levaram-no ao alto do monte e queriam matá-lo jogando-o no precipício. Tamanho era o ódio que eles sentiam por nosso Salvador. (Lucas4, 28-29) - e em todos os evangelhos vamos encontrar relatos em que os fariseus procuravam ocasiões para matar Jesus, inclusive armando-lhes armadilhas como, por exemplo, a discussão se era lícito ou não pagar o tributo a César. (Mateus22, 15-22) 

O evangelista São Mateus, em seu evangelho, ele enfatiza muito quando ao narrar uma ação de Jesus, ele disse: “isso aconteceu para que se cumprisse a profecia tal”. Com isso, ele quer dizer aos judeus cristãos que Jesus é o Messias que o povo esperava. 

    Poderíamos perguntar: "Mas, no evangelho está escrito que 'Jesus ocupará o trono de Davi?’". Sim, mas esse anúncio feito pelo anjo em Lucas 1, 32, se refere ao caráter messiânico de Jesus, pois, Davi não é maior que Jesus. Lucas descreve isso para mostrar que Jesus, o Cristo de Deus vem de uma linhagem de sacerdotes e reis, que ele nascerá de seu povo e em primeiro lugar a salvação chegaria até eles, foi ofertada a eles e eles o rejeitaram. "Ide primeiro as ovelhas da casa de Israel" (Mateus10,6) - "Mas, veio para os seus e os seus não o receberam" (João1, 12).    

São Paulo, em 2Coríntios 5, 14-17 diz: “O amor de Cristo nos constrange, considerando que, se ele morreu por todos, logo todos morreram. Sim, ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo”. Mais adiante ele vai dizer: “Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação”. São Paulo nos ensina que o Senhor Jesus deu sua vida por todos. Ele se tornou o único reconciliador entre a humanidade e a divindade. Fez isso por amor aos homens, de modo que, como Ele morreu e ressuscitou, também morreremos e ressuscitaremos com Ele.

     Uma pergunta: De que modo Cristo nos salvou? Não foi se entregando no madeiro da cruz? Não foi na sua paixão, morte e ressurreição que tudo se fez novo? 

    Sim, o Senhor Jesus veio tornar novas todas as coisas. Como Ele mesmo disse, referindo-se aos Mandamentos e a lei dos profetas: “Eu não vim abolir a Lei, mas vim aperfeiçoá-las”.

    Nosso Senhor veio aperfeiçoar a Lei. E foi isto o que Ele fez. Em primeiro lugar uniu os Mandamentos em dois, ‘amar a Deus e ao próximo’ – “Nisto cumprirás todos os outros”, diz Nosso Senhor. Ele aboliu a na Antiga Aliança a Páscoa judaica, onde o cordeiro era oferecido pelo sacerdote e o sangue derramado em oblação pelo perdão dos pecados. Ele instituiu uma Nova Aliança, se fez vítima por nós, ao mesmo tempo om sacerdote e o cordeiro para anular de uma vez por todas o sacrifício de amimais. Ele dentro da ceia pascal judaica, instituiu os sagrados ministérios e tomando do cálice com o vinho disse “Tomai e bebei, isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança que será derramado por muitos em remissão dos pecados” – (Mateus26, 27-28) Pronto, Jesus retira o sacrifício de animais, Ele mesmo se torna a vítima pascal – cumprindo o que o profeta Isaías já havia anunciado. Diz o Senhor: “De que me serve a multidão de vossos sacrifícios? — diz o Senhor. Já estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados; não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes.” (Isaías 1,11) - Aqui o profeta anuncia o que Deus faria com os sacrifícios antigos. Eis que Jesus cumpre na sua carne as palavras do profeta. Agora, não vários, mas, um único e verdadeiro sacrifício foi capaz e suficiente para salvar a todos dos pecados. Israel e nem sua lei, símbolos e rituais nos pertencem porque somos constituídos de uma Nova Aliança no Sangue do Senhor Jesus.  

     Nosso Senhor não empunhou nenhuma bandeira. Não! Mas ele tomou sobre si as nossas dores, carregou a Cruz até o calvário e nela se entregou por amor à humanidade.

     Dias antes de sua morte, entrou em Jerusalém e foi recebido não com bandeiras, mas estendiam mantos e cobriam o caminho com ramos e aclamado como rei. (Marcos11, 8-10)

     O Senhor Jesus foi preso e condenado, não pelo desejo de Roma, porque Pilatos não achava nele nenhuma culpa – (João18, 31.38) – Mas, os sacerdotes juntamente com a turba dos judeus obrigaram Pilatos a condená-lo. Uma das razões pelas quais Jesus foi morto, foi pela inveja dos judeus, como os evangelistas vão narrar em vários textos: “Eles por inveja procuravam meios de mata-lo”. Como não podiam matá-lo (João18, 31), provocaram a Pilatos dizendo, “ele se fez rei, e todo aquele que se faz rei se declara contra César” [...] “Não temos outro rei senão a César!” (João19, 12.15-16) – embora Jesus tivesse dito a ele, “o meu reino não é daqui” (João18, 36), - mesmo assim os judeus entregaram-no à morte. Faz sentido um cristão empunhar a bandeira de quem renegou o Messias e de quem no passado entregou à morte nosso Salvador?         

    Os judeus, (em sua maioria), até hoje, não creem em Nosso Senhor, não o aceitam como o verdadeiro Messias. Pergunte a um rabino judeu quem é Jesus. Os muçulmanos "tem mais respeito" com Jesus do que um judeu ortodoxo, porque ao menos se você perguntar a um muçulmano quem é Jesus ele vai dizer: "foi um profeta", enquanto que o judeu vai dizer: "foi um falso profeta, ou um feiticeiro".   

    No tempo de Jesus havia muitos que aceitaram a salvação. Os próprios Apóstolos eram judeus. Mas, a grande maioria que seguiu Jesus e que o recebeu entrando em Jerusalém com aclamações, foram os mesmo que depois gritaram a Pilatos "crucifica-o!" - daqueles muitos, poucos sobraram e a grande maioria preferiu a Barrabás que Nosso Senhor Jesus. Preferiram a condenação que a salvação quando chamando a maldição sobre si e suas gerações disseram: "Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos!" (Mateus27, 24-26) - Será nós cristãos precisamos de uma bandeira de Israel em nosso meio? Em que isso ajuda a nossa fé? Nada.       

  Mesmo após a Ressurreição eles perseguiram os discípulos e os santos apóstolos e os mataram, como, por exemplo, São Tiago tido como o “irmão” do Senhor que foi lançado do pináculo do Templo. Lembrem-se de Saulo de Tarso que teve nas mãos o sangue do diácono Santo Estêvão. (Atos8, 1-3). E até os dias atuais, os judeus odeiam os cristãos. Toleram às vezes, mas há relatos de quem já foi à Jerusalém ter sido hostilizado pelos judeus e até sofreram cusparadas e xingamentos e outros insultos. Como é que os evangélicos podem agora querer ostentar a bandeira de quem condenou o Filho de Deus, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo?

 

Marcha por quê se Jesus não era nenhum general? - além do mais, a nossa marcha (se teologicamente entendida como nossa caminhada para Deus) é definitiva, deve ser "com Jesus" e não "para Jesus". Pois, é com ele que devemos caminhar de modo seguro e o caminho a percorrer deve ser trilhado pelo Evangelho.  

     Quem era o “Senhor dos Exércitos” era Javé. Os verdadeiros seguidores de Javé, os judeus, consideram Jesus um falso profeta, não um Cristo. Eles não falam abertamente sobre isso para evitar maiores conflitos, e os evangélicos são tão ignorantes que apoiam os judeus a ponto de carregar bandeiras de Israel em suas manifestações.

 Jesus é um dos três inimigos da religião judaica. Faz parte da literatura judaica (os que levam ao pé da letra), entender que Jesus foi um inimigo. Eles não aceitam que ele é o Messias, o Filho de Deus, consideram-no como um traidor, um feiticeiro; e isso está claramente firmado no evangelho de Mateus quando os fariseus acusaram Jesus de realizar um milagre em nome de Beelzebul – Mateus12, 22-24.

  Caluniando o Salvador, eles falam que Jesus entrou no Templo usando mentiras, roubou alguma coisa lá do templo que deu a Jesus poder. Enquanto que os evangelhos vão dar testemunhos de que o poder de Jesus o acompanhou durante toda a sua vida e após a morte tendo ressuscitado manifestou de forma gloriosa aos seus discípulos.   

 Isso está num livro chamado Toledot Yeshua, que faz parte da tradição judaica. Eles não falam muito desses livros para não causar indisposição comum nos cristãos.

Quando Ele esteve neste mundo não convocou nenhum exército, nem mesmo uma guarda pessoal. A Pilatos ele disse quando o interrogou: “O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus” (João18, 36). Note aqui, que Jesus não disse que quem o entregou foi o poder romano, embora ele tivesse diante de um interrogatório romano, Jesus sabia que as acusações e o desejo de o ver condenado partia dos judeus.   

 

    O Israel de hoje não é o Israel bíblico? Não. O Israel bíblico acabou quando Roma tomou o poder estabeleceu Herodes como ‘rei’ da Judeia.  Herodes, o Grande (37 a.C. – 4 a.C.)  Ele mandou matar o sumo sacerdote Aristóbulo III (seu cunhado) e também Hircano II, além de perseguir outros membros da linhagem sacerdotal hasmoneia, por medo de perder o poder.  O objetivo era eliminar rivais políticos e religiosos que poderiam disputar o poder.

    Esse ato se soma à sua reputação de governante cruel e paranoico, que não hesitava em eliminar até familiares próximos para manter o trono. O fato mais conhecido foi o infanticídio a mando de Herodes quando soube do nascimento de Jesus, conforme descreve Mateus 2, 16.  

    Com a tomada de Jerusalém e toda a Judeia pelo Império Romano, com o fim da linhagem sacerdotal, Roma tolerava o culto judaico, mas, os sacerdotes do Templo eram indicados por Roma, como Anás e Caifás que condenou Jesus.

    Portanto, não há mais dinastia sacerdotal no Israel de hoje. Nem sacerdotes, nem o Templo (que foi destruído no ano 70 d.C.), nem nada que justifique algum cristão louvar Israel empunhando uma bandeira. Aliás, o Israel Bíblico não tinha bandeira, quando marchavam levavam consigo a arca da Aliança. Outro mito é o hexagrama de Davi (estrela de Davi), não há nenhum registro que prove que o rei Davi usava uma estrela como guia.

    Se alguém disser: "Fazemos isso porque Israel é o povo escolhido de Javé". Não! - A muito tempo, é triste fizer, mas a muito tempo essa Nação não compactua com Deus. E como podemos afirmar? Porque o que resta do Templo é só pedaços aqui e ali. Deus permitiu a desolação no ano 70 d.C e o que resta é apenas um muro para lembrar a glória do Israel passado, glória esta que lhes foi tirada a partir do momento em que eles rejeitaram a Salvação - João 1, 11-13. Jesus mesmo indo para o suplício disse: "Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim, chorai a antes por vós mesmas e por vossos filhos. Porque dias virão em que direis felizes as estéreis e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram. Então começareis a dizer aos montes: "caí sobre nós!" e aos outeiros "Cobri-nos!" Porque se fazem isso com o lenho verde, imagine como o lenho seco?" - E ainda em sua vida, ao prever a destruição do Templo, Jesus disse: "Aqui não ficará pedra sobre pedra" (Mateus24, 2). Jesus falava do grande castigo e da hora em que Deus se afastaria daquele povo por sua desobediência e por rejeitar o Filho de Deus.          

 

A bandeira e o de Israel de hoje

O Estado de Israel, não existia nos tempos bíblicos existia 3 reinos: Reino Unido de Israel: A nação inteira era governada pelos reis Saul, Davi e Salomão. Incluía as doze tribos de Israel. Reino de Israel (Reino do Norte): Após a morte de Salomão, dez tribos se separaram e formaram o Reino do Norte. Sua capital ficava em Samaria. Reino de Judá (Reino do Sul). E foi o Reino de Judá que surgiu os judeus.

  A Bíblia e fontes históricas como a Britânica explicam que a separação ocorreu por volta de 930 a.C.. O Reino do Norte acabou primeiro, invadido pela Assíria em 721 a.C.. O Reino de Judá durou mais tempo, até cair para a Babilônia em 586 a.C. Toda a região que hoje conhecemos chamava-se Palestina.

O principal e mais autêntico símbolo do Israel antigo era a Menorá (o candelabro de sete braços).

Diferente do que muitos pensam, a Estrela de Davi não era usada como símbolo nacional ou religioso na antiguidade. Os judeus não consideravam a estrela de Davi como símbolo religioso nem nacional. Ela só passou a representar o povo judeu muitos séculos depois, a partir da Idade Média e tornou-se símbolo nacional com o Estado Novo de Israel a partir do século XX.

 A Fundação do Novo Estado de Israel.

 Após a segunda grande guerra, o Estado de Israel foi criado, oficialmente em 14 de maio de 1948, após o fim do Mandato Britânico na Palestina. A fundação resultou de décadas de imigração judaica, do movimento sionista e da decisão da ONU de dividir a Palestina em dois Estados — um judeu e outro árabe. Em resumo: Israel nasceu em 1948 por causa do sionismo, da imigração judaica intensificada pelo Holocausto, da partilha da ONU e do fim do Mandato Britânico. A criação trouxe esperança para os judeus, mas também inaugurou um conflito duradouro com os árabes palestinos. A bandeira de Israel criada em 1848, nunca pertenceu ao Israel bíblico, mas foi criada baseada em outra que já existia projetada pelo movimento sionista no final do século XIX e início do século XX.

 

Qual é a bandeira do cristão?

 

    A bandeira do cristão sempre foi a Cruz de Cristo. Foi ela o escudo de muitos santos. A cruz de Cristo, cuja é sinal de nossa Salvação empunhada por santos e doutores. Nos momentos de sofrimento, nos combates, nas velas dos navios, nas bandeiras dos reinados. Quer ficada sobre um Monte, quer nas torres das igrejas, em todo lugar. Quer nos sacramentais. Ela é a bandeira que o cristão deve portar, porque a cruz que antes era sinal de maldição, sinal de derrota e de morte, através de Cristo que nela se entregou por nós, como diz São Paulo, “que era loucura para os judeus, escândalo para os gentios”, se tornou bendita e sinal de nossa Salvação.

     Portanto, quem odeia a cruz é o diabo e seus filhos, porque ela se tornou sinal de vitória, pois, Cristo não permaneceu nela, mas foi nela que Ele nos deu a vida eterna. Ela é a nova árvore da vida que foi privada de nossos primeiros pais e agora gera vida em abundância. Nós veneramos a Cruz de Cristo, porque ela é o sinal bendito do amor de Deus por nós.

     Não há nenhum sentido, ostentar uma bandeira de um povo que outrora entregou o Filho de Deus à morte. Não há nenhum sentido querer louvar aqueles que odeiam o Santíssimo nome de Cristo. Quando vemos símbolos do judaísmo em templos católicos devemos perguntar: “Creio mesmo que Jesus fez uma Nova Aliança?”. “Creio nas palavras de São Paulo quando ele diz que “em Cristo tudo se fez novo” e que somos novas criaturas e não estamos mais sob o julgo da Lei de Moisés? Que tipo de cristão eu sou?

 

A cruz de Cristo é e sempre será nosso estandarte e sinal de nossa Fé.

 

    Quando os portugueses chegaram nesta terra, foi erguida uma cruz e celebrada a primeira Missa. O primeiro nome dado a ela foi 'Terra de Vera Cruz' e depois mudou-se para 'Terra de Santa Cruz' - o nosso País foi consagrado desde o início a Nosso Senhor Jesus Cristo. O nome Brasil foi dado posteriormente e é o terceiro nome desta terra. 

    As caravelas que aqui aportaram traziam o emblema dos Cavaleiros da Cruz de Cristo. Nosso povo deveria conservar aquilo que nossos antepassados fizeram. Esta terra que foi abençoada e consagrada à Jesus Cristo. Poderiam desde já ter sido marcada com qualquer outro símbolo, mas quis nossos antepassados assinalar este solo com a cruz de nosso Salvador. Nós herdamos deles a fé da Igreja Católica que sempre procurou levar o nome de Cristo em todo mundo. Na esquadra de Pedro Álvares de Cabral veio o sacerdote Frei Henrique de Coimbra que abençoou esta terra em que vivemos e amamos. A Cruz sempre foi nosso emblema porque ela nos recorda o sacrifício de Nosso Senhor, Jesus Cristo. O Brasil é um país de cristãos, construído sob a fé cristã e o povo está se esquecendo disso deixando-se levar por outras ideologias e crenças não cristãs e pagãs. Portar uma bandeira contrária à nossa fé em um evento cristão é cuspir na cruz de Cristo, é contratestemunho.       

 

Quais são os ensinamentos de São Paulo apóstolo sobre a cruz?

 

   Para o apóstolo Paulo, a cruz é o centro do Evangelho e a maior expressão do amor e do poder de Deus. Em seus escritos, ele ensina que a cruz representa a sabedoria divina que substitui a lógica humana, o fim da escravidão do pecado, a destruição das barreiras entre os povos e a nossa própria morte para o mundo. O Poder e a Sabedoria de Deus, Paulo ensina que a mensagem da cruz pode parecer uma "loucura" (insensatez) para quem não tem fé. No entanto, para os que creem, ela é a demonstração máxima do poder de Deus para a salvação. Na cruz, a aparente fraqueza de Deus se revela mais forte e sábia do que qualquer lógica humana. Leia mais sobre esse conceito em O que é a mensagem da cruz (1Coríntios 1:18-25).

 

A Redenção e a Justificação. Foi na cruz que Jesus Cristo pagou o preço pelos nossos pecados. Paulo explica que o sacrifício de Cristo nos justificou gratuitamente, nos reconciliando com Deus e nos libertando da culpa e da condenação.

 

 A Identificação do Crente com Cristo (Morte e Ressurreição). Um dos ensinamentos mais profundos de Paulo é que o cristão não apenas contempla a cruz, mas é crucificado com Cristo. Ele declara: "Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim" (Gálatas 2:20). Isso significa que a nossa "velha natureza" pecaminosa morreu na cruz com Ele.

 

O Único Motivo de Glória para o apóstolo, a cruz é tão central que ele decidiu não pregar outra coisa a não ser "Jesus Cristo, e este crucificado". Ele rejeitou se orgulhar de suas próprias conquistas, status ou sabedoria, afirmando: "Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gálatas 6:14).

 

 A Destruição de Barreiras. A cruz também tem uma dimensão social e comunitária. Paulo ensina que o sacrifício de Cristo destruiu as paredes de separação (como a divisão histórica entre judeus e gentios) e reconciliou toda a humanidade em um único corpo, a Igreja. A cruz é o coração da fé cristã, transformando um instrumento de morte em fonte de vida e transformação. Para refletir sobre a dimensão espiritual e a vitória desse sacrifício, confira estes 10 versículos sobre o poder da cruz e o que a Bíblia ensina sobre ela.

 

A cruz ocupa um lugar central na mensagem do evangelho. Nos relatos do Novo Testamento, a morte de Jesus Cristo na cruz é apresentada como o momento em que Deus oferece redenção, perdão e reconciliação à humanidade.

Para os cristãos, a cruz não representa apenas um instrumento de execução usado no mundo romano. Ela simboliza o sacrifício de Cristo e a forma como Deus tratou o problema do pecado. Por isso, muitos textos do Novo Testamento falam sobre o “poder da cruz”, destacando seu significado espiritual.

 

O valor da cruz no seguimento a Jesus

 

Texto de:  Dom Vital Corbellini - Bispo de Marabá (PA)

 

 

    A cruz tem um grande valor para os cristãos porque ela é a condição essencial para seguir a Jesus e receber a dignidade de se unir com Ele. A sua palavra direciona a vida no sentido da liberdade humana: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mateus 16, 24). Numa outra ocasião, o Senhor também disse que quem não toma a sua cruz e o siga, não é digno dele (Mateus 10, 38). São Paulo tinha presentes que “A palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que são salvos, para nós, ela é poder de Deus” (1 Coríntios 1,18). O Apóstolo também dizia que a pregação do Cristo crucificado era escândalo para os judeus e era loucura para os gentios (1 Coríntios 1, 23). A cruz é sinal de vida, de salvação, porque o Senhor deu a sua vida para toda a humanidade, passando pela cruz e assim ele chegou à glória da ressurreição. O valor da cruz esteve presente na teologia dos padres da Igreja. É importante ver as suas considerações em vista da vida verdadeira que vem da cruz do Salvador.

 

    De acordo com a Igreja Católica, Jesus escolheu o caminho da Cruz para salvar a humanidade e manifestar o amor da Santíssima Trindade pelos homens. Com o objetivo de recordar a importância da cruz e venerá-la, a Igreja instituiu a festa da Exaltação da Santa Cruz, celebrada no dia 14 de setembro.

 

    “Para os católicos, a cruz, como lugar do sacrifício de Cristo, é o princípio da salvação dos homens. Por isso, diz o Catecismo Católico, no parágrafo 617, a Igreja a venera professando nela sua esperança: “Salve, ó Cruz, única esperança”.

    Opondo-se ao que comumente se pensa, padre Júlio César Evangelista Resende, Prior da Ordem da Santa Cruz no Brasil, afirma que a celebração deste dia 14 quer lembrar especialmente a glória da Cruz, muito mais que sua impressão de sofrimento e dor.

    “A Cruz é vista como a glória de Cristo. A sua glorificação começa na Cruz – sinal da nossa salvação. A cruz tem um profundo significado de obediência e fidelidade de Cristo ao projeto do Pai. Ele esvazia-se de Si e por amor entrega-se à humanidade. A Cruz é também esse grande sinal de entrega de amor que possibilitou a nossa salvação”, explicou o sacerdote. De acordo com padre Júlio, os católicos devem olhar para a Cruz, sobretudo, como sinal de esperança; nisto consiste o seu sentido. Uma esperança que, segundo o sacerdote, culmina na fé na vida eterna. “Este caminho da salvação, por meio de sua morte redentora na Cruz, é a maneira pelo qual Ele [Jesus] nos salva e nos convida a acreditar Nele e ter a vida eterna”.

 [Fonte diocesea.org.br -   Artigo por Dayse Maria Mellero de Melo]

 

    O Catecismo da Igreja Católica, no nº 2015, afirma: “O caminho da perfeição passa pela cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças”.

 

A cruz como glória e força humana e divina.

1.    São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, nos séculos IV e V afirmou a importância da cruz como glória e força pela realidade humana e pela realidade divina. Ele dizia que nenhuma pessoa se envergonhe dos sinais sagrados e veneráveis da nossa salvação, da cruz que é o vértice dos bens humanos, pelos quais as pessoas vivem e são aquilo que são. Ele convidava as pessoas para carregarem a cruz de Jesus como uma coroa, porque tudo se consome nela. Tanto o batismo, porque a pessoa é regenerada por causa da presença da cruz como também os fiéis se alimentam do místico alimento que é o corpo de Cristo, são impostas as mãos para serem consagrados pelos ministros do Senhor, sempre é dado pelo símbolo da vitória, que é a cruz.

 

Em tudo é dado a cruz, sinal de salvação.

  

São João Crisóstomo continuou o seu pensamento afirmando que a cruz é conservada sobre as casas, é desenhada sobre as paredes, é gravada sobre as portas, é impressa sobre a cabeça, e na mente, é carregada no coração humano. A cruz é de fato o sinal da salvação humana e da comum liberdade do gênero humano, sendo também o sinal da misericórdia do Senhor que por amor de todas as pessoas deixou-se conduzir como ovelha ao matadouro (Atos 8,32)

 

2.    Quando a pessoa faz o sinal na fronte, lembra todo o mistério da cruz e apaga nela as limitações e os pecados. O Apóstolo São Paulo afirmou que as pessoas foram compradas por alto preço por causa da cruz e do sangue do Senhor (1 Coríntios 7,23), chamando a cruz com preço do resgate

 

3.     São João afirmou que é preciso abraçar a cruz, a qual deve a salvação das almas humanas. Era a cruz que salvou e ela converteu o mundo do erro, estabelecendo a verdade em Jesus.

  

A cruz no seu mistério e dimensão maior.

 

4.    São Gregório de Nissa, Bispo no século IV afirmou que a cruz contém o mistério, pois na morte de Jesus existiu o lado humano, e na maneira de morrer, existiu o elemento divino. O Bispo disse que aquele que sobre a cruz se estendeu no momento oportuno, segundo o plano da salvação, através da morte é o mesmo que estreitou a si mesmo o universo, reunindo mediante a sua Pessoa as diversas naturezas dos seres vivos numa só harmonia

 

5.     A cruz englobou segundo São Gregório a dimensão maior, de amor a Deus e a toda a humanidade na sua radicalidade 

 

A cruz, como forma do seguimento a Jesus.

 

 

6.    São Jerônimo, Padre da Igreja nos séculos IV e V, afirmou a cruz como forma de seguimento a Jesus porque como o Evangelho diz que se a pessoa não carrega a sua cruz e não segue a Jesus não pode ser seu discípulo (Lucas 14,27). A pessoa deve se atrair pela cruz para ser discípulo do Senhor, pela prática das boas obras. Por isso São Jerônimo disse que é feliz os dias fiel que carrega no seu íntimo a cruz, a Ressurreição, a Ascensão do Senhor, porque a cada dia Ele vem à pessoa pela cruz.

 

A cruz, a obra maravilhosa de Deus em Jesus.

 

7.    São João Damasceno, Padre da Igreja, nos séculos VII e VIII afirmou que a cruz foi a obra maravilhosa de Deus em seu Filho, Jesus, a sua venerável cruz. Foi graças a ela que a morte foi eliminada, porque Jesus a venceu com a sua morte redentora, pois, o pecado das origens recebeu sua expiação, o inferno foi derrotado, a ressurreição foi concedida, e através da cruz foi elevada a humanidade à direita de Deus, através de Jesus. Com o sinal da Cruz, em nome da Santíssima Trindade, nós iniciamos a nossa Oração, abençoamos os alimentos que comemos. Com ela somos também abençoados. Somos batizados com o sinal da cruz. Estamos intimamente ligados à ela, não como objeto de idolatria mas, como o sinal da nossa Salvação. Por isso, ela está em todo lugar, desde a hora em que nascemos até a hora que morremos ela nos acompanha para fazer-nos honrar o santo nome de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo que morreu por nós e pela nossa salvação.     

 

8.     Segundo São João, a morte de Cristo, isto é, a cruz revestiu o ser humano do autêntico poder e sabedoria de Deus, porque a vitória sobre a morte foi mostrada pela cruz, unindo em si, no Cristo Jesus toda a dimensão humana, material e invisível.

 

 

A cruz, instrumento da graça

 

9.    Segundo São João Damasceno a cruz trouxe muitas graças para todas as pessoas. Ela foi escudo, a couraça e o troféu contra o demônio, sendo também o bastão dos enfermos, para conduzir o rebanho, o progresso dos fieis dos sacramentos da iniciação à vida cristã, a saúde da alma e do corpo, o remédio de todos os males, a fonte de todo o bem, a morte do pecado, a planta da ressurreição, a árvore da vida eterna.

 

10. Esta madeira preciosa e digna de veneração, sobre a qual Jesus se sacrificou para toda a humanidade, seja objeto da adoração de toda a pessoa, uma vez que foi santificada pelo contato com o santíssimo corpo e sangue do Senhor.

 

A cruz, a grande glória.

 

11.         São Cirilo de Jerusalém Bispo do século IV afirmou que a cruz foi grande glória de vida para a humanidade. Ela iluminou quem era cego da ignorância, libertando todas as pessoas prisioneiras do pecado e levando a redenção à humanidade inteira.

12.          O universo inteiro foi redimido na sua totalidade porque aquele que morreu sobre a cruz era o Filho Unigênito de Deus. Se o pecado de um só reinou sobre a humanidade, também pela graça de Deus, em Jesus reinou a vida de uma forma abundante (Romanos 5,17). Se o primeiro homem foi a causa da morte universal, o segundo homem, Jesus foi a causa da vida universal, através de sua doação na cruz e ressurreição (João 14,6). Assim a cruz do Salvador é para todas as pessoas que o seguem, salvação.

13.         A cruz é sinal de vida e de salvação, porque Jesus a assumiu e ele quer que todas as pessoas que o seguem renunciem a si mesmas, assumam a cruz e o sigam de fato. Ela possibilita a unidade da pessoa com Jesus para passar da cruz à glória da ressurreição. Jesus morreu na cruz para a vida de todas as pessoas e do mundo inteiro para assim chegar à vida eterna com o Senhor Jesus.

Eu espero com esse artigo ter ajudado meus irmãos católicos e meus irmãos separados a entender o significado da Cruz de Cristo e porque somente ela deve caminhar conosco durante a vida e não usar num evento que em tese é para homenagear e louvar o Senhor Jesus, não faz sentido ir à “Marcha para Jesus” empunhando uma bandeira de um povo que renegou o Filho de Deus e a Salvação.

 

E temos também que tomar cuidado para não tentar fazer como os judeus do primeiro século que queriam obrigar os gentios a cumprir a Lei de Moisés.

 

Já existem algumas seitas judaizantes que guardam o sábado, preceito abolido no Novo Testamento segundo o próprio São Paulo ao nos dizer que “em Jesus Cristo as coisas antigas se passaram e tudo se faz novo” – Estejamos atentos às palavras de São Pedro, que se faz tão atuais em nossos dias: “Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra e cressem. Ora, Deus que conhece os corações testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós. Nem fez distinção alguma entre nós eles, purificando pela fé os seus corações. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem vossos pais podiam suportar? – Atos15, 7-10.

 

São Pedro quando disse, “porque provocais a Deus, impondo uma carga que nem os vossos pais podiam suportar”, ele se referia às 613 leis do Antigo Testamento que os sacerdotes forçavam o povo a cumprir, mas eles mesmos não cumpriam. São Pedro em seu discurso reforça as palavras de Nosso Senhor: “Ai de também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmas sequer com um dedo vosso tocais os fardos”.

 

Estejamos atentos quando em nosso meio ainda existem pessoas se dizendo cristãos, mas, que não querem se libertar do “peso” da lei judaica. Tenham cuidado com essa gente. Tenham cuidado também com o fanatismo religioso evangélico, porque para nós católicos, pertencemos a uma religião não de um livro, mas de uma pessoa, Nosso Senhor Jesus Cristo.   

 

       

 

                           



domingo, 7 de junho de 2026

"EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DOS CÉUS" - A HISTÓRIA DE CORPUS CHRISTI - JESUS CRISTO ESTÁ MESMO PRESENTE NA EUCARISTIA

A festa de corpus Christi surgiu no século XIII.  Foi instituída oficialmente para toda a Igreja Católica no ano de 1264 pelo Papa Urbano IV, através da bula papal "Transiturus de Hoc mundo".

A celebração ocorreu por dois acontecimentos principais da época.

O primeiro ocorreu segundo as visões de Santa Juliana Cornillon. E o segundo quando aconteceu o milagre eucarístico de Bolsena. 

Era o ano de 1208, Santa Juliana de Liège, era uma leiga consagrada, morava num hospital de leprosos, do povoado de Liègi (onde hoje é a bélgica), e segundo a história, ela teve uma visão. Ela viu uma mancha na lua cheia, que segundo ela, com sua interpretação, "faltava um pedaço". Isso aconteceu por 20 anos sem ela e entender o significado da visão. Até que finalmente Deus revelou [pela locução interior], para ela o seu significado. A lua era a Igreja, estava faltando no calendário da Igreja uma festa, a festa de Corpus Christi.    

Para entender esse acontecimento devemos voltar à época dos fatos. O mundo em que Santa Juliana vivia e a realidade da Igreja. Uns criam demais na Eucaristia a ponto de não querer comungar por acharem-se indignos do Corpo do Senhor. A ponto de Igreja ter que fazer uma lei que os fiéis deveriam se confessar e comungar ao menos uma vez por ano pela Páscoa do Senhor. Esse é o mandamento da Igreja que temos até hoje. Assim diz o Concílio de Latrão, no capítulo 21 – nº 812: “Cada fiel de um e de outro sexo, chegando a idade de razão confesse-se ao menos sozinho seus pecados ao seu próprio sacerdote, ao menos uma vez ao ano e se aplique a cumprir segundo suas forças a penitência que lhe foi imposta. Receba com reverência ao menos pela Páscoa o sacramento da Eucaristia, a não ser que a conselho de seu próprio sacerdote, por motivo razoável julga dever-se abster-se por certo tempo”.

A Igreja, aqui, já elaborando dois dos famosos mandamentos que conhecemos, ela fez isso em 1215. E razão deste Mandamento é porque as pessoas criam na presença de Jesus na Eucaristia ao ponto de acharem indignas se aproximarem da Eucaristia e até de recebê-la. Ao ponto de ficar raro as pessoas comungarem. As pessoas ficavam apavoradas com medo de se aproximarem do Corpo de Cristo e comungarem. As pessoas criam na presença de Jesus na Eucaristia, mas não criam na ordem de Jesus: “Tomai e comei!”; quem seria louco de se aproximar da Eucaristia se Jesus não tivesse ordenado?

É nesse contexto que vai surgir a festa de Corpus Christi. As pessoas não comungavam, e para não terem que comungar surgiu uma devoção no século XII, alguns padres começaram a levantar a hóstia depois da consagração. Esse costume , até então não existia. Um gesto que para nós é óbvio, de levantar a hóstia e o cálice. No início só se levantava a hóstia e não o cálice, porque havia um temor que as pessoas pudessem adorar o cálice e não o Preciosíssimo Sangue. As pessoas começaram ir à igreja para ver a hóstia ser levantada. Começou a surgir uma devoção pela consagração. As pessoas andavam pela cidade à procura de missas para ver a hóstia ser levantada porque recebia dali alguma graça. É verdade, mas, não era a recepção do sacramento. Alexandre Arles, no século XII sistematizou a ideia dizendo que a pessoa podia receber a comunhão sacramental ao comungar o Corpo de Cristo, mas que ela podia ao ver a hóstia fazer a comunhão espiritual. Só que essas coisas saem do controle, um bispo inglês no século XIV, dizia que se as pessoas fossem pra missa para ver a hóstia ser levantada na hora da consagração, naquele dia elas não precisavam comer, já estavam alimentadas. Naquele dia elas não envelheceriam, naquele dia elas recebiam todo tipo de graça, o que é um exagero. São Boaventura decidiu com toda clareza ao dizer, “não! Não é assim!” – “A Comunhão sacramental é que dá a graça”. Existe graça ao ver a hóstia ser levantada, mas, não é a mesma coisa na Comunhão.

Esse é o mundo de Santa Juliana, as pessoas creem na Eucaristia, mas ao mesmo tempo tem dificuldade de se aproximar dela. Esse é o grande dilema. É nesse contexto que surge a festa de Corpus Christi.

Mas, não somente isso, se de um lado tinha gente que cria, por outro, tinha quem cria de menos ou nem cria. Esse pessoal que cria de menos eram de dois grupos Benegário de Tours, século XII, começou a dizer que não era possível que Jesus estivesse presente na Eucaristia. Ele era seguidor da dialética de Aristóteles. Ele negou a doutrina da transubstanciação. Berengário afirmava que o pão e o vinho não sofriam uma alteração física ou material no altar para se tornarem o corpo e o sangue de Cristo, propondo em vez disso uma mudança espiritual ou simbólica. Foi várias vezes repreendido pela Igreja, mas, no final acabou por negar a transubstanciação.

A Igreja o repreendia, ele voltava atrás. Voltou atrás várias vezes e até chegou a assinar uma fórmula muito estranha e grotesca, dizendo que: “Cristo era verdadeiramente carregado pelas mãos do sacerdote e triturado pelos dedos dos fiéis”.

É logico que ele escreveu isso de má intenção, porque depois disso, ele negou novamente chegando a dizer que a transubstanciação era algo absurdo.  

          Vejam como estava a situação da Igreja nesta época, uns criam que Jesus estava presente, outros para resolver o problema criam no oposto, no absurdo de chegar a dizer, “não é possível”. Mas na verdade, para nós sabermos não existe lógica dialética que vai descobrir isso. É aquilo que ouvimos e que diz. Jesus não engana ninguém, ele disse: “Isto é o meu Corpo”, “Isto é o meu Sangue”. Jesus está dizendo: “Não é um faz de conta”.

          Nessa época também existia um outro grupo, os Cátaros, também chamados de Albigenses. No sul da França, os cátaros não criam absolutamente na Eucaristia porque eles consideravam a matéria má. Ou seja, eles pregavam que Deus é puro e é espírito. O Deus bom criou o mundo espiritual. Aconteceu que por alguma desgraça, as almas ficaram aprisionadas no mundo material que foi criado por um deus mau. O mundo material é mau e, portanto, se a matéria é má Deus não pode estar presente na Eucaristia porque ela é matéria. Por isso, os cátaros não criam na Eucaristia.

          A Igreja respondeu a isso tudo com a pregação. Enviou São Domingos de Gusmão (fundador da Ordem Dominicana), para pregar aos cátaros para trazer de volta essas pessoas novamente para a fé da Igreja. Mas apesar de todos os esforços, ‘a lua continuava faltando um pedaço’. Ainda não havia a festa de Corpus Christi.

          Juliana, Eva e o Arquidiácono

        Em Liège, onde hoje é a Bélgica, no século XIII, encontramos Juliana que aos quinze anos de idade, em 1208 viu a lua faltando um pedaço. Liège naquele tempo era uma cidade profundamente devota. Só na cidade por volta de 1240, se calculava que havia por volta de 1500 beguinas. Beguinas são mulheres leigas consagradas que viviam o celibato. Elas viviam em regime de semiclausura, mas, sem regras monásticas.

          É nessa cidade devota e ao mesmo tempo atormentada por conflitos constantes entre o Bispo príncipe e Cabido dos cônegos, o imperador que queria ter domínio sobre a cidade e a burguesia que estava surgindo naquela época, o proto-capitalismo do fim da Idade Média. Essa cidade atordoada política e economicamente uma menina de quinze anos vê que falta um pedaço na lua e não entende o significado disso.

          Depois que ela finalmente entendeu o que era aquela visão teve medo de falar. Foi em 1225, quando era superiora religiosa que ela contou ao seu confessor. A partir daí começou a espalhar a ideia de que faltava uma festa para o Corpo de Cristo.

          É aí que Deus mostra como ele muda a história de forma inopinada. Uma leiga consagrada, Eva de São Martinho, que era amiga de Santa Juliana, tendo ouvido aquela história se empenhou por manter viva aquela chama da história da festa. Até que finalmente em 1246 o bispo da cidade, Dom Robert Thourotte resolveu fazer a festa pela primeira vez. A primeira festa de Corpus Christi aconteceu somente na cidade de Liège.

    Com a morte do bispo, morreu a festa. Só que naquela festa de 1246 havia presente uma pessoa, Jacques Pantaleón. Esse homem se tornou sacerdote, fez carreira, foi emissário na Prússia, depois em Verdon, foi patriarca de Jerusalém e depois foi eleito Papa, com o nome de Urbano IV. Um francês se senta na Cátedra de São Pedro e trazia a memória daquela festa de Corpus Christi de 1246.

Santa Juliana já tinha falecido, morreu em 1258. Ela não viu a festa implantada na Igreja toda, mas, o Papa Urbano IV, que antão estava morando em Orvieto, e não em Roma porque Roma naquela época estava uma bagunça.

    Naquele tempo o Papa convidou para estar com ele grandes teólogos, dentre eles São Tomás de Aquino e São Boaventura. E aconteceu uma coisa espantosa. Poucos quilômetros dali, em Bolsena, um padre que vinha lá dor norte da Europa, tinha feito peregrinação em Roma, voltando pra casa resolveu celebrar missa na Igreja de Santa Cristina. [Santa Cristina foi mártir cristã do século III. Morreu afogada no Lago Bolsena; ali sobre suas catacumbas se ergueu uma igreja], durante a missa veio a dúvida no sacerdote sobre a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia. Quando ele partiu o pão, quando ele quebra a hóstia, pois a hóstia naquele tempo era mais espessa, a hóstia, ela começa a sangrar abundantemente. Caindo sangue na toalha e no corporal. 

    O padre, apavorado com o acontecimento, mandou um emissário até o Papa Urbano IV que estava ali perto, em Orvieto. O Papa, ao saber da notícia se dirigiu em procissão até Bolsena junto com as pessoas (as testemunhas), que tinham ido dar o recado. Os que estavam lá pegaram a toalha e o corporal juntamente com a Eucaristia e foram também em procissão ao encontro do Papa. Podemos dizer que foi a primeira procissão de Corpus Christi.

Então, o Papa adorou Jesus, lá mesmo no meio do caminho. Depois, ele mandou que São Tomás de Aquino investigasse o ocorrido. Comprovado o milagre, o Papa resolveu fazer acontecer o pedido de Santa Juliana. Instituiu a festa de Corpus Christi no dia 11 de agosto de 1264 com a bula papal “Transiturus de hoc mundo”.

    Até aí era trâmite oficial, mas, ele se lembrou da beguina, Eva de São Martinho, que tanto lutou para que a festa de Corpus Christi fosse implantada. Então ele escreveu uma carta a ela, dizendo que estava sendo promulgada a Festa de Corpus Christi. Foi uma das primeiras cartas do Papa Urbano IV. Ele tinha recordado daquela pobre mulher de Liège que havia lutado tanto para que o desejo de Santa Juliana não morresse com ela. Agora finalmente ‘a lua estava completa’.

São Tomás de Aquino e o Ofício de Corpus Christi

    Faltava então, escrever a missa e o Ofício da festa. O Papa decidiu por uma espécie de “concurso” que os teólogos (que já estavam na corte papal), escrevessem seus textos e apresentassem a ele. Então São Tomás de Aquino escreveu juntamente com os demais teólogos, dentre eles São Boaventura. No dia da apresentação São Tomás de Aquilo leu o seu “Lauda Sion Salvatori”, a sequência de Corpus Christi. Quando ele terminou a leitura São Boaventura ficou tão admirado que rasgou seu texto dizendo que não podia apresentar seus escritos para não correr o risco que aquela pérola preciosa sofresse algum obstáculo e não pusesse ser apresentada. Com ele seguiram os demais rasgando seus escritos. A poesia de São Tomás foi aprovada. Ela é grandiosa, não só porque ela é impecável enquanto arte poética, mas, porque ela firma a fé dando resposta exatamente aos problemas que a Igreja vivia naquele tempo. Os problemas que vimos no início, de crer de mais e de menos. São Tomás começa batendo direto no ‘crer de menos’. Ele diz: “Dogma datur Christimas, quod in carnem transit panis et vinin in sanguinem. Quod non capis, quod non vides, animora firmat fides, praeter rerum ordinem”. (Lauda Sion – estrofe 9)

    “O dogma é dado aos cristãos; o pão se transforma em carne, o vinho em sangue. O que não compreendes, o que não vês, a fé corajosa afirma além da ordem das coisas”.

    Ele destrói a heresia de Benegário e também dos cátaros, “a fé corajosa, embora eu não compreenda, mas Jesus disse, então nós afirmamos com Ele”. 

    Mas não é só isso. Se lembram das pessoas que não comungavam? São Tomás de Aquino também tem uma palavra para isso. Não é só uma palavra de fé que se ouve hoje em dia de abrir as portas, “venham todos, comunguem, sem problema nenhum, de qualquer jeito. Ele diz: “Sumut boni, sumunti mali: Mors est malis, vita bonis”. “Os bons e os maus comungam, mas, com sorte desigual. É morte para os maus, vida para os bons”.

Aqui está a coisa, pessoas boas comungam e pessoas más também comungam, mas, o futuro não é o mesmo para todos. Ou seja, vida para os bons, ou morte para os maus. É aquilo que São Paulo vai dizer na sua epístola em 1Coríntios 11, 27-29. “Que cada um examine a sim mesmo, e assim como deste pão e beba deste cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação”.

    Comungar sem discernimento, sem estado de graça, isto é, em pecado, é morte eterna. Mais adiante são Paulo diz: “Esta é a razão porque entre vós há muitos doentes e fracos, e mortos. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, sendo julgados pelo Senhor, ele nos castiga para não sermos condenados com o mundo” (cf. 1Coríntios 11, 30-32).

    O texto não paralisa, não deixa as pessoas sem comungar, dá a elas a possibilidade, mas é importante distinguir. Por isso, a orientação do Concílio de Latrão: “Confissão para bem comungar”.

Além deste grande Lauda Sion, São Tomás de Aquino nos coloca diante de textos que não estão na missa e na liturgia de Corpus Christi, mas, que nos ajudam muito a nossa devoção depois que comungamos. Depois que a gente comunga nós temos que adorar. Então tem aquele famoso hino ‘Adoro te devote’, está tão ligado à São Tomás que a tradição diz que é obra dele e nós cremos. Assim diz o seguinte:

    “Visus tactus, gustus in te falitur, sed auditu solo tuto creditur”. “A vista, o tato, o gosto falham e ti, só pelo ouvido se crê com segurança”. (Adoro te devote, estrofe 2)  

    Ou seja, os sentidos não vão captar a substância. É importante saber sobre isso. Não é que na Eucaristia a nossa visão, nosso gosto e o nosso tato não capta a substância, não! É que a visão, o gosto e o tato não são capazes de captar a substância de nada; o que a gente capta com os sentidos é o acidente e não a substância, são as aparências.

    Ele continua: “Só pelo ouvido se crê com segurança”. Essa é a realidade da Eucaristia, nós temos que crer no que Jesus disse, crer com segurança, “tuto creditur”. Porque temos que ter fidelidade de ouvir, porque nós não ouvimos o barulho do pão, não! Nós ouvimos a voz de Cristo. E a voz de Cristo firma em nós a fé. Firma em nós a coragem também de nos aproximarmos. Ele disse: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Tomai e bebei, isto é o meu sangue”. Nesta frase de Cristo estão distribuídas essas duas tragédias: Os que tem medo de se aproximar e aqueles que já não creem.

A procissão de Corpus Christi

  O Cristo nas Ruas 


É importante dizer que a bula papal de 1264, que instituía a festa de Corpus Christi nada dizia de procissão. Ou seja, a festa foi instituída, mas não havia procissão. As procissões foram se acrescentando ao longo da história até virar uma tradição em todo mundo. A primeira notícia de uma procissão com o Corpo de Cristo aconteceu na Alemanha entre os anos 1265-1277. Não se sabe a data precisa, as procissões medievais que eram expressões bonitas e de fé, mas que também retratava um pouco a sociedade da época.

    Mas, é importante recordarmos o porque daquela visão da lua faltando um pedaço, na época de Santa Juliana. Em si a reclamação de Deus ao fazer aparecer aquela mancha. Não foi a falta de fé de Benegário e a incredibilidade dos cátaros. Mas, aquela fé estranha das pessoas que não queriam se aproximar da Eucaristia. Na verdade, no fundo, faltava uma festa para louvar a Eucaristia.

    Mas, você poderia dizer: ‘Mas, isso não é verdade, muitos liturgistas modernos dizem que existe, que é quinta-feira santa, porque é ali que se faz a festa da Eucaristia”. mas, quem diz isso não entendeu a visão de Santa Juliana. E nem entendeu a liturgia como ela foi instaurada pelo Papa Urbano IV e a escrita de São Tomás de Aquino. Porque Corpus Christi é uma festa da Eucaristia com toda sua glória e esplendor. Na quinta-feira santa Jesus instituiu a Eucaristia, mas Jesus saiu dali para ser morto; como poderá haver festa num drama marcado pela paixão? Na quinta-feira santa celebramos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio católico, mas, era necessário para o bem espiritual dos fiéis colocar a Eucaristia num outro quadro, numa realidade mais festiva, mais luminosa. A festa de Corpus Christi é mais luminosa, “a lua luminosa”, ela é o louvor da Eucaristia e, aqui é que toda a coloração festiva depois de termos celebrado o Tempo Pascal.

    É por isso que São Tomás de Aquino inicia a sua Sequência com um grande louvor. Ele diz: “Lauda Sion Salvatorem, lauda ducem et pastorem, in  hyminis et canticis”. “Louva Sião, teu Salvador, louva teu guia e pastor com hinos e cânticos”.

E não é somente louvar, é incentivar as pessoas a fazer isso. “Quatum potes, tantum aude: quia maior omini laude nec laudare sufficis”. “Tanto quanto possas, tanto ouses: Porque é maior que todo louvor, e nunca o louvemos o bastante”. (Lauda Sion – estrofe 1-2)

    A Eucaristia é maior que todo louvor, não há língua que louve, de homem ou de anjo. Somente o louvor de Deus feito pelo próprio Filho Encarnado é capaz de louvar a Deus pela grandeza da Eucaristia. Nós passaremos a eternidade louvando por aquilo que é a Eucaristia.

O significado da mancha

    A mancha estava preenchida e levou 40 anos. A menina com quinze anos que começou a ver a lua ficou perplexa com aquele mistério por 20 anos. Depois demorou mais 20 anos para que a festa finalmente aparecesse. Ali estava preenchida o que faltava na lua. Não com dogma, não com uma cruzada, não com absolutamente nada, mas com louvor. Essa é a finalidade. Era isso que estava faltando, que louvássemos verdadeiramente a Eucaristia. Que toda língua cante, que os anjos cantem e todos cantemos. Que a festa de Corpus Christi seja verdadeiro louvor à Eucaristia.     

O que ensina o Catecismo da Igreja Católica sobre o Sacramento da Eucaristia?

Eucaristia significa: ação de graças. Aprendamos mais sobre Eucaristia com o nosso Catecismo.

E.39.1 Ação de graças.

§1359 A Eucaristia, sacramento de nossa salvação realizada por Cristo na cruz, é também um sacrifício de louvor em ação de graças pela obra da criação. No sacrifício eucarístico, toda a criação amada por Deus é apresentada ao Pai por meio da Morte e da Ressurreição de Cristo. Por Cristo, a Igreja pode oferecer o sacrifício de louvor em ação de graças por tudo o que Deus fez de bom, de belo e de justo na criação e na humanidade.

E.39.2 Fonte e ápice da vida eclesial

§1324 A Eucaristia é "fonte e ápice de toda a vida cristã”. "Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa."

E.39.3 Memorial

§1357 Cumprimos esta ordem do Senhor celebrando o memorial de seu sacrifício. Ao fazermos isto, oferecemos ao Pai o que ele mesmo nos deu: os dons de sua criação, o pão e o vinho, que pelo poder do Espírito Santo e pelas palavras de Cristo se tornaram o Corpo e o Sangue de Cristo, o qual, assim, se torna real e misteriosamente presente.

§1362 A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental de seu único sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial.

E.39.4 Presença

§1373 "Cristo Jesus, aquele que morreu, ou melhor, que ressuscitou, aquele que está à direita de Deus e que intercede por nós" (Rm 8,34), está presente de múltiplas maneiras em sua Igreja: em sua Palavra, na oração de sua Igreja, "lá onde dois ou três estão reunidos em meu nome" (Mt 18,20), nos pobres, nos doentes, nos presos, em seus sacramentos, dos quais ele é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas, sobretudo (está presente) sob as espécies eucarísticas”.

§1374 O modo de presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz com que seja "como o coroamento da vida espiritual e o fim ao qual tendem todos os sacramentos". No santíssimo sacramento da Eucaristia estão "contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo”. "Esta presença chama-se 'real' não por exclusão, como se as outras não fossem 'reais', mas por antonomásia, porque é substancial e porque por ela Cristo, Deus e homem, se tomam presente completo."

§1375 É pela conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo que este se torna presente em tal sacramento. Os Padres da Igreja afirmaram com firmeza a fé da Igreja na eficácia da Palavra de Cristo e da ação do Espírito Santo para operar esta conversão.

    Assim, São João Crisóstomo declara: “Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tomem Corpo e Sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia essas palavras, mas sua eficácia e a graça são de Deus. “Isto é o meu Corpo”, diz ele. Estas palavras transformam as coisas oferecidas.

    E Santo Ambrósio afirma acerca desta conversão: “Estejamos bem persuadidos de que isto não é o que a natureza formou, mas o que a bênção consagrou, e que a força da bênção supera a da natureza, pois pela bênção a própria natureza foi mudada. Por acaso a palavra de Cristo, que conseguiu fazer do nada o que não existia, não poderia mudar as coisas existentes naquilo que ainda não eram? Pois não é menos dar às coisas a sua natureza primeira do que mudar a natureza delas.”

A Eucaristia é sustento e remédio para a alma.                         

    No milagre de Lanciano, Bolsena e tantos outros, Nosso Senhor quer nos mostrar que a Eucaristia não é uma fantasia, também não é um teatro, ou faz de conta. Ela é uma realidade. 

    Ela é a vida da Igreja. As palavras de Jesus ao instituir a Eucaristia que é a sua presença real, ou seja, corpo, sangue alma e divindade, e cujo, ele a instituiu na quinta-feira Santa é uma realidade.

Nosso senhor Jesus Cristo deixou-nos o sacramento da Eucaristia, o memorial perpétuo da sua paixão, morte e ressurreição. Mas, também a Eucaristia é o alimento da alma.

Mas, poderia alguém perguntar: eu aceitei Jesus e estou salvo porque preciso da Eucaristia?

    Ora, a salvação foi dada por Jesus no calvário. Ela passa por um processo que é: aceitar Jesus, ser batizado, participar da igreja, viver de acordo com o evangelho, dar testemunho de Cristo, praticar as boas obras. E nesse processo exige longa caminhada neste mundo. Jesus mesmo tendo nos dado a salvação, poderíamos perdê-la por causa da nossa fraqueza, dos nossos pecados. Por isso, ele entregou a igreja toda autoridade para guiar o seu povo. Não só quis ficar espiritualmente conosco, mas quis se entregar como um todo por nós. Para isso, ele por amor aos homens, criou os 7 sacramentos e dentre eles o maior de todos, a Eucaristia, que é sua presença real. Assim como o corpo precisa de alimento para sobreviver, a alma precisa se alimentar para a eternidade. A Eucaristia é o alimento da alma. Jesus se torna alimento para a nossa salvação.

    Por que enganam-se aqueles que pensam que já estão salvos só porque aceitou Jesus. A auto suficiência da salvação, sem passar pelo processo que ela exige é orgulho. 

 A salvação ela é gratuita, mas, depende do nosso esforço para alcançá-la. Jesus morreu por todos, mas nem todos serão salvos se não estiver com ele. Na Eucaristia, Jesus por amor aos pecadores quis ficar perto de nós, morar dentro de nós. Por isso, a Eucaristia é chamada de "Sacramento do Amor". Ela também é remédio do corpo e da alma. Pois uma das garantias de Nosso Senhor Jesus Cristo é, "quem come deste pão viverá eternamente".

     E quando nós comungamos, nos tornamos sacrários vivos. Por isso, a necessidade de estar bem preparado para receber o Rei da Glória. Deixar a nossa casa interior dem limpa para Ele habitar. Se pudéssemos ver com os olhos da alma, quando comungamos, os anjos se ajoelham em adoração diante do comungante porque ali, dentro dele está Deus Filho. Por isso é necessário e obrigatório que cada fiel busque receber a Eucaristia com entendimento, com discernimento do que está a fazer. Não de qualquer jeito, mas com respeito e devoção. O mesmo Senhor que morreu por ti, agora quer ficar junto de ti, quer por amor te levar para o céu. Já não é mais pão, já não é mais vinho, mas, é Corpo e Sangue, Alma e Divindade. 

    Todos nós dependemos de Cristo para chegar à salvação plena. Jesus sabendo disso quis se entregar no todo até mesmo em um pedaço de pão.

    No início do cristianismo a Eucaristia era chamada a fração do pão. Os cristãos reuniram-se nas casas para partir o pão, segundo narra o livro dos Atos.

    Acontece que os participantes da ceia achavam que a Santa ceia era para matar a fome e comiam demasiadamente sem saberem o que estava fazendo.

    São Paulo vai exortar os cristãos dizendo que a Eucaristia não é qualquer coisa. Que as pessoas deveriam saber distinguir o corpo e sangue de Cristo na Eucaristia.

    Por isso, que ele vai dar instruções de como os cristãos deveriam se preparar para receber a Eucaristia.

    Ele disse: "irmãos. O que eu recebi do Senhor eu vos transmiti. Na noite em que foi traído ele tomou do pão e disse isto é o meu corpo e tomando do cálice disse isto é o meu sangue", e mais à frente ele vai dizer, "sabeis quem comunga do corpo e sangue do Senhor sem fazer distinção de tal, come e bebe a própria condenação, por causa disso há muitos doentes e mortos entre vós”. – 1Coríntios11, 27-30.

    São Paulo está nos mostrando que a Eucaristia não é um teatro, não é faz de conta. Ela é a presença real de Cristo. Ele disse: “Portanto, irmãos meus, quando vos reunis para a ceia, esperai uns pelos outros. Alguém tem fome, coma em casa. Assim vossas reuniões não atrairão condenação”. (cf. 1Coríntios11, 33-34. – A ceia não é para ninguém se fartar, encher a pança, é para celebrar comungar a Eucaristia.

 É muito comum nas igrejas protestantes celebrar o memorial da ceia. Mas o memorial é apenas uma lembrança. Na santa missa acontece o que chamamos de transubstanciação, ou seja, pelas mãos do sacerdote e pela ação do Espírito Santo as espécies do pão e do vinho se torna o corpo e sangue de Cristo.

    Muitos, ao longo da história duvidavam da presença real de Cristo. Por isso os milagres eucarísticos vão acontecendo ao longo do tempo até nos dias de hoje. Jesus não precisava dar sinais de sua presença Eucarística. Porém, ainda existem alguns que age como Tomé que tendo ouvido falar da ressurreição de Cristo ainda duvidou e precisou tocá-lo fisicamente. Nosso senhor não deixa ninguém na dúvida. E mesmo não precisando ele em cada tempo específico dá sinais de sua presença. Esses sinais estão presentes nos milagres eucarísticos.

    Antes do milagre eucarístico de Bolsena, aconteceu o famoso milagre Eucarístico de Lanciano. No ano 700, em Lanciano, na Itália, na igreja de São Lengoziano, um monge da Ordem de São Basílio, que duvidava da presença real de Cristo na Eucaristia, viu a hóstia transformar-se em carne viva e o vinho em sangue durante a missa. A Carne e o Sangue (coagulado em cinco fragmentos) continuam preservados e expostos para veneração. Estudos científicos indicam que a carne pertence ao tecido do miocárdio (coração) e ambos são do grupo sanguíneo AB.

    A análise científica mais abrangente e conhecida das relíquias do Milagre Eucarístico de Lanciano foi conduzida em 1970 pelo Dr. Edoardo Linoli, professor de anatomia e histologia patológica, com a colaboração do Prof. Ruggero Bertelli. Os resultados foram publicados em 1971 na revista Quaderni Sclavo di Diagnostica Clinica e di Laboratorio.

    As principais conclusões científicas da pesquisa foram:

Tecido Humano Real: A carne é constituída por tecido muscular estriado do miocárdio (o músculo do coração).

Sangue Real: O sangue coagulado pertence ao grupo sanguíneo AB. O sangue AB é típico dos judeus.

Ausência de Conservantes: Não foram encontrados vestígios de qualquer agente conservante ou de embalsamamento que pudesse ter impedido a decomposição natural ao longo dos séculos. Proteínas e Minerais: No sangue, foram identificados proteínas e minerais em proporções normais de um sangue humano vivo.

    Pois bem, a partir desse milagre todos os demais contém o mesmo tipo AB, e tecido do miocárdio. Com isso Jesus quer que saibamos que ele está vivo, presente na Eucaristia, não só espiritualmente, mas fisicamente, corpo, sangue, alma e divindade.

    O milagre de Bolsena foi o mais conhecido, mas existem outros e tem uma coisa em comum com o de Lanciano. Em ambos os casos ocorreu porque os sacerdotes tinham dúvidas sobre a presença real de Jesus na Eucaristia. Tais milagres compravam sua presença real e tirou as dúvidas das outras pessoas que também duvidava.

  O milagre eucarístico de Bolsena foi testificado por milhares de pessoas, mas também foi comprovado cientificamente como verdadeiro e inexplicável.

   O Milagre Eucarístico de Bolsena (ocorrido em 1263) foi analisado cientificamente, a restauração e análises recentes (2015): Durante um projeto de restauração do corporal (pano de altar) na Catedral de Orvieto, especialistas em conservação e tecidos antigos liderados por Ester Giovacchini examinaram o tecido. Análises sob luz ultravioleta confirmaram a presença de depósitos biológicos divididos entre plasma e soro.

Jesus é o pão vivo descido do céu para salvação do mundo.

    No Evangelho de João (6, 22-71), Jesus realiza a transição da multiplicação dos pães para o Discurso do Pão da Vida. Ele revela ser o verdadeiro pão descido do céu, exigindo que Seus seguidores comam Sua carne e bebam Seu sangue para alcançar a vida eterna. Vamos ler o Evangelho:

No dia seguinte a multidão que estava no lado leste do lago viu que ali só havia um barco pequeno. Sabiam que Jesus não tinha embarcado com os discípulos, pois estes haviam saído sozinhos. Enquanto isso, outros barcos chegaram da cidade de Tiberíades e encostaram perto do lugar onde a multidão tinha comido pão depois de o Senhor Jesus ter dado graças. Quando viram que Jesus e os seus discípulos não estavam ali, subiram nos barcos e saíram para Cafarnaum a fim de procurá-lo. A multidão encontrou Jesus no lado oeste do lago, e perguntaram a ele: — Mestre, quando foi que o senhor chegou aqui? Jesus respondeu: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres. Não trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna. O Filho do Homem dará essa comida a vocês porque Deus, o Pai, deu provas de que ele tem autoridade. — O que é que Deus quer que a gente faça? — perguntaram eles. — Ele quer que vocês creiam naquele que ele enviou! — respondeu Jesus. Eles disseram: — Que milagre o senhor vai fazer para a gente ver e crer no senhor? O que é que o senhor pode fazer? Os nossos antepassados comeram o maná no deserto, como dizem as Escrituras Sagradas: “Do céu ele deu pão para eles comerem.” Jesus disse: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: não foi Moisés quem deu a vocês o pão do céu, pois quem dá o verdadeiro pão do céu é o meu Pai. Porque o pão que Deus dá é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. — Queremos que o senhor nos dê sempre desse pão! — pediram eles. Jesus respondeu: — Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede. Mas eu já disse que vocês não creem em mim, embora estejam me vendo. Todos aqueles que o Pai me dá virão a mim; e de modo nenhum jogarei fora aqueles que vierem a mim. Pois eu desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou e não para fazer a minha própria vontade. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum daqueles que o Pai me deu se perca, mas que eu ressuscite todos no último dia. Pois a vontade do meu Pai é que todos os que veem o Filho e creem nele tenham a vida eterna; e no último dia eu os ressuscitarei. Eles começaram a criticar Jesus porque ele tinha dito: “Eu sou o pão que desceu do céu.” E diziam: — Este não é Jesus, filho de José? Por acaso nós não conhecemos o pai e a mãe dele? Como é que agora ele diz que desceu do céu? Jesus respondeu: — Parem de resmungar contra mim. Só poderão vir a mim aqueles que forem trazidos pelo Pai, que me enviou, e eu os ressuscitarei no último dia. Nos Profetas está escrito: “Todos serão ensinados por Deus.” E todos os que ouvem o Pai e aprendem com ele vêm a mim. Isso não quer dizer que alguém já tenha visto o Pai, a não ser aquele que vem de Deus; ele já viu o Pai. — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os antepassados de vocês comeram o maná no deserto, mas morreram. Aqui está o pão que desce do céu; e quem comer desse pão nunca morrerá. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer desse pão, viverá para sempre. E o pão que eu darei para que o mundo tenha vida é a minha carne. Aí eles começaram a discutir entre si. E perguntavam: — Como é que este homem pode dar a sua própria carne para a gente comer? Então Jesus disse: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: se vocês não comerem a carne do Filho do Homem e não beberem o seu sangue, vocês não terão vida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é a comida verdadeira, e o meu sangue é a bebida verdadeira. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim, e eu vivo nele. O Pai, que tem a vida, foi quem me enviou, e por causa dele eu tenho a vida. Assim, também, quem se alimenta de mim terá vida por minha causa. Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que os antepassados de vocês comeram e mesmo assim morreram. Quem come deste pão viverá para sempre. Jesus disse isso quando estava ensinando na sinagoga de Cafarnaum. Muitos seguidores de Jesus ouviram isso e reclamaram: — O que ele ensina é muito difícil! Quem pode aceitar esses ensinamentos? Não disseram nada a Jesus, mas ele sabia que eles estavam resmungando contra ele. Por isso perguntou: — Vocês querem me abandonar por causa disso? E o que aconteceria se vocês vissem o Filho do Homem subir para onde estava antes? O Espírito de Deus é quem dá a vida, mas o ser humano não pode fazer isso. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida, mas mesmo assim alguns de vocês não creem. Jesus disse isso porque já sabia desde o começo quem eram os que não iam crer nele e sabia também quem ia traí-lo. Jesus continuou: — Foi por esse motivo que eu disse a vocês que só pode vir a mim a pessoa que for trazida pelo Pai. Por causa disso muitos seguidores de Jesus o abandonaram e não o acompanhavam mais. Então ele perguntou aos doze discípulos: — Será que vocês também querem ir embora? Simão Pedro respondeu: — Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão vida eterna! E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou. Jesus disse: — Fui eu que escolhi todos vocês, os doze. No entanto um de vocês é um diabo! Ele estava falando de Judas, filho de Simão Iscariotes. Pois Judas, embora fosse um dos doze discípulos, ia trair Jesus. 

    Para a Doutrina Católica, este texto é considerado o pilar fundamental que fundamenta o Sacramento da Eucaristia. A narrativa pode ser dividida nos seguintes pontos:

O Sinal e o Interesse Material (v. 22-34)

    Após a multiplicação dos pães e dos peixes, a multidão vai atrás de Jesus. Ele adverte que o buscam não por compreenderem o milagre como um sinal divino, mas por terem comido e se saciado. O Alimento Espiritual: Jesus convida o povo a trabalhar não pela "comida que perece", mas pelo alimento que dura até a vida eterna. O Verdadeiro Maná: Ao ser questionado sobre que obra faria (lembrando o maná que Moisés deu no deserto), Jesus esclarece que não foi Moisés quem deu o verdadeiro pão do céu, mas o Pai.

         A Auto-Revelação (v. 35-51)

       Jesus pronuncia o primeiro "Eu Sou" deste capítulo: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede"

    O Escândalo e a Promessa Eucarística (v. 52-59). Aqui ocorre o ponto central da interpretação católica. Jesus eleva o discurso ao declarar que o pão que Ele dará é a Sua própria carne.

    Comer a Carne e Beber o Sangue: Ele usa o verbo grego trōgein (que significa literalmente "mastigar" ou "roer"), enfatizando que Sua entrega não é um símbolo, mas uma realidade corporal.

    A Igreja Católica entende essa passagem como a instituição antecipada da Eucaristia, onde sob as aparências de pão e vinho, o fiel recebe o verdadeiro Corpo e o verdadeiro Sangue de Cristo.

O Discurso Duro e a Decisão (v. 60-71)

    Diante da exigência de "comer a sua carne", muitos discípulos acham o discurso inaceitável e o abandonam. Jesus não ameniza Suas palavras nem diz que era apenas uma metáfora. Ele pergunta aos Doze Apóstolos se eles também querem partir. A Resposta de Pedro: Simão Pedro responde em nome de todos os Apóstolos: "Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". Esta é a profissão de fé na autoridade divina de Jesus.

    Jesus disse: "Em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo”. Disseram-lhe: “Senhor dá-nos deste pão”. Jesus replicou: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim jamais terá sede”. (Cf. João6, 32-36)  

    O Maná era uma prefiguração da Eucaristia. Assim como a multiplicação dos pães. No Antigo Testamento, Deus alimentou o seu povo com o maná. No Novo Testamento Jesus, o Filho Unigênito do Pai, se torna alimento para a salvação das almas.

   Jesus no evangelho de João não faz rodeios. Ele disse quem não comer da minha carne do meu sangue não terá a vida eterna. Os discípulos ouvido esse discurso perguntaram: como ele mesmo pode se dar de comer. Porque eles achavam muito duras as suas palavras. Não entenderam o que Jesus queria dizer. (João6, 60)

 Muitos ficaram escandalizados e foram embora. Mas Jesus não mudou o que disse. E voltando para os seus apóstolos perguntou: "vós também quereis ir?" E Pedro tomando a palavra respondeu: "a quem iremos Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna." (João6, 66-68)

    Muitos interpretam esta passagem do Evangelho como se Jesus estivesse falando simbolicamente ao dizer, "eu sou o pão da vida", para significar que sua palavra é alimento. Sim, a palavra de Deus é alimento, mas nesse caso, Jesus não estava falando metaforicamente. Ele estava anunciando o que ele iria fazer no futuro, na última ceia ao instituir o sacramento da Eucaristia.

    Quando ele diz "a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeiro é bebida" ele não está falando de simbolismo.

    Na última ceia ao partir o pão ele disse, "tomar e comer isso é o meu corpo que será entregue por vós", e ao passar o cálice com o vinho ele disse, "toma aí bebei esse é o cálice do meu sangue, que será derramado por vós para remissão dos pecados, todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de mim".

    Veja que ele diz, "isto é", o verbo está no tempo presente. Quando ele diz, isto é, ele está afirmar, todas as vezes que fizerdes isto eu estarei na Eucaristia como memorial perpétuo da Nova Aliança no meu sangue.

Portanto, na Eucaristia Jesus se faz presente em todas as santas missas. Em todos os sacrários Jesus está presente.

Mas você pode perguntar, por que não vejo Jesus na hóstia consagrada? Só conseguimos entender este mistério com os olhos da fé. Quando Jesus apareceu ressuscitado a Tomé, ele disse a Tomé: credes porque me vistes? Bem- aventurados aqueles que creem sem terem vistos. Tomé Ajoelhando-se disse: "meu senhor e meu Deus!"

Podemos aplicar esta mesma passagem quando estamos diante do mistério da Eucaristia. Não ouvimos com os olhos humanos, mas com os olhos da fé. O pão continua pão, o vinho continua vinho. Mas não é mais pão e nem é mais vinho é o corpo e sangue de Cristo. É por isso que muitas vezes Jesus precisou se manifestar fisicamente para aqueles que ainda tinham dúvidas em seu coração. A palavra Eucaristia significa ação de Graças, já a palavra hóstia significa vítima.

Por isso na santa missa acontece o memorial da paixão e morte e ressurreição de Jesus. Esse mesmo memorial que ele instituiu na última ceia.

 Ou seja, em cada missa acontece o sacrifício de Cristo na cruz, porém de forma incruenta. Significa que, o sacrifício de Cristo na cruz foi feito uma vez só, porém, ele é renovado, ou seja, se atualiza diariamente na Eucaristia. Quando celebramos a Santa missa estamos celebrando o mistério da paixão morte e ressurreição de Jesus. Assim São Paulo diz: "todas as vezes que fizerdes isto, estarei proclamando a morte do Senhor até que ele venha".

A festa de corpus Christi é um dia especial do ano escolhido para celebrarmos de forma mais profunda esse grande mistério do amor de Deus por nós. Nosso senhor que quis ficar conosco presente na Eucaristia, como ele mesmo disse: "eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo".

Somente na Igreja Católica podemos receber Jesus na Eucaristia. E somente da Igreja Católica Jesus se faz presente fisicamente, espiritualmente e divinamente e está vivo ressuscitado em todos os sacrários de todas as igrejas. Aquele que abandona a Igreja de Cristo para se tornar um protestante , abandona Jesus. Por que porque somente na Igreja Católica, seja ela de rito latino ou ortodoxo é que possui a Eucaristia. Isto é, o Cristo vivo presente em corpo, sangue alma e divindade. 

    Preciso dizer, e aqui não quero fazer discriminação religiosa, mas, deixar claro que as igrejas protestantes não tem Eucaristia por não ter sucessão apostolica. A Santa ceia protestante, embora mereça respeito e consideração, não tem valor sacramental porque não podem consagrar o pão e o vinho. Aliás, algumas denominações nem usam mais o vinho, mas suco de uva o que já é um absurdo. Exceto da igreja anglicana, todas as outras igrejas protestantes não crêem na Eucaristia. Seus pastores não tem o sacramento da Ordem. Então, a "santa ceia deles" é apenas uma lembrança, o pão continua pão e o vinho ou o suco de uva continua vinho e suco de uva. É um memorial, mas não é um sacramento. 

    Portanto, aquele que se torna protestante também se torna inimigo do próprio Cristo Eucarístico. Pois,  Jesus deixou na sua igreja esse Sacramento admirável, quem abandona a verdadeira igreja para seguir outra falsa, deliga o elo da Graça divina que é a Eucaristia. Jesus é bem claro ao dizer, "quem não comer e beber da minha carne não terá a vida eterna". Jesus é claro em dizer aos seus discípulos: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida. Pois a minha carne é verdadeira comida e meu sangue  verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele". - João6, 54-56.    

    Aquele que abandona a verdadeira Igreja de Cristo, onde o sacramento da Eucaristia é dado em toda santa Missa. Onde Nosso Jesus Cristo se faz presente em todos os sacrários no sacramento da Eucaristia, perde a oportunidade da salvação. Jesus não forçou seus discípulos a ficarem com ele, "vocês também querem ir?" - disse Jesus àqueles que acharam duras suas palavras [...] Mas, Nosso Senhor estava sendo objetivo. A Eucaristia é um convite e um ato de amor de Jesus por nós. Ele não quis nos deixar sós, não nos abandonou após ter subido aos céus. Lembre-se das suas palavras na última Ceia, "não vos deixarei órfãos" - "Eis que estarei com vocês até o fim do mundo". Assim, nosso Senhor por amor a nós quis permanecer no pão e no vinho, ali escondido, como dizia São Francisco Marto, o vidente de Fátima, para sermos alimentados por Ele e recebermos a vida eterna. 

    Somente na Santa Igreja católica isto é possível. Não existe este sacramento em outras seitas. A "santa ceia" protestante não tem a Eucaristia, é um memorial, não um sacramento como acontece na santa Missa. Lembremos do final deste Evangelho (cf. João6, 70-71), onde Jesus disse, "não escolhi os doze? contudo entre vós há um demônio", se referindo a Judas Scariotes que havia de traí-lo. Quem abandona a verdadeira Igreja, abandona Jesus no Santíssimo Sacramento da Eucaristia para seguir as seitas se torna desertores fé. Se torna um novo traidor. 

    Ó Sacramento admirável! Se as pessoas entendessem e pudesse sentir com profundidade o grande amor que o Senhor tem por nós, a ponto de entregar-se todo na Eucaristia, por amor a todos os que ele salvou na Cruz. Ó Pão dos anjos descido dos céus para nossa salvação. Meu Senhor e meu Deus. 

    Tantum ergo sacramentum.  Veneremur cernui. Et antiquum documentum. Novo cedat ritui. Praestet  fides supplementum. Sensuum defectui.

Genitori, genitoque.  Laus et iubilatio. Salus, honor, virtus quoque. Sit et benedictio. Procedenti ab utroque .Compar sit laudatio

Amen.     

   Ó Sacramento tão sublime. Veneremos curvados. E a antiga Lei, dê lugar ao novo rito. A fé venha suprir a fraqueza dos sentidos. Ao Pai e ao Filho saudemos com brados de alegria. Louvando-os, honrando-os, dando-lhes graças e bendizendo-os. Ao espírito que procede de ambos demos os mesmos louvores. Amém.


Fonte: parte deste texto - é da explicação, história de Corpus Christi de Padre Paulo Ricardo

As demais partes: Catecismo da Igreja Católica - pesquisas próprias do autor deste Blog 

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