domingo, 7 de junho de 2026

"EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DOS CÉUS" - A HISTÓRIA DE CORPUS CHRISTI - JESUS CRISTO ESTÁ MESMO PRESENTE NA EUCARISTIA

 


A festa de corpus Christi surgiu no século XIII.  Foi instituída oficialmente para toda a Igreja Católica no ano de 1264 pelo Papa Urbano IV, através da bula papal "Transiturus de Hoc mundo".

A celebração ocorreu por dois acontecimentos principais da época.

O primeiro ocorreu segundo as visões de Santa Juliana Cornillon. E o segundo quando aconteceu o milagre eucarostico de Bolsena. 

Era o ano de 1208, Santa Juliana de Liège, era uma leiga consagrada, morava num hospital de leprosos, do povoado de Liègi (onde hoje é a bélgica), e segundo a história, ela teve uma visão. Ela viu uma mancha na lua cheia, que segundo ela, com sua interpretação, "faltava um pedaço". Isso aconteceu por 20 anos sem ela e entender o significado da visão. Até que finalmente Deus revelou [pela locução interior], para ela o seu significado. A lua era a Igreja, estava faltando no calendário da Igreja uma festa, a festa de Corpus Christi.    

Para entender esse acontecimento devemos voltar à época dos fatos. O mundo em que Santa Juliana vivia e a realidade da Igreja. Uns criam demais na Eucaristia a ponto de não querer comungar por acharem-se indignos do Corpo do Senhor. A ponto de Igreja ter que fazer uma lei que os fiéis deveriam se confessar e comungar ao menos uma vez por ano pela Páscoa do Senhor. Esse é o mandamento da Igreja que temos até hoje. Assim diz o Concílio de Latrão, no capítulo 21 – nº 812: “Cada fiel de um e de outro sexo, chegando a idade de razão confesse-se ao menos sozinho seus pecados ao seu próprio sacerdote, ao menos uma vez ao ano e se aplique a cumprir segundo suas forças a penitência que lhe foi imposta. Receba com reverência ao menos pela Páscoa o sacramento da Eucaristia, a não ser que a conselho de seu próprio sacerdote, por motivo razoável julga dever-se abster-se por certo tempo”.

A Igreja, aqui, já elaborando dois dos famosos mandamentos que conhecemos, ela fez isso em 1215. E razão deste Mandamento é porque as pessoas criam na presença de Jesus na Eucaristia ao ponto de acharem indignas se aproximarem da Eucaristia e até de recebê-la. Ao ponto de ficar raro as pessoas comungarem. As pessoas ficavam apavoradas com medo de se aproximarem do Corpo de Cristo e comungarem. As pessoas criam na presença de Jesus na Eucaristia, mas não criam na ordem de Jesus: “Tomai e comei!”; quem seria louco de se aproximar da Eucaristia se Jesus não tivesse ordenado?

É nesse contexto que vai surgir a festa de Corpus Christi. As pessoas não comungavam, e para não terem que comungar surgiu uma devoção no século XII, padres começaram a levantar a hóstia depois da consagração. Não se fazia isso. Um gesto que para nós é óbvio, levantar a hóstia e o cálice. No início só se levantava a hóstia e não o cálice, porque havia um temor que as pessoas pudessem adorar o cálice e não o Preciosíssimo Sangue. As pessoas começaram ir à igreja para ver a hóstia ser levantada. Começou a surgir uma devoção pela consagração. As pessoas andavam pela cidade à procura de missas para ver a hóstia ser levantada porque recebia dali alguma graça. É verdade, mas, não era a recepção do sacramento. Alexandre Arles, no século XII sistematizou a ideia dizendo que a pessoa podia receber a comunhão sacramental ao comungar o Corpo de Cristo, mas que ela podia ao ver a hóstia fazer a comunhão espiritual. Só que essas coisas saem do controle, um bispo inglês no século XIV, dizia que se as pessoas fossem pra missa para ver a hóstia ser levantada na hora da consagração, naquele dia elas não precisavam comer, já estavam alimentadas. Naquele dia elas não envelheceriam, naquele dia elas recebiam todo tipo de graça, o que é um exagero. São Boaventura decidiu com toda clareza ao dizer, “não! Não é assim!” – “A Comunhão sacramental é que dá a graça”. Existe graça ao ver a hóstia ser levantada, mas, não é a mesma coisa na Comunhão.

Esse é o mundo de Santa Juliana, as pessoas creem na Eucaristia, mas ao mesmo tempo tem dificuldade de se aproximar dela. Esse é o grande dilema. É nesse contexto que surge a festa de Corpus Christi.

Mas, não somente isso, se de um lado tinha gente que cria, por outro, tinha quem cria de menos ou nem cria. Esse pessoal que cria de menos eram de dois grupos Benegário de Tours, século XII, começou a dizer que não era possível que Jesus estivesse presente na Eucaristia. Ele era seguidor da dialética de Aristóteles. Ele negou a doutrina da transubstanciação. Berengário afirmava que o pão e o vinho não sofriam uma alteração física ou material no altar para se tornarem o corpo e o sangue de Cristo, propondo em vez disso uma mudança espiritual ou simbólica. Foi várias vezes repreendido pela Igreja, mas, no final acabou por negar a transubstanciação.

A Igreja o repreendia, ele voltava atrás, voltou atrás várias vezes. Chegou assinar uma fórmula muito estranha e grotesca, dizia que: “Cristo era verdadeiramente carregado pelas mãos do sacerdote e triturado pelos dedos dos fiéis”.

É logico que ele escreveu isso de má intenção, porque depois disso, ele negou novamente chegando a dizer que a transubstanciação era algo absurdo.  

           Vejam como estava a situação da Igreja nesta época, uns criam que Jesus estava presente, outros para resolver o problema criam no oposto, no absurdo de chegar a dizer, “não é possível”. Mas na verdade, para nós sabermos não existe lógica dialética que vai descobrir isso. É aquilo que ouvimos e que diz. Jesus não engana ninguém, ele disse: “Isto é o meu Corpo”, “Isto é o meu Sangue”. Jesus está dizendo: “Não é um faz de conta”.

          Nessa época também existia um outro grupo, os Cátaros, também chamados de Albigenses. No sul da França, os cátaros não criam absolutamente na Eucaristia porque eles consideravam a matéria má. Ou seja, eles pregavam que Deus é puro e é espírito. O Deus bom criou o mundo espiritual. Aconteceu que por alguma desgraça, as almas ficaram aprisionadas no mundo material que foi criado por um deus mau. O mundo material é mau e, portanto, se a matéria é má Deus não pode estar presente na Eucaristia porque ela é matéria. Por isso, os cátaros não criam na Eucaristia.

          A Igreja respondeu a isso tudo com a pregação. Enviou São Domingos de Gusmão (fundador da Ordem Dominicana), para pregar aos cátaros para trazer de volta essas pessoas novamente para a fé da Igreja. Mas apesar de todos os esforços, ‘a lua continuava faltando um pedaço’. Ainda não havia a festa de Corpus Christi.

          Juliana, Eva e o Arquidiácono

        Em Liège, onde hoje é a Bélgica, no século XIII, encontramos Juliana que aos quinze anos de idade, em 1208 viu a lua faltando um pedaço. Liège naquele tempo era uma cidade profundamente devota. Só na cidade por volta de 1240, se calculava que havia por volta de 1500 beguinas. Beguinas são mulheres leigas consagradas que viviam o celibato. Elas viviam em regime de semiclausura, mas, sem regras monásticas.

          É nessa cidade devota e ao mesmo tempo atormentada por conflitos constantes entre o Bispo príncipe e Cabido dos cônegos, o imperador que queria ter domínio sobre a cidade e a burguesia que estava surgindo naquela época, o proto-capitalismo do fim da Idade Média. Essa cidade atordoada política e economicamente uma menina de quinze anos vê que falta um pedaço na lua e não entende o significado disso.

          Depois que ela finalmente entendeu o que era aquela visão teve medo de falar. Foi em 1225, quando era superiora religiosa que ela contou ao seu confessor. A partir daí começou a espalhar a ideia de que faltava uma festa para o Corpo de Cristo.

          É aí que Deus mostra como ele muda a história de forma inopinada. Uma leiga consagrada, Eva de São Martinho, que era amiga de Santa Juliana, tendo ouvido aquela história se empenhou por manter viva aquela chama da história da festa. Até que finalmente em 1246 o bispo da cidade Dom Robert Thourotte resolve fazer a festa pela primeira vez. A primeira festa de Corpus Christi aconteceu somente na cidade de Liège.

Com a morte do bispo, morreu a festa. Só que naquela festa de 1246 havia presente uma pessoa, Jacques Pantaleón. Esse homem se tornou sacerdote, fez carreira, foi emissário na Prússia, depois em Verdon, foi patriarca de Jerusalém e depois foi eleito Papa, com o nome de Urbano IV. Um francês se senta na Cátedra de São Pedro e trazia a memória daquela festa de Corpus Christi de 1246.

Santa Juliana já tinha falecido, morreu em 1258. Ela não viu a festa implantada na Igreja toda, mas, o Papa Urbano IV, que antão estava morando em Orvieto, e não em Roma porque Roma naquela época estava uma bagunça.

Naquele tempo o Papa convidou para estar com ele grandes teólogos, dentre eles São Tomás de Aquino e São Boaventura. E aconteceu uma coisa espantosa. Poucos quilômetros dali, em Bolsena, um padre que vinha lá dor norte da Europa, tinha feito peregrinação em Roma, voltando pra casa resolveu celebrar missa na Igreja de Santa Cristina. [Santa Cristina foi mártir cristã do século III. Morreu afogada no Lago Bolsena; ali sobre suas catacumbas se ergueu uma igreja], durante a missa veio a dúvida no sacerdote sobre a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia. Quando ele partiu o pão, quando ela quebra a hóstia, pois a hóstia naquele tempo era mais espessa, a hóstia começa a sangrar abundantemente. Caindo sangue na toalha e no corporal. A hóstia tinha se tornado carne.

O padre apavorado com o acontecimento mandou um emissário até o Papa Urbano que estava ali perto em Orvieto. O Papa ao saber da notícia se dirigiu em procissão até Bolsena junto com as pessoas que tinham ido dar o recado. Os que estavam lá pegaram a toalha e o corporal juntamente com a Eucaristia e foram também em procissão ao encontro do Papa. Podemos dizer que foi a primeira procissão de Corpus Christi.

Então o Papa adorou Jesus, lá mesmo no meio do caminho. Depois ele mandou que São Tomás de Aquino investigasse o ocorrido. Comprovado o milagre, o Papa resolveu fazer acontecer o pedido de Santa Juliana. Instituiu a festa de Corpus Christi no dia 11 de agosto de 1264 com a bula papal “Transiturus de hoc mundo”.

Até aí trâmite oficial, mas ele se lembrou da beguina, Eva de São Martinho. Então ele escreveu uma carta a ela dizendo que estava sendo promulgada a Festa de Corpus Christi. Foi uma das primeiras cartas do Papa Urbano IV. Ele tinha recordado daquela pobre mulher de Liège que havia lutado tanto para que o desejo de Santa Juliana não morresse com ela. Agora finalmente ‘a lua estava completa’.

 

São Tomás de Aquino e o Ofício de Corpus Christi

 

Faltava então, escrever a missa e o Ofício da festa. O Papa decidiu por uma espécie de “concurso” que os teólogos (que já estavam na corte papal), escrevessem seus textos e apresentassem a ele. Então São Tomás de Aquino escreveu juntamente com os demais teólogos, dentre eles São Boaventura. No dia da apresentação São Tomás de Aquilo leu o seu “Lauda Sion Salvatori”, a sequência de Corpus Christi. Quando ele terminou a leitura São Boaventura ficou tão admirado que rasgou seu texto dizendo que não podia apresentar seus escritos para não correr o risco que aquela pérola preciosa sofresse algum obstáculo e não pusesse ser apresentada. Com ele seguiram os demais rasgando seus escritos. A poesia de São Tomás foi aprovada. Ela é grandiosa, não só porque ela é impecável enquanto arte poética, mas, porque ela firma a fé dando resposta exatamente aos problemas que a Igreja vivia naquele tempo. Os problemas que vimos no início, de crer de mais e de menos. São Tomás começa batendo direto no ‘crer de menos’. Ele diz: “Dogma datur Christimas, quod in carnem transit panis et vinin in sanguinem. Quod non capis, quod non vides, animora firmat fides, praeter rerum ordinem”. (Lauda Sion – estrofe 9)

 

“O dogma é dado aos cristãos; o pão se transforma em carne, o vinho em sangue. O que não compreendes, o que não vês, a fé corajosa afirma além da ordem das coisas”.

Ele destrói a heresia de Benegário e também dos cátaros, “a fé corajosa, embora eu não compreenda, mas Jesus disse, então nós afirmamos com Ele”. 

Mas não é só isso. Se lembram das pessoas que não comungavam? São Tomás de Aquino também tem uma palavra para isso. Não é só uma palavra de fé que se ouve hoje em dia de abrir as portas, “venham todos, comunguem, sem problema nenhum, de qualquer jeito. Ele diz: “Sumut boni, sumunti mali: Mors est malis, vita bonis”. “Os bons e os maus comungam, mas, com sorte desigual. É morte para os maus, vida para os bons”.

Aqui está a coisa, pessoas boas comungam e pessoas más também comungam, mas o futuro não é o mesmo para todos. Ou seja, vida ou morte. É aquilo que São Paulo vai dizer em 1Coríntios 11, 27-29. “Que cada um examine a sim mesmo, e assim como deste pão e beba deste cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação”.

Comungar sem discernimento, sem estado de graça, isto é, em pecado, é morte eterna. Mais adiante são Paulo diz: “Esta é a razão porque entre vós há muitos doentes e fracos, e mortos. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, sendo julgados pelo Senhor, ele nos castiga para não sermos condenados com o mundo” (cf. 1Coríntios 11, 30-32).

O texto não paralisa não deixa as pessoas sem comungar, dá a elas a possibilidade, mas é importante distinguir. Por isso, a orientação do Concílio de Latrão: “Confissão para bem comungar”.

Além deste grande Lauda Sion, São Tomás de Aquino nos coloca diante de textos que não estão na missa e na liturgia de Corpus Christi, mas, que nos ajudam muito a nossa devoção depois que comungamos. Depois que a gente comunga nós temos que adorar. Então tem aquele famoso hino ‘Adoro te devote’, está tão ligado à São Tomás que a tradição diz que é obra dele e nós cremos. Assim diz o seguinte:

“Visus tactus, gustus in te falitur, sed auditu solo tuto creditur”. “A vista, o tato, o gosto falham e ti, só pelo ouvido se crê com segurança”. (Adoro te devote, estrofe 2)  

Ou seja, os sentidos não vão captar a substância. É importante saber sobre isso. Não é que na Eucaristia a nossa visão, nosso gosto e o nosso tato não capta a substância, não! É que a visão, o gosto e o tato não são capazes de captar a substância de nada; o que a gente capta com os sentidos é o acidente e não a substância, são as aparências.

Ele continua: “Só pelo ouvido se crê com segurança”. Essa é a realidade da Eucaristia, nós temos que crer no que Jesus disse, crer com segurança, “tuto creditur”. Porque temos que ter fidelidade de ouvir, porque nós não ouvimos o barulho do pão, não! Nós ouvimos a voz de Cristo. E a voz de Cristo firma em nós a fé. Firma em nós a coragem também de nos aproximarmos. Ele disse: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Tomai e bebei, isto é o meu sangue”. Nesta frase de Cristo estão distribuídas essas duas tragédias: Os que tem medo de se aproximar e aqueles que já não creem.

 

A procissão de Corpus Christi

  O Cristo nas Ruas 

 


É importante dizer que a bula papal de 1264, que instituía a festa de Corpus Christi nada dizia de procissão. Ou seja, a festa foi instituída, mas não havia procissão. As procissões foram se acrescentando ao longo da história até virar uma tradição em todo mundo. A primeira notícia de uma procissão com o Corpo de Cristo aconteceu na Alemanha entre os anos 1265-1277. Não se sabe a data precisa, as procissões medievais que eram expressões bonitas e de fé, mas que também retratava um pouco a sociedade da época.

Mas, é importante recordarmos o porque daquela visão da lua faltando um pedaço, na época de Santa Juliana. Em si a reclamação de Deus ao fazer aparecer aquela mancha. Não foi a falta de fé de Benegário e a incredibilidade dos cátaros. Mas, aquela fé estranha das pessoas que não queriam se aproximar da Eucaristia. Na verdade, no fundo, faltava uma festa para louvar a Eucaristia.

Mas, você poderia dizer: ‘Mas, isso não é verdade, muitos liturgistas modernos dizem que existe, que é quinta-feira santa, porque é ali que se faz a festa da Eucaristia”. mas, quem diz isso não entendeu a visão de Santa Juliana. E nem entendeu a liturgia como ela foi instaurada pelo Papa Urbano IV e a escrita de São Tomás de Aquino. Porque Corpus Christi é uma festa da Eucaristia com toda sua glória e esplendor. Na quinta-feira santa Jesus instituiu a Eucaristia, mas Jesus saiu dali para ser morto; como poderá haver festa num drama marcado pela paixão? Na quinta-feira santa celebramos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio católico, mas, era necessário para o bem espiritual dos fiéis colocar a Eucaristia num outro quadro, numa realidade mais festiva, mais luminosa. A festa de Corpus Christi é mais luminosa, “a lua luminosa”, ela é o louvor da Eucaristia e, aqui é que toda a coloração festiva depois de termos celebrado o Tempo Pascal.

É por isso que São Tomás de Aquino inicia a sua Sequência com um grande louvor. Ele diz: “Lauda Sion Salvatorem, lauda ducem et pastorem, in  hyminis et canticis”. “Louva Sião, teu Salvador, louva teu guia e pastor com hinos e cânticos”.

E não é somente louvar, é incentivar as pessoas a fazer isso. “Quatum potes, tantum aude: quia maior omini laude nec laudare sufficis”. “Tanto quanto possas, tanto ouses: Porque é maior que todo louvor, e nunca o louvemos o bastante”. (Lauda Sion – estrofe 1-2)

A Eucaristia é maior que todo louvor, não há língua que louve, de homem ou de anjo. Somente o louvor de Deus feito pelo próprio Filho Encarnado é capaz de louvar a Deus pela grandeza da Eucaristia. Nós passaremos a eternidade louvando por aquilo que é a Eucaristia.

 

O significado da mancha

 

A mancha estava preenchida e levou 40 anos. A menina com quinze anos que começou a ver a lua ficou perplexa com aquele mistério por 20 anos. Depois demorou mais 20 anos para que a festa finalmente aparecesse. Ali estava preenchida o que faltava na lua. Não com dogma, não com uma cruzada, não com absolutamente nada, mas com louvor. Essa é a finalidade. Era isso que estava faltando, que louvássemos verdadeiramente a Eucaristia.

Que toda língua cante, que os anjos cantem e todos cantemos. Que a festa de Corpus Christi seja verdadeiro louvor à Eucaristia.        

 

A Eucaristia é sustento e remédio para a alma.    

                                   

No milagre de Bolsena, Nosso Senhor quis nos mostrar que a Eucaristia não é uma fantasia, também não é um teatro, ou faz de conta. As palavras de Jesus ao instituir a Eucaristia que é a sua presença real, ou seja, corpo, sangue alma e divindade, e cujo, ele a instituiu na quinta-feira Santa é uma realidade.

Nosso senhor Jesus Cristo deixou-nos o sacramento da Eucaristia, o memorial perpétuo paixão, morte e ressurreição. Mas, também a Eucaristia é o alimento da alma.

Mas, poderia alguém perguntar: eu aceitei Jesus e estou salvo porque preciso da Eucaristia?

Ora, a salvação foi dada por Jesus no calvário. Ela passa por um processo que é: aceitar Jesus, ser batizado, participar da igreja, viver de acordo com o evangelho, dar testemunho de Cristo. E nesse processo exige longa caminhada neste mundo. Jesus mesmo tendo nos dado a salvação, poderíamos perdê-la por causa da nossa fraqueza, dos nossos pecados. Por isso, ele entregou a igreja toda autoridade para guiar o seu povo. Não só quis ficar espiritualmente conosco, mas quis se entregar como um todo por nós. Para isso ele por amor aos homens, criou os sacramentos e dentre eles o maior de todos, a Eucaristia, que é sua presença real. Assim como o corpo precisa de alimento para sobreviver, a alma precisa se alimentar para a eternidade. A Eucaristia é o alimento da alma. Jesus se torna alimento para a nossa salvação.

Por que enganam-se aqueles que pensam que já estão salvos só porque aceitou Jesus. A salvação ela é gratuita, mas, depende do nosso esforço para alcançá-la.

Todos nós dependemos de Cristo para chegar à salvação plena. Jesus sabendo disso quis se entregar no todo até mesmo em um pedaço de pão.

No início do cristianismo a Eucaristia era chamada a fração do pão. Os cristãos reuniram-se nas casas para partir o pão, segundo narra o livro dos Atos.

Acontece que os participantes da ceia achavam que a Santa ceia era para matar a fome e comiam demasiadamente saberem o que estava fazendo.

São Paulo vai exortar os cristãos dizendo que a Eucaristia não é qualquer coisa. Que as pessoas deveriam saber distinguir o corpo e sangue de Cristo na Eucaristia.

Por isso, que ele vai dar instruções de como os cristãos deveriam se preparar para receber a Eucaristia.

Ele disse: "irmãos. O que eu recebi do Senhor eu vos transmiti. Na noite em que foi traído ele tomou do pão e disse isto é o meu corpo e tomando do cálice disse isto é o meu sangue", e mais à frente ele vai dizer, "sabeis quem comunga do corpo e sangue do Senhor sem fazer distinção de tal, come e bebe a própria condenação, por causa disso há muitos doentes e mortos entre vós”. – 1Coríntios11, 27-30.

São Paulo está nos mostrando que a Eucaristia não é um teatro, não é faz de conta. Ela é a presença real de Cristo. Ele disse: “Portanto, irmãos meus, quando vos reunis para a ceia, esperai uns pelos outros. Alguém tem fome, coma em casa. Assim vossas reuniões não atrairão condenação”. (cf. 1Coríntios11, 33-34. – A ceia não é para ninguém se fartar, encher a pança, é para celebrar comungar a Eucaristia.

 É muito comum nas igrejas protestantes celebrar o memorial da ceia. Mas o memorial é apenas uma lembrança. Na santa missa acontece o que chamamos de transubstanciação, ou seja, pelas mãos do sacerdote e pela ação do Espírito Santo as espécies do pão e do vinho se torna o corpo e sangue de Cristo.

Muitos, ao longo da história duvidavam da presença real de Cristo. Por isso os milagres eucarísticos vão acontecendo ao longo do tempo até nos dias de hoje. Jesus não precisava dar sinais de sua presença Eucarística. Porém, ainda existem alguns que age como Tomé que tendo ouvido falar da ressurreição de Cristo ainda duvidou e precisou tocá-lo fisicamente. Nosso senhor não deixa ninguém na dúvida. E mesmo não precisando ele em cada tempo específico dá sinais de sua presença. Esses sinais estão presentes nos milagres eucarísticos.

Antes do milagre eucarístico de Bolsena, aconteceu o famoso milagre Eucarístico de Lanciano. No ano 700, em Lanciano, na Itália, na igreja de São Lengoziano, um monge da Ordem de São Basílio, que duvidava da presença real de Cristo na Eucaristia, viu a hóstia transformar-se em carne viva e o vinho em sangue durante a missa. A Carne e o Sangue (coagulado em cinco fragmentos) continuam preservados e expostos para veneração. Estudos científicos indicam que a carne pertence ao tecido do miocárdio (coração) e ambos são do grupo sanguíneo AB.

A análise científica mais abrangente e conhecida das relíquias do Milagre Eucarístico de Lanciano foi conduzida em 1970 pelo Dr. Edoardo Linoli, professor de anatomia e histologia patológica, com a colaboração do Prof. Ruggero Bertelli. Os resultados foram publicados em 1971 na revista Quaderni Sclavo di Diagnostica Clinica e di Laboratorio.

As principais conclusões científicas da pesquisa foram:

Tecido Humano Real: A carne é constituída por tecido muscular estriado do miocárdio (o músculo do coração).

Sangue Real: O sangue coagulado pertence ao grupo sanguíneo AB. O sangue AB é típico dos judeus.

Ausência de Conservantes: Não foram encontrados vestígios de qualquer agente conservante ou de embalsamamento que pudesse ter impedido a decomposição natural ao longo dos séculos. Proteínas e Minerais: No sangue, foram identificados proteínas e minerais em proporções normais de um sangue humano vivo.

Pois bem, a partir desse milagre todos os demais contém o mesmo tipo AB, e tecido do miocárdio. Com isso Jesus quer que saibamos que ele está vivo, presente na Eucaristia, não só espiritualmente, mas fisicamente, corpo, sangue, alma e divindade.

O milagre de Bolsena foi o mais conhecido, mas existem outros e tem uma coisa em comum com o de Lanciano. Em ambos os casos ocorreu porque os sacerdotes tinham dúvidas sobre a presença real de Jesus na Eucaristia. Tais milagres compravam sua presença real e tirou as dúvidas das outras pessoas que também duvidava.

  O milagre eucarístico de Bolsena foi testificado por milhares de pessoas, mas também foi comprovado cientificamente como verdadeiro e inexplicável.

O Milagre Eucarístico de Bolsena (ocorrido em 1263) foi analisado cientificamente, a restauração e análises recentes (2015): Durante um projeto de restauração do corporal (pano de altar) na Catedral de Orvieto, especialistas em conservação e tecidos antigos liderados por Ester Giovacchini examinaram o tecido. Análises sob luz ultravioleta confirmaram a presença de depósitos biológicos divididos entre plasma e soro.

Jesus é o pão vivo descido do céu para salvação do mundo.

No Evangelho de João (6, 22-71), Jesus realiza a transição da multiplicação dos pães para o Discurso do Pão da Vida. Ele revela ser o verdadeiro pão descido do céu, exigindo que Seus seguidores comam Sua carne e bebam Seu sangue para alcançar a vida eterna. Vamos ler o Evangelho:

No dia seguinte a multidão que estava no lado leste do lago viu que ali só havia um barco pequeno. Sabiam que Jesus não tinha embarcado com os discípulos, pois estes haviam saído sozinhos. Enquanto isso, outros barcos chegaram da cidade de Tiberíades e encostaram perto do lugar onde a multidão tinha comido pão depois de o Senhor Jesus ter dado graças. Quando viram que Jesus e os seus discípulos não estavam ali, subiram nos barcos e saíram para Cafarnaum a fim de procurá-lo. A multidão encontrou Jesus no lado oeste do lago, e perguntaram a ele: — Mestre, quando foi que o senhor chegou aqui? Jesus respondeu: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres. Não trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna. O Filho do Homem dará essa comida a vocês porque Deus, o Pai, deu provas de que ele tem autoridade. — O que é que Deus quer que a gente faça? — perguntaram eles. — Ele quer que vocês creiam naquele que ele enviou! — respondeu Jesus. Eles disseram: — Que milagre o senhor vai fazer para a gente ver e crer no senhor? O que é que o senhor pode fazer? Os nossos antepassados comeram o maná no deserto, como dizem as Escrituras Sagradas: “Do céu ele deu pão para eles comerem.” Jesus disse: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: não foi Moisés quem deu a vocês o pão do céu, pois quem dá o verdadeiro pão do céu é o meu Pai. Porque o pão que Deus dá é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. — Queremos que o senhor nos dê sempre desse pão! — pediram eles. Jesus respondeu: — Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede. Mas eu já disse que vocês não creem em mim, embora estejam me vendo. Todos aqueles que o Pai me dá virão a mim; e de modo nenhum jogarei fora aqueles que vierem a mim. Pois eu desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou e não para fazer a minha própria vontade. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum daqueles que o Pai me deu se perca, mas que eu ressuscite todos no último dia. Pois a vontade do meu Pai é que todos os que veem o Filho e creem nele tenham a vida eterna; e no último dia eu os ressuscitarei. Eles começaram a criticar Jesus porque ele tinha dito: “Eu sou o pão que desceu do céu.” E diziam: — Este não é Jesus, filho de José? Por acaso nós não conhecemos o pai e a mãe dele? Como é que agora ele diz que desceu do céu? Jesus respondeu: — Parem de resmungar contra mim. Só poderão vir a mim aqueles que forem trazidos pelo Pai, que me enviou, e eu os ressuscitarei no último dia. Nos Profetas está escrito: “Todos serão ensinados por Deus.” E todos os que ouvem o Pai e aprendem com ele vêm a mim. Isso não quer dizer que alguém já tenha visto o Pai, a não ser aquele que vem de Deus; ele já viu o Pai. — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os antepassados de vocês comeram o maná no deserto, mas morreram. Aqui está o pão que desce do céu; e quem comer desse pão nunca morrerá. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer desse pão, viverá para sempre. E o pão que eu darei para que o mundo tenha vida é a minha carne. Aí eles começaram a discutir entre si. E perguntavam: — Como é que este homem pode dar a sua própria carne para a gente comer? Então Jesus disse: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: se vocês não comerem a carne do Filho do Homem e não beberem o seu sangue, vocês não terão vida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é a comida verdadeira, e o meu sangue é a bebida verdadeira. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim, e eu vivo nele. O Pai, que tem a vida, foi quem me enviou, e por causa dele eu tenho a vida. Assim, também, quem se alimenta de mim terá vida por minha causa. Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que os antepassados de vocês comeram e mesmo assim morreram. Quem come deste pão viverá para sempre. Jesus disse isso quando estava ensinando na sinagoga de Cafarnaum. Muitos seguidores de Jesus ouviram isso e reclamaram: — O que ele ensina é muito difícil! Quem pode aceitar esses ensinamentos? Não disseram nada a Jesus, mas ele sabia que eles estavam resmungando contra ele. Por isso perguntou: — Vocês querem me abandonar por causa disso? E o que aconteceria se vocês vissem o Filho do Homem subir para onde estava antes? O Espírito de Deus é quem dá a vida, mas o ser humano não pode fazer isso. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida, mas mesmo assim alguns de vocês não creem. Jesus disse isso porque já sabia desde o começo quem eram os que não iam crer nele e sabia também quem ia traí-lo. Jesus continuou: — Foi por esse motivo que eu disse a vocês que só pode vir a mim a pessoa que for trazida pelo Pai. Por causa disso muitos seguidores de Jesus o abandonaram e não o acompanhavam mais. Então ele perguntou aos doze discípulos: — Será que vocês também querem ir embora? Simão Pedro respondeu: — Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão vida eterna! E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou. Jesus disse: — Fui eu que escolhi todos vocês, os doze. No entanto um de vocês é um diabo! Ele estava falando de Judas, filho de Simão Iscariotes. Pois Judas, embora fosse um dos doze discípulos, ia trair Jesus.

 

Para a Doutrina Católica, este texto é considerado o pilar fundamental que fundamenta o Sacramento da Eucaristia. A narrativa pode ser dividida nos seguintes pontos:

O Sinal e o Interesse Material (v. 22-34)

Após a multiplicação dos pães e dos peixes, a multidão vai atrás de Jesus. Ele adverte que o buscam não por compreenderem o milagre como um sinal divino, mas por terem comido e se saciado. O Alimento Espiritual: Jesus convida o povo a trabalhar não pela "comida que perece", mas pelo alimento que dura até a vida eterna. O Verdadeiro Maná: Ao ser questionado sobre que obra faria (lembrando o maná que Moisés deu no deserto), Jesus esclarece que não foi Moisés quem deu o verdadeiro pão do céu, mas o Pai.

 

         A Auto-Revelação (v. 35-51)

       Jesus pronuncia o primeiro "Eu Sou" deste capítulo: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede"

 

O Escândalo e a Promessa Eucarística (v. 52-59). Aqui ocorre o ponto central da interpretação católica. Jesus eleva o discurso ao declarar que o pão que Ele dará é a Sua própria carne.

Comer a Carne e Beber o Sangue: Ele usa o verbo grego trōgein (que significa literalmente "mastigar" ou "roer"), enfatizando que Sua entrega não é um símbolo, mas uma realidade corporal.

 A Igreja Católica entende essa passagem como a instituição antecipada da Eucaristia, onde sob as aparências de pão e vinho, o fiel recebe o verdadeiro Corpo e o verdadeiro Sangue de Cristo.

O Discurso Duro e a Decisão (v. 60-71)

Diante da exigência de "comer a sua carne", muitos discípulos acham o discurso inaceitável e o abandonam. Jesus não ameniza Suas palavras nem diz que era apenas uma metáfora. Ele pergunta aos Doze Apóstolos se eles também querem partir. A Resposta de Pedro: Simão Pedro responde em nome de todos os Apóstolos: "Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". Esta é a profissão de fé na autoridade divina de Jesus.

Jesus disse: "Em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo”. Disseram-lhe: “Senhor dá-nos deste pão”. Jesus replicou: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim jamais terá sede”. (Cf. João6, 32-36)  

O Maná era uma prefiguração da Eucaristia. Assim como a multiplicação dos pães. Jesus no evangelho de João não faz rodeios. Ele disse quem não comer da minha carne do meu sangue não terá a vida eterna. Os discípulos ouvido esse discurso perguntaram: como ele mesmo pode se dar de comer. Porque eles achavam muito duras as suas palavras. Não entenderam o que Jesus queria dizer. (João6, 60)

 Muitos ficaram escandalizados e foram embora. Mas Jesus não mudou o que disse. E voltando para os seus apóstolos perguntou: "vós também quereis ir?" E Pedro tomando a palavra respondeu: "a quem iremos Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna." (João6, 66-68)

Muitos interpretam esta passagem do Evangelho como se Jesus estivesse falando simbolicamente ao dizer "eu sou o pão da vida", para dizer que ele estava dizendo que sua palavra é alimento. Sim, a palavra de Deus é alimento, mas nesse caso, Jesus não estava falando metaforicamente. Ele estava anunciando o que ele iria fazer no futuro, na última ceia ao instituir o sacramento da Eucaristia.

Quando ele diz "a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeiro é bebida" ele não está falando de simbolismo.

Na última ceia ao partir o pão ele disse, "tomar e comer isso é o meu corpo que será entregue por vós", e ao passar o cálice com o vinho ele disse, "toma aí bebei esse é o cálice do meu sangue, que será derramado por nós para remissão dos pecados todas as vezes que fizerdes isto, fazei em memória de mim".

Veja que ele diz, "isto é", o verbo está no tempo presente. Quando ele diz, isto é, ele está afirmar, todas as vezes que fizerdes isto eu estarei na Eucaristia como memorial perpétuo da Nova Aliança no meu sangue.

Portanto, na Eucaristia Jesus se faz presente em todas as santas missas. Em todos os sacrários Jesus está presente.

Mas você pode perguntar, por que não vejo Jesus na hóstia consagrada? Só conseguimos entender este mistério com os olhos da fé. Quando Jesus apareceu ressuscitado a Tomé, ele disse a Tomé: credes porque me vistes? Bem- aventurados aqueles que creem sem terem vistos. Tomé Ajoelhando-se disse: "meu senhor e meu Deus!"

Podemos aplicar esta mesma passagem quando estamos diante do mistério da Eucaristia. Não ouvimos com os olhos humanos, mas com os olhos da fé. O pão continua pão, o vinho continua vinho. Mas não é mais pão e nem é mais vinho é o corpo e sangue de Cristo. É por isso que muitas vezes Jesus precisou se manifestar fisicamente para aqueles que ainda tinham dúvidas em seu coração. A palavra Eucaristia significa ação de Graças, já a palavra hóstia significa vítima.

Por isso na santa missa acontece o memorial da paixão e morte e ressurreição de Jesus. Esse mesmo memorial que ele instituiu na última ceia.

 Ou seja, em cada missa acontece o sacrifício de Cristo na cruz, porém de forma incruenta. Significa que, o sacrifício de Cristo na cruz foi feito uma vez só, porém, ele é renovado, ou seja, se atualiza diariamente na Eucaristia. Quando celebramos a Santa missa estamos celebrando o mistério da paixão morte e ressurreição de Jesus. Assim São Paulo diz: "todas as vezes que fizerdes isto, estarei proclamando a morte do Senhor até que ele venha".

A festa de corpus Christi é um dia especial do ano escolhido para celebrarmos de forma mais profunda esse grande mistério do amor de Deus por nós. Nosso senhor que quis ficar conosco presente na Eucaristia, como ele mesmo disse: "eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo".

Somente na Igreja Católica podemos receber Jesus na Eucaristia. E somente da Igreja Católica Jesus se faz presente fisicamente, espiritualmente e divinamente e está vivo ressuscitado em todos os sacrários de todas as igrejas. Aquele que abandona a Igreja de Cristo para se tornar um protestante a grande de receber Jesus. Por que porque somente na Igreja Católica, seja ela de latino ortodoxo é que possui a Eucaristia. Isto é o Cristo vivo presente em corpo, sangue alma e divindade.

Preciso dizer, e aqui não quero fazer discriminação religiosa, mas, deixar claro que as igrejas protestantes não tem Eucaristia. A Santa ceia protestante, embora mereça respeito e consideração, não tem valor sacramental porque não podem consagrar o pão e o vinho. Aliás, algumas denominações nem usem mais o vinho, mas suco de uva o que já é um absurdo.

Portanto aquele que se torna protestante também se torna inimigo do próprio Cristo Eucarístico. Pois, se Jesus deixou na sua igreja esse Sacramento admirável, quem abandona a verdadeira igreja para seguir outra falsa, o elo da Graça divina que é a Eucaristia. Jesus é bem claro ao dizer, "quem não comer e beber da minha carne não terá a vida eterna". Jesus é claro em dizer aos seus discípulos: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida. Pois a minha carne é verdadeira comida e meu sangue  verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele". - João6, 54-56.    

    Aquele que abandona a verdadeira Igreja de Cristo, onde o sacramento da Eucaristia é dado em toda santa Missa. Onde Nosso Jesus Cristo se faz presente em todos os sacrários no sacramento da Eucaristia, perde a oportunidade da salvação. Jesus não forçou seus discípulos a ficarem com ele, "vocês também querem ir?" - disse Jesus àqueles que acharam duras suas palavras [...] Mas, Nosso Senhor estava sendo objetivo. A Eucaristia é um convite e um ato de amor de Jesus por nós. Ele não quis nos deixar sós, não nos abandonou após ter subido aos céus. Lembre-se das suas palavras na última Ceia, "não vos deixarei órfãos" - "Eis que estarei com vocês até o fim do mundo". Assim, nosso Senhor por amor a nós quis permanecer no pão e no vinho, ali escondido, como dizia São Francisco Marto, o vidente de Fátima, para sermos alimentados por Ele e recebermos a vida eterna. 

    Somente na Santa Igreja católica isto é possível. Não existe este sacramento em outras seitas. A "santa ceia" protestante não tem a Eucaristia, é um memorial, não um sacramento como acontece na santa Missa. Lembremos do final deste Evangelho (cf. João6, 70-71), onde Jesus disse, "não escolhi os doze? contudo entre vós há um demônio", se referindo a Judas Scariotes que havia de traí-lo. Quem abandona a verdadeira Igreja, abandona Jesus no Santíssimo Sacramento da Eucaristia para seguir as seitas se torna desertores fé. Se torna um novo traidor. 

Oh Sacramento admirável! Se as pessoas entendessem e pudesse sentir o grande amor que o Senhor tem por nós a ponto de se entregar ao todo na Eucaristia por amor a todos os que ele salvou na Cruz. Pão dos anjos descido dos céus para nossa salvação. 

    Tantum ergo sacramentum.  Veneremur cernui. Et antiquum documentum. Novo cedat ritui. Praestet  fides supplementum. Sensuum defectui.

Genitori, genitoque.  Laus et iubilatio. Salus, honor, virtus quoque. Sit et benedictio. Procedenti ab utroque .Compar sit laudatio

Amen.     

   Ó Sacramento tão sublime. Veneremos curvados. E a antiga Lei, dê lugar ao novo rito. A fé venha suprir a fraqueza dos sentidos. Ao Pai e ao Filho saudemos com brados de alegria. Louvando-os, honrando-os, dando-lhes graças e bendizendo-os. Ao espírito que procede de ambos demos os mesmos louvores. Amém.

Fonte: parte deste texto - explicação, história de Corpus Christi de Padre Paulo Ricardo

"EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DOS CÉUS" - A HISTÓRIA DE CORPUS CHRISTI - JESUS CRISTO ESTÁ MESMO PRESENTE NA EUCARISTIA

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