quarta-feira, 6 de maio de 2026

O ECO ESQUECIDO DE FÁTIMA - SE JESUS MORREU POR NÓS, POR QUE A VIREM MARIA PEDE QUE SACRIFIQUEMOS PELOS PECADORES?

 


Estamos no mês de maio. Mês dedicado à Nossa Senhora ou “Mês de Maria”.

Em especial no dia 13 de maio, celebramos a memória da aparição de Nossa Senhora em Fátima – Portugal no ano de 1917.

Mas, a Mensagem de Fátima não se resume apenas em uma procissão luminosa com a imagem da Virgem Maria ou a coroações. A Mensagem de Fátima vai muito além. O eco de Fátima é muito mais que isso, é uma mensagem forte de apelo à conversão, à oração e penitência pelos pecadores.   

Nesta aparição Nossa Senhora se apresentou a três crianças pastorinhas, Jacinta, Francisco e Lúcia e pede a elas duas coisas: 1. Que rezem constantemente o Rosário, 2. Que façam sacrifícios pelas almas do purgatório e pela conversão dos pecadores.

Nossa Senhora transmite a mensagem do céu às crianças pelo fato de que elas têm um coração puro, sentimento puro e por isso acolher com maior docilidade, algo que poderia demorar em um adulto.

Para quem conhece a história, sabemos que as crianças não fizeram questionamentos absurdos, não recusaram escutar, não desobedeceram e não tremeram diante das autoridades quando estas lhe quiseram negar o que viram e receberam da Mãe de Deus.       

Mas, podemos perguntar:

Por que rezar e sacrificar pelas almas e pelos pecadores se Jesus já se sacrificou na cruz por todos?

Bem, responder a esta questão e achar a resposta adequada não é tão fácil. Mas podemos encontrar alguns pontos importantes que aqui podemos explicar:

1.    A doutrina católica ensina que o sacrifício de Jesus na Cruz foi perfeito, infinito e suficiente para salvar toda a humanidade. No entanto, Nossa Senhora pede sacrifícios pelos pecadores em Fátima (e outras aparições) para que os fiéis participem da obra de redenção de Cristo. [Isso não significa que o sacrifício de Jesus foi "incompleto", mas sim que os fiéis são chamados a cooperar com ele. Aqui estão os principais motivos explicados pela teologia.]

2.     Cooperadores na Redenção (Participação).   São Paulo afirma: "completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo" (Colossenses 1, 24).

O mérito é de Jesus: Todo o valor do sacrifício vem dEle. Nossa participação: Deus, em sua misericórdia, permite que as nossas orações, sofrimentos e sacrifícios (pequenas mortificações) sejam unidos ao sacrifício de Cristo. Aparar a cólera divina: Sacrificar-se pelos pecadores é um ato de reparação ao Coração de Jesus, ofendido pelos pecados do mundo.

3.    A Comunhão dos Santos: A Igreja é um corpo místico onde todos os membros estão unidos.

4.    Intercessão: Assim como rezamos pelos vivos e mortos, podemos oferecer sofrimentos para que a graça de Deus toque o coração de alguém que não quer se arrepender.

5.    Responsabilidade: Nossa Senhora disse em Fátima: "Rezai... pois muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas". Isso ressalta a responsabilidade uns pelos outros.

6.    Conversão Pessoal e Reparadora: O sacrifício não é apenas para salvar o outro, mas também para nos santificar.

7.    Amor e gratidão: Sacrificar-se é um ato de amor por Deus, mas também é um ato de amor pelo próximo. Pois se devemos amar uns aos outros devemos estar dispostos a oferecer o de melhor por elas. A oração, o sacrifício pela conversão das almas é um ato de amor. Jesus, na cruz em seus últimos momentos orou pelos seus algozes na cruz. Jesus ensinou que devemos amar a todos, amar nossos inimigos. Rezar pelos que sofrem; rezar pelos amigos, mas, também pelos inimigos é um ato de amor. E quando Nossa Senhora trouxe essa mensagem, não era para ninguém se espantar já que Nosso Senhor em seu Mandamento nos disse “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei!”      

8.    Desapego: Ajuda-nos a amar menos o mundo e mais as coisas celestes. Os que são do mundo vivem as coisas do mundo, os que são de Deus vivem as coisas do Alto. Buscam as coisas do alto. Por isso, a Mensagem de Fátima se alinha àquilo que Nosso Senhor Jesus Cristo já havia dito: “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?” (Marcos 8, 36-37) – Aqui percebemos a mensagem trazida por Nossa Senhora que não deseja que nenhuma alma se perca. O nosso desapego implica dedicar uma parte de nosso tempo pela salvação das almas.

 

“De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício”

      

O presente tema deve ser considerado, primeiramente, a partir de Jesus Cristo, que é o grande sacrifício de expiação pelos pecados da humanidade. Ele ofereceu-Se ao Pai, dando a Sua vida na cruz e, assim, mereceu a salvação do gênero humano. Assim, pôs término aos sacrifícios de animais oferecidos no Antigo Testamento que O prefiguravam, já que, antes de sua vinda ao mundo, a salvação era compreendida somente como promessa. Entretanto, o Apóstolo São Paulo nos ensina a unirmos os nossos sacrifícios ao de Cristo, para colaborarmos com o Seu múnus salvífico: “Agora, me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Col 1,24). Assim sendo, podemos afirmar que, nas palavras do Anjo, encerra-se um mistério que deve ser por nós desvelado: os nossos sacrifícios unidos ao de Cristo, desde que estejamos em estado de graça, são capazes de colaborar eficazmente para a salvação dos nossos irmãos, já que é o próprio Espírito de Jesus que nos impele à união com Ele, ou seja, nos faz desejar o que Ele mesmo deseja: a nossa salvação.

 

Esse apelo ao sacrifício é, também, proferido por Nossa Senhora em Fátima, na aparição de agosto de 1917: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas” (IRMÃ LÚCIA, 2015, p.179).

Dias antes da aparição, um anjo, "o anjo de Portugal", como se apresentou, apareceu aos pastorzinhos com a Eucaristia na mão e prostrando-se, ensinou eles a rezarem esta oração:

"Meu Deus, eu creio, adoro, espero, amo-vos. Peço-lhe perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam".    

Logo, pode-se verificar tanto nas palavras do Anjo (acima descritas) como nas de Maria que: Deus concedeu ao homem a faculdade de colaborar com Ele na salvação das almas por meio da oração e do sacrifício. Em suma, pode-se compreender que, a oração oferecida a Deus, acompanhada pela prática de sacrifícios, tem uma eficácia grandiosa. Então, fica claro que, não basta rezar, é preciso também oferecer sacrifícios a Deus em união com Cristo, o nosso Salvador. Adorar por eles, comungar pela conversão dos pecadores. Uma oração vinda do céu, tão pequena e tão grande em seu significado, porque diante de Jesus Eucarístico pedimos também por aqueles que ainda precisam conhecê-lo de verdade como único Senhor e Salvador.     

     Em seus escritos, a Ir. Lúcia que tanto se esmerou na prática dos sacrifícios, elucida sobre a maneira de como exercitá-los:

“Podem ser sacrifícios de bens espirituais, intelectuais, morais, físicos e materiais; segundo os momentos, teremos ocasião de oferecer ora uns, ora outros. O que importa é que estejamos dispostos a aproveitar as ocasiões que se nos deparam; sobretudo que saibamos sacrificar-nos quando isso mesmo é exigido pelo cumprimento do próprio dever para com Deus, para com o próximo e para com nós mesmos” (IRMÃ LÚCIA, 2007, p. 101-102).

Tais sacrifícios, de forma voluntária, podem ser oferecidos a Deus, ou seja, são aqueles que livremente nos propomos a praticá-los. A própria Ir. Lúcia (2015) deixou um profundo testemunho desses sacrifícios que, junto com os seus primos, ofereceram a Deus: a abstinência na alimentação, visto que, muitas vezes, davam a alimentação levada (para passar o dia de pastoreio das ovelhas) para as crianças pobres; comiam frutos amargos das árvores; ficavam dias sem beber água no verão; atavam-se com uma corda à cintura e batiam-se com folhas de urtigas. Os sacrifícios involuntários são aqueles que nos acontecem inesperadamente e, quando são aceitos e oferecidos sem murmuração, têm maior valor diante de Deus. Geralmente, são provenientes da missão designada por Deus, como narra a Ir. Lúcia (2015). Sofreram a desconfiança, já que nem todos acreditavam na veracidade das aparições de Nossa Senhora, inclusive o pároco; enfrentaram humilhações e insultos. Nesse sentido, podem-se destacar os castigos corporais infligidos à Lúcia por sua mãe que, também, não acreditava que Nossa Senhora lhe aparecia; a perseguição por parte do administrador e a solidão da Jacinta que morre longe dos seus familiares.

 

Esses últimos sacrifícios, quando bem vividos, são os que mais nos adiantam no caminho da nossa santificação, já que nos assemelham mais depressa a Jesus Cristo, manso e humilde (Mt 11,29). De acordo com as palavras do Anjo: “De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício”, pode-se compreender que cada pessoa deve se servir das diversas oportunidades que lhe são apresentadas na vida quotidiana, para o oferecimento de si mesma a Deus, consciente de que, quando há um grande sacrifício e uma grande renúncia, há, sobretudo, um elevado amor. O valor está no amor!

 

Sobre o valor do sacrifício, o Papa Pio XII, em sua Carta Encíclica Mystici Corporis, afirma: “A salvação de muitos depende das orações e dos sacrifícios voluntários, feitos com essa intenção pelos membros do corpo místico de Jesus Cristo e da colaboração que pastores e féis, sobretudo os pais e mães de família, devem prestar ao divino Salvador” (N. 43).

Fonte: santuario.cancaonova.com

 

 

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