terça-feira, 8 de maio de 2012

AFETIVIDADE E COMBATE À VIOLÊNCIA - conhecer para superar

Texto de: Dr. Ivan Roberto Capelatto
Fonte: Revista Brasil Cristão - ed. no. 178 de 05/12 

FAMÍLIA ESCOLA E VIOLÊNCIA

       A violência na família vai ser mostrada na escola, aonde professores, pais e alunos vão confrontar por "não aceitarem regras", e escola e pais ainda não se definiram qual "pedaço" do aluno/filho pertence a cada um. 
Assim o professor, impotente para controlar o comportamento ou para desencadear o desejo de aprender em seus alunos, torna-se violento, com aulas perversamente difíceis e com provas punitivas. O aluno, sem o desejo de aprender e impotente contra a instituição, criando regras informais e fomentando o aparecimento de gangues - que é o sinal social básico da impotência. E os pais divididos entre o desejo de ver a escola como parceira, agridem os filhos com castigos e penas, e a escola com queixas contra professores e a organização.

A MÍDIA E A SUA INFLUÊNCIA NA EDUCAÇÃO

  A função mais importante do educador - pais e professores - é de mediar a constituição simbólica da criança, fazendo com ela uma parceria para facilitar, promover e motivar a aprendizagem, assim como permitir o aparecimento de um EU que pensa, que deseja, que distingue, que sente. Quando esses adultos junto com seus filhos e seus alunos, se tornam reféns de um jogo onde a meta da vida é o PRAZER, sem consequências ou sentido, temos a morte do mediador, e com ele morre a possibilidade de uma criança tornar-se um EU, um sujeito com desejos e pensamentos próprios. O que torna o adulto e a criança reféns de uma "linguagem do prazer" é o conjunto de mensagens sedutoras, mentirosas e violentas que a mídia joga para dentro das instituições fundamentais de vida: família e escola.
  Falando somente de prazer e poder, a mídia constrói, no imaginário dos consumidores, imagens contraditórias: "Quem é o bandido, quem é o mocinho? O que é bom e o que é mau?, onde o 'belo' toma o lugar do 'bom' e o 'estético' destrói o 'ético ".
  Aquele que quebra as regras é aplaudido, o outro que "venceu" na vida sem estudar é supervalorizado, o violento aparece em todas as reportagens, vídeos e capas.

AFETIVIDADE, SUA EVOLUÇÃO E SEU PREJUÍZO

  Lembrando que a estruturação da afetividade se dá em fases - oral, anal, fálica, latência, adolescência e genital - e essas fases têm como condição de realização a presença da educação e do educador, e lembrando que vivemos um momento histórico-social de profunda impotência e enorme violência, é lógico que pensemos que a evolução saudável da afetividade será prejudicada.
  O prejuízo fundamental é a não evolução psicológica do sujeito de uma fase para outra, evoluindo somente fisiologicamente. Essa distância que vai aparecer entre a maturidade do corpo e a imaturidade do psiquismo pode produzir doenças psicológicas profundas, e a maior consequência é o aparecimento da compulsão ao prazer imediato, a impotência para se tornar um EU, e o desencadear de uma ação violenta contra tudo aquilo que não significa prazer.                     



          

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