terça-feira, 16 de maio de 2017

SEDE SANTOS COMO VOSSO PAI É SANTO - O que é ser santo? O que é santidade?

“SEDE SANTOS COMO VOSSO PAI DO CÉU É SANTO”.  (1Pd1, 15-17)

A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: “Sede santos, como eu sou santo” (Lev11, 44). Se invocais como vosso Pai aquele que, sem distinção de pessoas julga segundo as suas obras, vivei sem temor durante o tempo da vossa peregrinação.

O QUE É SER SANTO?

A santidade é a vocação de todo batizado. Todo cristão é chamado a ser santo. Ora, se Deus é santo por excelência, ele deseja que trilhemos o mesmo caminho. Jesus nos faz um convite à santidade. Ser santo não significa ser totalmente perfeito, mas buscar aproximar-se o mais possível da perfeição, imitando em tudo o Senhor Jesus. A santidade não é para tão somente após a morte, ela é um convite a que vivamos neste mundo segundo a vontade do Pai, amando-nos como irmãos, pois Deus nos julgará segundo nossas obras. A santidade de cada um passa por aqui e se concretiza na eternidade.

Como o Pai nos ama, deseja que cada um de nós trilhemos o bom caminho rumo à Pátria definitiva. Buscar a perfeição colocando a Palavra de Deus em prática. Não é uma tarefa fácil, é um desafio, a santidade deve ser vivida dia após dia. Os santos guardam no coração o amor a Deus e ao próximo e buscam vivê-lo radicalmente as virtudes do Evangelho.
Desde o início da humanidade, desde a criação do primeiro homem e da primeira mulher  Deus tinha esse projeto para conosco. Deu-nos corpo, espírito e alma. Deu-nos inteligência para que pudéssemos discernir entre o bem e o mal. Entre as coisas terrenas e as coisas celestes. E quando tudo parecia perdido Ele na plenitude dos tempos enviou seu Filho Jesus para que fosse nosso único caminho, para que nos reconduzisse outra vez à Ele.
O santo não é aquele que procura agradar aos homens, antes suas atitudes agradam a Deus e por isso, ao longo da história vamos perceber que cada um vivia ao seu modo a radicalidade do Evangelho aplicado em si mesmos a vivência de certos tipos de espiritualidade, uns pela vida de oração, outros pela caridade em forma de oração, outros ainda pelo testemunho com o próprio corpo como é o caso dos Mártires. Cada um procurando viver em seu meio, em seu ambiente a SANTIDADE a que foram chamados.
É bom lembrarmos que santo não é a estátua que a gente encontra nos templos, os santos foram alguém neste mundo, viveram aqui, foram cristãos e deram testemunho da Verdade que é Jesus. As estátuas dos santos servem como lembrança, as respeitamos e as usamos como símbolos. Os santos estão diante de Deus no Céu.  
Tudo que Deus criou é santo, assim o homem deve conservar em si a santidade. Quando Deus criou o mundo, criou o homem à sua imagem e semelhança, viu que tudo era bom e tudo foi abençoado por Deus. Todo ser humano nasce para a santidade. Isto é, para ser santo basta fazer a vontade de Deus. Obedecê-lo e servi-lo com amor. No início nossos primeiros pais perderam esta identidade de filhos de Deus e portanto estavam fora da graça e com eles todos seus descendentes até Jesus vir e nos resgatar. 
“Porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus. Sendo justificados gratuitamente pela sua graça pela redenção que há em Cristo Jesus”. (Rm 3, 23-24).
Pela graça da redenção de Jesus na Cruz é que nos foi restituída a graça da salvação, portanto só pode ser salvo quem de fato for santo. Não é pela Lei e sim pela fé que somos justificados. Ser santo é ser pessoa de Fé. Todos os santos que conhecemos cada um ao seu modo viveram a fé de modo intenso pondo toda sua esperança e confiança no Senhor Jesus, fonte de toda santidade. Como pode uma pessoa querer ser santo se não buscar viver a Fé que recebeu no batismo? Como pode alguém quer ser santo se não está em comunhão com Cristo e sua Igreja?

Portanto, a pessoa que se não acreditar na santidade, não pode se considerar filho de Deus. A palavra de Deus é muito clara: devemos ser santos como o Pai celeste é santo.
“CREMOS NA COMUNHÃO DOS SANTOS”
Segundo a Sagrada Escritura, os santos estão em comunhão na eternidade com Deus. Essa comunhão nos faz um só povo, uma só Igreja. Porém, os que partiram para a  eternidade fazem parte da Igreja Celeste, Triunfante. Nós ainda no caminho da eternidade, procurando a cada dia viver esta santidade fazemos parte da Igreja Peregrina, isto é, estamos à caminho.

 O Sermão da Montanha é o programa do Reino dos Céus. É o Reino proclamado por João Batista e, depois, pelo próprio Jesus. Em Mateus, Jesus faz a Sua proclamação no alto de uma montanha, como momento inaugural do seu ministério na Galileia. Moisés, também no alto da montanha, recebeu de Deus as Tábuas da Lei e os Mandamentos. Agora, é Jesus, que, no Seu anúncio do programa do Reino, transmite as oito bem-aventuranças aos discípulos que vêm a Ele, no alto.
O estado de felicidade, associado à prática dessas bem-aventuranças, enche de esperança e atrai quem ouve Jesus. Nas bem-aventuranças, encontramos valores universais, que podem ser estendidos e acolhidos por todos. Ser bem-aventurado é ser santo.
A Igreja, segundo o Catecismo da Igreja Católica, é comunhão dos santos. Essa expressão designa, primeiro, as coisas santas, ressaltando, antes de tudo, a Eucaristia, que une os fiéis em Cristo. Em segundo lugar, designa a comunhão das “pessoas santas” em Cristo, que “morreu por todos”.

Cremos na comunhão de todos os fiéis em Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos que faleceram e estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando todos, juntos, uma só Igreja e cremos também que, nesta comunhão, o amor misericordioso de Deus e de Seus santos estão sempre à escuta de nossas orações.
Entende-se por Comunhão dos Santos a união sobrenatural que existe entre todos os membros da Igreja, Corpo Místico de Cristo. A Igreja é a família dos cristãos de todos os tempos. A Comunhão dos Santos expressa a realidade da comunicação dos bens espirituais entre todos os batizados, os santos canonizados ou não. Recordemos ainda a verdade de que todos são chamados à santidade, como nos ensina o Concílio Vaticano II¹.
A Comunhão dos Santos é uma realidade de fé admirável porque nos confirma, de fato, a verdade de que – como dizia Santa Teresa de Ávila – só Deus basta. Só Ele permanece para sempre e aqueles que estão unidos a Ele também permanecerão. É Deus o ideal mais alto das nossas vidas. Tudo tende a desaparecer com o passar do tempo, mas – segundo Bento XVI – “A única coisa que permanece eternamente é a alma humana, o homem criado por Deus para a eternidade. O fruto que fica, portanto, é o que semeamos nas almas humanas, o amor, o conhecimento, o gesto capaz de tocar o coração, a palavra que abre a alma à alegria do Senhor”².
A verdadeira Koinonia cristã é a comunhão com Deus e a comunhão com os irmãos. Esses laços sobrenaturais não desaparecem quando terminam os nossos dias aqui na terra. O mistério do amor de Cristo nos une à Santíssima Trindade e a todos os nossos irmãos de fé, de maneira que se prolonga na outra vida. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina sobre os três estados da Igreja: Militante, Padecente e Triunfante (4).
O Papa Paulo VI conclui o Credo do Povo de Deus neste sentido: “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, a saber: dos que peregrinam sobre a terra, dos defuntos que ainda se purificam e dos que gozam da bem-aventurança do céu, formando todos juntos uma só Igreja. E cremos igualmente que nesta comunhão dispomos do amor misericordioso de Deus e dos seus Santos, que estão sempre atentos para ouvir nossas orações como Jesus nos garantiu: Pedi e recebereis”(5).
Comunicação de bens espirituais

O evento da Encarnação do Verbo fez de todos nós, que acolhemos a salvação de Cristo, santos (cf. Rm 1,7). Fomos eleitos por Deus para sermos santos (Ef 1,4). Portanto, o que nos une é maior do que a contingência deste mundo com suas obscuridades. Tudo o que fizermos, o menor ato de amor, tem dimensão de eternidade. Daí a importância das nossas decisões e o sentido que damos à nossa existência. É tão notável a diferença de reações diante da dor, do sofrimento e da perda entre aqueles que estão em Cristo e aqueles que não O conhecem. Também é verdade que o pecado fere a comunhão e obstrui o fluxo da graça.
Se entre todos os amigos se pode viver a troca de benefícios pela gratuidade do amor, pela liberdade de vontades, muito mais se pode viver essa comunicação de bens espirituais entre todos os membros da Igreja. Assim, nos é possível rezar, comungar, dedicar indulgências e nos sacrificar pelos outros, pedindo a Deus que aplique nossos méritos a determinada pessoa. Como não nos maravilharmos por tamanha graça? Sem esta graça, como explicaríamos a conversão de Santo Agostinho, por exemplo, graças aos muitos anos de intercessão, fé e piedade da sua mãe Mônica (hoje Santa Mônica)? Depois da sua conversão e que sua mãe já havia partido, Santo Agostinho escrevia no Livro das Confissões pedindo a Deus para ter misericórdia de sua mãe. Como explicaríamos essa relação de podermos contar com a intercessão de uns para com os outros e da oração intercessora dos nossos amigos santos canonizados? Cremos que a purificação dos nossos irmãos do purgatório pode ser abreviada pela nossa oração e méritos em Cristo. A Comunhão dos Santos já manifesta a grande “koinonia” da eternidade. Não há fronteira para o amor quando ele nasce da comunhão com Deus.
É isso que me lança ao perdão, acreditar que a conversão da minha família é possível, que Deus cumprirá seu desígnio de felicidade para comigo, e que Sua divina providência conduz a história, a humanidade e a Igreja. A Comunhão dos Santos nos arrasta ao desprendimento deste mundo que passa e nos faz ter saudades do céu e esperança na misericórdia de Deus.
Tudo isso é o antídoto para este mundo que, apesar da tecnologia e dos avanços dos meios de comunicação, padece de solidão, cansaço, desilusão e desesperança para consigo, para com Deus e para com o outro. Falta diálogo, capacidade de escuta e doação de vida. O individualismo impede o ideal da espiritualidade de comunhão, a Koinonia, que é – segundo João Paulo II – “a capacidade de sentir o irmão de fé na unidade profunda do Corpo Místico, isto é, como um que faz parte de mim, para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade” (6).
Eclesiologia de Comunhão

Um parágrafo se faz necessário para lembrarmos – nessa perspectiva da comunhão entre os cristãos e a solidariedade dos bens espirituais – a chamada Eclesiologia de Comunhão, explicitada pelo Concílio Vaticano II. Trata-se da comunhão de todos na Igreja, e da comunhão na sua estrutura Igreja local (Diocese e paróquia) e Igreja que está em Roma, onde está o Papa, aquele que preside na fé e na caridade. A comunhão entre nós é por demais necessária e é um mandamento de Cristo para sermos luz e testemunho do amor fraterno diante de um mundo que vive o individualismo e o egoísmo, provocando exclusão, privação material e espiritual.
O amor não passa, permanece para sempre
O amor que se deu ao extremo (cf. Jo 13,1), provou a morte, mas a venceu definitivamente. O amor é uma Pessoa: Jesus Cristo, que ressuscitou e está vivo. Somos para Cristo vidas preciosas, compradas por Seu sangue precioso. A Comunhão dos Santos, inclusive com os que já não vivem, porque cremos que eles continuam a existir e estão unidos a nós pelo milagre da misericórdia de Deus e pela marca indelével do Batismo em Cristo, é uma verdade maravilhosa e confortante para nós. Com isso, mostremos ao mundo que não somos infelizes e que não estamos sozinhos, pois nunca haveremos de estar enquanto Cristo for o sentido e a primazia de nossas vidas. Embora o labor e as lágrimas façam parte da vida, somos solidários pela graça e pela fé, uns para com os outros. Podemos até viver a experiência da tristeza em determinadas situações, mas temos o consolo de Deus, essa é a diferença. Deus, para nós, não é um conceito, uma ideia, “uma tese científica”, mas “uma Pessoa” que participa das nossas vidas como o sangue que corre nas veias e como o ar que respiramos.
Diante da realidade da morte, a Comunhão dos Santos nos lança na esperança da vida eterna e quando nos deparamos com o momento exato da dor e da saudade da perda de quem amamos, acreditamos que tornaremos a encontrar a esses que, na verdade, são mais de Deus do que nossos. Nossas lágrimas não são destinadas ao túmulo, mas transformadas em esperança porque sabemos que, batizados em Cristo, o somos para morrer por sua morte e ressuscitar em sua ressurreição. Em cada túmulo existe uma cruz como sinal externo de que aquele recebeu a luz de Cristo e nela adormece.
A comunhão de benefícios espirituais entre os três estados da Igreja: os que caminham nesta vida, os que são purificados no purgatório e os que gozam da bem-aventurada alegria do céu, tem uma característica essencialmente eucarística. A eucaristia é o maior “sinal e elo de koinonia”, portanto, Comunhão dos Santos. É na eucaristia que estamos unidos e é ela quem nos faz esperar o tesouro do céu até o fim. A eucaristia nos faz unidos uns aos outros e a Cristo, à Igreja e ao céu, é o que nos diz o papa Bento XVI: “Em cada eucaristia, realiza-se sacramentalmente a unificação escatológica do povo de Deus. Para nós, o banquete eucarístico é uma antecipação real do banquete final, preanunciado pelos profetas (cf. Is 25,6-9) e desenvolvido no Novo Testamento com as núpcias do Cordeiro (Ap 19,7-9) que há de celebrar na Comunhão dos Santos”(7).
Finalizemos esta reflexão fazendo memória de nossa Mãe Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, modelo incomparável da comunhão em Cristo. Sua maternidade e sua intercessão por nós ocupam um lugar especial na Comunhão dos Santos. Nela tudo é “koinonia”, porque nela o amor de Deus é vivo. Deus mesmo habita nela em plenitude de vida eterna. A Maria nossa gratidão e confiança de que Ela vela incansavelmente por nós, pois “viveu a comunhão Mãe e Filho no Espírito Santo e, pela fé, recebeu e entrou para sempre em comunhão com o Verbo Encarnado.”(8). Que Ela nos ensine a viver a Comunhão dos Santos entre batizados desta vida, nos ensine a amizade com o céu e a solidariedade com os que estão no purgatório esperando o grande momento de contemplarem a Face de Deus. A esses, particularmente, dediquemos nossas orações de sufrágio e, especialmente, a Celebração da Santa Missa. Tudo isso é fruto da inesgotável graça de Deus que faz do amor o vínculo que permanece para sempre.
Sendo assim, estando nós nessa comunhão, nessa solidariedade de vida e santidade, de dons, méritos e graças, atribuímos tudo ao amor e à misericórdia de Deus manifestada em Seu Filho Jesus Cristo, nosso Salvador. Rezemos todos juntos: No Teu amor, Senhor, fizeste-nos santos e, na tua santidade, cremos e esperamos participar da amizade eterna, desse vínculo de amor que não passará jamais. 
Ao contrário dos nossos irmãos protestantes e evangélicos, que ensinam que morreu acabou tudo, a alma passa para um estado de “repouso” e ali permanece até o dia do Juízo Final. Nós cristãos católicos não cremos assim. Porque não cremos? Porque a Sagrada Escritura diz que é o contrário. A Igreja não está morta, nem neste mundo, nem na eternidade. Os santos participam da glória eterna pela Ressurreição de Jesus, foi para isso que Jesus veio, morreu e ressuscitou.
Como podemos entender isso?
Basta lermos o Novo Testamento.

Mt 17, 1-9 (a Transfiguração do Senhor) – Jesus manifesta-se glorioso, junto dele está Moisés e Elias. Jesus além de mostrar aos apóstolos que ele é Deus, ele nos mostra algo importante Moisés e Elias, dois grandes profetas do Antigo Testamento estão glorificados junto com ele. Para nos ensinar que a Salvação trazida por Jesus era para todos os do AT e o povo da Nova Aliança. Através de Jesus todos temos acesso à glória de Deus.
1Cor15, 42-44.54 – “Semeando o corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo animal , também há um espiritual”. Isto é, nós possuímos dois corpos, na terra um corpo carnal, no céu um corpo espiritual. Ambos estão vivos, tanto aqui como na eternidade. É por isso que os santos ouvem nossas súplicas. E por quê? Vers.54: “A morte foi tragada pela vitória( Is25, 8). Ó morte onde está tua vitória? Ó morte, onde está teu aguilhão?
O significado de “morte” na Sagrada Escritura é muito mais amplo. Não é simplesmente o momento em que a alma deixa o corpo aqui na terra, mas, significa também a total ausência de Deus. Quem não está aberto à viver santidade proposta por Jesus, está morto para Deus.
Os santos vivem a santidade, buscam na essência dela a razão de seu existir. São Paulo chega a dizer: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Porque ele sabia bem pelo grau de sua conversão que ele abraçou a fé de forma total e a viveu de forma total, ao ponto de no final de sua vida dizer: “Terminei minha carreira, guardei a Fé. Agora só me resta esperar a coroa da justiça que o Justo Juiz me dará naquele dia”. Ele viveu de maneira tão especial esse amor de Jesus a ponto também de dizer que nada poderá separar-nos do amor de Deus.

Jo14, 1 – “Não perturbe o vosso coração. Credes em Deus. Credes também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim não vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar”.
Jesus aqui antes de seu sacrifício na Cruz, está dizendo aos Apóstolos que vai preparar-lhes um lugar. Qual é esse lugar? Jesus está antecipando a promessa de levá-los pro Céu. Jesus em momento algum está dizendo: “olha, eu vou morrer ressuscitar e lá vou arrumar um lugar para suas almas dormirem até minha segunda vinda. Não! Ele disse: “Vou lhes preparar um lugar, na casa do Pai há muitas moradas”. Se há moradas no céu, é porque todos lá estão vivos. Os escritores sagrados chamam o Céu de Jerusalém Celeste. Onde estão todos os anjos e santos participando da Glória de Cristo.

Ap5, 5 – João tem a visão do Céu. “Então um dos Anciãos me falou: Não Chores!, o Leão da Tribo de Judá, o descendente de Davi achou meio de abrir o livro e os sete selos”. Veja que um Ancião, um dos santos conversou, consolando João.
Ap5, 8-9 – “Quando recebeu o livro os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram diante do Cordeiro (Jesus), tendo cada um uma cítara e taças cheias de perfumes (que são as orações dos santos). Cantavam um hino novo...   
Podemos ver claramente a oração dos santos, que são perfumes. Toda Oração que fazemos se torna um perfume especial para Deus.
No céu há anjos, santos e animais. Tudo que Deus criou está lá; (Ap5, 11 – Na minha visão ouvi também ao redor do trono, dos Animais e dos Anciãos, a voz de muitos anjos...  miríades e milhares, nos diz São João.

Ap6, 9-10 – (Os Mártires) “Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e do testemunho de que eram depositários. E cada um clamava em alta voz: Até quando Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?” 
Aqui vemos claramente a revelação da Oração, o clamor dos Mártires clamando a justiça de Deus. Se eles oram a Deus pedindo justiça por si mesmos, não rogará por nós também?
Depois no Cap. 7 de Apocalipse João descreve a visão das doze tribos de Israel e seus descendentes que já estavam no céu salvos por Jesus; Depois João vê um grande multidão( de santos), estes estavam com roupas brancas e palmas na mão, e de pé louvavam, a Deus dizendo: “A Salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono e do Cordeiro (Jesus), prostravam o rosto em terra e adoravam a Deus diante do Trono dizendo: “Amém, louvor e glória, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos, Amém!
Um dos Anciãos perguntou a João: “Esses revestidos de vestes brancas, quem são, de onde vem? E João respondeu: “Tu é quem sabes meu senhor”. E ele disse: “Esses são os que sobreviveram da grande tribulação, lavaram suas vestes e alvejaram no sangue do Cordeiro. Por isso, servem a Deus dia e noite, no seu Templo. Aquele que está sentando no trono  os abrigará. Já não terão mais fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará. Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor, e os levará às fontes das águas vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos. 

Vemos aqui a Oração continua dos Santos(as); aqueles que sofreram e venceram por causa do nome de Jesus.

PODEMOS PEDIR A INTERCESSÃO DOS SANTOS?

Uma das coisas que os protestantes mais nos acusam é de recorrer à intercessão dos santos já que somente Jesus é o mediador entre Deus e os homens.
A Igreja ensina que a mediação dos santos é secundária. Sim, eles podem interceder por nós por meio de Jesus Cristo. Jesus é o único mediador entre Deus e os homens mas essa mediação é a da Salvação, (pois, somente Jesus é o único Salvador). A mediação dos santos não é a mesma que a de Jesus, mas por causa da graça da Salvação (que é a mediação primária) os santos podem interceder, mediar, por nós.

Ao longo da história assistimos e lemos vários testemunhos de graças alcançadas por intermédio dos santos. Bem verdade que acabamos de ver no livro do Apocalipse o número incontável dos santos que oram dia e noite diante de Deus. Eles podem atender nossas orações porque estão na eternidade. O tempo de Deus não é o nosso tempo, assim um dia é como um segundo, mil anos é como um dia.
Voltando ao assunto, nós acreditamos na comunhão dos santos, isto é, com a Salvação trazida por Jesus na Cruz e sua ressurreição nós fazemos parte de um único povo de Deus. Uma aliança que une a terra e o céu. Nosso Senhor Jesus, ao consumar todas as coisas pelo seu Sangue uniu Céu e Terra. Ambos estão conectados novamente pela graça.

Os protestantes usam muito a parábola que Jesus contou do rico e do pobre lázaro para tentar negar a intercessão dos santos. Pois segundo ele os mortos não voltam e nem tem poder de intercessão.
Meus irmãos. É preciso ir mais a fundo nessa parábola.
Jesus ali não podia de forma alguma estar falando da intercessão dos santos, até porque as portas do Paraíso estavam fechadas, foi após a morte e ressurreição de Jesus que os santos puderam entrar no céu. A bíblia diz que antes todos estavam privados da glória de Deus por causa do pecado original.
Segundo Jesus falava de um homem rico que vivia na opulência, esse se fartava todos os dias, tinha de tudo, e tinha dó de dar as migalhas que caiam no chão para o pobre lázaro matar a fome. No final o rico morreu e foi para o inferno. E o lázaro pro céu. No desespero ele vê o seio Abraão e lázaro recebendo tudo o que na terra lhe foi negado. O rico padecendo de sede pede a Abraão para mandar lázaro lhe molhar a língua, mas não era permitido porque havia um abismo entre lázaro e o rico. Abismo esse que ele fez quando vivia na terra, na opulência, não fazia caridade, não matou a fome de seu irmão e por isso sua alma foi para o inferno, ou seja lá não tinha como sair mais. É o que acontece com aqueles que se afastam de Deus e trilham os caminhos da riqueza. Os que não amam o próximo.
Então o rico desesperado pelos tormentos do inferno, pede ao Pai Abraão para mandar alguém ir lá advertir os seus irmãos para mudarem de vida, mas ele nega, é impossível, ainda que algum morto vá lá eles não acreditarão, pois, eles não ouvem nem Moisés e os profetas quanto mais um morto.
Tem alguma coisa a ver com a intercessão dos santos? Nada.
O que Jesus estava querendo dizer é que nós temos  que praticar a caridade enquanto é tempo.
Temos que amar uns aos outros. Semear a boa nova, não ficar presos na opulência. Lembre-se do que Jesus disse: “Mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha, do que um rico entrar no céu!”
Além do mais Jesus não estava falando que era impossível para lázaro ou outro “morto” ir lá avisar os parentes do rico. Mas ele está mostrando que muito em breve existirá uma Igreja, e que ela será responsável para admoestar os fiéis. Se eles nós ouvimos a Igreja que tem a Palavra de Deus, um morto ainda que ressuscite vai adiantar? Jesus ressuscitou e mesmo assim tem gente que não acredita em seu nome.

Depois Jesus deixa claro que: quem está no inferno não pode fazer mais nada, nem por si mesmo, nem pelos outros porque perdeu esse direito quando rejeitou a salvação. Esse recado Jesus deu várias vezes aos fariseus.

Já quem está no céu, participando da glória de Deus, como é o caso de Nossa Senhora e dos santos esses como vimos acima podem interceder por nós porque estão em comunhão com Deus em tudo.   

Alguns teólogos descrevem o seio de Abraão como sendo o purgatório. Mas o certo é que na parábola o evangelista descreve com o nome Seio de Abraão porque os judeus não falavam o nome de Deus e Pai Abraão é muito propício porque foi Abraão que deu início ao povo de Deus. Pai da fé. Toda a fé começou com Abraão.


AS IMAGENS DOS SANTOS  E A ACUSAÇÃO DOS PROTESTANTES.

Certamente uma das coisas que os protestantes gostam de acusar nós católicos é referente ao uso e a fabricação das imagens sacras. Um assunto ultrapassado até, mas, que sempre merece explicação para que não haja dúvida, não na mente deles mas na mente de alguns católicos que ainda não tiveram uma catequese mais esclarecedora.

Pois bem. A acusação dos protestantes é referente ao que está escrito no Antigo Testamento: Dt5, 6-9.
Porque Javé-Deus proibiu à princípio, os hebreus de fazerem imagens?

Deus os proibiu de fazer imagens porque:
a)           Aquele povo, chamado o “povo de Deus” estava vivendo no Egito como escravos. No Egito havia muitas imagens de deuses falsos. Os egípcios adoravam vários deuses, o próprio Faraó era tido como um deus, segundo eles acreditavam que o Faraó era filho de Rá o deus sol. Muitos hebreus embora fosse descendentes de Abraão já não adoravam o Deus verdadeiro e sim os deuses egípcios.

b)     Então Javé-Deus ao libertar o seu povo e com eles fazer uma aliança, os entregou à tutela de seu líder, Moisés. Depois de Javé-Deus ter manifestado seu poder, feito grandes coisas em favor do povo. Logo depois de libertados já no deserto por onde esse mesmo povo perambulou por 40 anos, Moisés um dia sobe ao monte para se orientar com Javé-Deus sobre o rumo de como guiá-los. Como estava demorando dias para voltar, eles acharam que ele tia morrido, e pressionaram o irmão de Moisés, Aarão murmurando desobedeceram as leis de Javé-Deus e fizeram um bezerro de ouro e começaram adorá-lo como se fosse o Deus de Israel. Moisés ao chegar e ver aquela situação quebrou as tábuas da Lei que Javé-Deus havia dado em sinal de repúdio. E mandou matar todos os que desobedeceram a Deus. Foi uma carnificina. Daí em diante Moisés pediu perdão pelos pecados do povo, Javé-Deus aceitou e fez com eles uma nova Lei e proibiu severamente que se fizesse qualquer imagem, pois sabia que aquele povo ainda não estava preparado para lidar com elas visto que no Egito a tradição era ter muitas estátuas de deuses falsos. Doravante até a Terra Prometida Canaã, eles iriam conviver com vários povos que não adoravam o Deus deles e sim também outros deuses, como conseqüência teriam que aprender a servir e adorar ser único Deus.
c)     Isso continuou por séculos, pois eles conviveram com vários povos, ao redor que cultuavam vários deuses, e depois os gregos e romanos.   
            
               Mas se Javé-Deus proibiu fazer imagens, no percurso até a Terra Prometida, ele manda construir uma Arca para abrigar a Lei, os Mandamentos, e sobre a tampa da Arca mandou fazer dois querubins de ouro um de frente para o outro prostrados como em adoração. Da Arca Deus manifestava seu poder e falava com o povo pelos sacerdotes. O povo adorava a Deus ajoelhado em frente o Tabernáculo onde  era guardada a Arca, chamada “Arca da Aliança”. Como explicar que o mesmo Deus que proibiu fazer escultura, aceitou que Beseleel confeccionasse as imagens dos querubins de ouro e pusesse sobre a Arca? (Ex37, 1-9)

              Em outra passagem bíblica, o povo hebreu pecou e Deus castiga-os mandando serpentes venenosas morderem aquela gente. Javé-Deus manda fazer uma serpente de bronze, colocá-la num poste e o povo devia olhar para ela para receberem a cura. (Nm 21, 9).

             Segundo Ausubel: “O templo era construído em pedra lavrada, as paredes e os tetos de seu interior eram forrados de cedro e incrustados de ouro. O chão e as portas dobráveis eram feitas de abeto, os portais eram de madeira de oliveira. Todo o interior era ornamentado com figuras entalhadas que representavam querubins, palmeiras, flores e botões, tudo também recoberto de ouro” (1989, p. 883)
A decoração do templo de Salomão estava a cargo de arquitetos, ourives e escultores enviados de Tiro, Fenícia, pelo rei Hirão aliado de Salomão.  Por ser o primeiro templo a ser construído na Jerusalém antiga, ele não possuía um estilo próprio, todas as suas dependências, assim como seus objetos foram fortemente influenciadas por outros povos.
Vamos recordar:  no início do Livro do Gênese onde Deus criou o homem. Gn1, 26 - E disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Então, Deus criou o homem  não só à sua imagem e semelhança mas como o texto está com o verbo fazer no plural, podemos dizer que Deus fez o homem à imagem dele e dos seus anjos. Em outra tradução diz que Deus formou o homem do barro; Deus fez uma imagem humana e para Deus o homem é a sua imagem. Como explicar então Deus fazendo uma escultura humana e dando a ela a vida? Não seria uma contradição se a regra fosse aplicada do jeito que os protestantes acham?
Mas a explicação é: Deus nunca proibiu as esculturas se elas forem usadas como adorno, símbolos ou lembranças. Na Igreja Católica esses símbolos sagrados e também as imagens e ícones sacros de Jesus e dos Santos não são usados para adoração; são usados para ilustrar, catequizar e embelezar os templos.
Note que após a Reforma Protestante, alguns templos católicos foram tomados e transformados em templos das igrejas protestantes, estes conservaram muitas estátuas que lá existiam. Parece uma contradição entre os protestantes do início e os contemporâneos, não é mesmo? 
Ao que parece é que os protestantes e evangélicos hoje em dia estão mais preocupados em atacar preconceituadamente a Igreja Católica do que com o próprio Evangelho.

O que é idolatria? idolatria significa colocar outra coisa no lugar de Deus.  
Sem levar em conta que a idolatria que mais ofende a Deus é o uso da doutrina em causa própria, assim como é abominável na sociedade civil usar as leis e legislar em causa própria como fazem os políticos de nosso País, Deus abomina aqueles que usam suas leis para causa própria, para levar o ódio e à desunião. 
Eles acusam os católicos de usarem as imagens para adorar, uma verdadeira mentira. Mas para eles Deus proíbe o uso das imagens, certo? e como é que eles escrevem livros, revistas e colocam lá imagem de pessoas e de Jesus? Eu já vi muitas publicações de protestantes e evangélicos com imagens, (como as revistas dos Testemunhas de Jeová, por exemplo) está certo que não é escultura, mas o sentido é o mesmo. Então a acusação deles contra nós passou de um propósito religioso para outro mais grave criminoso, sim! porque além de falta de caridade cometem crime de intolerância, ódio e preconceito. Deus não está preocupado com o uso de imagens, está preocupado com a falta de amor, de caridade, de perdão que falta hoje nos cristãos. Os cristãos deviam se unir em Jesus em prol de uma causa maior, o reino de Deus. Mas muitos preferem se atrelar em pormenores. 

Outra idolatria ainda maior fazem nossos irmãos, pastores dessas "igrejas" quando levam o povo a trocar a Salvação pelos milagres, pela venda de prosperidade, pela sede pelo dinheiro a qualquer custo se aproveitando muitas vezes da ignorância da fé das pessoas simples, usam a palavra de Deus para pedir dinheiro deixando muitas vezes essas pessoas na miséria. Usam 80% dos horários de rádio e TV para falar mais do diabo que de Jesus.

Idolatria é: os pastores trocarem o evangelho pela conta gorda no banco e compra de fazendas de gado, como vimos noticiar recentemente. Idolatria maior é a sede de vingança deles pela verdadeira Igreja de Cristo, porque nesses mais de dois mil anos, com erros e acertos ela continua inabalável e a reforma protestante custou muito mais caro pra eles do que pra nós. Pois, enquanto eles separavam o Corpo de Cristo por orgulho, a Igreja Católica pode melhorar ainda mais e levantar muitos santos de nosso tempo.
Idolatria é o que certos pastores fazem distribuindo sabão em pó ungido, rosa ungida, terra, camisa suja de sangue (de suposta facada) pedindo ofertas absurdas, amaldiçoam quem não lhes pagam os dízimos e as ofertas absurdas. 

Idolatria é: quem faz fogueira santa e sessão de descarrego (essa que é coisa dos terreiros de candomblé). 
Idolatria é:  pastores que usam seus horários na imprensa para ao invés de pregar o evangelho ficar atacando os católicos outras denominações de forma covarde e preconceituosa.
Idolatria é a falta de amor e respeito desses falsos pregadores que nem sequer tem tempo pra Jesus e só falam de satanás, (pois a boca fala daquilo que o coração está cheio, diz o Cristo).       
   
 Nós católicos temos a consciência de que a adoração é dada somente a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo e ninguém mais. As imagens que temos em nossas casas e em nossas igrejas são retratos, que nos faz recordar os santos, assim como o retrato do nosso pai, nossos parentes.
Se Deus nos deu olhos foi para ver imagens. Mesmo aquele que é cego é capaz de imaginar uma imagem. Deus não seria louco de proibir uma coisa e fazer o contrário.

O próprio Senhor Jesus, pegou o vinho e o pão e disse isto é o meu Corpo e com o vinho Isto é o meu Sangue. Nós adoramos Jesus na Eucaristia nas espécies do pão e do vinho. Seria então Jesus um louco ao instituir a Eucaristia? Sim porque sabemos que Jesus está na Eucaristia pelos olhos da fé, com os olhos humanos nós enxergamos a imagem do pão e do vinho. Salvo em alguns milagres eucarísticos onde é manifestado o real corpo do Senhor como aconteceu no milagre Lanciano na Itália no séc. XII.

Nós não adoramos as imagens, nós veneramos as imagens, temos respeito porque elas representam algo sagrado.
É permito fazer  uso das imagens dos santos, de Jesus e Maria? Sim. A própria Cruz mesmo sem o Crucificado lembra quem? Lembra Jesus pregado nela por amor aos homens, para nossa Redenção. Mas a adoração é dada somente a Deus.

O que temos que entender é: quando se ajoelha em frente de uma imagem ninguém está adorando nada. A adoração se dá a Deus de dentro pra fora, com amor, com o coração. Jesus disse à Samaritana: “Chegará o dia que esse povo não adorarão o pai nem neste, nem naquele monte, mas o adorarão em espírito e verdade!” E é isso que acontece hoje.
Ah, dizem os acusadores; fulano ajoelha na frente da imagem é um idólatra! Quem é aquele para acusar seu irmão de idolatria se ele não sabe o que está no coração da pessoa? Só Deus nos conhece e pode n os julgar?

As imagens são símbolos, ajudam como as ilustrações de um livro a tornar a história dos santos mais compreensível. Antigamente na Idade Média, só os nobres podiam ler, muitos eram catequizados pelo que diziam as imagens e as pinturas.
Os cristãos dos primeiros séculos pintavam nas paredes das catacumbas figuras representando Jesus e Maria. Isso é errado? Não! É a forma com que eles expressavam sua fé.

No Novo Testamento não há uma frase sequer de Jesus falando ou proibindo imagens, sabe porque. Porque todo Mandamento da Lei de Deus foi resumido em apenas 02: Amar a Deus e amar ao próximo: “Dou-vos um novo Mandamento. Que vos ameis uns aos outros como eu vos tenho amado!”. Jesus não estava preocupado com imagens não. Ele se preocupara com a imagem viva de Deus que são os seres humanos e para salvá-los deu sua vida em prova desse amor.
Então, essas acusações dos protestantes e evangélicos não passam de dor de cotovelo; e quem acredita neles é quem não estuda, não aprofunda na fé da sua verdadeira Igreja.   


CONCLUSÃO
                   
Ser santo é:

1)     Praticar as bem-aventuranças.
Mt5, 3-16

 3- Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
4  Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
5  Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
6  Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
7  Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
8  Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus;
9  Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
10  Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
11  Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, falarem todo mal contra vós por minha causa.
12  Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
13  Vós sois o sal da terra; e se o sal se tornar insípido, com que se há de salgar? para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.
14  Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte,
15  Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
16  Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

2)     Renunciar a si mesmo.

Renunciar a si mesmo é ser desprovido de todo sentimento faccioso como a inveja, vaidade, ciúmes, avareza, soberba, concupiscência da carne, lascívia, ira, desejo de vingança, vícios e outros sentimentos abomináveis ao Senhor.
Negar a si mesmo é oferecer o outro lado da face, é perdoar e amar os vossos inimigos, bendizer os que vos maldizem, fazer bem aos que vos odeiam e orar pelos que vos maltratam e vos perseguem.  Ter a mesma humildade de Cristo, andar em santidade como Ele andou, guardando os seus mandamentos fazendo a vontade do Pai. Isso é negar a si mesmo.
O jovem rico perguntou a Jesus o que deveria fazer para herdar a vida eterna, o Senhor lhe disse que deveria guardar os mandamentos, ele respondeu a Jesus que já fazia isso desde a sua mocidade. A palavra afirma que Cristo o amou e disse-lhe: Falta-te uma coisa: vai, e vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me.  Mas ele, contrariado com essa palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades (Marcos 10.17 - 22).
Aquele homem sentia o desejo de ver a glória de Deus, e buscou a Jesus Cristo, o qual lhe ensinou o caminho que leva a salvação e a renúncia que o seu desejo exigia. Mas, o jovem recusou-se em negar a si mesmo, em abandonar os bens desta vida, à esperança de um tesouro no céu, algo que é infinitamente maior do que toda a riqueza deste mundo. 

Porque negar-se a si mesmo para seguir as pegadas de Jesus exige desapego, abdicação dos prazeres da carne para viver uma vida espiritual sob a égide do Senhor.  
Então disse Jesus: É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus.  Que importa ao homem, ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

Lamentavelmente, hoje, muitos estão no mesmo caminho daquele jovem rico, procuram servir a Jesus com único interesse nas coisas deste mundo, querem viver na abundância dos prazeres da carne, em regalia esplêndida, mas não querem compromisso com Deus, não renunciam a si mesmo para servir o Senhor.
 Abandonaram a graça do Senhor Jesus, pelas prosperidades materiais que são coisas pequenas, inúteis e vãs, diante da grandeza da glória do Senhor e da vida eterna no reino de Deus, juntamente com Jesus Cristo e todos os seus santos anjos.

3)     Ser discípulo de Jesus:
4)    Seguir a Jesus é andar no mesmo caminho que Ele andou em toda a sua boa maneira de viver. Ser humilde (ser humilde não tem ligação nenhuma com a condição econômica de alguém), andar na fé, na caridade, no amor ao próximo, ter coragem de dar a tua vida, por aquele que, primeiro deu a sua por você.
5)                 Na Carta do Apóstolo Paulo aos Efésios 5. 1- 2 a palavra do Senhor diz: Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós,
6)      
7)     como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.

8)                 Filipenses 2. 5, Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois, Jesus não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. É exatamente assim que o servo de Deus deve andar, como verdadeiro imitador de Jesus Cristo em toda boa obra, seguindo o seu exemplo e testemunho de vida, procurando imitá-lo em sua perfeição. Isto é seguir a Jesus.
9)     Seguir a Jesus é:  ser participante das suas aflições, alegrar-se nas provas e tribulações como nos testemunhos dos nossos irmãos, que sofreram por amor ao nome do Senhor Jesus Cristo, porque tinham a certeza da glória que lhes estava reservada. Vejamos:
10)  II Coríntios 1. 5. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo.
11)  I Pedro 4. 12-13, diz: Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse. Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.
12)  Seguir a Jesus é ouvir a sua voz e conhecê-lo: Evangelho de João 10. 14 e 27 - Disse Jesus:Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem.
13)  Ao contrário do que imaginam aqueles que não conhecem a Deus, seguir a Jesus não é nenhum martírio, exige sim a renúncia das coisas mundanas, o que nos faz muito mais saudáveis tanto material como espiritualmente, antes é prazeroso e gratificante servir ao Deus vivo verdadeiramente, em espírito e em verdade.
14)  Pois, só quem sentiu o "ardume" do Espírito Santo no coração, e o gozo de ser um servo de Deus, é capaz de entender a alegria que pronunciamos, pois essas virtudes são indescritíveis.
15)  A palavra do Senhor em I Coríntios 10.13 diz: Fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.
16)  Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma.  Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

17)           Em I João 5.3 diz:Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.   Portanto, não há razão para nos inquietarmos, o Senhor não nos dará uma prova acima daquilo que possamos suportar, porque o seu fardo é leve, o jugo suave e os seus mandamentos não são pesados.

sexta-feira, 17 de março de 2017

A SANTÍSSIMA TRINDADE, À LUZ DA TEOLOGIA - o que podemos entender?



Nós católicos e algumas  denominações protestantes estamos acostumados com esse nome referente a Deus. Mas por quê? Existe algum fundamento bíblico para crermos que Deus nos foi revelado desta forma? 
Certamente que sim. Porém é um mistério que a Escritura Sagrada nos revelou em uma pequena parte. Como é um mistério que se refere à pessoa de Deus, não nos foi revelado como acontece essa manifestação divina, senão saber que a Sagrada Escritura nos ensina por si só já é o bastante. 

Deus é uno, isto é, ele é um só. Porém, manifestado nas Escrituras em três pessoas distintas. Como assim?

Primeiro: Deus Pai - o criador de todo Universo. Deus é um Espírito perfeitíssimo,como Espírito que é não o vemos. Deus que a Bíblia descreve no Antigo Testamento, o Pai Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, conforme professamos no Credo. Não é necessário falar muito sobre Deus Pai, visto que todo o Antigo Testamento dá uma descrição à sua pessoa. Porém a mais perfeita é quando diz que Deus é amor. 
E porque Ele é amor é que no A.T. vemos os autores descrever os cuidados de Deus como um tanto exagerados. Porque ama tanto seu povo Deus foi capaz de enviar seu Filho para que morresse numa Cruz. Deus Pai nos ama ao extremo. A Bíblia diz em Tiago 4, 5 que Deus sente ciúmes de seus filhos, portanto, não aceita que o homem conhecendo a verdade adore os falsos deuses. (=Ex20, 5). Em algumas traduções no lugar de "ciumento" aparece zeloso. Deus Pai, o Senhor Javé é zeloso e não quer que o desobedeçamos, para quem obedece os Mandamentos ele é misericordioso.

Não podemos imaginar Deus um velho carrancudo que pune os maus e recompensa os bons. Um senhor barbudo de cara fechada. Mas como Jesus explicou na parábola do filho pródigo, o rosto de Deus é de um Pai que sempre está disposto a perdoar seus filhos. E sempre está a espera de sua volta, com festas, cantos e abraços.     

Segundo: Deus Filho - Deus que se encarnou, veio a esse mundo nascido de uma Virgem, Maria Santíssima que foi escolhida e predestinada a ser a Mãe de Deus. Ele veio a este mundo com o propósito de nos salvar dos nossos pecados. A esse Deus-Filho a Sagrada Escritura o chama de Messias (quer dizer Deus-conosco) e Emanuel ou Embaixador da paz. Como homem também recebeu um nome especial, Jesus (que quer dizer Deus Salva). Jesus portanto, é o Filho Unigênito de Deus. Isto é, o único Filho direto descende de Deus, é Deus portanto. Também é chamado de Jesus Cristo, daí a o nome dado aos cristãos, porque são seguidores de Jesus. Cristo é uma palavra de origem grega que significa "Ungido" ou "Escolhido" - de fato, Jesus veio a este mundo Ungido para uma missão especial. A missão de nos Salvar.  

Assim Ele se manifestou aos homens sujeitando-se a sofrer conosco, a viver a nossa vida. Se fez carne e como tal, viveu a condição humana exceto no pecado; como homem também morreu, como Deus porém, ressuscitou conforme atesta as Escrituras.

Jesus é o Unigênito do Pai, porque ele é Filho de Deus. Como professamos no Credo Ele é gerado, não criado, Jesus Cristo desdente diretamente de Deus e com Deus se faz um só, uma só comunhão, consubstancial ao Pai, isto é Jesus e o Pai possui uma só substância, um só poder, uma só majestade. Por isso nós adoramos Jesus como adoramos o Pai porque Jesus e o Pai é um só Deus, um só Senhor.

Nós somos filhos adotivos de Deus por graça de Jesus e obra do Espírito Santo, não somos deuses. 

São Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, no dia Pentecostes faz uma bela pregação sobre Jesus e a Salvação:  At2, 14-36. São Pedro anuncia o Cristo crucificado para nos Salvar. Ele vai tecendo suas palavras explicando desde o Antigo Testamento, mostrando que Jesus é o Senhor e Salvador. E termina dizendo no versículo 36: "Que toda casa de Israel saiba, portanto, com maior certeza de que esse Jesus que vós crucificastes, Deus o constituiu Senhor e Cristo". Em outras traduções está Senhor e Juiz.


Terceiro: Deus Espírito Santo - o que podemos entender do Espírito Santo? 

Alguns teólogos afirmam que ele é o Espírito de Jesus depois da Ascensão, isto é, depois que Jesus ressuscitou e subiu ao Céu. 
De fato, ele move tudo, santifica tudo que existe, é ele quem nos torna santos. Até para crer e não crer em Deus precisamos dEle.  
No início da Criação, diz a Bíblia no livro de Gênese que o Espírito de Deus pairava sobre as águas (Gên1, 1). Esse mesmo Espírito que ungiu reis, sacerdotes e profetas, desceu sobre Nossa Senhora(Lc1, 34-35; Mc1, 9-11) para a concepção divina.
O Espírito Santo ungiu Jesus para a sua missão salvadora (Lc3, 21-22), O deu aos Apóstolos como unção sacramental instituindo-lhes o poder de perdoar os pecados (Jo20,22-23), esteve presente quando em Pentecostes desceu sobre eles, Maria Santíssima e sobre toda a Igreja ali presente. (At2, 1-4). 
O Espírito Santo é a força que santifica e move tudo, por isso ele assiste, santifica e move toda a Igreja, conforme Jesus mesmo havia prometido:
"Não vos deixarei órfãos, mandarei um consolador". (Jo15, 16). O Apóstolo João escreve um capítulo inteiro com as últimas orientações de Jesus e falando sobre a vinda do Espírito Santo que Jesus chama de o Consolador, Paráclito. Etc. 

Paráclito ou paracleto (grego koiné παράκλητος - paráklētos; em latim: paracletus) é uma palavra grega que significa, aquele que consola, anima, reanima, encoraja. Também significa "aquele que fica ao lado".  Na verdade do momento do nosso batismo até a nossa morte o Espírito Santo sempre está ao nosso lado, nos ajudando, nos consolando, nos animando, nos encorajando e nos dando forças necessárias para seguir adiante até chegarmos à Pátria definitiva.
Ele é Deus, é a força de Deus, é nosso Consolador e santificador. É ele que está presente e move a Igreja. 

PARA A GENTE APRENDER

Alguns artistas usando a imaginação pintaram ou esculpiram a "imagem da Santíssima Trindade", sendo o Pai, um senhor mais velho com barbas longas, Jesus mais moço de barbas segurando uma cruz e o Espírito Santo uma pomba branca. Isso para distinguir as três pessoas da Trindade Santa. No passado quando existia um grande número de pessoas analfabetas (visto que só homens e algumas mulheres da nobreza aprendiam a ler e escrever) a Igreja usava imagem e símbolos para catequizar as pessoas. Mas o certo é saber que não há uma imagem de Deus porque Ele é Espírito, assim como não há uma imagem aproximada de Jesus, porque mesmo ele tenha vindo a esse mundo naquele tempo não existia fotografia, a única fotografia que se aproxima mais do rosto d Jesus é a do Sudário de Turim. O Espírito Santo não é uma pomba. O Evangelho diz que o Espírito Santo, na hora do batismo de Jesus pairou sobre ele como uma pomba, não que Ele seja uma pomba. Entenderam meus irmãos?  

Quando o evangelista disse que o Espírito Santo "pairou como uma pomba", ele se refere à manifestação do Espírito santo à leveza de uma pomba, ou seja, Ele desceu com leveza, com docilidade. Também o verbo "pairar" é encontrado no Livro de Gênese 1, 1 - "...e o Espírito de Deus pairava sobre as águas", mostrando a presença do Espírito de Deus no ato da criação

No batismo de Jesus aconteceu a mesma coisa, o Espírito Santo pairou sobre Jesus, no ato do batismo de João, sobre as águas do rio Jordão. Não há e nunca existirá imagem de Deus Pai e do Espírito Santo.

A ideia de representar a Santíssima Trindade tal como vemos nas pinturas e imagens é uma imaginação (errônea) dos artistas, apenas simbolizando a Trindade mas não corresponde à realidade.      

Aquela representação artística como vemos na figura acima é apenas um símbolo. 
O Espírito Santo não é uma pomba, nem pode ser representado como tal. A pomba é apenas um símbolo, para nos lembrar a leveza da manifestação do Espírito, assim como aconteceu no batismo de Jesus, aconteceu no nosso batismo, e nos demais  sacramentos que recebemos.    

Nem mesmo as imagens dos santos(as) da antiguidade correspondem a imagem verdadeira deles. Apenas são figuras ilustrativas para distinguir um do outro os artistas colocavam algum elemento que foi associado ao nascimento ou ao martírio. Por isso mesmo é comum observarmos por exemplo a imagem de São Pedro com duas chaves na mão, (referindo a passagem de Mateus 16 onde Jesus entrega as chaves, ou o poder da Igreja a São Pedro) e Já a São Paulo, o artista o representa segurando uma espada, referindo-se ao martírio que ele sofreu por degolamento à espada. Etc, etc...

O artista tem o direito de usar sua técnica e sua imaginação, embora a Igreja oriente em alguns casos quando se trata de imagens sacras para serem usadas nos Templos. Por isso elas diferem dentro de um contexto de acordo com o lugar e à cultura. 
Nas Igrejas do Oriente, as Ortodoxas, quase não existe imagens esculpidas apenas pinturas e essas não dão forma de beleza pois a intenção não é atrair olhares das pessoas, mas conduzi-las à reflexão. 
       
Mas se falamos em três pessoas da Santíssima Trindade, então não seriam três deuses?

Não! essa comunhão uníssona é de um só Deus, em três pessoas embora distintas chamamos Santíssima Trindade. Importante saber  podemos distingui-las em Três pessoas, conforme a Sagrada Escritura nos revela, mas como Deus, essas três pessoas formam um só, não há separação. O Pai, o Filho e o Espírito Santo é um só Deus, um só Senhor e,l como Deus, não existe distinção de poder.      

Podemos imaginar a figura dessa Comunhão trinitária de Deus como um triângulo perfeito. Se imaginarmos um triângulo perfeito vamos ver que ambos os lados se unem formando três lados iguais, a mesma coisa, com as mesmas medidas exatas, ambas as pontas são interligadas, compondo assim o triângulo, três ângulos perfeitos. Na antiguidade a Igreja costumava usar um triângulo com um olho simbolizando Deus Pai. 
Depois esse símbolo caiu em desuso depois que a maçonaria também passou a usar o mesmo símbolo, para representar o deus egípcio Orus ou o olho que tudo vê. A Igreja foi aos poucos fazendo desuso desse símbolo. Mas é comum ainda nas antigas igrejas e em livros antigos de catequese encontrarmos ainda esse simbolo.
Se reparamos na figura que ilustra o início deste post, você verá que a figura de Deus Pai possui um esplendor em forma de triângulo para simbolizar justamente essa comunhão da Santíssima Trindade.

Importante: O nome Santíssima Trindade não aparece na Bíblia Sagrada ele é um título teológico (dado por Santo Agostinho, doutor da Igreja muito tempo depois), usado para definir as pessoas distintas de Deus a nós reveladas: O Pai, O Filho e o Espírito Santo.          

Assim é a Santíssima Trindade, O Pai é Deus é um só, o Filho é Deus com o Pai e o Espírito Santo é Deus com o Pai e o Filho numa só comunhão, porém, com ações distintas. Não importa Se é o Pai, o Filho e o Espírito Santo é um só Deus, um só poder uma só comunhão. 

(Jo10, 30) "Eu e o Pai somos um".

(Jo 14, 8) Certa vez o Apóstolo  Filipe pediu a Jesus, Mostra-nos o Pai e isso nos basta. Jesus então disse: "Há tanto tempo estou convosco e não me conheceste Filipe? Aquele que me viu, viu também o Pai". 

Isto significa que Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus Pai é a mesma pessoa. E não é diferente com o Espírito Santo, sendo Ele o Espírito de Jesus (como afirmam os teólogos e os santos padres), se Jesus é um só com o Pai o Espírito Santo, também ambos são um só Deus e não três  pessoas e não três deuses.  

É o Espírito Santo que também nos faz compreender a Palavra e a vontade de Deus para conosco. E os responsável direto pelos Dons e Carismas. Cada um de nós possui diversos Dons e Carismas. 

O Catecismo da Igreja Católica; ( no.799) nos ensina  que: "os carismas são graças especiais que, direta ou indiretamente têm uma autoridade eclesial, ordenados como são para a edificação da Igreja, o bem dos homens e as necessidades do mundo".

Acrescenta ainda (800) que, "os carismas devem ser acolhidos com reconhecimento por aquele que os recebe e também por todos os membros da Igreja. De fato, eles são uma maravilhosa riqueza de graças para a vitalidade apostólica e santidade de todo o Corpo de Cristo (…)".

Carisma é uma palavra grega que significa dom gratuito. Os carismas são, pois, dádivas do Espírito Santo dados, segundo a nossa fé e a nossa confiança no poder de Deus. Não são dados aos mais cultos e aos mais inteligentes, mas aos que se abrem à ação do Espírito Santo, que se quer derramar abundantemente em nós. O fundamento de todos os carismas é a caridade, o amor.

Enquanto que os Dons do Espírito Santo são permanentes, dados pelo Batismo, para a nossa própria santificação, os carismas são dons especiais, por vezes extraordinários, dados para o bem da comunidade, para o serviço dos outros e assistência da Igreja. A Igreja enumera 07 dos principais dons do Espírito Santo: Sabedoria ou entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus

Onde está a base bíblica que fala dos Sete Dons do Espírito Santo?

Encontramos na Bíblia em Is 2, 11:

"Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, espírito de SABEDORIA e de ENTENDIMENTO, espírito de CONSELHO e de FORTALEZA, espírito de CIÊNCIA (e de PIEDADE*) e de TEMOR DE DEUS" (*Vulgata). A lista de nove itens encontrada no versículo 22 do capítulo 5 da Epístola de Paulo aos Gálatas se refere aos frutos do Espírito: "Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança (autodomínio)". Nos versículos 8 a 10 do capítulo 12 da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios são enumerados nove dons do Espírito e no versículo 28 mais alguns. Numerosos hermeneutas e exegetas da Bíblia entendem que essas listas de enumerações são exemplificativas, que os dons do Espírito são de infinita diversidade, pois "há diversidade de dons e cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para o que for útil para todos" (cf. 1Cor 12, 4-7). Segundo esses estudiosos, o número sete no contexto bíblico significa universalidade, totalidade, perfeição; receber os sete dons do Espírito significa, portanto, receber todos os seus inúmeros dons.


Na realidade, os sete Dons diferem marcadamente no seu conceito, e até em número, daqueles que são aceites pela generalidade das igrejas cristãs, já que na Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios (1Cor 12, 8-11) 
"A um é dado pelo Espírito uma palavra de Sabedoria; a outro uma palavra de Ciência por esse mesmo ; a outro, a Fé; pelo mesmo Espírito; a outro a graça de curar doenças, no mesmo Espírito; a outro o dom de milagres; a  outro a Profecia; a outro o discernimento dos espíritos; a outro por fim a interpretação de línguas. Mas um é o mesmo Espírito distribui todos esses dons repartindo a cada um como lhe é apraz."

Há diversidade de dons um mesmo é o Espírito que faz da Igreja uma só em Jesus. Se lermos um pouco mais uns versículos acima vamos entender.  1Cor 12, 4-7)
"Há diversidade de dons, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos". 

Então, embora o Espírito Santo distribua a cada um os dons que ele aprouver, esses dons causa não separação mas, união. A Unidade na adversidade. Se nós pronunciamos o nome de Deus, se temos autoridade para falarmos de Jesus Cristo esse direito somente é dado por graça e permissão do Espírito Santo.
"Eu vos declaro: Ninguém falando por ação divina pode dizer: "Jesus seja maldito"; ninguém pode dizer: "Jesus é o Senhor", senão sob a ação do Espírito Santo". (1Cor12, 1-3)      
É dito que os dons do Espírito Santo são nove, e não sete como aceite no culto popular.

Longe das discussões teológicas e doutrinárias, os sete dons, associados à esperança da chegada de um novo mundo.

Jesus Cristo, em Jo 14,12, disse: “Em verdade em verdade vos digo: aquele que acredita em Mim fará também as obras que Eu faço; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Meu Pai". Esta é uma realidade na qual todos devemos acreditar. É a realidade da nossa fé.  

“O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Compêndio, 44). Toda a vida de Jesus é revelação de Deus Uno e Trino: na anunciação, no nascimento, no episódio de sua perda e encontro no Templo quando tinha doze anos, em sua morte e ressurreição, Jesus se revela como Filho de Deus de uma forma nova com relação à filiação conhecida por Israel. No início de sua vida pública, também no momento de seu batismo, o próprio Pai testemunha ao mundo que Cristo é o Filho Amado (cf. Mt 3, 13-17 e par.) e o Espírito desce sobre Ele em forma de pomba. A esta primeira revelação explícita da Trindade corresponde à manifestação paralela na Transfiguração, que introduz o mistério Pascal (cf. Mt 17, 1- 5 e par.). Finalmente, ao despedir-se de seus discípulos, Jesus os envia a batizar em nome das três Pessoas divinas, para que seja comunicada a todo o mundo a vida eterna do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cf. Mt 28, 19).
No Antigo Testamento, Deus havia revelado sua unicidade e seu amor para com o povo eleito: Javé era como um Pai. Mas depois de haver falado muitas vezes por meio dos profetas, Deus falou por meio de seu Filho (cf. Hb 1, 1-2), revelando que Javé não é apenas como um Pai, mas que é Pai (cf. Compêndio, 46). Jesus se dirige a Ele em sua oração com o termo aramaico Abba, usado pelos meninos israelitas para se dirigirem ao próprio pai (cf. Mc 14, 36), e distingue sempre sua filiação daquela dos discípulos. Isto é tão chocante que se pode dizer que a verdadeira razão da crucificação é justamente o chamar-se a si mesmo Filho de Deus em sentido único. Trata-se de uma revelação definitiva e imediata [1], porque Deus se revela com sua Palavra: não podemos esperar outra revelação, porquanto Cristo é Deus (cf., por ex., Jo 20, 17) que se nos dá, inserindo-nos na vida que emana do regaço de seu Pai.
Em Cristo, Deus abre e entrega sua intimidade, que seria inacessível ao homem pelas próprias forças somente [2]. Esta mesma revelação é um ato de amor, porque o Deus pessoal do Antigo Testamento abre livremente seu coração e o Unigênito do Pai sai ao nosso encontro, para fazer-se uma só coisa conosco e levar-nos de volta ao Pai (cf. Jo 1, 18). Trata-se de algo que a filosofia não podia adivinhar, pois, fundamentalmente, só se pode conhecer mediante a fé.
2. Deus em sua vida íntima
Deus não só possui uma vida íntima, mas Deus é – identifica-se – com sua vida íntima, uma vida caracterizada por eternas relações vitais de conhecimento e de amor, que nos levam a expressar o mistério da divindade em termos de processões.
De fato, os nomes revelados das três Pessoas divinas exigem que se pense em Deus como o proceder eterno do Filho do Pai e, na mútua relação – também eterna – do Amor que “sai do Pai" (Jo 15, 26) e “toma do Filho" (Jo 16,14), que é o Espírito Santo. A Revelação nos fala, assim, de duas processões em Deus: a geração do Verbo (cf. Jo 17.6) e a processão do Espírito Santo. Com a característica peculiar de que ambas são relações imanentes, porque estão em Deus: mais, são o próprio Deus, uma vez que Deus é Pessoal; quando falamos de processão, pensamos ordinariamente em algo que sai de outro e implica mudança e movimento. Posto que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus Uno e Trino (cf. Gn 1, 26-27), a melhor analogia com as processões divinas pode ser encontrada no espírito humano, em que o conhecimento que temos de nós mesmos não sai para fora: o conceito (a ideia) que fazemos de nós mesmos é distinta de nós mesmos, mas não está fora de nós. O mesmo podemos dizer do amor que temos para conosco. De forma parecida, em Deus, o Filho procede do Pai e é sua Imagem, analogamente como o conceito é imagem da realidade conhecida. Só que esta imagem em Deus é tão perfeita que é o próprio Deus, com toda sua infinidade, sua eternidade, sua onipotência: o Filho é uma só coisa com o Pai, o mesmo Algo, essa é a única e indivisa natureza divina, ainda que sendo outro Alguém. O Símbolo Niceno-Constantinopolitano o expressa com a fórmula “Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro". O fato é que o Pai gera o Filho, doando-se a Ele, entregando-Lhe Sua substância e Sua natureza; não em parte como acontece com a geração humana, mas perfeita e infinitamente.
O mesmo pode ser dito acerca do Espírito Santo, que procede como o Amor do Pai e do Filho. Procede de ambos, porque é o dom eterno e incriado que o Pai entrega ao Filho, gerando-o, e que o Filho devolve ao Pai como resposta a Seu Amor. Este dom é dom de si, porque o Pai gera o Filho comunicando-lhe total e perfeitamente seu próprio Ser mediante seu Espírito. A terceira Pessoa é, portanto, o Amor mútuo entre o Pai e o Filho [3]. O nome técnico desta segunda processão é expiração. Seguindo a analogia do conhecimento e do amor, pode-se dizer que o Espírito age como a vontade que se move em direção ao Bem conhecido.
Estas duas processões chamam-se imanentes, e se diferenciam radicalmente da criação, que é transeunte, no sentido de que é algo que Deus realiza fora de si. Ao serem processões, dão conta da distinção em Deus, enquanto que, ao serem imanentes, dão razão da unidade. Por isso, o mistério do Deus Uno e Trino não pode ser reduzido a uma unidade sem distinções, como se as três Pessoas fossem apenas três máscaras; ou a três seres sem unidade perfeita, como se se tratasse de três deuses distintos, ainda que juntos.
As duas processões são o fundamento das distintas relações que em Deus se identificam com as Pessoas divinas: o ser Pai, o ser Filho e o ser expirado por Eles. De fato, como não é possível ser pai e ser filho da mesma pessoa, no mesmo sentido, assim, não é possível ser, ao mesmo tempo, a Pessoa que procede pela expiração e as duas Pessoas das quais procede. Convém esclarecer que, no mundo criado, as relações são acidentes, no sentido de que suas relações não se identificam com seu ser, ainda que o caracterizem profundamente, como no caso da filiação. Em Deus, posto que nas processões é doada toda a substância divina, as relações são eternas e se identificam com a própria substância.
Estas três relações eternas não só caracterizam, mas também se identificam com as três Pessoas divinas, posto que pensar no Pai significa pensar no Filho; e pensar no Espírito Santo, significa pensar naqueles em relação aos quais Ele é Espírito. Assim, as três Pessoas divinas são três Alguém, mas um único Deus. Não como se dá entre os homens que participam da mesma natureza humana, sem esgotá-la. As três Pessoas são cada uma toda a Divindade, identificando-se com a única Natureza de Deus [4]: as Pessoas são Uma na Outra. Por isso, Jesus disse a Felipe que quem O viu, viu o Pai (cf. Jo 14, 6), posto que Ele e o Pai são uma só coisa (cf. Jo 10, 30 e 17, 21). Esta dinâmica, que se chama tecnicamente pericoresis ou circumincessão (dois termos que fazem referência a um movimento dinâmico em que um se intercambia com o outro como em uma dança em círculo), ajuda a perceber que o mistério de Deus Uno e Trino é o mistério do Amor: “Ele mesmo é uma eterna comunicação de amor: Pai, Filho e Espírito Santo, e nos destinou a participar n'Ele" (Catecismo, 221).
3. Nossa vida em Deus
Sendo Deus eterna comunicação de Amor, é compreensível que esse Amor se extravase fora d'Ele em seu agir. Toda a ação de Deus na história é obra conjunta das três Pessoas, posto que se distinguem somente no interior de Deus. Não obstante, cada uma imprime nas ações divinas ad extra sua característica pessoal [5]. Usando uma imagem, poder-se-ia dizer que a ação divina é sempre única, como o dom que nós poderíamos receber da parte de uma família amiga, que é fruto de um só ato; mas, para quem conhece as pessoas que constituem a família, é possível reconhecer a mão ou a intervenção de cada uma, pela marca pessoal deixada por cada uma no único presente.
Este reconhecimento é possível porque conhecemos as Pessoas divinas naquilo que as distingue pessoalmente, mediante suas missões, quando Deus Pai enviou, juntamente o Filho e o Espírito Santo, na história (cf. Jo 3, 16-17 e 14-26), para que se fizessem presentes entre os homens: “são, principalmente, as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo as que manifestam as propriedades das Pessoas divinas" (Catecismo, 258). Eles são como as duas mãos do Pai [6] que abraçam os homens de todos os tempos, para levá-los ao seio do Pai. Se Deus está presente em todos os seres enquanto princípio do que existe, com as missões o Filho e o Espírito Santo se fazem presentes de forma nova [7]. A própria Cruz de Cristo manifesta ao homem de todos os tempos o eterno dom que Deus faz de Si mesmo, revelando em sua morte a íntima dinâmica de seu Amor que une as três Pessoas.
Isto significa que o sentido último da realidade, aquilo que todo homem deseja, o que foi buscado pelos filósofos e pelas religiões de todos os tempos, é o mistério do Pai que gera o Filho, no Amor, que é o Espírito Santo. Na Trindade se encontra, assim, o modelo originário da família humana [8] e sua vida íntima é a aspiração verdadeira de todo amor humano. Deus quer que todos os homens constituam uma só família, isto é, uma só coisa com Ele mesmo, sendo filhos no Filho. Cada pessoa foi criada à imagem e semelhança da Trindade (cf. Gn 1, 27) e está feita para existir em comunhão com os demais homens, e, sobretudo, com o Pai celestial. Aqui se encontra o fundamento último do valor da vida de cada pessoa humana, independentemente de suas capacidades ou de suas riquezas.
Mas o acesso ao Pai só se pode encontrar em Cristo, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo14, 6): mediante a graça, os homens podem chegar a ser um só corpo místico na comunhão da Igreja. Através da contemplação da vida de Cristo e através dos sacramentos, temos acesso à própria vida íntima de Deus. Pelo Batismo, somos enxertados na dinâmica de Amor da família das três Pessoas divinas. Por isso, na vida cristã, trata-se de descobrir que, a partir da existência ordinária, das múltiplas relações que estabelecemos, e de nossa vida familiar, que teve seu modelo perfeito na Sagrada Família de Nazaré, podemos chegar a Deus: “Procura o convívio com as três Pessoas, com Deus Pai, com Deus Filho, com Deus Espírito Santo. E para chegares à Trindade Santíssima, passa por Maria" [9]. Deste modo, pode-se descobrir o sentido da história, como caminho da trindade à Trindade, aprendendo com a “trindade da terra" – Jesus, Maria e José – a levantar o olhar para a Trindade do Céu.
Giulio Maspero   
   
 [2] “Deus deixou marcas de seu ser trinitário na criação e no Antigo Testamento, mas a intimidade de seu ser como Trindade Santa constitui um mistério inacessível à razão humana sozinha e, inclusive, à fé de Israel, antes da Encarnação do Filho de Deus e do envio do Espírito Santo. Este mistério foi revelado por Jesus Cristo, e é a fonte de todos os demais mistérios" (Compêndio, 45).
[3] “O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho; 'procede do Pai' (Jo, 15, 26), o qual é princípio sem princípio e origem de toda a vida trinitária. E procede também do Filho (Filioque), pelo dom eterno que o Pai faz ao Filho. O Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho encarnado, guia a Igreja até o conhecimento da 'verdade plena' (Jo 16, 13)" (Compêndio, 47).
[4] “A Igreja expressa sua fé trinitária confessando um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. As três divinas Pessoas são um só Deus porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. As três são realmente distintas entre si por suas relações recíprocas: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho" (Compêndio, 48).
[5] “Inseparáveis em sua única substância, as divinas pessoas são também inseparáveis em seu agir: a Trindade tem uma só e mesma operação. Mas, no único agir divino, cada pessoa se faz presente segundo o modo que lhe é próprio na Trindade" (Compêndio, 49).
[6] Cf. Santo Irineu, Adversus haereses, IV, 20, 1.
[7] Cf. São Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I, q. 43, a. 1, c. y a. 2, ad. 3.
[8] “O 'Nós' divino constitui o modelo eterno do 'nós' humano; primeiramente daquele 'nós' que está formado pelo homem e a mulher, criados à imagem e semelhança de Deus" ( João Paulo II, Carta às famílias, 2-2-1994, 6).   

OUTRAS EXPLICAÇÕES SOBRE A TRINDADE


Definição da doutrina:


Antes de tudo é preciso definir o que é a doutrina da Trindade, pois até mesmo muitos cristãos se perdem nesse quesito. Por "Trindade" não queremos dizer que acreditamos em três deuses, pois para nós há somente um Deus (Isaías 43:10). Ao invés disso, queremos dizer que na Divindade há três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Pode parecer um paradoxo, mas Deus é três e um simultaneamente. Precisamos fazer distinção entre o termo "pessoa" e "natureza". As pessoas em Deus são três, mas uma só é a natureza, que consiste na onipotência, onisciência, onipresença etc. Vários exemplos foram apresentados para exemplificar esse caso; porém, o triângulo eqüilátero é o que mais se aproxima desse conceito. Acompanhe:O triângulo é indivisível, assim como Deus (simbolizado por toda a figura). Todavia, cada lado é distinto do outro e, contudo, formam a mesma figura, que só existe com os três lados iguais; assim, tomando a analogia, o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e vice e versa; porém, eles constituem o mesmo Deus. A individualidade pessoal é mantida, bem como a unidade. Assim, Deus não é somente o Pai, nem somente o Filho, e nem tampouco somente o Espírito Santo. Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. 


Analisando algumas objeções

Negam a doutrina da Trindade, alegando que é de origem pagã e que tal palavra não aparece na Bíblia. Somente Jeová é o Deus verdadeiro. Ele não é onipresente, ou seja, não pode estar em vários lugares ao mesmo tempo, pois sendo uma pessoa, possui um corpo de forma específica, que precisa de um lugar para morar. Assim, ele está confinado no céu. Para exercer seu comando sobre o universo, ele usa seu poder, seu Espírito Santo", que é sua "força ativa". Sua onisciência é seletiva, ou seja, Jeová não sabe o futuro de todas as coisas, a menos que ele queira. Explicam isso da seguinte forma: Um rádio pode captar qualquer onda, porém, é preciso sintonizá-lo na estação certa. Assim, se Jeová quiser saber se alguém será fiel a ele ou não, deverá "sintonizar" na "estação" dessa pessoa.



a) A palavra "Trindade" não aparece na Bíblia — A doutrina da Trindade está fortemente enraizada nas Escrituras. A palavra "trindade" é um termo extrabíblico utilizado para designar aquilo que é revelado nas Escrituras; embora a palavra não apareça, a idéia está explícita na Bíblia. Outro fator que torna sem fundamento a objeção das TJ é o fato de que utilizam termos como "corpo governante" e "teocracia", embora tais palavras também não apareçam na Bíblia. Das duas, uma: ou aceitam o uso do termo "trindade" ou deixam de usar as terminologias "corpo governante" e "teocracia".



b) A Trindade e o paganismo — A objeção de que a doutrina da Trindade é de origem pagã, uma vez que os pagãos cultuavam suas tríades de deuses, também não faz sentido, pois a concepção dos pagãos em nada se assemelha à doutrina trinitariana. Enquanto os pagãos são politeístas, ou seja, crêem na existência de vários deuses, sendo sua trindade mais um conjunto de deuses em seu panteão, nós, cristãos, somos essencialmente monoteístas, pois cremos que há um só Deus (Isaías 43:10), que subsiste em três "pessoas": Pai, Filho e Espírito Santo. Não são três deuses, posto que só há um Deus. Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são ao mesmo tempo três pessoas distintas e um só Deus. O termo "triunidade" resume melhor essa concepção bíblica de Deus. É bom também lembrar que a Bíblia não é o único livro que fala de um dilúvio universal. A literatura pagã também contém relatos sobre um dilúvio. Isso, evidentemente, não faz do dilúvio uma concepção pagã; tampouco a doutrina da Trindade deveria ser vista da mesma forma.



c) A Trindade e a razão humana — A acusação de que a doutrina da Trindade não se conforma com a lógica ou a razão também é descabida, pois a mente humana não pode apreender tudo sobre Deus. É impossível que o relativo entenda com precisão o Ser Absoluto, que o finito atinja o Infinito, que a criatura desvende todos os mistérios e segredos do Criador. Isso é pedir demais. (Leia Romanos 11:33; 1ª Coríntios 2:11; Jó 11:7; Isaías 40:28). No livro Raciocínios à base das Escrituras (publicado pelas TJ), página 123, há a seguinte pergunta: "Será que Deus teve começo?" Daí, citam o Salmo 90:2, que diz que Deus é Deus de "eternidade a eternidade", ou seja, ele é incriado, sempre foi, é e será eternamente. Diante desse mistério, o livro lança o desafio: "Há lógica nisso? Nossa mente não pode compreender isso plenamente. Mas não é uma razão sólida para o rejeitar". Aplicando o mesmo princípio à doutrina da Trindade, podemos perguntar: "Será que Deus é uma Trindade? Há lógica nisso? Nossa mente não pode compreender isso plenamente. Mas não é razão sólida para o rejeitar".



d) A Trindade e a Matemática — Outra objeção argumenta que a Trindade contraria a Matemática, pois se 1 + 1 + 1 = 3; então, Deus Pai + Deus Filho + Deus Espírito Santo não podem ser um, mas três deuses. Ora, outro argumento desprovido de bom senso, pois Deus não pode ser medido pelas Ciências Exatas. No campo da Matemática, ele não pode ser somado, diminuído, dividido ou multiplicado. Mas, se é matemática o que querem, a pergunta é oportuna: Na Matemática, três podem ser um? Dependendo da operação que se escolher, sim. Veja: 1 X 1 X 1 = 1.

A Trindade no Antigo Testamento 


a) Gênesis 1:26, 27 — Chegando o momento de criar o homem, Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança". O verbo "fazer", nesse caso, aponta para um ato criativo, e somente Deus pode criar. Assim, ao ser criado, o homem não poderia ter a imagem de um anjo ou de qualquer outra criatura, mas a imagem de Deus, a imagem de seu Criador. No versículo 27, lemos: "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". O interessante, porém, é que a Bíblia diz que Jesus Cristo também criou todas as coisas, as visíveis e invisíveis (João 1:1, 3; Colossenses 1:16, 17; Hebreus 1:10), o que inclui necessariamente o homem. Desse modo, concluímos, à luz da Bíblia, que o homem tem a Jesus como seu Criador, logo, o homem carrega Sua imagem, pois Jesus é Deus, uma vez que "à imagem de Deus" o homem foi criado. Já em Jó 33:4, Eliú declara: "O Espírito de Deus me fez". Afinal de contas, quem fez o homem? A Bíblia diz: "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou". E quem é esse Deus? Resposta: Pai, Filho e Espírito Santo. É digno de nota que há outros textos em que Deus fala no plural: Gênesis 3:22; 11:7-9; Isaías 6:8. Alguns dizem tratar-se de plural de majestade, ou seja, é uma forma de expressão onde o indivíduo fala do plural que não revela necessariamente uma pluralidade participativa. Todavia, isso não funciona em Gênesis 1:26, 27, pois outros textos bíblicos deixam claro que o Pai, o Filho e o Espírito Santo criaram o homem; logo, não está em jogo nenhum plural de majestade, mas um ato criativo de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Os demais textos, portanto, devem ser interpretados seguindo-se essa mesma linha de raciocínio. 



b) Deuteronômio 6:4 — "Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová" (TNM). Esse texto é usado para desacreditar a doutrina da Trindade, mas, ao contrário disso, é o texto que prova que na unidade de Deus existe uma pluralidade, dando abertura para a concepção trinitariana. Como assim? Na língua hebraica, existem duas palavras para expressar unidade, a saber, ’ehadh e yehidh. A primeira designa uma unidade composta ou plural. Exemplo: Gênesis 2:24 diz que o homem e a mulher seriam uma (’ehadh) só carne, ou seja, dois em um. A segunda palavra é usada para expressar unidade absoluta, ou seja, aquela que não permite pluralidade. Exemplo: Juízes 11:34 diz que Jefté tinha uma única (yehidh) filha. Qual dessas palavras é empregada em Deuteronômio 6:4? A palavra ’ehadh, o que indica que na unidade da Divindade há uma pluralidade. 

A Trindade no Novo Testamento


A revelação da Triunidade de Deus no Antigo Testamento não é tão clara quanto no Novo. Os textos bíblicos abaixo alistados (respeitando-se os devidos contextos) mostram sempre juntos o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Levando-se em conta que Deus é único (Isaías 43:10) e que ele não partilha sua glória com ninguém (Isaías 42:8; 48:11), é interessante notar como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são postos em pé de igualdade, coisa que nenhuma criatura, por melhor que fosse, poderia atingir, nem muito menos uma "força ativa" (agente passivo). 



a) Mateus 28:19 — A ordem de Jesus é para batizar em "nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo". Ora, se Jesus fosse uma criatura e o Espírito Santo uma "força ativa", seria estranho que as pessoas fossem batizadas em nome do Criador (que não divide sua glória com ninguém), em nome de um anjo, e de uma "força ativa"; aliás, que necessidade há em batizar alguém em nome de uma "força"? Tudo isso só faz sentido se Jesus e o Espírito Santo forem Deus, assim como o Pai. 



b) Lucas 3:22 — No batismo do Filho, lá estão o Espírito Santo e o Pai; como sempre, inseparáveis. Essa é uma das razões pelas quais o batismo cristão deve ser ministrado em nome das três pessoas. 



c) João 14:26 — Jesus fala do Espírito Santo, que será enviado pelo Pai, em seu próprio nome, isto é, de Cristo. 

d) 2ª Coríntios 13:13 — Outra fórmula trinitária, onde aparece o Filho, em primeiro lugar, com sua graça ou benignidade imerecida; depois, o Pai, com seu amor; e finalmente, o Espírito Santo, com a comunhão ou participação que dele procede. 

e) 1ª Pedro 1:1, 2 — Pedro fala aos escolhidos, que foram eleitos segundo a presciência do Pai, santificados pelo Espírito e aspergidos com o sangue de Jesus Cristo. 

f) Outros versículos — Romanos 8:14-17; 15:16, 30; 1ª Coríntios 2:10-16; 6:1-20; 12:4-6; 2ª Coríntios 1:21, 22; Efésios 1:3-14; 4:4-6; 2ª Tessalonicenses 2:13, 14; Tito 3:4-6; Judas 20, 21; Apocalipse 1:4, 5 (compare com 4:5) etc. É digno de nota que se o Filho fosse uma criatura e o Espírito Santo uma "força ativa", os dois não poderiam assumir o primeiro lugar em algumas das passagens bíblicas acima citadas. Aliás, o que uma "força ativa" estaria fazendo no meio de duas pessoas? As TJ objetam dizendo que mencionar as três Pessoas juntas, não indica que sejam a mesma coisa, pois Abraão, Isaque e Jacó (Mateus 22:32), bem como Pedro, Tiago e João (Mateus 17:1) sempre são citados juntos; contudo, isso não os torna um. O que as TJ não perceberam foi o seguinte: Abraão, Isaque e Jacó tinham algo em comum: o patriarcado. Já Pedro, Tiago e João tinham em comum o apostolado. E o que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm em comum? Resposta: a natureza divina, ou simplesmente, a divindade.



Jesus Cristo


É o Primogênito de Jeová (sua primeira criação). É seu Unigênito (o único criado diretamente por ele). Sendo "Filho de Deus" é submisso e inferior ao Pai. Recebeu o nome de Miguel e o título de Arcanjo (= anjo principal). É "um deus", assim como Satanás, no sentido de ser poderoso. É "Deus Poderoso", mas nunca "Deus Todo-Poderoso", como Jeová. Morreu numa "estaca" (não numa cruz). Ressuscitou em espírito (não fisicamente). "Voltou" invisivelmente em 1914. Somente as TJ o viram com os "olhos do entendimento". Através do Corpo Governante, ele exerce sua chefia sobre a organização.




Avaliação bíblica 



A cristologia das TJ é uma ressurreição do arianismo, que surgiu com Ário (256-336), um sacerdote do século IV, da cidade de Alexandria, no Egito. Ário afirmou que Jesus Cristo era uma criatura, baseando principalmente em Provérbios 8:22 e 1ª Coríntios 1:24. O primeiro é uma poesia, onde a sabedoria diz ter sido "criada" por Deus. O segundo diz que Jesus Cristo é a sabedoria de Deus. Assim, concluiu Ário, se Jesus é a sabedoria de Deus, então ele foi criado. O problema de Ário foi o seguinte: ele utilizava uma tradução do que hoje conhecemos como Antigo Testamento, escrito originalmente em hebraico, para o idioma grego. O texto hebraico traz em Provérbios 8:22 o verbo qanáni (possuir); contudo, o texto grego adotado por Ário verteu qanáni por bará, que significa "criar". Quando S. Jerônimo fez a Vulgata, tradução do hebraico para o latim, traduziu corretamente qanáni por possédit me (possuiu-me). A pergunta que se levanta é: qual é o termo correto – criar ou possuir? A resposta é óbvia: possuir. Basta um pouco de raciocínio para perceber isso. Veja: Deus é eterno, de eternidade a eternidade. Como ele é imutável, o que ele é hoje, sempre foi e sempre será. Assim, não há variação em Deus. Então, se Deus é poderoso, ele é poderoso de eternidade a eternidade. Nunca houve um momento em ele não tenha possuído poder. Ele não poderia ter criado seu poder, pois isso significaria que um dia ele não o teve. Ora, o mesmo se dá com a sabedoria de Deus. Se dissermos que Deus criou sua sabedoria, chegaremos à conclusão que um dia Deus não teve sabedoria. Daí, vem a pergunta: com que grau de inteligência Deus percebeu que não tinha sabedoria e que precisaria criá-la? Assim, diante dessa conclusão ilógica, afirmamos à luz da Bíblia: Deus é sábio de eternidade a eternidade. Seus atributos são tão eternos quanto ele, pois Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Diante disso, a leitura correta do Provérbios 8:22 deve ser: "O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas". Para concluir, é preciso dizer que não se pode afirmar categoricamente que o texto de Provérbio 8:22 faça referência a Jesus Cristo. O texto simplesmente apresenta a sabedoria de Deus num estilo poético e, em poesia, tudo pode acontecer: a sabedoria grita, ama, trabalha etc. Seja como for, Provérbios 8:22 não pode ser usado para afirmar que Jesus é uma criatura. Ao contrário, a Bíblia o apresenta como Criador de todas as coisas (João 1:3; Colossenses 1:16,17; Hebreus 1:10 com 3:4).



Jesus não é o Arcanjo Miguel 



Jesus e Miguel não são a mesma pessoa por duas razões:

  ·Enquanto que em Daniel 10:13 Miguel é chamado de "um dos mais destacados príncipes" (TNM), o que nos leva a concluir que ele não é o principal, o primaz, em Colossenses 1:18 se diz que Jesus tem a primazia.

 ·Mateus 4:10, 11 e Marcos 1:25-27 apresentam Jesus Cristo repreendendo Satanás; mas em Judas 9 está escrito que Miguel não se atreveu a censurá-lo, ao invés, entregou para Deus tal responsabilidade. Jesus tem, portanto, diferente de Miguel, a autoridade absoluta sobre Satã.  



Jesus não é "um deus" 



Já que Deus disse em Isaías 43:10 que antes dele Deus nenhum se formou e que depois dele, Deus nenhum haverá, fica evidente que existe somente um Deus. Tudo o que for além disso é uma falsa deidade. Assim, Jesus não poderia ser um deus à parte. Além do mais, se Jeová fosse o Deus e Jesus "um deus" (como verte a TNM o texto de João 1:1), então teríamos dois deuses: um maior (Jeová) e o outro menor (Jesus). Ora, a crença em mais de um deus constitui-se em politeísmo, o que é um grave pecado contra Deus.



Esclarecendo termos mal interpretados


Alguns grupos, como as TJ, se perdem na terminologia das Escrituras, dando significados errôneos a certos termos aplicados a Jesus Cristo, como por exemplo: primogênito, unigênito, princípio da criação e Filho de Deus. Tal equívoco se dá devido ao fato de desconhecerem regras de uma boa hermenêutica (interpretação) bíblica, e assim, separam esses termos de seu contexto imediato ou local e o geral, bem como histórico e gramatical, e querem que afirmem aquilo que originalmente não significavam no texto bíblico. Eis alguns exemplos: 



Primogênito (Colossenses 1:15) — Longe de significar nesse texto "primeiro criado" ou "o primeiro de uma série", o termo "primogênito" é um título que indica preeminência ou primazia, apontando assim para a soberania de Cristo sobre a criação, pois segundo os versículos seguintes, ele criou todas as coisas; não podendo ser, portanto, uma criatura (veja 2.1.3. – letra c). Outro ponto importante é que esse texto de Colossenses é uma aplicação do Salmo 89:27, que é messiânico. Originalmente foi aplicado ao rei Davi, que era o caçula de sua família (Salmo 89:20); no entanto, segundo esse salmo, Deus o colocaria como "primogênito", e explica o porquê: "O mais excelso dos reis da terra", que eqüivale ao título "rei dos reis" (Apocalipse 17:14). Que a idéia de soberania está implícita, basta conferir 1º Samuel 10:1, onde Samuel diz a Davi que Deus o ungiu para ser o líder ou chefe de Israel. Assim, o termo primogênito fala da posição soberana de Cristo sobre tudo e todos, e não que ele seja o primeiro de um série. 



Unigênito (João 3:16) — Este título fala da singularidade de Jesus Cristo, o eterno Filho de Deus. Ele é único, não há ninguém semelhante a ele (Judas 4). Essa palavra é composta por mono (único) + genus (tipo, espécie). A ênfase, portanto, está na primeira parte: único , o que implica na idéia de singularidade, tal como acontece com Hebreus 11:17. Neste texto, Isaque é chamado de unigênito de Abraão. Ora, sabemos que Abraão não tinha apenas a Isaque como filho, não podendo ser ele, a rigor, o único filho. Aliás, Ismael era o primogênito. Isso mostra, portanto, que o termo "unigênito" abarca outros significados. Em que sentido, então, Isaque era o unigênito? Porque ele era o único e singular filho de Abraão. A idéia de um relacionamento íntimo e diferencial entre pai e filho está implícita na passagem; logo, não está em questão a ordem de nascimento de Isaque, mas sua posição diante do pai, sua singularidade. O mesmo se dá com Cristo em relação ao Pai. Sendo, então, "primogênito" e "unigênito", torna-se o "herdeiro de todas as coisas", sustentando, ele mesmo, "todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hebreus 1:2, 3).



Princípio da criação (Apocalipse 3:14) — A palavra grega arché, traduzida por princípio em muitas traduções da Bíblia, também significa "governador", "soberano", "origem". Assim, já que diversas passagens bíblicas atestam a eternidade de Cristo, posto ser ele o criador e sustentador de todas as coisas (Colossenses 1:16, 17; Hebreus 1:3), fica evidente que entender arché como o "primeiro de uma série", nesse caso em particular, seria pedir demais. Se ele criou todas as coisas e as sustenta, o termo "origem" cai como uma luva no contexto imediato e mais amplo. É assim que o termo princípio deve ser entendido em Apocalipse 3:14. Essa é, aliás, a forma traduzida pela versão espanhola La Bíblia de Estudio "Dios Habla Hoy". É bom também lembrar que na Tradução do Novo Mundo a expressão arché é usada em relação a Jeová (Apocalipse 22:12), sendo entendida como fonte, origem, começo; embora seja evidente, pelo contexto, que arché aplica-se ao Senhor Jesus Cristo, pois ele também é descrito assim em Colossenses 1:18. De qualquer forma, nenhum dos termos supracitados podem ser usados para defender a idéia de que Jesus seja um ser criado.

Filho de Deus (Marcos 1:1) — Esse termo geralmente é usando para indicar a inferioridade do Filho em relação ao Pai, pois um filho não pode ser igual ou maior que seu pai. Ora, isso não faz o menor sentido, pois Jesus é chamado de "filho de Maria" (Marcos 6:3); "Filho de Davi" (Marcos 10:48); e "Filho do Homem" (Mateus 25:31), e nem por isso, ele poderia ser considerado inferior a Maria, Davi ou ao homem. A primeira expressão "filho de Maria" tem o significado de "filho" no sentido comum da palavra, ou seja, ele era filho de Maria em sentido biológico. Ser chamado de Filho de Davi pode significar não somente que ele é seu descendente, mas também participante da linhagem real de Davi. Já o título "Filho do Homem" aponta para a humanidade assumida por Cristo, ou seja, ele participou de nossa natureza humana, contudo, sem pecado. E, finalmente, Jesus também é chamado de "Filho de Deus", não porque seja inferior, mas porque é participante da mesma natureza divina da qual o Pai também participa. Aqui cabe bem o velho ditado: "Tal pai, tal filho".

 

Esclarecendo textos mal interpretados
 


Os textos apresentados a seguir são bastante usados pelos antitrinitários para apoiar a idéia de que Jesus não era Deus, pois declarou que o Pai era maior do que ele (João 14:28); que acerca do dia e hora de sua vinda, somente o Pai sabe (Marcos 13:32); além disso, dizem que se ele orava ao Pai (João 17:1), não poderia ser o próprio Pai (esta sentença, aliás, os trinitários jamais afirmaram). Esses equívocos decorrem do fato de desacreditarem de outra grande "riqueza insondável do Cristo" (Efésios 3:8), ou seja, a sua Encarnação: o Verbo, que era Deus, "se fez carne e habitou entre nós" (João 1:14). A doutrina da Encarnação é tão complexa quanto a doutrina da Trindade. Mais uma vez vale ressaltar que por mais que tentemos, o ser finito jamais poderá compreender com perfeição o Ser Infinito, mesmo quando este assume nossa finitude. Ao assumir a natureza humana, tornando-se "Filho do Homem", Jesus Cristo assumiu a posição de "servo" (Filipenses 2:6 e 7). Tornou-se "menor" que os anjos, sem se tornar inferior a eles (Hebreus 2:9). Assim, sua humanidade, como a nossa, era limitada; mas, por outro lado, ele ainda era 100% Deus, ou seja, ilimitado. E aí está o grande problema: como compreender que numa única pessoa pudesse haver duas naturezas opostas naturalmente entre si? Ao mesmo tempo em que dizia "o Pai é maior do que eu" (João 14:28), também afirmava "Eu o Pai somos um" (João 10:30). Como resolver essa questão? A coisa não é tão fácil assim. Se alguém achar a resposta a essa pergunta, também terá descoberto como Deus veio a existir (aliás, ele nunca veio a existir, pois ele foi, é e sempre será) e explicará satisfatoriamente a Triunidade Divina. O que precisamos é recorrer ao testemunho das Escrituras para ver o que ela tem a nos dizer sobre isso, mesmo que indiretamente. Uma passagem reveladora é a de Mateus 8:23-27. Durante uma tempestade, o texto relata que Jesus dormia, mas, Deus não dorme. Desesperados, os discípulos acordaram-no, clamando por socorro. Nesse momento, Jesus acorda, repreende o vento e o mar, e ambos se aquietam. Ora, o homem não tem esse poder. Segundo os Salmos 65:5-7; 89:9 e 107: 29, somente Deus, como criador, tem poder sobre as forças da natureza, e Jesus revelou tal poder (Hebreus 1:3). Percebe-se, portanto, nessa Escritura, a plena humanidade e divindade de Jesus Cristo. Ele tornou-se humano, sem deixar de ser Deus. Era Deus, assim como o Pai e o Espírito Santo, mas também era verdadeiro homem. Alguns objetam afirmando que Moisés abriu o Mar Vermelho, e nem por isso era Deus (Êxodo 14). O mesmo se deu na travessia do rio Jordão, sob o comando de Josué (Josué 3). Mas, quem foi que disse que Moisés abriu o Mar Vermelho? Segundo o livro de Êxodo, Deus mandou Moisés erguer um bastão e estendê-lo sobre o mar (14:16), e no versículo 21 diz que foi o próprio Deus, por meio dum forte vento, que fez o mar retroceder. O Salmo 114 poeticamente mostra que os acontecimentos ocorridos tanto no Mar Vermelho, quanto no rio Jordão, foram promovidos pelo senhor do vento e do mar: Deus. Assim, precisamos ler os textos abaixo tendo em vista o ensinamento bíblico da dupla natureza de Cristo. 

1. João 14:28 — Quando Jesus disse "o Pai é maior do que eu", subentende-se a sua posição de servo, de humilhação à qual ele se submeteu voluntariamente, nada tendo haver com sua essência, sua natureza divina (Filipenses 2:6-8; Atos 8:33; 2 Coríntios 8:9). Nessa posição, segundo a Bíblia, Jesus também era menor que os anjos (Hebreus 2:6-9), pois em relação aos humanos, os anjos são "maiores em força e poder" (2ª Pedro 2:11). Sendo menor que os anjos, Jesus podia dizer — sem prejuízo para sua natureza divina — que o Pai era maior do que ele.

2. Marcos 13:32 — Se em Cristo estão "ocultos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Colossenses 2:3), por que ele afirmou que acerca daquele dia e daquela hora ele não sabia, mas unicamente o Pai? Essa é uma pergunta de difícil resposta; contudo, convém lembrar do seguinte: Jesus disse que os anjos também não sabiam; sendo assim, o que foi feito menor também não saberia (Hebreus 2:9). Como homem Jesus não tinha sabedoria ilimitada. Aprendeu como qualquer um de nós (Lucas 2:52). Não cabe ao homem saber os tempos e as épocas que Deus determinou sob sua jurisdição (Atos 1:7).

3. João 17:1 — Acompanhado desse texto, normalmente vem a seguinte observação dos antitrinitários: Visto que Jesus orou a Deus, pedindo que fosse feita a vontade de Deus, não a sua (Lucas 22:42), os dois não poderiam ser a mesma pessoa; e se Jesus fosse o Deus Todo-Poderoso, ele não oraria a si mesmo.

Para inicio de conversa, esse argumento revela certa ignorância do que seja a doutrina da Trindade, pois não acreditamos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam a mesma pessoa, mas, sim, o mesmo Deus, ou seja, possuem a mesma natureza. O termo "Deus" pode ser aplicado individualmente a cada uma das Pessoas da Trindade (1ª Coríntios 8:5; 1ª João 5:20; Atos 5:3, 4), como pode ser usado como coletivo para abarcar as Três Pessoas Divinas, como em Gênesis 1:1. Assim, não sendo a mesma "pessoa" fica claro que não há nenhum impedimento para que o Filho dialogasse com o Pai. Na Encarnação Jesus participou das experiências humanas, menos o pecado (2ª Pedro 2:22); Jesus, como todo e qualquer humano, tinha necessidade espirituais. Ele precisa ter contato com o Pai (Mateus 4:4; João 4:34). Portanto, Jesus dialogou com o Pai, sem deixar de participar da mesma natureza divina, pois ele mesmo disse: "Eu o Pai somos um" (João 10:30). A objeção comum à frase "Eu e o Pai somos um" é a de que isso não significa que Jesus tenha a mesma natureza que o Pai, que ambos sejam de fato um, mas que Jesus apenas frisava sua unidade de propósito e pensamento com o Pai. A base bíblica apresentada é a de João 17:11, 21, 22, onde Jesus em oração pede que todos os seus discípulos sejam um, assim como ele e o Pai são um. Argumentam que isso não significa que os discípulos serão a mesma pessoa ou que possuirão a natureza divina. Mais uma fez enfatizamos que a idéia de serem os dois, Pai e Filho, a mesma pessoa, jamais estará em questão. Quanto à idéia de unidade de propósito e pensamento, dizemos que esta está presente em ambas as passagens. Todavia, segundo o contexto de João 10:30, há muito mais incluído do que simplesmente "unidade de propósito e pensamento". Acompanhe os seguintes raciocínios... 

 — Nesse capítulo, Jesus fala diversas vezes de suas ovelhas. No versículo 28 ele diz que dá a essas ovelhas a "vida eterna" e que elas jamais seriam destruídas (ou pereceriam). Pergunta-se: Poderia uma criatura, por mais importante que fosse , conceder a outras criaturas a vida eterna e a indestrutibilidade? Não é somente Deus, o Eterno, a fonte da vida? (Salmo 36:9; Atos 17:27, 28). Contudo, Jesus disse de si mesmo: "Eu sou a ressurreição e a vida" (João 11:25). Disse mais: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (João 14:6). Seria pedantismo demais para um arcanjo, uma criatura, mesmo que fosse "o segundo maior personagem do universo", afirmar tudo isso; porém, não o seria para aquele que, junto com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina para sempre. Portanto, pelos versículos precedentes a João 10:30, fica claro que, se o Pai e o Filho são fontes da vida, então Jesus foi além da "unidade de propósito e pensamento" ao dizer "Eu e o Pai somos um". Vale a pena lembrar que, por mais que nos esforcemos, jamais conseguiremos ser a ressurreição, a verdade e a vida. Assim, devemos nos contentar com nossa "unidade de propósito e pensamento" para com Deus. Já Jesus Cristo, além do que temos (e num grau mais elevado e incomparável), também possui "toda a plenitude da Divindade" (Colossenses 2:9). 

 — Diante da frase "Eu e o Pai somos um", a reação dos judeus foi imediata: acusaram a Jesus de blasfêmia, pois, sendo homem, fazia-se Deus a si mesmo (João 10:33). Eles entenderam exatamente o que Jesus queria dizer com aquele "um". Não faria sentido acusá-lo de blasfêmia pelo simples fato de expressar com a palavra "um" uma "unidade de propósito e pensamento". Na Tradução do Novo Mundo, João 10:33 é vertido assim: "Nós te apedrejamos, não por uma obra excelente, mas por blasfêmia, sim, porque tu, embora sejas um homem, te fazes um deus". A frase mal traduzida "te fazes um deus" tenta suavizar a força das palavras de Jesus, que evidentemente igualou-se ao Pai. Ademais, a acusação de blasfêmia só faria sentido para os judeus se Jesus se fizesse igual a Deus, o Pai, e não a "um deus", termo mais do que genérico nessa péssima tradução. É importante ressaltar que numa outra ocasião Jesus falou aos judeus dizendo: "Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu estou trabalhando" (João 5:17 – TNM). Diante disso, alguns dos judeus queriam matá-lo, e uma das razões apresentadas foi a de que ele chamava Deus de Pai, "fazendo-se igual a Deus" (João 5:18 – TNM). Percebe-se, portanto, que em ambas as passagens (João 10:29-33 e 5:17, 18) as declarações de Jesus sempre são entendidas como afirmações de igualdade com o Pai, ou seja, ele afirma fazer aquilo do qual somente o Ser Supremo é capaz (compare com Marcos 2:5-11). Assim, se Jesus não fosse tudo aquilo que afirmou ser, direta ou indiretamente, não passaria de um impostor, mentiroso e megalomaníaco. 


6. Espírito Santo 
Muitos negam a personalidade e divindade do Espírito Santo, como as seitas espíritas e as Testemunhas de Jeová. Para estas o Espírito Santo é uma "força ativa"; para aqueles trata-se de uma "falange de espíritos". Em ambos os casos, o Espírito Santo é algo, não alguém. 

6.1. A personalidade e divindade do Espírito Santo 

a) É Deus, como o Pai e o Filho (Atos 5:3:4). Compare com Atos 16:31, 34.

b) É um ser pessoal, pois o Espírito Santo...


·Guia, fala, declara, ouve (João 16:13). 
·Ama (Romanos 15:30). 
·Clama (Gálatas 4:6). 
·Toma decisões, administra (1ª Coríntios 12:11). 
·Sabe e atinge as profundezas de Deus (1ª Coríntios 2:10, 11; compare com Mateus 11:27 e Lucas 10:22). 
·Pode ser contristado (Efésios 4:30). Comparar com Isaías 63:10. 
·Implora e intercede (Romanos 8:26, 27; comparar com v. 34). 
·Ensina (Lucas 12:12; comparar com 21:14, 15; veja João 14:26). 
·Fala (Atos 10:19). Ver também 13:2; 10:19, 20; 21:11; Mateus 10:18-20). 
·É resistido (Atos 7:51 comparado com Isaías 63:10; Salmo 78:17-19). 
·Proíbe, põe obstáculo (Atos 16:6 e 7; comparar com o v. 7 com Romanos 8:9 e Filipenses 1:19). 
·Ordena, dirige e dá testemunho (Atos 8:29, 39 e 20:23). 
·Designa, comissiona (Atos 20:28). Ver também 1ª Coríntios 12:7-11, comparando com 12:28 e Efésios 4:10, 11. 
·É mencionado entre outras pessoas (Atos 15:28). 


c) 1ª Coríntios 6:19 – "Ao lado do templo do verdadeiro Deus na antiga Jerusalém, as Escrituras mencionam muitos outros templo — por exemplo: o templo de Dagom (1ª Samuel 5:2), o templo de Júpiter (Atos 14:13), o templo de Diana (Atos 19:35), e assim por diante. Cada um era o templo de alguém, ou do Deus verdadeiro ou de um deus falso. Mas a Bíblia também mostra que o corpo físico de cada cristão individualmente se torna um templo. Templo de quem? Um ‘templo do Espírito Santo’(1ª Coríntios 6:19)". — Argumento extraído de As Testemunhas de Jeová refutadas versículo por versículo, de David Reed, Juerp, pp. 89, 90. 


6.2. Textos e termos mal aplicados ao Espírito Santo 


a) Mateus 3:11 – João Batista disse que Jesus batizaria com o Espírito Santo, assim como ele batizava em água; portanto, assim como a água não é pessoa, tampouco seria o Espírito Santo. Refutação: É possível se batizado numa Pessoa, sem que ela perca sua identidade pessoal.


·Romanos 6:3 (batizados em Cristo/batizados em sua morte) 
·Gálatas 3:27 (batizados em e revestidos de Cristo) 
·1ª Coríntios 10:2 (batizados em Moisés) 


b) 2ª Coríntios 6:6 – O Espírito Santo é incluído entre várias outras qualidades, o que indicaria que não se trata duma pessoa (Efésios 5:18; Atos 6:3; 11:24 e 13:52) 

Refutação: Em Gálatas 3:27 e Colossenses 3:12 insta-se às pessoas a ficarem revestidas de Cristo, assim como a se revestirem de qualidades como humildade, compaixão etc., sem que isso faça de Cristo uma "força ativa". 


c) Atos 2:4 – Os 120 discípulos ficaram cheios duma "força ativa" não duma pessoa.  
Refutação: 


·Efésios 1:23 diz que Deus "preenche todas as coisas", o que concorda com Atos 2:4. 
·Romanos 8:11 diz o Espírito Santo mora ou reside em nós, assim como Efésios 3:17 diz que Cristo reside em nossos corações, da mesma forma que João 14:23 também fala da habitação em nós tanto do Pai, quanto do Filho. Nada disso faz com que o Pai e o Filho deixem de ser pessoas.


d) Atos 13:12 – O fato de a Bíblia dizer que o Espírito Santo fala, isso não prova sua personalidade, pois outros textos mostram que isso era feito através de seres humanos ou de anjos.

Refutação: 


·Atos 3:21 mostra que Deus não falou diretamente, mas por meio da boca dos seus profetas, assim como se diz do Espírito Santo (Atos 28:25). 
·Comparar Mateus 10:19, 20 com Lucas 21:14, 15 e Jeremias 1:7-9. 


e) Lucas 7:45, Romanos 5:14, 21, Gênesis 4:7 – Estes textos mostram que coisas abstratas, como a sabedoria, o pecado e a morte são personificados; o mesmo se dá com o Espírito Santo. 

Refutação: A Bíblia personifica a sabedoria, o pecado e a morte porque não são pessoas. No caso do Espírito Santo, Ele não é personificado, pois já é uma pessoa. É apenas simbolizado, assim como Jesus e Jeová 


·Espírito Santo: Pomba (Lucas 3:22); línguas de fogo (Atos 2:3) 
·Jesus Cristo: Leão (Apocalipse 5:5); cordeiro (João 1:29); Porta (João 10:9); Videira (João 15:1) 
·Jeová: Fogo (Deuteronômio 4:24); sol (Salmo 84:11) 


f) Atos 7: 55, 56 – Estevão só viu o Pai e o Filho, não diz ter visto o Espírito Santo. 

Refutação: Estevão não podia ter visto o Espírito Santo pelo fato deste estar na terra cumprindo a sua missão, uma vez que fora enviado pelo Filho, que por sua vez fora enviado pelo Pai. Jesus disse que a menos que Ele próprio fosse embora, o Espírito Santo não viria. Assim sendo, quando Jesus voltou ao céu, enviou o Espírito, razão pela qual Estevão não poderia tê-lo visto. (Ver João 16:7, 8).


7. A fórmula batismal


7.1. Argumentos mal aplicados para se batizar somente em nome de Jesus 

Em Mateus 28:19, Jesus mandou que os discípulos batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Em Atos 2:38 encontramos os apóstolos batizando em nome de Jesus, porque Jesus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Refutação: Esse argumento não tem base bíblica, pois as Escrituras estabelecem a distinção entre as pessoas da Trindade, por exemplo: João 10:30. Assim, é absurda a suposição de que os apóstolos entenderam que Jesus quis dizer que batizassem em seu próprio nome, porque ele era o Pai, o Filho e o Espírito Santo, uma vez que 1ª João 4:14 diz claramente: "E nós (os apóstolos) temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo". 

Afirma-se que "Pai", "Filho" e "Espírito Santo" são apenas "títulos", não "nomes próprios", mas que Jesus é "um nome próprio". Refutação: Se fizéssemos distinção entre "nome" e "título" na Bíblia, não poderíamos entender os nomes bíblicos, porque seus nomes eram seus títulos. Em Gênesis 29:32, por exemplo, "Rubem" (nome próprio) literalmente quer dizer "um filho", mas "filho" é um título segundo o Unicistas. Jesus (nome próprio) significa "Salvador" (Mateus 1:21), o qual também é um título. 

Ensina-se que em Mateus 28:19 se usa a palavra "nome" (singular) e não "nomes" (plural). Refutação: A Bíblia muitas vezes usa a palavra "nome" (singular) para referir-se a mais de uma pessoa. Veja este exemplo: Gênesis 5:2 ¾ "Homem e mulher os criou, e os abençoou, e lhes chamou pelo nome de Adão, no dia em que foram criados". Veja também Gênesis 11:4 e 48: 6, 16. 

Alega-se que os apóstolos nunca batizaram "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", mas somente "em nome de Jesus". 

a) É verdade, na Bíblia não encontramos os apóstolos batizando a pessoas "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"; tampouco, porém, encontramos na Bíblia os apóstolos recitando a frase "eu te batizo em nome de Jesus Cristo".

b) Eles afirmam que os apóstolos recitaram tal frase, quando lêem na Bíblia que algumas pessoas foram batizadas "em nome de Jesus Cristo". A verdade é que não há nenhuma evidência na Bíblia de que os apóstolos tenham recitado tal frase ao batizar.

c) Há somente uma pessoa na Bíblia que vemos como foi batizada. Esta pessoa foi o eunuco etíope, que foi batizado por Filipe (At 8:36). Ali, não observamos Filipe dizendo: "Eu te batizo em nome de Jesus". A única coisa que encontramos é que o eunuco dizendo: "Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus".

d) As evidências mais remotas que temos sobre a maneira em que os cristãos eram batizados na igreja primitiva se encontram num livro intitulado Didache (ou: Ensinamentos dos Apóstolos). Este livro, que foi escrito por volta do ano 110 d.C., diz: "Quanto ao batismo, procedam assim: Depois de ditas todas essas coisas, batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." (Grifo acrescentado).

e) Fazer algo "em nome de" alguém significa fazê-lo em sua autoridade, em obediência ao seu mandato, da parte de ou como seu representante, como por exemplo: "E, pondo-os perante eles, os argüíram: Com que poder, ou em nome (= na autoridade ou da parte) de quem fizestes isto?" (Atos 4:7). Veja também João 16:23-26; 1ª Coríntios 1"13-15 e Colossenses 3:17. Assim, a frase "em nome de" não tem nada que ver com uma fórmula mágica que alguém diz durante cada ação. Quando a Bíblia diz que alguns foram batizados "em nome do Senhor Jesus Cristo" (Atos 2:38; 8:16; 19:5), não quer dizer que os apóstolos literalmente recitaram a frase: "Eu te batizo em nome do Senhor Jesus Cristo" , antes, porém, que as pessoas foram batizadas em obediência à ordem de Jesus, isto é, de acordo com o ensino de Jesus.


Pr. Luis Antônio Ferraz