São Frutuoso, martirizado no ano 259, diz: “é necessário que eu tenha em mente a IGREJA CATÓLICA, difundida desde o Oriente até o Ocidente”. (Ruinart. Acta martyrum pág 192 nº 3).
Veja a lista dos primeiros Papas da Igreja:
De 42 até 67 - São Pedro, da Galileia.
De 67 até 76 - São Lino de Volterra, Toscana.
De 77 até 88 - Santo Anacleto, romano.
De 89 até 98 - São Clemente I, romano.
De 98 até 105 - Santo Evaristo, da Grécia.
De 105 até 115 - Santo Alexandre I, romano.
De 115 até 125 - São Sisto I, romano.
De 125 até 136 - São Telésforo, da Grécia.
De 137 até 140 - Santo Higino, da Grécia.
De 140 até 155 - São Pio de Aquiléia, da Itália.
De 155 até 166 - Santo Aniceto, da Síria.
De 166 até 175 - São Sotero de Fondi, de Lácio, província Latina italiana.
De 175 até 189 - Santo Eleutério de Nicópolis, Grécia.
De 189 até 199 - São Victor I, da África.
De 199 até 217 - São Zeferino, romano.
De 217 até 222 - São Calixto I, romano.
De 222 até 230 - Santo Urbano I Romano.
De 230 até 235 - São Ponciano, romano.
De 235 até 236 - Santo Antero, da Grécia.
De 236 até 250 - São Fabiano, romano.
De 251 até 253 - São Cornélio, romano.
De 253 até 254 - São Lúcio, romano.
De 254 até 257 - Santo Estêvão I, romano.
De 257 até 258 - São Sisto II, da Grécia.
De 259 até 268 - São Dionísio, da Grécia.
De 259 até 274 - São Felix, romano. (Nesse tempo em 272 nasceu Constantino I).
De 275 até 283 - Santo Eutiquiano, de Luni, Toscana, Itália.
De 283 até 296 - São Caio, da Dalmácia, (Região da Costa do Mar Adriático).
De 296 até 304 - São Marcelino, romano.
De 308 até 309 - São Marcelino I, romano.
De 309 até 309 - Santo Eusébio, da Grécia.
De 311 até 314 - São Melquíades, Africano. (Nesse tempo é que em 313 o imperador Constantino, com o 'Edito de Milão' anistiou os cristãos e deu-lhes liberdade de culto.)
De 314 até 335 - São Silvestre I, romano.
De 366 até 336 - São Marcos, romano.
De 337 até 352 - São Júlio I, romano.
De 352 até 366 - São Libério, romano.
De 366 até 384 - São Dâmaso I, da Espanha. (Nesse tempo, em 380 é que o Imperador Teodósio o grande, com o Edito de Tessalônica decretou a Igreja Católica como religião oficial do Império Romano do Ocidente.)
O próprio livro dos Atos dos Apóstolos, presente tanto nas Bíblias católicas, quanto nas protestantes, começa sua narração em Jerusalém e termina quando São Paulo chega em Roma (Atos, 28). Há um propósito do próprio Cristo quando aparece para São Paulo: "Na noite seguinte aproximou-se dele e lhe disse: 'Tem confiança, assim como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa também que dês em Roma' (Atos 23, 11) - porque o livro de Atos é uma transferência, a Igreja sai de Jerusalém e se estabiliza em Roma.
São Pedro quando escreveu sua primeira carta, escreveu de Roma. Ora se escreveu de Roma é porque São Pedro já estava lá e isso é uma prova de que São Pedro já exercia sua missão de bispo de Roma e sua função de Papa (pai) daquela Igreja. (1ª. Carta de Pedro 5, 13) - "A Igreja de Babilônia (assim era conhecida Roma naquele tempo), saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho."
O termo católico vem de "universal", ou seja, a Igreja é uma só no céu e na terra, tendo um só cabeça que é Jesus Cristo, (Efésios 1, 22). Ela está em comunhão no Céu e na terra.
Em Hebreus 12, 22-23 está escrito: - "Vós, ao contrário vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades de anjos, da universal assembleia dos primogênitos, cujos nomes estão nos céus, e de Deus, juiz de todos os espíritos dos justos que chegaram à perfeição"... Isto que quer dizer catolicidade, a comunhão dos santos. Assembleia em grego é Igreja, e universal é católico. Daí podem os protestantes afirmar "Ah mas, o termo católico não aparece na tradução grega, foi a Igreja Católica quem inventou ".
Pois é, esta citação dos versículos acima é da Bíblia protestante Ferreira de Almeida. Se tal argumento protestante fosse sólido, porque a tradução protestante traz em si a mesma citação católica?
A Bíblia Ferreira de Almeida foi traduzida da Bíblia King James, que é a Bíblia britânica que traz uma tradução bem fiel aos originais e lá está escrito "general assembly" que tem o mesmo contexto de universalidade ou catolicidade. A Igreja Católica, desde o princípio é uma só em todo mundo. O mesmo culto, a mesma doutrina, o mesmo batismo. Diferente das placas das igrejas protestantes. Cada uma com seu culto, o batismo de uma não serve na outra, o culto de uma é diferente da outra, a doutrina de uma não serve na outra, etc.
Enquanto que a Igreja Católica está unida ao seu Papa e aos demais bispos e conserva a mesma unidade a mais de 2000 anos e tem o pastoreio católico, isto é, universal, sem o pastoreio universal não pode existir a Igreja e será apenas uma seita.
A Igreja depois que se firmou estabeleceu sua base em Roma. A Igreja de Roma se tornou a Sede, a Igreja-mãe de todas as outras por todo o mundo. E mesmo as igrejas ortodoxas eram sim, ligadas a Roma. Pois, a própria carta aos Hebreus prova que a comunidade dos hebreus era submetida a Sé de Roma. E como podemos provar isto? Podemos provar já no finalzinho da Carta dos Hebreus que esta Carta foi mandada da Sé de Roma para a comunidade dos hebreus:
"Irmãos, eu vos peço que acolhais esta palavra de exortação. Aliás, eu vos envio apenas algumas palavras. Sabei que nosso irmão Timóteo foi libertado. Se vier logo, irei ver-vos juntamente com ele. Saudai todos os vossos dirigentes e todos os santos. Os da Itália vos saúdam! (Hebreus 13, 22-23)
Note que:
a) A carta saiu da Igreja de Roma para a comunidade dos hebreus.
b) A carta, além de todos os ensinamentos dá notícias do Apóstolo Timóteo que foi libertado e traz um convite, o escritor manifesta o desejo revê-los e espera que o depositário desta carta vá à Roma encontrá-los. o Apóstolo Timóteo morreu em 97 d.C. Logo, podemos concluir que a Epístola aos Hebreus foi escrita antes disso. Isso prova que a Igreja já estava em Roma muito antes de Constantino.
c) A Igreja já estava estruturada com um corpo eclesiástico, pois, aquela comunidade depositária da carta contava com seus dirigentes e uma assembleia que é chamada de santos. Os batizados eram chamados de modo geral, de santos. Pois, santo quer dizer, escolhido, separado.
Está claro que nem Constantino, nem Teodósio foram fundadores da Igreja Católica. A Igreja já estava lá em Roma muito antes conforme o desígnio de Deus e conforme atesta a própria Bíblia e os documentos históricos.
Ela foi sonhada pelo próprio Deus, amada pelo próprio Deus. Não poderia ser de outra forma, até porque nenhum homem tem poder de fundar uma Igreja senão o próprio Cristo que deu sua vida por ela na cruz do Calvário.
Todas as vezes que você escutar alguém dizer que fulano e ciclano fundou uma igreja você deve perguntar se foi Jesus que morreu por ti ou ou foi o fulano fundador de tal denominação.
Qual poder que o ser humano tem de fundar uma igreja? Nenhuma. Porque o homem não é Deus, não pode morrer e ressuscitar e nem salvar ninguém dos seus pecados. A Igreja existe para dar continuidade à Salvação trazida por Cristo e para ser a ponte que liga o céu e a terra em um só louvor. Por isso ela tem que ser única. Tem que ser: Una, Santa, Católica e Apostólica.
As evidências da catolicidade da Igreja nos primeiros séculos
A Igreja é uma só, Una, Santa, Católica e Apostólica
Atos 1, 14 - A reunião dos Apóstolos no cenáculo, também com eles Maria e outras santas mulheres, em oração aguardavam a descida do Espírito Santo. Qual é o sinal? Eles rezavam juntos em união com Maria.
Atos 1, 15-26 A eleição de Mathias em substituição a Judas Scariotes. Foi feita uma reunião onde os Apóstolos elegeram por meio de um sorteio aquele que ocuparia o lugar de Scariotes no grupo dos 12.
Se lermos o capítulo 1, vamos ver que logo no versículo 13 que aparece na lista apresentada por São Lucas a figura de São Pedro como o primeiro da lista seguido dos outros. Não é por acaso que São Lucas o fez, mas para dar importância aquele que é o portador das chaves dada do Jesus para governar a Igreja. E o versículo 15, Pedro se levantou e fez um discurso introdutório antes da eleição.
Ali estava presente diante de aproximadamente 120 pessoas. Ele relembrou o que houve com Judas Scariotes e disse que é necessário que fosse nomeado outro no lugar de Judas, dos quais tinha que ser alguém que os tivesse acompanhado durante o tempo em que o Senhor esteve com eles desde o batismo de João até a Ressurreição. Por quê? Porque era necessário que este escolhido tivesse conhecimento dos ensinamentos de Jesus, fosse justo e teria que dar testemunho da Ressurreição.
Note São Pedro estava à frente da Igreja, foi sob as orientações de Pedro que a Igreja fez a escolha de dois homens José Barsabás, o justo. Também Mathias e, depois da oração, a sorte foi lançada em Mathias.
Notemos aqui a união da Igreja e sua organização desde o século primeiro século, onde Pedro como chefe da Igreja é o primeiro a ser ouvido e as decisões tomadas em conjunto só foi possível com um magistério de 120 pessoas sob a autoridade de São Pedro.
É o que a Igreja faz até hoje. Pedro é pontífice porque é ele que faz a ponte, essa é função papal dada por Jesus a Pedro em Mateus 16, 19. E os Apóstolos e toda a comunidade sabiam disso e por isso levavam todas as situações a Pedro e era ele quem dava a última palavra. Depois de São Pedro todos os outros Papas até chegar a nós nunca foi mudado. A Igreja de descrita em atos já tinha uma hierarquia onde os Apóstolos, que foram os primeiros bispos, juntamente com São Pedro a governava.
Atos 2, 5-11 - Na descida do Espírito Santo várias pessoas pregaram o mesmo Evangelho. Eles que eram de línguas diferentes, mas a pregação foi uma só, recebida nas suas próprias línguas. Isto é, os Apóstolos falavam em Hebraico, mas o Espírito Santo permitia que eles entendessem a mensagem do Evangelho em seus próprios idiomas.
Para quê? Para haver uma só doutrina no mundo todo, não houvesse confusão nem divisão. O Espírito Santo ele é unificador e não divisor. Não pode ser católico se não houver unidade.
Atos 4, 32 - "A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma". A Igreja verdadeira que é a Igreja Católica conserva essa união de fé de oração e de doutrina desde Pentecostes. O que está fora deste contexto de catolicidade são as seitas. A Igreja sempre foi Católica e Apostólica e é assim até os dias de hoje, no Oriente, no Ocidente, nas Américas e em todo lugar. Em torno de um só Senhor que é Jesus Cristo e sob o governo do Papa sucessor de São Pedro.
Jesus disse a Pedro: "Tu és pedra, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja". (Mateus16, 19) - A Igreja nasceu do dom total de Cristo para a nossa Salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na Cruz. "O começo e o nascimento da Igreja são significados pelo sangue e pela água que saíram do lado aberto de Cristo agonizante na Cruz é que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja. Da mesma forma que Eva foi formada do lado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração traspassado de Cristo morto na Cruz. (Catecismo da Igreja Católica Nº. 766)
Jesus não disse a Pedro "sobre ti fundarei as minhas igrejas e cada uma terá um nome e uma placa diferente, uma doutrina e um culto diferente". Jesus disse: "sobre ti (Pedro) fundarei a minha Igreja". A afirmação de Jesus está no singular. Porque uma só é a Igreja de Jesus. Esta Igreja é a Igreja Católica e Apostólica constituída por Jesus permanece até hoje.
Estava no coração de Cristo o desejo que os homens fossem assistidos por ele após sua paixão, morte, ressurreição e subida aos céus. Para ficar conosco ele criou um novo povo dando-lhe uma Nova Aliança que não foi firmada no sangue de animais, mas, com seu próprio sangue selou uma aliança eterna. Nessa aliança fundou sua Igreja e pelo Sacramentos Batismo somos enxertado nessa Igreja que também é seu corpo e a Eucaristia sua presença real no Pão e no Vinho sua presença Real em Corpo e seu Sangue, alma e Divindade e ao mesmo tempo se dá em alimento de todas as almas completando este mistério de amor. Somente a Igreja Católica pode dar-nos este Sacramento de amor que é Jesus Sacramentado. "Eis que estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos". (Mateus 28, 20).
Portanto, a Igreja Católica é uma só porque um só é seu Fundador e Salvador que por nós morreu e ressuscitou e nenhum outro homem por mais santo, nem pastor, e, nem padre, nem bispo que se desligar dela não terá nenhum poder se fundar outra, pois, esse poder só coube a Jesus Cristo que é Deus e Senhor.
A Igreja é preparada na Antiga Aliança, fundada por Cristo, realizada na Cruz redentora e por sua ressurreição, ela é manifestada como mistério de salvação pela efusão do Espírito Santo. Será consumada na glória do céu como assembleia de todos os resgatados da terra. Ela é ao mesmo tempo, visível e espiritual, sociedade hierárquica e corpo místico de Cristo. Ela é una formada de um elemento humano e um elemento divino. Somente a fé pode acolher este mistério. A Igreja é no mundo presente, o sacramento da salvação o sinal e a salvação, o sinal e o instrumento da comunhão de Deus e dos homens. (CIC 778, 779, 780)
A ORIGEM DO NOME 'PAPA'
Alguns dizem "mas Papa não existe" porque na Bíblia não existe nenhuma menção que Pedro tenha sido o primeiro Papa. Realmente não há. Porque Papa é um título e não uma função. É um título dado ao bispo da Igreja de Roma que é, por assim dizer, a Igreja mais velha. E foi lá que São Pedro e também São Paulo terminou seus últimos dias solidificando aquela Igreja como Mãe de todas as outras. É por isso que o bispo de Roma, ou seja, o Papa é considerado o sucessor de Pedro. Com exceção das igrejas protestantes e algumas igrejas ortodoxas em sua maioria todas aceitam e concordam que o Papa é mesmo o sucessor de Pedro, não por acaso, mas pela própria História da Igreja e a sucessão apostólica que lhe ela tem initerruptamente. Desde o início da Igreja a autoridade de Pedro como primeiro pastor era aceita. Encontramos várias passagens em que Pedro era quem decidia e dava a última palavra. Os Apóstolos e os demais cristãos conheciam a autoridade que Jesus, sendo a "Pedra Angular" deu a Pedro como sendo a "rocha" o "alicerce" que sustenta a fé da Igreja, "Tu és pedra e sobre ti fundarei a minha Igreja" (Mateus16, 18-19). Jesus fala da Igreja como uma construção que será elevada sobre a rocha. Pedro é a rocha, a base que sustenta a Igreja.
Certa vez Jesus disse que o "homem sábio constrói sua casa sobre a rocha" Mateus 7, 24-25; "Pois, quem ouve minhas palavras é tão sábio como aquele que constrói sua casa sobre a rocha"; Ele sendo Deus quis que um homem, Pedro fosse essa rocha onde a Igreja se firmaria. Isso quer dizer através de Pedro todos pudessem ouvir a voz dEle o Supremo Pastor. Sem a autoridade sem a sustentabilidade de Pedro a Igreja não pode sustentar-se pois, assim quis o próprio Cristo que em Pedro tivesse a missão não só de sustentar a fé, mas, de ligar e desligar. Isto é Jesus transfere a Pedro o poder e a autoridade de governar, pastorear em seu nome todos os fiéis.
Sobre Pedro está fundada a Igreja de Cristo, sobre ele está a autoridade de Cristo simbolizada pelas chaves o poder de abrir e fechar de ligar e desligar, o que Pedro na condição de pastor decidir pelo sim e pelo não será acatado na terra e no céu. Pedro sempre foi respeitado como primaz entre os Apóstolos o "príncipe dos Apóstolos" dado por Jesus a ele como chefe da Igreja. Os Apóstolos que eram0 fiéis a Jesus reconheciam a autoridade de Pedro como chefe da Igreja terrena e seu Vigário e respeitavam suas decisões como sendo do próprio Cristo. Os Apóstolos reconheciam em Pedro a própria autoridade de Jesus Cristo.
A autoridade que foi passada ao bispo de Roma é muito grande e por causa disso é que a Igreja lhe honrou com o título carinhoso de Papa ou "papai". Pai de toda a Igreja que é família cristã. Assim como toda família tem um "pai", o bispo de Roma é chamado carinhosamente de "papaizinho". Ele, que depois de ser provado no fogo foi designado o pastor primaz da Igreja, "Apascenta minhas ovelhas!" (João21, 17).
Veja que em nenhuma outra passagem dos evangelhos Jesus diz tão diretamente como no versículo 17, do Capítulo 21 de São João. Note que estava ali Pedro e João, (João 21, 20). Jesus teve uma conversa particular com Pedro e depois de ter a certeza de quer ele o amava mais do que os outros pediu "apascenta as minhas ovelhas!", ou seja, Jesus entregou a Pedro o pastoreio da Igreja.
Nosso Senhor, naquele momento sagrou pessoalmente seu primeiro bispo para ser o 'pai" de todos os outros e de toda a Igreja que com ele se erguia. É por isso que a Igreja até os dias de hoje chama o bispo de Roma de Papa por causa desta autoridade dada a São Pedro e consequentemente ao seu sucessor. E foi ali, em Roma, na Comunidade de Roma que São Pedro permaneceu até o fim de sua vida e deu sua vida e e lá deu testemunho de Cristo com seu martírio.
Foi naquela comunidade que ele viveu seus últimos anos e toda a Igreja Católica em todo mundo reconhece a autoridade de Cristo na pessoa Papa os demais sucessores de São Pedro.
Há uma controvérsia porque enquanto alguns estudiosos defendem que a Igreja Católica de Roma foi fundada por São Pedro, outros dizem que foram os discípulos e que quando São Pedro chegou à Roma ela já existia. O fato é que a Igreja Católica de Roma é a Igreja onde o seu bispo traz em si o primado de Pedro.
Onde surgiu a palavra "Papa"?
"Papa" é uma palavra de origem italiana que quer dizer "papai" ou "paizinho". É um título carinhoso que surgiu a partir do século VI para se referir aquele que foi colocado por Cristo nas função de Pai da Igreja Católica e que se firmou a partir dos séculos IX e X, para se referir exclusivamente ao Bispo de Roma. É por isso que muitos confundem esta palavra como se ela fosse uma função. Enquanto que a função do Papa é ser Bispo, isto é, ser o pastor.
Certamente, esta interpretação está longe de ser correta, assim como a interpretação do jogo de palavras "Pater Patrum" ("padre dos padres"), que seria uma descrição e releitura posterior do ofício papal.
Do ponto de vista histórico-etimológico, o termo "papa", no entanto, não é um acrônimo, mas uma palavra de origem grega, que significa "pai", "papai", em sentido familiar e carinhoso. É o termo usado nos primeiros séculos do cristianismo para dirigir-se ao clero, sobretudo aos bispos. Foi a partir dos século IX-X que se tornou exclusiva do Bispo de Roma: de "pai" em sentido específico a "pai" de Roma.
Nas Catacumbas de São Calisto está o testemunho mais antigo em Roma do uso da palavra "papa" referida ao Bispo de Roma. O diácono Severo declara haver recebido a ordem do bispo romano Marcelino (296-304) de construir um nicho sepulcral familiar dentro de tais catacumbas: “iussu pp. sui Marcellini diaconus iste Severus fecit…” (cfr. Testini, Archeologia cristiana, Bari 1980, p.384). Resumindo: é a história de um termo genérico que, com o passar do tempo, assume um significado cada vez mais específico, até tornar-se exclusivo.
O documento "Dictatus Papae", nascido no ambiente gregoriano durante a luta das investiduras, os termos "sumo pontífice" e "papa" são usados como sinônimos. Desde cerca de dez séculos antes, a palavra "papa" indicava apenas o Bispo de Roma.
Apesar de existirem vários títulos do Papa (o Sumo Pontífice, Bispo de Roma, sucessor de Pedro, Patriarca do Ocidente, (este último deixado de usar por Bento XVI), Primaz da Itália etc.), Mas, o teologicamente e mais verdadeiro e do qual derivam todos os outros é: "Bispo de Roma" e, portanto, herdeiro e sucessor de Pedro e cabeça do colégio apostólico.
Dois textos, um da antiguidade e outro dos nossos dias, falam da importância do título romano:
"Dado que seria demasiado longo enumerar as sucessões de todas as Igrejas, tomaremos a máxima igreja, muito antiga e conhecida de todos, fundada e construída em Roma pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo; mostraremos que a tradição que ela tem, dos mesmos, e a fé que anunciou aos homens, chegaram até nós por sucessões de bispos… Porque, é com esta Igreja (de Roma), em razão de sua mais poderosa autoridade de fundação, que deve necessariamente concordar toda a Igreja… na qual sempre se conservou a tradição que vem dos Apóstolos" (cf. S. Irineu, Contra as heresias).
"Na comunhão eclesial existem legitimamente igrejas particulares com tradições próprias, sem detrimento do primado da cátedra de Pedro, que preside à universal assembleia da caridade, protege as legítimas diversidades e vigia para que as particularidades ajudem a unidade e de forma alguma a prejudiquem" (Lumen Gentium, 13).
(Artigo do Pe. Giovanni Roncari, professor de História da Igreja, publicado originalmente em Novena.it)
Outros títulos dado ao Papa:
Santo Padre
Entendendo-se novamente o termo “padre” no sentido latino de “pai”, esse título acrescenta à paternidade espiritual também o caráter de santidade inerente à vocação e missão confiada ao Papa por Cristo.
Pontífice
Vem do latim “pontifex”, derivado por sua vez de “pons”, que significa ponte. Quer dizer “construtor de pontes”. Frequentemente, vem antecedido pelo adjetivo “Sumo”, do latim “Summus”, que significa “máximo”, “supremo”.
Servo dos Servos de Deus
Adotado por São Gregório Magno em 602, esse título reflete o papel do Papa como aquele que está a serviço de todos os fiéis, que, por sua vez, também estão a serviço de Deus, a exemplo de Jesus Cristo: o próprio Cristo, sendo Deus, se fez homem para nos servir e salvar.
Vigário de Cristo
Adotado no século V por São Leão Magno, esse título recorda o papel do Papa de representar Jesus na terra como pastor das suas ovelhas. “Vicarius” tem a mesma raiz de “vice”, ou seja, substituto, sucessor, representante, aquele que exerce legitimamente as funções de outro.
Bispo de Roma
Como sucessor de São Pedro, todo Papa herda a missão de ser o bispo da Cidade Eterna.
Primaz da Itália
Historicamente, cada região da Igreja tem um cardeal primaz, isto é, um líder primário da Igreja naquela área específica.
Sua Santidade
Embora mais usado como referência ao Papa, esse título que primariamente evoca a santidade do seu posto como Vigário de Cristo é usado também para líderes de outras tradições cristãs, principalmente orientais, inclusive em comunhão com Roma (nas diversas tradições orientais também é bastante usado o título “Sua Beatitude”). A título de precisão, usa-se “Vossa Santidade” quando se fala diretamente à pessoa do Papa.
Soberano do Estado da Cidade do Vaticano
Título que reconhece o poder temporal do Papa como líder do Estado Vaticano independente.
Fonte: pt.aleteia.org
A SUCESSÃO APOSTÓLICA E O PRIMADO DE SÃO PEDRO
OS
BISPOS DESDE O INÍCIO DA IGREJA
Mas,
vejamos o que diz Eusébio de Cesareia, que foi bispo de Cesareia (270-339 d.C.
– sendo bispo entre 313-315 d.C. – segundo historiador cristão depois de São
Lucas e bem antes de Constantino,) no seu livro “História Eclesiástica” capítulo
II assim descreve:
“O primeiro, pois, que a sorte designou para o apostolado
como substituição a Judas o traidor foi Mathias, que também tinha sido um dos
discípulos do Salvador, como já foi provado. Por outro lado, os apóstolos
mediante a oração e imposição das mãos, instituem ainda como destino ao
ministério e para o serviço comum, alguns homens de boa reputação, em número de
sete: Estêvão e seus companheiros. Também foi Estêvão, depois do Senhor e quase
no momento em que recebia a imposição das mãos, como se tivessem promovido para
isto mesmo, o primeiro a ser morto a pedradas pelos mesmos que mataram o
Senhor”.
Note aqui que Eusébio descreve a sucessão apostólica pela
imposição das mãos. Ato que acontece até os dias de hoje na Igreja e sem ela
não há sucessão legítima. A Igreja através de seus bispos a começar dos
apóstolos designa seus sucessores os bispos, padres ou presbíteros e os
diáconos e demais pessoas por meio da imposição das mãos que com autoridade
direta de Cristo cujo é o mandatário da obra, a Igreja Católica e possui essa
autoridade única e verdadeira dada por Cristo e recebida pelos apóstolos e seus
sucessores, os bispos legitimamente constituídos.
Continua [...] “Naquele tempo
também Tiago, o chamado “irmão do Senhor” – Porque também ele era chamado filho
de José; pois bem, o pai de Cristo era José, já que estava casado com a Virgem
quando, antes que convivessem descobriu-se que havia concebido do Espírito Santo,
como ensina a Sagrada Escritura dos Evangelhos –; este mesmo Tiago, pois, a
quem os antigos puseram o sobrenome de Justo, pelo superior mérito de sua
virtude, refere-se que foi o primeiro a quem se confiou o trono episcopal da
Igreja Jerusalém”.
[O mesmo Eusébio vem a
explicar no primeiro capítulo (VII-1 “sobre a discrepância dos evangelhos
acerca da genealogia de Jesus Cristo” Eusébio explica que na antiguidade, entre
os judeus, havia dois tipos de genealogia uma segundo a carne e outra segundo a
lei os parentes de Jesus. Entre os não havia definição de parentesco, é comum
que nos tempos de Cristo os parentes (primos) eram chamados de irmãos, não que
sejam filhos dos mesmos pais, mas por parentesco. Nesse sentido Tiago, que não
era irmão carnal de Jesus era chamado de seu “irmão”, não por genética, mas por
parentesco. “Porque, efetivamente em Israel os nomes das famílias se enumeram
segundo a natureza e segundo a Lei. Segundo a natureza por sucessão de
nascimento legítimo, segundo a Lei, quando morria um sem filhos e seu irmão os
engendrava para conservar o nome. Dessa forma conservavam-se as linhagens [...],
outra hipótese é provável que Tiago tenha sido criado por José após a morte do
pai e nessas condições passou a ser chamado de “irmão de Jesus”, não porque o
era de fato, mas, por ser José seu tio, eram primos. Como sabemos disso? Tiago
o Justo, também chamado Tiago Menor era filho de Alfeu e Maria de Clopas, irmã
de Maria mãe de Jesus.]
Pois bem, depois de Tiago, sucedeu-lhe a Simeão, filho de
Clopas, outro parente de Jesus. E, portanto, nós podemos perceber que a Igreja
sempre foi estruturada com a sucessão apostólica, seus bispos legitimamente
constituídos desde o princípio e que aqueles que eram escolhidos para o
episcopado, eram eleitos segundo os desígnios de Deus pela ação do Espírito
Santo e pela confirmação dos Apóstolos. Assim, também São Marcos que foi o primeiro
bispo da Igreja de Alexandria e depois dele sucedeu Aniano, já no império de
Nero (54-68 d.C).
Tudo
isto, podemos perceber, segundo atesta a própria Bíblia bem antes de
Constantino, (306-337 dC.), a Igreja Católica já existia, fundada por Cristo,
em primeiro lugar a Igreja é uma pessoa, Jesus Cristo; mas, também é uma
instituição e embora sabemos que o nome “católica” apareceu mais tarde, o fato
é que a Igreja já possuía um corpo hierárquico desde o princípio com O Papa,
seus bispos, presbíteros e diáconos.
Continua
Eusébio: “Pedro, segundo parece, pregou no Ponto, na Galácia e na Bitínia, na
Capadócia e na Ásia, aos judeus da diáspora, por fim chegou à Roma e lá foi
crucificado”.
Aqui
temos que entender o seguinte: Pedro era o líder, o chefe dos Apóstolos? Sim
era, se lermos os evangelhos e os Atos de Lucas podemos encontrar várias
passagens em que os demais apóstolos recorriam a Pedro para resolver certas
situações e era sempre Pedro a dar a última Palavra. Os evangelistas quando
narram o chamado de Jesus descreve sempre primeiro Pedro, depois João e Tiago,
seguido pelos demais. E quando Jesus escolhe Pedro como seu representante,
Mt16, após a Ascensão de Cristo toda a Igreja assim o reconhecia como o primás,
o príncipe dos Apóstolos. Somente após a reforma que Lutero ousou desafiar a
autoridade papal o que ninguém tinha feito até então, nem mesmo os reis.
Mas se
olharmos a curta narrativa de Eusébio, nos dá a entender que Pedro chegou à
Roma e logo foi crucificado e não é bem assim. Também não foi Pedro quem fundou
a Igreja de Roma. Quando Pedro lá chegou à Igreja já existia. Mas, foi lá que
Pedro escolheu para passar seus últimos dias e lá sofreu o martírio. E como lá
na colina Vaticana foi enterrado, os seus sucessores também fizeram de Roma a
sede definitiva do Papado. Mas nem sempre foi assim, houve tempos em que a sede
de Roma foi transferida para a cidade de Avignon na França e ali durou
aproximadamente 70 anos, entre 1309 e 1377.
Paulo,
que desde o Jerusalém até o Ilírico cumpriu a pregação do Evangelho de Cristo e
finalmente sofreu o Martírio em Roma sob Nero. Isto é dito por Orígenes no tomo
III de seus comentários ao Gênesis.
E
assim, depois de São Pedro, o segundo Papa e bispo de Roma foi Lino, cujo é
mencionado por Paulo quando de Roma escreve a Timóteo, na despedida ao final da
carta.
Sobre
a sucessão dos apóstolos assim escreve Eusébio:
“Que
Paulo pregou aos gentios, desde o Ilírico, deitou os alicerces das Igrejas,
está bem claro em suas próprias palavras e no que Lucas narra nos Atos.”
“Pelas
palavras de Pedro, (1ª Carta de Pedro) em sua Carta, da qual já dissemos que é
aceita, e que escreve aos judeus da diáspora, moradores do Ponto, da Galácia,
da Capadócia, da Ásia e da Bitínia, percebe claramente em que ele pregou a
Cristo e transmitiu a Doutrina do Novo Testamento aos que procediam da
circuncisão.”
“Não
é, porém, fácil dizer quantos e quais destes, convertidos em homens de zelo
genuíno, foram considerados capazes de apascentar as igrejas fundadas por estes
apóstolos, a não ser os que podem ser vistos nos escritos de Paulo. Este
realmente teve inúmeros colaboradores e – como ele mesmo os chama –
companheiros de luta. A maior parte ele considera digna de memoria imorredoura
e em suas próprias cartas dá contínuo testemunho deles. E não somente isto, mas
também Lucas nos Atos dá uma lista dos discípulos de Paulo e os menciona pelo
nome”.
“Pelo
menos Timóteo refere-se que foi o primeiro designado para no episcopado, (ser
bispo), da Igreja de Éfeso, assim como Tito, das Igrejas de Creta.”
“Luas,
por outro lado, oriundo de Antioquia por sua linhagem de Médico de profissão,
foi durante maior parte do tempo companheiro de Paulo. Mas seu trato com os
apóstolos também não foi superficial: deles adquiriu a terapêutica das almas,
ada qual nos deixou exemplos em dois livros divinamente inspirados: O
Evangelho, que ele confessa ter composto segundo o que lhe transmitiram os que
foram testemunhas oculares e se fizeram servidores da doutrina, dos quais ele
diz que seguiu desde o começo, os Atos dos Apóstolos que compôs, já não com o
que tinha ouvido, mas com o que viu com seus próprios olhos”.
Depois do imperador Vespasiano, sucedeu-lhe seu filho,
Tito. No segundo ano de seu reinado, Lino depois de exercer o cargo de bispo de
Roma por 12 anos, é sucedido por Anacleto (79 d.C.). O governo de Tito foi de 2
anos e alguns meses sendo sucedido por seu irmão, Domiciano (81-96 d.C).
No
quarto ano do reinado de Domiciano, (84 d.C.) morre Aniano, bispo de Alexandria
e seu sucessor foi Abílio. E no duodécimo ano do mesmo reinado, (93 d.C.),
Clemente sucedeu a Anacleto como bispo de Roma. Isto é atestado pela Carta aos
Filipenses na qual o apóstolo Paulo escreve: “Com Clemente também e os demais
colaboradores meus, cujos nomes estão no livro da vida”. (Filipenses 4,3).
Clemente
também escreveu uma carta, em nome da Igreja de Roma à Igreja de Conrinto,
tendo como como motivo exortar os fiéis daquela Igreja sobre uma sedição
ocorrida. Essa carta foi lida publicamente pela assembleia na maior parte das
Igrejas, não apenas antigamente, mas em nossos dias. Afirma Eusébio.
Não podemos
esquecer da Igreja de Éfeso. Esta foi fundada pelo apóstolo Paulo por volta do
ano 52 d.C. quando o apóstolo João ainda se encontrava exilado na Ilha de Patmos
e seu primeiro bispo foi Timóteo. Quando João foi libertado, (96 d.C.), já
encontrou a Igreja de Éfeso estruturada. O apóstolo João foi seu segundo bispo.
Na
mesma linha temos Policarpo, que foi discípulo de João. Este foi bispo da Igreja
de Esmirna [Ásia Menor, 96-100 d.C], e o registro mais próximo de sua sucessão
foi Irineu de Lion.
Portanto,
é falácia de alguns historiadores e dos demais protestantes ao tentar descontruir
que a Igreja primitiva era um “grupo de pessoas desorganizadas” e que a Igreja no
início não tinha sucessão apostólica, ou que o episcopado veio posterior. Ou
como afirma os presbiterianos que a sucessão era apenas de presbíteros e não de
bispos, etc.
Sabemos
pelos registros históricos que a Igreja sempre foi estruturada e que a sucessão
dos apóstolos era desde o princípio algo indispensável àqueles escolhidos para
o episcopado escolhiam homens retos, de caráter ilibado.
Sabemos
ainda que desde o século I, a Igreja era governada pelos seus bispos e que Pedro
era reconhecido como o primás, o líder entre os demais Apóstolos e com ele seus
sucessores conforme o desejo do próprio Cristo que lhe fez a “rocha” que
sustentaria a sua Igreja visível.
Fonte: História Eclesiástica, Eusébio de Ceareia
Capítulos II e III